Miraculous - Amor Revelado
36 Você sabe quem eu sou?
A noite de sábado chegou. Rápido até demais na opinião de Marinette. Estava extremamente nervosa com aquele jantar na mansão Agreste. Desde que Adrien ligara pra ela naquela manhã confirmando o compromisso, a garota não conseguia pensar em mais nada. Secretamente ela tinha esperança que Gabriel desmarcasse aquele jantar, admitiu para si mesma enquanto se olhava no espelho apenas com uma toalha enrolada no corpo. Ele era um homem muito ocupado e era quase um milagre ter arranjado tempo para um jantar com o filho e a nova namorada.
No entanto, além de confirmar o jantar, Adrien ainda lhe dissera para levar seus croquis, pois o pai havia pedido para vê-los. Resultado: ela estava duplamente nervosa agora!
— E então? Qual a imagem você quer passar para seu futuro sogro? – Alya lhe perguntou com um ar de divertimento. A amiga havia chegado a sua casa na parte da tarde depois de receber um telefonema desesperado de Marinette pedindo sua ajuda. A ruiva estava parada em frente o guarda-roupa da mestiça com as portas abertas analisando cada uma das peças da garota. – Comportada? Séria? Romântica? Sexy...? Hum... Acho que não...
Marinette estreitou os olhos.
— Que bom que a senhorita está se divertindo as minhas custas. – A mestiça bufou fazendo a amiga cair na risada.
— Só estou tentando te ajudar a escolher uma roupa para o seu jantar importante! – Alya consultou o celular, ajeitando os óculos — E sinto te dizer que você está começando a ficar atrasada. Não quer causar uma má impressão no Senhor Agreste quer?
— Ai meu Deus Alya! Me ajuda! – A garota começava a se desesperar
— Acalme-se Marinette. Foco! Tem que usar uma das suas criações, para impressionar seu futuro sogro e deixar seu gatinho babando também é claro!
Marinette revirou os olhos para a amiga
— Minhas criações não chegam nem aos pés dos modelos de Gabriel Agreste Alya! Vai ser difícil impressiona-lo com qualquer uma delas.
— Você se subestima demais Marinette! – Alya começou a retirar algumas peças do guarda roupa que ela sabia tratar-se de criações da mestiça e entregava para que ela vestisse — Que tal calça de couro preta... ah...essa blusa preta é maravilhosa, eu amei quando você a desenhou. – Ela deu um pequeno gritinho ao pegar o cabide com um sobretudo também de cor preta – Me diz que coisa absurdamente linda é essa?
Marinette achou graça da expressão da ruiva que parecia ter encontrado um colar de diamantes
— É novo. Criação minha também, ainda não tive chance de usá-lo. — Marinette já havia vestido as roupas íntimas e agora começava a colocar as peças que Alya ia lhe passando.
— Então será hoje! – Ela bateu palmas e deu pulinhos de alegria ao entregar-lhe o sobretudo.
— Mas Alya, não acha que vai ficar estranho estar toda de preto?
— Shhh... Espere, ainda não terminei. E agora me deixe ver... Achei! Esse cachecol maravilhoso será o toque final, nossa que brilho lindo! — Alya admirava o cachecol azul turquesa de fios brilhantes, outra das criações de Marinette.
A mestiça não conseguia nem pensar direito. Desistiu de questionar a amiga e aceitou de bom grado as sugestões sobre as roupas que deveria usar. Para completar o traje, calçou botas pretas de cano curto. Olhando-se no espelho achou que estava... Apresentável, apesar de Alya insistir que ela estava linda. Prendeu os cabelos em um coque frouxo, deixando a franja de lado e passou uma maquiagem leve apenas para realçar os olhos e os lábios. O resultado final era harmonioso.
— Marinette! Está pronta filha? Seu pai já está no carro!
— Estou descendo mãe!
— Pensei que o Adrien viria te buscar! – Alya perguntou e Marinette sorriu
— Ele queria, mas meus pais fizeram questão de me levar. Você sabe como eles são protetores. É a forma de eles me mostrarem apoio e...
— Deixar claro para o senhor Agreste que você é uma moça de família.
— Exato! – elas riram
— Então eu já vou Mari. Quero saber de tudo amanhã heim! Com...
— Já sei! Com detalhes!
