Miranda: Coven
10 Witch Trials
Thay Scott
Nós saímos da delegacia depois de darmos nossos depoimentos. Estávamos voltando ao iglu de Greeny. O caminho estava silencioso, com exceção de alguns comentários como “Que frio!” e “Concordo”.
A delegacia era no Plaza, um lugar muito longe da montanha onde Greeny morava. No meio do caminho, senti um pressentimento estranho, eu não sabia bem o que era, mas sabia que algo poderia acontecer e alguém sair ferido, ou algo pior.
— Parem! — falei, fazendo com que os dois pinguins olhassem para mim. — Eu não sei o que, mas algo vai acontecer. Fiquem atentos.
— Como assim? — perguntou Marcus, sem entender.
— Greeny, cuidado! — gritei, fazendo o pinguim se abaixar. Uma flecha ia atravessar sua cabeça, mas deu tempo de eu conseguir segurá-la.
— O que foi isso? — Greeny disse assustado. — Meu Sensei! — falou, desviando de outra flecha que vinha em sua direção.
— Acho melhor corrermos, certo? — falou Marcus, assustado.
— Vamos ao meu iglu, é na floresta, fica próximo. — Eu disse, enquanto ajudava Greeny a se levantar.
Começamos a correr em direção à floresta, porém, as luzes dos postes se apagaram e ficamos num breu. Com o maior cuidado e silêncio, tentamos chegar ao meu iglu, porém, mais flechas foram atiradas, mas por sorte, nenhuma nos atingiu.
Chegando lá, ofegantes pela corrida, abrimos a porta e damos de cara com Gerda e as outras duas bruxas, Gaia e Greta.
— Meu Sensei do céu! — disse Marcus, quase caindo no chão de susto tirando seu casaco e sentando-se no sofá.
— Você sempre me assusta, Gerda! — falei enquanto também me sentava no sofá. — Espera! Como vocês entraram aqui? — perguntei.
— Essas garotas têm pacto com o demônio — respondeu Greeny, como se fosse uma resposta óbvia.
— Ok, ok. Chega de besteira. Nós precisamos falar sobre a caça de bruxas que está ocorrendo. — começou Gerda. — Várias bruxas estão correndo perigo, incluindo nós, presentes aqui. — continuou, apontando para as bruxas presentes na sala. — A idade das trevas está se repetindo, Greeny! A única forma de conseguirmos ficar protegidas é com sua ajuda! Por favor, participe do coven. É pela sua vida, nossa e de outras bruxas! Como as gerações futuras vão ficar?
— Eu já disse que não vou, Gerda! — repetiu Greeny.
Eles continuaram discutindo sobre isso, que todas as bruxas vão morrer se Greeny não fizer nada, e etc. Eu e Marcus não estávamos entendendo muita coisa, até que meu telefone começou a tocar.
— Me desculpem. — todos olharam para mim. — Eu já volto. — saí da sala, saindo do iglu, mas me lembrei do que acabara de acontecer, dei meia volta e corri até a cozinha. Foi possível ouvir uma risada e um “O que essa garota tem?”, vindo de Gerda.
— Alô? Quem é? — perguntei.
— Sou o Delegado. Gostaria de dizer que sua amiga, Srta. Mackenzie, fugiu de sua cela. Se ela estiver com você ou com outra pessoa, por favor, a traga de volta, ou vocês e ela podem se prejudicar.
— O que? Como assim fugiu?
— Os policiais foram fazer uma vistoria pelas celas e acabaram não achando ela. Foi encontrado um desenho na parede, fora isso, nada fora do comum.
— Ah... Ok, se nós a encontrarmos entraremos em contato. Boa noite.
— Boa noite.
Eu não acredito que ela fugiu. Ela deve ser muito inteligente para conseguir fugir sem deixar pistas. Se bem que, não tem como ela sair de lá, é quase impossível!
Entrei correndo na sala, e disse:
— A Minkis fugiu!
— O que? — disseram Greeny e Marcus em uníssono, levantando do sofá.
