Greeny Wicked

Não fazia muito tempo depois do desaparecimento de Minkis, o telefone tocava toda hora, eu o usava toda hora, mas não havia nenhum sinal de Minkis. Em apenas um mês dois dos meus amigos haviam desaparecido e isso era suspeito, muito suspeito.

Eu estava muito distraído preparando um chá de hibisco, por isso que quando alguém bateu na porta eu me assustei e acabei derrubando o chá em quase tudo. Fui abrir o iglu na esperança de ser Minkis, mas era só Marcus e Thay com a ficha criminal da amiga de penas amarelas.

— Conseguimos a ficha da bandida contrabandista sequestradora, Minkis Mackenzie! — Disse Thay pulando e rindo como se a ficha fosse nos ajudar a encontrar a pinguim desaparecida.

— Você esqueceu de infratora, cleptomaníaca, assassina e traficante. — Eu disse sem animação. — Por que ela ainda está sendo acusada? É impossível ela ter matado alguém!

— A ficha pode nos ajudar a descobrir o nome dos pinguins que foram encontrados mortos até agora, daí quem sabe podemos ligar a outros fatos e talvez encontrar o verdadeiro assassino. — Marcus disse balançando a ficha.

Nós nos sentamos na mesa branca de madeira que ficava em minha cozinha, tirei o vaso de flores e então espalhamos os papéis. As informações não pareciam ser concretas... Ou éramos nós que não queríamos acreditar.

Passadas algumas horas afundadas nos papéis, Marcus acaba finalmente encontrando o nome das “vítimas” de Minkis. Gabrielle Windfrey e Ginger Morningstar.

Eu nunca vi esses nomes, mas aparentemente Thay sim. Assim que viu os nomes, a pinguim ficou biqueaberta, era como se todo o crime estivesse solucionado e todas as perguntas respondidas.

— Ginger e Gabrielle são membras do culto da sua mãe! — Ela gritou puxando as mangas de sua blusa para baixo.

— Não faz sentido Minkis querer matá-las, elas nunca se conheceram! — Marcus respondeu.

— Alguém está matando bruxas. — Eu disse com a voz um pouco trêmula.

— Como você descobriu isso? — Marcus indagou.

— E-eu estava no sótão procurando uns livros de magia pra ler porque todo mundo aqui entende disso e eu não, me sinto estúpida! Então encontrei um baú bem bonito todo entalhado, dentro tinha um livro lindo de capa de couro preta com um número 7 e uma joia vermelha, eu peguei e abri, vi esses nomes e lembro exatamente dessa Gabrielle e essa Ginger, fora a Gerda existem mais três bruxas que eu não lembro o nome muito bem... Nós podemos procurá-las e vigiá-las e ver se é realmente Minkis a assassina de bruxas. — Thayla disse com as nadadeiras suando e puxando cada vez mais a blusa. O que diabos essa garota tinha?

— Então vamos ao sótão anotar os outros nomes e começar a procurar por elas na ilha, aonde bruxas ficam? — Marcus disse juntando os papéis da ficha de Minkis.

— Bom, vendo as raízes da minha família é possível que elas sejam todas bruxas da natureza... Eu geralmente me sinto muito mais poderoso na natureza, tem toda uma aura diferente... — Eu disse. Quem visse iria pensar que eu era hippie.

Pegamos nossas coisas e descemos a montanha, pouco tempo depois chegamos no sótão, Thay subiu as escadas e em alguns minutos já desceu com o baú, abrimos e pegamos o livro. Logo no índice havia o nome das seis bruxas, e surpreendentemente havia espaço para o sétimo nome.

Anotamos os nomes em papéis e então guardamos de volta, eu queria levar o livro para meu iglu, mas Thay sugeriu mantê-lo no sótão para que as bruxas não descobrissem a existência dele.

Assim que saímos eu percebi que Thay sentia dores no pulso, ela esfregava quase que toda hora e fazia uma cara horrível.

— Tá tudo bem com esse pulso aí? — perguntei.

Ela assentiu puxando as mangas da blusa mais uma vez e depois seguimos nosso caminho para a montanha, mas antes resolvemos passar na Floresta para ver se encontrávamos pelo menos uma bruxa lá, na verdade até encontramos... O sangue de uma delas.

Havia pegadas que levavam exatamente para onde nós mais temíamos: iglu de Minkis. O que essa garota fez?

Seguindo as pegadas percebemos que a porta do iglu de Minkis estava aberta e suja de sangue. O cheiro de sangue era assustador, eu estava com medo de ser atacado a qualquer momento, parecia um filme de terror. Toda aquela carnificina me assustava.

Marcus chutou a porta do iglu, demos de cara com um corpo de uma bruxa com um corte no pescoço.

Ouvimos um grito, eu quase desmaiei de susto, caí nas nadadeiras de Thay que também se assustou.

Era Minkis, ela estava encolhida no canto da sala de estar, com os olhos arregalados para o corpo da bruxa, suas nadadeiras estavam ensanguentadas e seu cabelo completamente desordenado.

Thay correu em direção ao corpo da bruxa, enquanto eu fui tentar conversar com Minkis. Me assustava a possibilidade de ela ser uma serial killer.

— Ahm... Oi... — Eu disse chegando perto dela com calma e cautela.

— Não fui eu, eu juro! Ela estava ferida, eu só tentei ajudar, eu não sei o que aconteceu! Por favor acredita em mim! — Minkis gritava em desespero quase chorando.

Thay colocou a nadadeira no pescoço da bruxa verificando se seu coração ainda batia, mas como imaginávamos... Era o fim da linha.

Ajudei Minkis a levantar e fui preparar um chá de camomila para acalmá-la, aquela situação nunca havia passado pela minha cabeça, nem quando Dylan dominou a ilha.

Dylan.

Aquele maldito nome só me lembrava Juan... Aonde ele estava? Nem a polícia sabia, no nosso último depoimento eu perguntei se encontraram algum pinguim perto da montanha ou nas cavernas.

Como ele poderia estar na Ilha do Club Penguin? Eu sempre imaginei aquele lugar como um profundo vazio... E se quando ele caiu no portal ele acabou morrendo?

Eu não aguentava mais pensar em tantas coisas, eu estava exausto, não descansava desde o começo do mês. Só queria dormir e descansar, eram tantas preocupações... Amigos desaparecendo, outros sendo acusados, uma mãe insana...

Eu estava quase surtando, até que Marcus apareceu na cozinha enquanto eu preparava o chá. Mesmo depois de tudo que ele me disse eu ainda gostava de ouvir sua voz. Tão suave e calma, parecia que a cada palavra eu sentia suas nadadeiras me abraçando. Desliguei a água do chá antes que ela evaporasse e coloquei em xícaras de girassol para todos nós, acho que não era só eu que precisava de um descanso.

Levei as xícaras em uma bandeja até a sala de estar e coloquei na mesa do centro.

Todos beberam tão rápido que pareciam que não bebiam água faz um mês.

Minkis chorava compulsivamente olhando para o corpo, resolvemos levá-la até a cozinha enquanto a polícia estava a caminho. Minutos depois a polícia chega e retira o corpo em um outro carro. O Delegado veio junto dessa vez, ele estava realmente irritado, trouxe algemas e até armas caso alguém o contrariasse.

— Sem algemas. Ela não fez isso. — Marcus disse levando Minkis até a viatura.

Nós entramos juntos e seguimos para a delegacia, seria mais um dia super empolgante falando horas e horas sobre algo que Minkis certamente não fez.