— Boa menina! – as duas riram mais um pouco, porém a ruiva percebeu que a amiga ainda estava apreenssiva. Suspirou e pôs uma das mãos no ombro de Marinette – Escute, você é uma garota incrível. Eu sabia que chegaria o dia em que o Adrien iria perceber isso. Ele tem sorte de namorar você. Não deixe que ninguém lhe diga o contrário está bem?
Marinette sorriu e seus olhos ficaram marejados
— Obrigada Alya. Por sempre me dizer a coisa certa e por estar comigo nos momentos mais importantes.
A ruiva lhe deu um abraço
— Amigas são pra isso! Até amanhã – Afastou-se e despediu-se com uma piscadela.
Marinette borrifou um pouco de seu perfume favorito dando uma última olhada no espelho.
Chamou Tikki que estava escondida na gaveta da penteadeira.
— Está muito nervosa Mari?
— Estou Tikki, mas chegou a hora e eu preciso encarar esse jantar.
— Vai dar tudo certo Marinette.
— Assim espero. Vamos! – A joaninha entrou na pequena bolsa preta da mestiça que respirou fundo e saiu do quarto.
***
Adrien também estava ansioso aquela noite. Estava tudo pronto para o jantar, tudo na mais perfeita ordem, como sempre funcionava na mansão da família Agreste. Seu pai não havia desmarcado o compromisso, fato que o loiro havia considerado um pequeno milagre considerando todas as vezes em que ele se ausentava do lar por causa do trabalho. Porém, mesmo com tudo correndo tão bem, algo o inquietava. Apesar de seu pai já ter dito que aprovava o namoro dele com Marinette não podia deixar de ficar um pouco nervoso com aquele “encontro oficial”.
Gabriel andava diferente ultimamente, Adrien tinha que reconhecer, ele estava se esforçando para que o relacionamento entre pai e filho melhorasse. Desde o episódio em seu quarto quando lhe perguntara sobre o livro e quase lhe agredira, as coisas haviam mudado.
Talvez aceitar seu namoro fizesse parte dessa tentativa de reaproximação, mas não tinha como saber.
Apesar do nervosismo, Adrien estava louco pra ver sua princesa. Desde que passara a madrugada na casa dela eles não se viram mais, apenas conversaram por telefone. Isso havia sido há apenas dois dias, mas a saudade já batia na porta do seu coração. Queria estar com Marinette a todo o momento, mal podia esperar para o retorno das aulas a fim de vê-la todos os dias.
Diante de seu reflexo no espelho o loiro suspirou. Estava criando uma dependência da garota. Tinha que se policiar para não sufocá-la, afinal não tinha certeza se ela se sentia do mesmo jeito com relação a ele...
Acreditava que com o tempo as coisas iriam se aquietar, o relacionamento iria amadurecer e ele conseguiria agir normalmente com ela e não como um obcecado! Riu de si mesmo. Não sabia se aquela era a palavra certa para definir o que estava sentindo, mas parecia se encaixar. Estava obcecado pela garota de cabelos de ébano e olhos azuis profundos como dois oceanos de mistérios que o atraíam para desvendar cada um deles. Aqueles olhos que tinham várias nuances e mudavam de acordo com seu humor. Se ela estava feliz eles ficavam claros como o céu de verão, combinavam perfeitamente com o sorriso radiante que só ela tinha. Se estava com raiva eles brilhavam em um tom de azul mais forte e poderiam deixar qualquer vilão de pernas bambas. Adrien preferia nunca se tornar alvo daquelas íris raivosas. Mas quando ela estava com desejo... Ah... Eles escureciam consideravelmente como o céu de uma noite tempestuosa e o puxavam, levando-o para o meio do furacão de sensações alucinantes...
— Nossa Adrien! Você já está dando muito na cara garoto!
O loiro despertou de seus devaneios, virando-se para seu kuami
— O que disse Plagg?
O gatinho negro revirou os olhos enquanto pegava mais um pedaço de queijo do pote.
— Esse olhar apaixonado, sorriso bobo e suspiros... ai Mari... my ladyprincess, chérie, mon amour, bugboo, princesa...- Plagg imitava Adrien com uma voz engraçada e gestos dramáticos
— Cala essa boca Plagg! – Adrien o repreendeu, mas não conseguiu conter o riso – Você é insuportável sabia! Eu a amo seu gato idiota.
