Miranda: Starve
20 Solar Eclipse
Thay Scott
Depois de eu conseguir matar um pouco da saudade que eu estava dos meus amigos, voltei para a EPF e me encontrei com Greeny. Ele continuava procurando alguma coisa no computador, com uma expressão desanimada. Acho que ele não teve muito sucesso em sua investigação.
— E aí? Achou alguma coisa? — perguntei, depois de ter entrado no espelho que estava em cima da mesa, ao lado do computador.
— Não, mas ainda desconfio daquele pinguim. — ele respondeu, passando suas nadadeiras em seu rosto. — E você, achou alguma coisa?
— Eu fui à floresta e encontrei Minkis, Marcus e Juan... Não consegui falar com eles, obviamente, mas consegui matar um pouco da saudade que eu estava. — Eu disse e soltei um pequeno sorriso. Eu fiquei feliz em ver que eles estavam bem, porém, fico triste por eles estarem brigados com Greeny.
— Ah... Ei, será que se nós falarmos sobre as nossas suspeitas eles acreditam? — Ele perguntou ajeitando seu chapéu.
— Acho pouco provável... Você não vai tentar, né?
— Talvez... Vou sim. — Ele deu um sorriso e se levantou, pegando o espelho em que eu estava e guardando no bolso. — Vamos?
— Ah meu Deus...
Greeny saiu da sala de reuniões e, novamente, entrou na outra sala para se vestir. Dessa vez ele não demorou muito e, deixou as roupas de agente por lá mesmo. Ele saiu correndo, como se fosse a última coisa que faria na vida. Rapidamente chegamos na trilha da floresta. Andamos um pouco e avistamos Juan, que estava enchendo seu cantil nas margens de um rio que passava ali. Eu saí do espelho e andei até ele com Greeny, que disse:
— Juan. — disse com uma expressão séria.
— Oi, Greeny. Você veio nos ajudar? — respondeu, se virando. Ele parecia calmo.
— Onde estão Minkis e Marcus? Preciso falar com vocês.
— Eles estão seguindo essa trilha aqui... — respondeu apontando com sua nadadeira. — Pode ir lá que eu já vou. — Ele disse voltando sua atenção para a garrafa, que estava metade cheia.
Greeny seguiu a direção indicada por Juan, e eu não perdi a oportunidade, me aproximando de Juan e deixando minha sombra aparecer. Pisei na água, fazendo com que ela molhasse as mangas da blusa de Juan, que jogou seu cantil longe e se assustou.
— O que foi isso? — perguntou espantado.
Comecei a rir, já que ele não podia me ouvir. Depois fui na mesma direção que Greeny, que já estava quase chegando.
Lá estavam Minkis, Marcus e a loira Bella que Greeny falara.
— É essa garota insípida! Não confiem nessa... Nessa golpista! — Greeny gritava e Minkis revirava os olhos.
— O que? — perguntou Minkis. — Você só diz isso porque não gosta dela! Saia daqui se for para fazer acusações falsas! — Minkis gritava.
— Acho melhor você ir embora, Greeny. — Marcus dizia.
— Tudo bem... Não acreditam em mim, como sempre. — ele disse fazendo um feitiço de teletransporte para algum lugar, provavelmente para o seu iglu.
— Vai! — disse a pinguim inteligente, soltando um suspiro e se sentando no chão. — O que está acontecendo com ele? — perguntava.
— Que inferno! — disse sem ninguém me ouvir, porém tomei um choque. Não posso falar coisas assim, já que sou um espírito do céu. Aish!
Segui Greeny, que estava muito triste, ele realmente estava no seu iglu, no jardim do seu iglu na verdade.
— Eu não acredito que fui trocado por aquela... Loira aguada! — Resmungou, sentando-se na terra infértil do seu jardim.
— Vai dar tudo certo, é só questão de tempo. — Eu disse, mas estava fora do espelho, ele não me escutaria.
— Afinal, Thay, cadê você? — perguntou com a voz trêmula, olhando para os lados.
— Estou aqui! — respondi assim que entrei no espelho.
— Vamos para meu iglu. — ele disse, ficando parado e fazendo um de seus feitiços que eu nunca vou entender.
Depois de alguns segundos, chegamos em seu iglu e ele se deitou no sofá. Ele parecia calmo, mas, depois de um minuto, estava desabando em lágrimas.
— Calma! Por favor! — eu disse, entrando em outro espelho que estava em sua sala, para ele conseguir me ver.
— Eu perdi você, eu não posso perder mais ninguém! — dizia em meio as lágrimas.
— Calma, eu ainda estou aqui! Vai ficar tudo bem! Nós vamos nos reunir novamente! No caso, vocês vão! — Confesso que fiquei triste com essa frase, porém, eles vão se reunir novamente e, pelo menos eu ainda tinha Greeny.
Eu saí do espelho e abracei Greeny. Provavelmente ele não sentiu nada, mas eu senti. Ele estava muito triste, eu esperava realmente que tudo se resolvesse.
Greeny parecia querer ficar sozinho, então saí de seu iglu e comecei a andar pela montanha, desci, fui para o Esqui, para a Praia. Fiquei andando para lá e para cá, pensando nas palavras que vieram dos pinguins. Além de estarem duvidando das palavras dele, achavam que ele estava tendo alucinações, por dizer que estava falando comigo. Eu tinha que achar uma forma de provar que, por mais que eu estivesse morta, eu ainda estava lá, entre eles.
No meio da minha caminhada, passei pela floresta e percebi que o grupo ainda estava lá, porém, pareciam bravos e confusos. Cheguei mais perto e consegui escutar a conversa.
— Onde essa trilha maldita dá? — perguntou Minkis, enfurecida.
— Eu tinha certeza que era pra lá! — disse Juan apontando para o Sul.
— Certeza mesmo? Não parece ser por aqui. Por que a gente foi se perder agora! — falou Marcus, enquanto batia sua nadadeira em sua testa.
Eu queria muito ajudá-los, porém, não sabia se seria o certo. Queria ver Greeny bem, mas também queria tirá-los de lá.
Então veio uma ideia que pareceu óbvia depois em minha mente: Greeny queria que seus amigos acreditassem na palavra dele, então, o certo seria eu tentar ajudá-los, mas assim, mostrando que eu ainda estou aqui. Confuso, não? Porém, isso me fez despertar uma força que eu nunca tive! Nem mesmo quando estava viva. Eu me sentia disposta e determinada. Assim, consegui subir ao céu e me posicionar em frente ao sol. Lá, usei seus raios para apontar o caminho de saída para Minkis, Juan, Marcus e Bella. Eu nem sabia que conseguia fazer aquilo.
— Ei, o que é aquilo? — perguntou Juan, apontando para o Sol e apontado para seus raios, que mostravam um caminho.
— Espera, ali! Ali está a trilha! — disse Minkis, sorridente, e correndo para o caminho.
— Agora eu estou assustado... — falou Marcus, enquanto olhava para o sol e percebia que tinha algo de estranho, mas pareceu não ligar e seguiu seu caminho.
Juan olhou para a estrela e deu um sorriso. Será que ele acreditou? Ou será que achava que foi apenas uma coincidência? Não sabia, porém, me senti muito feliz com o que fiz e esperava que eles acreditassem em Greeny. Desci dos céus e fui correndo para o iglu do meu amigo para contar-lhe o que acabara de acontecer. Finalmente eu tinha percebido que ser fantasma tinha seus pontos positivos.
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