Miranda: Starve
16 Refreshed By Soap
Minkis Mackenzie
Na última semana, não tivemos muitos resultados, e pensamos que talvez fosse necessário descansar. Eu, juntamente com Juan e Marcus, tiramos um dia de folga. Estranhamente, Bella continuou trabalhando, parecia que estava muito focada, eu deveria estar assim. Mas, os dias de descanso foram em vão, pois mesmo de folga, não conseguimos parar de pensar na investigação.
Quando retornei ao quartel naquela manhã, tudo estava um caos. Diversos agentes estavam correndo, saindo e entrando pela entrada do local, o que estava acontecendo? Não muito longe, encontrei os outros investigadores, que pareciam estar tão confusos como eu. Me aproximei dos pinguins, perguntando:
— O que está acontecendo?
Os pinguins não sabiam como me responder, Marcus foi o único que me respondeu, dando de ombros. Ao meio de vários agentes, encostei no ombro de um, que imediatamente parou, olhando em minha direção. Não perdi a oportunidade, e repeti minha pergunta:
— O que está acontecendo?
O agente estava muito apressado, e talvez um pouco assustado, em choque, por isso, não conseguiu fazer uma frase corretamente, apenas disse algumas palavras, antes de sair correndo:
— Fogo, fogo! Jardim comunitário, agora!
Meus olhos arregalaram, virando em direção aos outros pinguins, que estavam tão assustados quanto eu. Juan olhou para os lados, e depois, voltou seu olhar em minha direção, falando:
— Nós vamos nesse jardim, né?
Assenti com a cabeça, imediatamente. O problema era que o agente não havia informado o local do fogo, e eu não tinha a mínima ideia de onde esse tal de jardim comunitário se localizava.
Por isso, começamos a seguir um dos vários agentes. Todos estavam correndo em direção ao Centro, e não demorou muito pela proximidade dos locais.
Quando pisei no local, fiquei chocada. O jardim era próximo à Loja Pinguim, o fogo estava alto, e os bombeiros estavam tentando apagar a chama. Enquanto observava a cena, comecei a pensar. Provavelmente, o ladrão dos alimentos e o pinguim que incendiou o jardim eram os mesmos.
Os pinguins que passavam, suas feições eram de horror, e com motivos, claramente. Quem poderia ser tão ruim no nível de queimar um jardim comunitário no meio de uma situação de fome na ilha inteira? Comecei a pensar no número de vítimas que aquela fome matou, eu queria chorar, por que aquilo estava acontecendo? Era o terceiro cavalo do apocalipse, como Juan disse? O que essa tal de Miranda queria com nós, pinguins? Enquanto estava de olhos fechados, pensando sobre a situação, comecei a escutar palmas e gritos de felicidade, abri meus olhos e vi que não havia mais nenhum fogo, todos presentes no local agradeciam aos bombeiros.
Não deixei de dar um sorriso, mas ainda estava triste. Estávamos com dois casos em nossas nadadeiras, e nenhum deles estava perto do fim.
Assim que os bombeiros saíram do local, eu e os investigadores nos aproximamos do jardim. O cheiro de queimado ainda era forte, a poucos minutos atrás, aquilo estava repleto de fogo. Nos ajoelhamos no chão do Centro, na procura de vestígios. Não era possível ver nada além de pegadas, o fogo havia eliminado qualquer tipo de prova.
Suspirei, passando as nadadeiras pelo meu cabelo, que estava preso em um coque, como sempre. Precisava me acalmar, não seria possível cuidar de dois casos se sentindo nervosa. Estava sem esperanças, apenas encontramos pegadas, e aquilo não seria tão útil para encontrarmos o culpado. Voltamos para o quartel cabisbaixos, estava chateada comigo mesma. Poxa, eu poderia ter achado algo além de pegadas!
Quando abrimos a porta do local, Juan pareceu se animar. Olhou para nós e disse:
— As câmeras!
Acabei me animando, juntamente com os outros dois pinguins. Corremos em direção à sala de câmeras, apertando o botão do andar repetidamente. Tínhamos uma oportunidade de encontrar suspeitos para o novo caso!
Quando o elevador chegou no andar, saímos do cubículo rapidamente, Era possível escutar nossos sapatos se chocarem contra o chão, o barulho era extremamente alto, coitados dos pinguins que estavam no andar anterior.
Avistei a sala das câmeras, a porta azul estava ali. Comecei a correr mais rápido, chegando no objeto de madeira colorida antes dos outros pinguins e abri a maçaneta assim que encostei minha nadadeira nela.
A porta se abriu, revelando as diversas telas de televisões que estavam na parede, que mostravam diversos locais da ilha naquele momento. Me sentei em uma das cadeiras, sendo acompanhada por Marcus, que sentou na outra. O outro pinguim começou a procurar as gravações de madrugada, no Centro. Em pouco tempo, o vídeo passava por todas as telas.