— Eu sei, mas vê se controla pelo menos na frente do seu pai! – Plagg disse já entrando no bolso do casaco do loiro.
Adriem respirou fundo e abriu a porta do quarto
— Vou tentar!
***
Estava em frente ao portão da mansão. Marinette ainda criava coragem para sair do carro. Olhava para a imponente construção a sua frente. Já havia estado ali várias vezes, mas agora era tudo novo a seus olhos.
— Você está bem Marinette? – seu pai lhe perguntou preocupado – Quer que eu entre com você?
A garota sorriu e fitou os olhos do pai. Era muito fofo como ele se preocupava e queria protegê-la.
— Não pai, está tudo bem. Obrigada por ter me trazido.
— Quer que eu venha te buscar?
— Não precisa. Acredito que Adrien vai insistir em pedir o gorila para me levar pra casa.
— Está bem, mas qualquer coisa é só me ligar.
— Tudo bem super pai. Eu te amo! – Marinette deu-lhe um beijo na bochecha e já ia sair do carro quando ouviu a voz de Tom
— Filha... – ela virou-se pra ele ainda sorrindo – Sei que está insegura quanto a esse jantar e a opinião do senhor Agreste, mas quero que saiba que eu me orgulho de você e que você é maravilhosa e merece o melhor que a vida tem para lhe oferecer, portanto não se sinta intimidada por ninguém. O que você tem dentro de si tem muito valor.
Marinette estava com os olhos marejados de novo. O pai havia lhe dito palavras muito semelhantes às de sua amiga Alya. Ela era grata por ter pessoas em sua vida que a compreendiam tão bem e se importavam com ela. Abraçou o pai sentindo-se bem mais confiante.
— Obrigada Papai – com um último sorriso ela saiu do carro e dirigindo-se ao enorme portão tocou a campainha bem no horário marcado.
Adrien desceu as escadas no exato momento em que Marinette passava pela porta de entrada da mansão que fora aberta pelo mordomo. Ela estava linda, tão elegante com aquele sobretudo preto e cachecol azul que combinavam muito bem com a cor de seus olhos e da sua pele.
— Boa noite princesa – Adrien a cumprimentou formalmente com um beijo na mão, estilo Chat Noir.
Ela estranharia a formalidade se não tivesse visto o brilho divertido em seus olhos.
— Boa noite gat... hã.. Adrien. – Ele sorriu travesso. Sabia que ela quase lhe chamara de gatinho. Virou-se para o mordomo – Por gentilza, avise meu pai que Marinette está aqui.
O empregado assentiu e se retirou. Adrien viu a tensão na postura da namorada.
— Nervosa?
— Muito – ela sorriu timidamente
— Relaxe. Você está linda – ele não resistiu e roçou os lábios da garota em um beijo leve – Tikki veio com você?
Ela estava tão hipnotizada pelo olhar de esmeralda e o beijo suave que sequer prestou atenção na pergunta.
— O que? – Adrien achou graça e sentiu-se feliz por causar aquele efeito em sua princesa, assim como ela o deixava atordoado.
— A Tikki, ela está aí? Plagg ficou me importunando pedindo para que eu deixasse os dois no meu quarto durante o jantar.
— Ah, sim ela está. – Marinette abriu a bolsa preta e Tikki pôs a cabeça pra fora.
— Olá Adrien!
Ele sorriu e devolveu o cumprimento
— Oi Tikki.
— Ei, eu não fiquei importunando! – Plagg saiu do bolso de Adrien com cara emburrada, fazendo os outros três rirem.
— Silêncio Plagg. Leve Tikki ao meu quarto onde ficarão mais a vontade. E comporte-se – Adrien sorriu malicioso para o kuami negro. Plagg o ignorou e virou-se para Marinette
— Boa noite Mari, desculpe os maus modos, mas esse seu namorado aí me tira do sério!
— Tudo bem Plagg, boa noite e tomem cuidado – Ela sussurrou enquanto o loiro a seu lado revirava os olhos diante do comentário desaforado do kuami.
Plagg pegou na mãozinha de Tikki e os dois foram voando rapidamente até o quarto.
