Thay Scott

Entramos no portal de olhos fechados. Após alguns minutos, quando Greeny disse para abrirmos os olhos, estávamos em um lugar um tanto familiar, mas na hora não consegui distinguir onde. Depois de alguns segundos em total silêncio, Minkis se pronunciou:

— Algo de errado não está certo...

E, realmente. Não estava certo. Percebemos isso após começarmos a cair. Mas, como assim cair? Não sei. Só sei que estávamos o tempo todo no teto da cripta, e, começamos a cair para o chão. Confuso, não é?

— O que foi isso? — perguntou Juan, balançando a cabeça.

— Eu estou tonta... — disse Minkis.

— Pelo menos voltamos — disse.

— Minha cabeça dói. — resmungou Greeny.

— Ok... Agora vamos falar sobre o que aconteceu, não estou entendendo muito bem... Como viemos parar aqui? A poção realmente funcionou ou isso é uma miragem? — perguntou Juan.

— A poção funcionou, obviamente. E não, não é uma miragem — respondeu Minkis.

— Meu Deus, eu queria estar sonhando. — Eu disse.

— Ok, agora vamos mudar para um assunto que eu queria falar. — disse Greeny ajeitando seu chapéu:

— Juan, você tem certeza que sempre anda com uma caneta? Você não está escondendo nada de nós? Eu... Estou um pouco desconfiado.

— O que? Como assim? Você não confia em mim? Por que está desconfiado? — disse Juan, alterando seu tom de voz.

— Gente! Não comecem. — disse eu.

— Por que ele esconderia algo de nós? Não faz sentido! — Respondi.

— Ah, tá. Agora a fada vai dizer que sempre anda com uma caneta! Ela é sua varinha mágica? Ninguém anda com uma caneta, Juan! — disse Greeny.

— Ele do nada fala que há uma caixa com Cream Soda e tira uma caneta de sei lá onde, do nada. — disse Minkis.

— Ou é pura coincidência ou ele está escondendo algo. — terminou.

— Mas gente... Ele mesmo disse que sempre carrega uma caneta, algo comum. E ele pode ter apenas falado sobre ter alguma caixa com Cream Soda, já que lá tem milhões de caixas com coisas inesperadas. — Eu disse.

— Ah, amiga! Para! Ele disse que nunca foi na dimensão das caixas, como do nada saberia sobre uma caixa com Cream Soda —disse Greeny.

— O sonho que ele teve... — disse Minkis pensativa.

— Não é nada disso gente...— disse Juan.

— Sis, vou tomar um ar lá fora. Se alguém perguntar, fala que eu tô procurando uma caneta no meu bolso — disse Greeny olhando para Minkis.

Greeny saiu da sala deixando Minkis, Juan e eu numa sala com total silêncio, que ficou durante vários minutos, uns 10 aproximadamente.

Juan estava em um canto da sala brincando com sua caneta, enquanto Minkis ficava lendo um livro de poções. Eu estava em outro canto da sala, observando tudo.

— Vocês... Não acham que o Greeny está demorando? — perguntou Juan.

— Vê se ele tá no seu bolso. — disse Minkis.

— Não começa menina, eu tô nervosa hoje, dou voadora de dois pés em você! Vou procurar ele lá fora! — Eu disse me levantando e indo até a porta.

Já estava escuro, então levei uma lanterna comigo. As pilhas estavam bem fracas, mas dava para o gasto. Comecei a caminhar ao redor do iglu. Comecei a sentir pressentimentos estranhos, mas, não liguei muito, afinal, não aconteceria nada de errado, certo?

Não vi Greeny em lugar nenhum, mas vi alguém parado do lado de um poste. Caminhei até esse pinguim, mas quando estava um pouco mais próxima, vi que não era Greeny e nenhum outro pinguim, e sim, um encapuzado.

Desliguei a lanterna rapidamente para ele não perceber minha presença, e comecei a caminhar lentamente indo embora. Quando já estava bem próxima do iglu, comecei a correr em direção à porta. Quando fui fechar a mesma, me deparei com algo no tapete. Vi que era aquele pozinho que encontramos outras vezes.

— Gente, gente! — Eu gritei desesperada.

— O que foi? — Perguntou Minkis.

— O Greeny não está lá. Procurei ao redor do iglu, mas não o encontrei. Encontrei um pinguim que parecia ser o encapuzado perto de um poste. Quando eu estava fechando a porta do iglu me deparei com algo no chão, era aquele pó preto! — Eu disse tudo rápido.

— Calma, respira... — disse Juan.

— Meu Deus... E agora? Isso é culp... — disse Minkis até ser interrompida:

— Não, isso não é culpa de ninguém! — falou Juan. “Nós vamos procurá-lo amanhã cedo, agora é muito perigoso sair. Fiquem tranquilas, vamos encontrá-lo.”

— Primeiro a Lina, agora Greeny... — Eu disse.

— Eu não quero mais... — Continuei.

Minkis estava parada, com uma expressão de preocupação estampada em seu rosto. Juan estava em seu canto novamente, batendo sua nadadeira em sua testa. Eu voltei ao meu canto, com minhas nadadeiras em meu rosto.

— Acho melhor dormirmos para acordamos cedo amanhã... — sugeriu Juan. “Boa noite, gente.”

— Boa. — disse Minkis, sentando no chão, encostando-se à parede.

A noite foi tranquila. Acordei algumas vezes ao longo dela para ver se estava tudo bem, mas tirando isso, tudo ocorreu bem.

De manhã, todos estavam visivelmente com fome. Fomos até a cozinha ver se tinha algo para comer. Juan começou a procurar nos armários e na geladeira. Ele acabou encontrando uma caixa de leite e alguns copos.

Tomamos o “café da manhã” em silêncio e saímos do iglu.

Eu ficava bem triste em ver que não tinha ninguém andando pelas ruas. Antes era tudo tão alegre...

Depois de um longo tempo caminhando, vimos um iglu de porta aberta, era nossa esperança no meio da imensa tempestade sem fim que enfrentávamos há mais de uma semana atrás.