O vídeo começava com tudo escuro, afinal, era de madrugada. Aos poucos, um pinguim com um capuz amarelo surgiu na esquerda da tela, na direção do Ancoradouro. Ele me lembrava dos encapuzados que estavam na ilha no ano passado, e minhas penas se arrepiaram de lembrar-se da época, santo Sensei! Sacudi minha cabeça, prestando atenção no que estava sendo transmitido nas telas. Ele andava calmamente, sem pressa alguma. Quando estava próximo do jardim, olhou para os dois lados, na direção do Forte Nevado e do local que veio, e em seguida, foi possível ver o fogo tomar conta do jardim.
Marcus pausou o vídeo, todos estavam assustados. A chama apareceu tão rapidamente! Formamos uma roda, precisávamos discutir o que seria feito. Bella foi a primeira a se manifestar, a pinguim não havia sido a primeira a começar a falar em nenhum momento da investigação:
— Alguma ideia?
O silêncio se fez presente por pouco tempo, ele estava me incomodando. Juan começou a bater sua nadadeira no braço da cadeira giratória em que estava sentado, tentando estimular a si mesmo. Comecei a bater minhas nadadeiras no meu colo, e Bella começou a brincar com um pedaço de blusa que saía de seu moletom. Quando a outra garota do grupo arregalou seus olhos em direção à parede, todos pararam de reproduzir barulhos, inclusive a própria e deram atenção total para a pinguim.
Bella começou a enrolar seus cabelos na própria nadadeira, um pouco insegura do que ia dizer, mas fechou os olhos, suspirando fundo, como se estivesse tomando coragem, e disse:
— E... E se nos entrevistassem os pinguins? Seria uma boa maneira de tentar encontrar o suspeito.
Durante sua fala, ela não parava de enrolar o cabelo na nadadeira, e quando terminou me olhou, curiosa. Ela estava esperando uma aprovação minha?
Olhei para os outros dois pinguins e eles também estavam olhando para mim, poxa!
— Eu acho uma boa ideia, aproveitamos e entrevistamos os moradores durante o evento que o governo vai fazer daqui a pouco.
Os outros investigadores concordam, assentindo com a cabeça. Saímos da sala, indo até o Centro. Era melhor chegar cedo, quem sabe não poderíamos ajudar? O evento era para doar alimentos enlatados, os últimos de todos os mercados da ilha inteira.
Quando chegamos, conseguimos conversar com alguns agentes que estavam lá para monitorar, o número de crimes cresceu na ilha após o início da fome, principalmente o roubo. Aos poucos, os alimentos chegavam carregados por mais agentes, e percebemos que não eram apenas enlatados, havia algumas bebidas e os últimos pães e peixes. Queria chorar, nunca pensei que estaria perto dos últimos alimentos da ilha inteira, não pensava que iria presenciar uma situação desse tipo, era chocante e assustador.
As caixas de alimento estavam sobre o palco montado, Bella estava com balde de água e sabão na lateral direita da estrutura de madeira, para que os pinguins lavarem as nadadeiras, próxima a ela, estava um banco com os pães e peixes, e eu estava atrás deles, estava encarregada de entregar esses alimentos para os pinguins. No meio do palco estava um microfone, que provavelmente seria usado para Tia Arctic falar. Do lado esquerdo, estavam as caixas de alimentos enlatados, e Juan e Marcus estavam encarregados de entregar para a população
Tia Arctic se pronunciou, ela estava do meu lado! Era surreal ter uma figura importante para a ilha próxima a você. Ela era a primeira-ministra! Durante o pronunciamento, mantinha meus olhos vidrados na multidão de pinguins presentes. Ainda não acreditava que eles estavam ali para ter algo que deveria ser de fácil acesso para todos, comida. Não acreditava naquela situação, por que tudo isso começou? O que causou tudo isso que se iniciou ano passado?
No fim do discurso, me posicionei, aguardando os pinguins lavarem as nadadeiras para conseguirem entregar os alimentos. Depois de ter entregado alguns pães e alguns peixes para cerca de sete pinguins, algo inesperado aconteceu. A memória é tão nítida na minha mente, pensando bem, parece cena de filme. Enquanto aguardava o próximo pinguim, olhei para Bella. A garota estava com um olhar perdido, não conseguia descrever o que ela estava sentindo, talvez tristeza? Ela estava um pouco longe dos moradores, por isso, eles estavam se esforçando para lavarem as nadadeiras, por isso, olhei confusa para a menina e disse:
— Bella, se aproxime da beira!
A garota andava lentamente até a beira do palco, porém, no meio do caminho, havia um prego. Não dava tempo, a pinguim estava caindo, com o balde de água e sabão em nadadeiras. Durante a queda, ela se virou para a direção dos alimentos. Andei, para segura-la, e acabei fechando os olhos. Quando abri meus olhos, estava segurando Bella, deitada, em minhas nadadeiras. Virei a cabeça, e a cena era horrível. Todos os pães e peixes que estavam no palco, estavam no chão do Centro, molhados por água e sabão. Impossibilitando todos os pinguins de ingeri-los.
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