Pouco tempo depois Gabriel apareceu no topo das escadas.
— Marinette – Ele veio descendo com uma expressão enigmática no rosto e o que pareceu aos olhos da mestiça, uma sombra de sorriso – Boa noite, seja bem vinda novamente.
— Boa noite senhor Agreste! Obrigada. – respondeu com um sorriso tímido.
— Vamos a sala de estar até o jantar ser servido.
Os três se dirigiram ao cômodo amplo e bem decorado. Gabriel sentou-se em uma das poltronas de couro preto enquanto Adrien e Marinette se sentaram juntos no enorme sofá da mesma cor. Como a maior parte da mansão, as cores predominantes naquele ambiente eram o preto e o branco.
— Então, como estão seus pais? – Gabriel lhe perguntou gentil
— Eles estão ótimos. Mandaram lembranças ao senhor. Muito atarefados com as encomendas de fim de ano.
— Eu imagino, é uma época bastante agitada para meus negócios também.
Ficaram conversando sobre amenidades até que a governanta veio informar que o jantar estava servido.
Aos poucos Marinette foi relaxando na companhia de pai e filho. Durante o jantar a conversa fluía normalmente passando por diversos assuntos, dentre eles o colégio, os planos para faculdade, o trabalho na padaria dos Dupain-Cheng e até mesmo sobre os famosos heróis de Paris, mas o assunto principal, como esperado, foi o mundo da moda.
Gabriel contou a história de sua trajetória até chegar onde estava. Não havia sido fácil, enfrentara muitos desafios antes de alcançar o topo. Ele sempre foi muito dedicado aos estudos e bastante esforçado. Isso explicava porque era tão exigente com o filho, ela pensou.
Apesar de ter um talento nato, o designer contou que teve um mentor, um homem bom que viu potencial no jovem Gabriel Agreste e o ajudou no início de sua carreira.
A cada minuto daquela conversa Adrien ficava mais surpreso. Seu pai estava compartilhando coisas que nem mesmo ele sabia até aquele momento. Marinette estava fascinada com cada palavra que saía da boca do mais velho. Ele contava fatos interessantes que haviam acontecido em suas viagens de trabalho pelo mundo e histórias engraçadas dos muitos desfiles de moda que participara. Marinette absorvia cada palavra como se estivesse em uma sala de aula com seu professor predileto.
Adrien também participava da conversa falando um pouco sobre sua própria experiência naquele mundo, mas ele preferia observar o entusiasmo da namorada enquanto ouvia os relatos do seu pai.
Após a sobremesa, Gabriel pediu para ver os desenhos de Marinette. A mestiça voltou a ficar um pouco nervosa, mas retirou o caderno de dentro da bolsa e entregou ao designer enquanto se acomodavam nas cadeiras do escritório dele.
Mais um ambiente decorado em tom monocromático. Havia alguns manequins com as mais famosas criações de Gabriel, expostos em cúpulas de vidro embutidas na parede. O chão parecia um enorme tabuleiro de xadrez com o piso intercalado nas cores preta e branca. Fotos de ensaios fotográficos de Adrien também estavam dispostos nas paredes em diversas molduras de tamanhos variados. Mas o que mais chamava a atenção naquele cômodo era o enorme quadro de Améilie Agreste. Uma pintura a óleo magnífica onde o destaque principal era o rosto angelical da mãe de Adrien. O quadro era o que dava cor aquele ambiente. A impressão que Marinette tinha era que a mulher da pintura ganharia vida a qualquer momento. Era difícil desviar o olhar da impressionante obra de arte.
Gabriel estava sentado atrás da enorme mesa branca com tampo de vidro e analisava cada página do caderno de Marinette com total concentração. Adrien e a namorada permaneceram sentados de mãos dadas e em silêncio. O loiro sabia que ela estava nervosa, suas mãos suavam apesar do clima frio e o rosto havia ganhado uma coloração rosada. Fitou a garota nos olhos e apertou levemente sua mão transmitindo-lhe confiança.
Após longos minutos, que para Marinette pareceram horas, Gabriel levantou a vista e pousou os olhos cinzentos no rosto da garota com uma expressão indecifrável. Cruzou as mãos em cima da mesa, em seus lábios surgiu a sombra de um sorriso.
