Minkis Mackenzie

Estávamos em pânico, não sabíamos o que fazer. Avistamos a porta de um iglu aberta, e nossa primeira ação foi correr até o imóvel de gelo. O medo estava estampado nas nossas faces, afinal, enquanto corríamos, alguém poderia nos ver, e quem sabe esse alguém poderia ser o encapuzado? Porém tudo ocorreu bem, quando entramos fomos direto para a geladeira, e nela havia diversos alimentos, para a nossa sorte. Resolvemos que iriamos passar alguns dias naquele iglu, dias suficientes para a comida acabar, que no máximo seria de três.

Ainda estávamos muito assustados, afinal, não é todo dia que seu amigo diz que vai tomar um ar fresco e some. As palavras que Thay disse no dia anterior começaram a ecoar na minha cabeça. “Primeiro Lina, depois Greeny”. E se essa frase for realmente verdadeira? Quem seria o próximo?

Assim como a frase que Thay disse, a pergunta que eu mesma me fiz também ficou ecoando na minha cabeça pelo resto do dia. Com minha mente buscando respostas para o próximo desaparecimento, não percebi Juan falando, apenas acordei dessa “busca” quando Thay apertou minha nadadeira.

— Minkis, você está bem? — Disse Thay, visivelmente preocupada.

Eu não sabia o que responder. Um lado de mim queria dizer “sim” e trazer a desconfiança mais uma vez para a nossa roda de amigos, e quem trazer a tona mais um desaparecimento. Com o medo de causar mais um sumiço, respondi baixo:

— Não.

Um silêncio se instalou no imóvel de gelo, de vez em quando, o único barulho fazia no local era o do vento. Porém ele foi cortado por Juan:

— É por conta do sumiço do Greeny, certo? — Disse, passando a nadadeira direita em sua nuca.

De fato, o sumiço dele também era um dos motivos, mas não o único. Estávamos passando por diversos motivos, sendo eles a falta de comida, e por conta disso tivemos que ficar mudando de iglu. Outro motivo era o encapuzado, ele poderia aparecer no imóvel que estávamos a qualquer momento, e nós não poderíamos fazer simplesmente nada, apenas aceitar que adicionarmos mais três números na lista de desaparecidos.

Para não mostrar o tamanho de motivos para eu estar daquele jeito, apenas balancei a cabeça para cima e para baixo repetidamente, fazendo um sinal que significasse “sim”. Eu não estava mentindo, afinal, era um dos meus motivos, apenas não falei os outros dois, pois sabia que se falasse eles, ambos ficariam preocupados e o pânico iria tomar conta da nossa amizade, de novo.

Naquele momento não importava mais de onde Juan havia tirado aquela caneta, apenas importava achar uma solução para encontrar nossos amigos e conseguir sobreviver em uma ilha que está praticamente deserta, em guerra e destruída.

Chegou um certo momento em que cheguei em um pensamento que não sabia como ainda nenhum de nós havia questionado, porque o encapuzado estava sequestrando os pinguins? Não! Tinha que ter algum motivo! Até porque ninguém vai acordar um dia e diz: “Hoje eu irei sequestrar todos os pinguins presentes no evento beneficente!”. Bem, pelo menos ninguém que eu conheça!

Com esse pensamento, acabei adicionando um objetivo a cumprir na minha lista mental, descobrir o por quê desse pinguim encapuzado ter sequestrado vários pinguins por toda a ilha. Bem, pelo menos eu acho! Afinal, não faz sentido alguém sequestrar pinguins de certa área, só se o encapuzado ter algo contra o Centro.

Passei os outros os dois dias que ficamos no iglu lendo livros relacionados ao assunto, mas nenhum motivo mostrado nas linhas dos grandes e grossos livros me fez pensar: “Isso! Esse é o motivo!”. Não importava a quantidade de folhas nem a qualidade dele, mas nenhum me fez meu objetivo.

Até chegou o “grande dia”, o dia de ir embora. Pegamos nossas únicas coisas que conseguimos trazer ao iglu, que no máximo eram bolsas simples da coleção de bolsas da Tia Arctic presentes na loja pinguim.

Nós três, estávamos a frente da porta do imóvel. Estávamos com o sentimento de medo impregnando os nossos corpos, fazendo as nadadeiras de alguns tremerem, como foi no meu caso, não sabíamos o que iriamos encontrar do outro lado daquele pedaço de madeira. Respiramos e inspiramos lentamente, fazendo uma fumaça sair de nossos bicos, sinalizando o quão estava frio naquele dia. Juan colocou sua nadadeira na maçaneta do iglu, impossibilitando o mesmo de sentir o quanto ela estava gelada.

O pedaço de madeira se abriu, fazendo um barulho, sinalizando que estava velha. Estava nevando, não em uma quantidade absurda, bem fraco na verdade, mas em compensação, um forte vento nos atingiu segundos depois após a porta ser aberta, fazendo meu coque ir para trás e voltar a posição inicial totalmente desarrumado, me obrigando a refazê-lo. Uma neve fraca não nos impediria a ir ao próximo iglu, que era a três horas do local em que estávamos. Para uma viagem um tanto demorada, resolvemos trazer alguns alimentos. Ajeitei minha bolsa marrom em meu ombro, arrumei minha franja, me dando uma visão melhorada do local completamente branco por conta da neve. Arrumei minha blusa azul de meu time favorito de hóquei e olhei decidida na direção em que iríamos. Eu não deixaria nada ocorrer durante essas três horas, ninguém e nada irá nos atrapalhar ou enfrentar, e se tentar nos enfrentar, precisará passar por cima do meu cadáver!