— Eu não sei! O Delegado me ligou perguntando se ela estava aqui, e se estivesse, era melhor levá-la de volta à delegacia, se não estaríamos encrencados.
— Olha, licença senhoras bruxas, mas é algo importante. — disse Marcus, pegando seu casaco azul marinho. — Tchau! — saiu.
— Acho que já chegamos a um acordo, certo? — disse Greeny, colocando seu chapéu.
— Tchau! Ah, fechem a porta quando saírem. — eu disse. — Aliás, é melhor se teletransportarem para não fazer bagunça. — Continuei, dando uma pequena risada.
— Essa garota... — disse Gaia provavelmente revirando os olhos.
Já fora do iglu, Greeny se lembrou de algo.
— É melhor eu não ir com vocês...
— Verdade... Fica no meu iglu! Se precisar de algo, liga. — eu disse.
— Se nós a encontrarmos, ligamos para você. — falou Marcus.
— Ok, boa sorte gente. — disse Greeny, entrando no iglu, e percebendo que as bruxas não haviam ido embora. — Ai pelo amor de deus. — resmungou.
Tranquei a porta e Marcus sugeriu irmos para o meio da floresta, já que Minkis poderia se esconder no meio das árvores ou dentro da caverna.
Andamos um pouco, já que meu iglu fica praticamente na floresta, e começamos a procurar.
— Minkinha! Minkis! — eu gritava. — Você está aqui?
— Minkis! — Marcus também gritava.
— Acho que ela não está aqui, Marcus.
— Vamos continuar procuran... — ele foi interrompido por alguém gritando, ou melhor, tentando gritar. Pareciam gemidos pedindo socorro.
— Minkis! — falamos e saímos correndo para o meio das árvores, onde encontramos a pinguim amarrada com uma corda numa grande árvore. Seu bico estava envolvido por uma fita isolante. Certamente iria doer um pouco para tirar.
Enquanto eu tirava a fita do bico de Minkis, Marcus tentava soltá-la da corda.
— Como você veio parar aqui, menina? — perguntei, sem receber uma resposta, pois ainda estava tirando a fita.
— Mmmmmmmmmmmm — ela dizia.
— O que?
— Mmmmmmmmmmmm.
— Ai meu Deus, espera! — puxei a fita com força, e ela gritou.
— Ai, Thay! — ela disse nervosa.
— Também te amo, Minkis. — disse rindo enquanto a pinguim passava sua nadadeira em volta de seu bico para aliviar a dor.
Novamente senti um pressentimento ruim, que algo iria acontecer, estava com medo de tudo acontecer de novo, porém, quando fui tentar avisar algo, alguém atirou uma flecha.
— De novo não... — reclamou Marcus.
— Corram! — gritei.
Nós puxamos Minkis, que estava mancando um pouco. Provavelmente ela teria se machucado. Quem seria o alvo? Por que nós? Felizmente não atiraram mais.
Começamos a diminuir o ritmo da corrida e começamos a andar até meu iglu, que já estava bem pertinho.
— Quando entrarmos, você pode nos contar o que aconteceu, por favor? — pediu Marcus. — A polícia está te procurando. É melhor ligar para eles, não é?
— Sim, mas vamos entrar primeiro. — Eu disse enquanto procurava a chave da porta. — Achei!
Entramos no meu iglu. Percebemos que todas as luzes estavam apagadas e a porta estava trancada, como havia feito antes de sair. Provavelmente Greeny teria dormido, não?
Não. Quando entramos, não tinha absolutamente ninguém. Em cima da mesa de centro, havia um papel. Logo peguei e comecei a ler em voz alta.
Thay, eu fui até a montanha para tentar abrir novamente o portal da Ilha do Club Penguin. Eu preciso fazer contato com Juan, ele pode estar em perigo por lá, Dylan deve estar por perto e quem sabe o que ele pode fazer? Prometo ligar se conseguir encontrá-lo. Fique bem e proteja Minkis e Marcus para mim.
Sinceramente, Greeny Wicked.
Mais um problema para a noite, que legal.
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