— Você tem muito potencial Marinette! Seus croquis possuem muita criatividade. Criações requintadas. Se alguém me dissesse que um profissional fez isso, eu não teria dificuldades em acreditar.
A garota tinha vontade de sair pulando de alegria com aquele elogio vindo de seu designer de moda preferido e também pai do seu namorado. Mas limitou-se a sorrir de orelha a orelha.
— Obrigada senhor Agreste. Fico lisonjeada!
— Por favor Marinette, me chame de Gabriel.
Adrien olhou surpreso para o pai e logo em seguida sorriu para a namorada
— Eu te disse que você era maravilhosa não disse? – Havia orgulho em sua voz – É extremamente talentosa!
— Adrien tem razão. Você tem muito talento Marinette e eu gostaria de lhe fazer uma proposta. – O mais velho se aprumou, mudando a postura, passando a tratar de negócios.
— Proposta? – a garota perguntou um pouco insegura
— Sim. Como eu lhe contei, tive um mentor que me ajudou no início. Eu era bom, mas precisava de orientação para melhorar, então eu acredito muito nisso. Em ter alguém que nos ajude no início da caminhada, alguém mais experiente que vai apontar o melhor caminho.
Adrien e Marinette se entreolharam. O loiro tinha uma idéia do que o pai iria oferecer a Marinette e achou o máximo, porém limitou-se a sorrir e esperar que ele finalizasse a proposta. Após uma breve pausa Gabriel continuou
— Minha proposta é que você venha fazer uma espécie de estágio comigo. Seria apenas duas vezes na semana. Não quero atrapalhar seus estudos e sei que você ajuda seus pais na padaria, então você poderia escolher dois dias que são mais tranqüilos pra você por um período de quatro horas. Seria um estágio remunerado.
Marinette estava nas nuvens com aquela proposta. Ainda não tinha completado dezesseis anos e já tinha uma oportunidade tão grande de realizar seu sonho profissional! Ficou tão perplexa que sequer conseguia formular alguma frase. Adrien a encarava com um enorme sorriso, mas nem isso ela conseguiu corresponder. Apenas abria e fechava a boca com total espanto e descrença que aquilo realmente estava acontecendo.
Diante do silêncio da mestiça, Gabriel insistiu
— Então, o que me diz?
Ela conseguiu olhar para Adrien que ainda sorria todo feliz e apertava sua mão como que a encorajando a aceitar.
— Eu... Aceito, mas antes preciso pedir permissão para os meus pais. Fico muito feliz com essa proposta Gabriel e extremamente grata pela oportunidade.
Gabriel assentiu
— Excelente! Sei que seus pais irão permitir, mas de qualquer forma em nosso contrato haverá uma clausula onde será necessária a autorização deles para que você trabalhe comigo. Nathalie cuidará de todos os detalhes.
— Pai, foi uma idéia maravilhosa. Obrigado.
Gabriel relaxou a postura e seus olhos ganharam um brilho poucas vezes visto pelo loiro
— Ora não me tomem por um altruísta ou qualquer coisa do tipo. Marinette é um achado e essa parceria é um excelente investimento para o futuro, além do fato de que agora que vocês estão namorando, ela faz parte da nossa família.
E mais uma vez o casal foi pego de surpresa. Gabriel ainda não tinha tocado no assunto sobre o namoro dos dois e já estavam começando a achar estranho. Mas agora ele falara abertamente e parecia estar feliz com o fato e já até incluíra Marinette na família. Aquilo não poderia ficar melhor!
— Adrien, você poderia, por favor, ir ao meu quarto buscar a pasta preta onde guardo meus croquis? Eu gostaria de mostrá-los a Marinette.
O loiro assentiu e pensou que aquela realmente era uma noite de surpresas. O pai querer mostrar a Marinette suas novas e exclusivas criações era mais uma delas. Não eram muitos os que tinham acesso aquela pasta. Ele saiu do escritório deixando a garota ainda um pouco apreensiva com o famoso designer. Não sabia dizer por que, mas teve a nítida impressão que Gabriel queria ficar a sós com ela. A pergunta que não queria calar era: Porque?
O homem levantou-se e andou pelo escritório, parando em frente ao quadro de Amélie. Gostava de contemplar aquela pintura. Não sabia quantas vezes já havia ficado parado ali por horas, admirando o rosto da sua amada esposa. Pensando, lembrando, buscando respostas...
— Marinette, eu queria te agradecer...
— Agradecer? A mim...?
— Sim, desde que minha esposa se foi... eu... mudei. Não fui mais o mesmo pai para o Adrien. Eu me distanciei, escolhi me isolar e me ocupar apenas do trabalho na tentativa de esquecer ou de superar, não sei... Eu... Fiz Adrien sofrer com meu distanciamento e super proteção. O enchi de atividades para ver se o mantinha ocupado, longe de uma possível depressão. Uma tentativa de fazer com que ele também esquecesse a mãe e talvez deixasse de sofrer. Além de prendê-lo em casa para evitar que algo ruim lhe acontecesse. Ainda tenho medo de perdê-lo assim como perdi Amélie. Já faz mais de um ano que ela nos deixou...
Marinette não conseguia mover nenhum músculo sequer. Estava perplexa com o desabafo do homem que se mostrava sempre tão seguro, beirando a arrogância. A postura sempre tão rígida e austera havia dado lugar a uma expressão de vulnerabilidade e fragilidade fazendo-o de repente ficar com uma aparência mais velha e cansada.
Ele também usava uma máscara afinal e ainda não tivera coragem de retirá-la na frente do filho, mas o fazia diante da mestiça que conhecia apenas superficialmente.
Marinette não sabia o que tinha acontecido com a senhora Agreste. Nunca tocava nesse assunto com Adrien porque ainda era uma parte obscura de sua vida, uma área a qual ela ainda não tinha acesso. Só sabia que ela havia desaparecido sem explicações. Muitas coisas passavam pela cabeça da garota, teorias sobre o mistério de como e porque ela havia sumido. Será que tinha ido embora por livre vontade? Não entendia como uma mãe poderia deixar um filho... Ainda mais um como Adrien que era tão doce, tão amoroso. Ela não julgava Amélie, mas queria muito entender o que havia acontecido com ela. Havia muitas perguntas sem respostas.
— Sinto muito – ela disse apenas
Gabriel virou-se para encarar a menina
— Obrigado. Desde que você surgiu na vida do meu filho ele tem sido mais feliz. Apesar de reconhecer que me distanciei dele, eu conheço o Adrien e vejo em seus olhos como ele se sente bem ao seu lado Marinette. Além disso, estou sempre sendo informado sobre o comportamento dele, não apenas pela Nathalie, mas por muitos outros funcionários em casa e fora dela. Tenho recebido apenas boas notícias nesses últimos meses e eu sei que você é, em grande parte, a responsável por isso.
Marinette deu um breve sorriso, mas sabia que ela não era a única causa da felicidade do loiro
— Na verdade, creio que foi um conjunto de coisas. A começar pela escola, tem os nossos amigos que são maravilhosos e o nosso relacionamento também é claro... – Além do fato de que seu filho é o famoso herói de Paris e usa isso como vávula de escape da sua vida.
— Eu sei que a escola fez bem a ele e apesar de ter sido muito resistente no início, não me arrependo de ter permitido que ele frequentasse, mas isso já foi há um ano minha jovem. Esse brilho que vejo nos olhos do meu filho agora eu só vi nos olhos de minha esposa, quando ela ainda estava conosco, nos bons tempos quando tudo era alegria e amor. — A tristeza era visível no olhar do pai de Adrien. Como Marinette imaginava ele deveria sofrer demasiadamente com a falta da esposa. Com um suspiro quase imperceptível ele continuou — Desde suas primeiras visitas aqui em casa, no dia da apresentação da escola e naquele baile no hotel Le Grand eu percebi a alegria retornando as feições do meu filho quando estava com você. E quando a poucos dias ele veio me falar sobre o namoro de vocês eu vi aquele brilho novamente. O brilho que surge apenas no olhar de quem está apaixonado. Meu filho te ama muito Marinette e eu estou feliz pela escolha dele e agradecido que seja você.
Os olhos dela se encheram de lágrimas e a voz embargou quando respondeu
— Obrigada. Eu também o amo muito...
Gabriel pôs as duas mãos em seus ombros em um gesto que a fez lembrar-se imediatamente do filho dele.
— Em breve eu precisarei fazer uma longa viagem... Uma viagem extremamente importante e necessária. Não poderei levar o Adrien comigo. – suspirou e olhou diretamente em seus olhos – Tudo que eu peço a você é para que tome conta dele. Proteja-o, por favor!
Ela poderia ter dado risada daquela súplica descabida. Como na cabeça de Gabriel Agreste ela, Marinette Dupain-Cheng, poderia tomar conta ou proteger o filho dele?
Já estava preparada para respondê-lo de uma forma descontraída que ela daria o melhor de si, mas o breve sorriso morreu em seus lábios ao fitar o olhar sério do mais velho. Aquilo não era brincadeira. Ela encontrou as íris acinzentadas que a olhavam intensamente, profundamente, daquela forma que parecia desnudar-lhe a alma. Sentiu um frio gelar-lhe a espinha e sua respiração acelerar. Em sua mente martelava a suspeita. Ele sabia!
Mas como? Impossível! Ele não poderia saber seu segredo, poderia? E saberia também que seu filho era o Chat Noir? Não, aquilo não fazia o menor sentido. Marinette sentiu que empalidecia, ficou muda, apenas sustentando o olhar de Gabriel Agreste, totalmente consciente do peso das mãos do homem em seus ombros. Ele esperava uma resposta, estava impassível, com os olhos grudados em seu rosto, como se analisasse cada expressão que passava por ele. Marinette engoliu seco, tentando afastar todas aquelas suspeitas e assentiu
— Eu farei tudo que estiver ao meu alcance... Para que Adrien seja feliz. – Achou que aquela era a melhor resposta que poderia dar naquele momento. Pareceu ser o suficiente, pois a pressão dos dedos de Gabriel em seus ombros relaxou e ele pareceu suspirar aliviado.
A tensão naquele escritório era palpável e só foi quebrada com a chegada de Adrien
— Aqui está – o loiro estendeu a pasta preta para o pai, parecendo não notar a atmosfera eletrizante que se instalara – eu demorei a encontrá-la. O senhor a guarda a sete chaves!
O mais velho deu um breve sorriso que não chegou aos olhos
— Desculpe não ter explicado direito onde estava – ele recebeu a pasta preta das mãos do filho e pediu para que se sentassem novamente.
Passaram a próxima hora conversando sobre a nova coleção Agreste. Marinette se encantava com os modelos criados pelo designer, eram imensamente superiores aos dela, claro. Ele era um artista explêndido e ela se sentia lisonjeada por ele lhe mostrar suas exclusivas criações.
No entanto naquele momento apenas parte do cérebro da garota participava daquela conversa. A outra parte divagava em questionamentos, dúvidas, suspeitas e incertezas. Gabriel havia compartilhado muitas coisas com ela naquela noite, demonstrando uma confiança atípica em alguém que ainda estava conhecendo, principalmente por se tratar de um homem como ele. A não ser que... Ele soubesse quem ela era...
Apesar de tudo conseguiu vencer aquela noite, despedindo-se de Gabriel Agreste com naturalidade, sem demonstrar resquícios de sua perturbação interior. Adrien fez questão de acompanhá-la em casa e quando o motorista estacionou em frente a padaria, o loiro desceu do carro e ajudou-a a descer, conduzindo Marinette até a porta de casa.
— Você está bem princesa? Pareceu-me um pouco distraída no escritório do meu pai
Ele a conhecia muito bem assim como ela o conhecia.
— Estou sim, apenas um pouco cansada. Muitas emoções para um só dia! – Ela precisava pensar sobre o quanto daquilo poderia compartilhar com o namorado.
— Mas deu tudo certo no fim não foi? Mal posso acreditar que você irá a minha casa pelo menos duas vezes toda a semana.- ele a abraçou depositando um beijo suave na sua bochecha
— Não fique tão animadinho gatinho. Eu vou para trabalhar!
— Para mim ladyprincess, apenas saber que está por perto já é o suficiente para deixar meu dia bem melhor.
Ele tocou seu queixo com carinho e a beijou calmamente, deliciosamente doce.
— Eu te amo Mari. Nos vemos amanhã
— Também te amo Adrien. Até amanhã gatinho...
Ele entrou no carro e se foi, enquanto a mestiça suspirava e deixava a mente encher-se novamente de incertezas.
***
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