Finalmente teriam mais tempo juntos! Marinette pensou enquanto se arrumava para encontrar-se com o namorado e os amigos a fim de irem ao cinema. Adrien havia finalizado as sessões fotográficas e os outros compromissos, ganhando a semana toda de folga. A padaria dos Dupain-Cheng apesar de ainda movimentada, tinha as encomendas bastante adiantadas devido a significativa ajuda da mestiça na semana que passou, o que também dava a Marinette algumas horas de folga.
Enquanto ela terminava de se aprontar, resolveu conversar com Tikki sobre suas suspeitas com relação a Gabriel Agreste.

— Tikki, tenho motivos para acreditar que o pai do Adrien sabe que sou Lady Bug.

A kuami estava sentada sobre o teclado do computador e olhou para Marinette com os olhos azuis repletos de pura incredulidade.

— O que? Porque você acha isso?

Marinette suspirou e contou a joaninha tudo que Gabriel havia lhe dito quando Adrien não estava no escritório com eles. Tikki ouviu tudo sem interrompê-la e depois ficou em silêncio, tentando digerir aquelas informações. Após alguns minutos fitou sua portadora.

— Realmente pode ser que ele saiba... Ou desconfie de algo e tentou tirar a informação de você.

— Isso não me soa bem Tikki. Quais serão as consequências se isso realmente for verdade?

— Eu não sei Marinette. Mas o fato é que ele estava com o livro sobre os miraculous antes de Adrien pegá-lo e não temos idéia do porque, nem de como foi parar nas mãos dele ou quanto de informação ele conseguiu extrair. Talvez ele tenha conseguido dados suficientes para descobrir as identidades de Lady Bug e Chat Noir.

Marinette estava ficando cada vez mais preocupada com aquilo

— Mas se ele sabe sobre Adrien, porque me pediria para protegê-lo? Não faz sentido!

Tikki deu de ombros

— Talvez ele não saiba sobre o Adrien ainda... Lembre-se de quem ele é sem a máscara. Uma personalidade totalmente diferente de Chat Noir. Ele se revelou para você, mas para os outros e principalmente para o pai, ele ainda é o mesmo garoto sério, meigo e gentil, o que torna difícil confundi-lo com o herói.

— Tem razão Tikki – sorriu levemente – Aos olhos de todos ele está longe de ser o gatinho de rua, galanteador, ousado, impulsivo e com trocadilhos horríveis.

— Mas que você ama de todo coração não é?

— É sim, amo aquele gatinho por completo Tikki...

— Eu sei. Você precisa conversar com ele Mari. Contar sobre seus temores.

A garota suspirou

— Logo agora que eles parecem estar se dando tão bem... Como vou dizer isso ao Adrien? Acho que Gabriel sequer contou a ele sobre essa tal viagem que ele pretende fazer!

— Você vai pensar num jeito Mari... Mas realmente precisam resolver isso.

Marinette terminou de se arrumar, vestindo o casaco de lã cor de rosa por cima da blusa da mesma cor, porém em um tom mais claro. Resolveu deixar os cabelos soltos novamente só para agradar aquele gato bobo. Ouviu Sabine a chamar do andar de baixo

— Marinette, Adrien está aqui te esperando. – ela sorriu, em sua mente antecipando os bons momentos que teriam juntos.

— Tudo bem mãe, estou descendo! – abriu a bolsa, chamando a kuami – Vem Tikki.

Desceu e encontrou Adrien na sala, sozinho. Provavelmente os pais estavam atarefados na padaria. Ele admirava algumas fotos na parede. Estava lindo vestido de calça verde musgo, blusa vinho e casaco marrom. Assim que ele colocou os olhos nela, um brilho iluminou as íris esmeraldas e um largo sorriso formou-se nos lábios do loiro.

— Olá princesa! – ela se aproximou e ele a abraçou, dando-lhe um beijo rápido – linda como sempre!

Ela sorriu e corou com o elogio. Sim, ainda ficava envergonhada diante daquele olhar.

— Oi gatinho. Você também está bonito.

O beijo foi mais profundo agora, mais íntimo. Foram interrompidos pelo toque do celular de Marinette. Ela atendeu mesmo a contragosto. Adrien achou graça por ela ter se irritado com a interrupção do beijo.

— Oi Alya!

— Oi amiga, e aí? Tá atrasada de novo?

— Não, Adrien acabou de chegar e estamos de saída.

— Então andem logo! O filme está estreando hoje lembra? O cinema está lotado! Eu e Nino já estamos na fila dos ingressos!

— Ok. Compre os nossos, por favor, e depois acertamos tudo bem?

— Claro, mas pelo amor! Vê se você e esse modelo capa de revista aí se apressem a chegar aqui!

Marinette revirou os olhos

— Estamos indo Alya. Em pouco tempo chegamos aí.

Marinette e Adrien despediram-se de Tom e Sabine e saíram para a tarde fria de Paris. O sol ainda se mostrava, mas com pouca força diante do frio intenso. A neve havia dado uma trégua, mas o vento cortante se fazia presente mais do que nunca.

Adrien abraçou a namorada para mantê-la mais aquecida enquanto caminhavam. O cinema era perto e em poucos minutos chegariam.

Andavam abraçados e conversavam. Estavam tão absortos um no outro que sequer notavam os olhares sobre eles, e até mesmo alguns flashes de paparazzi direcionados ao casal.

Ao chegarem ao Pathé Beaugrenelle logo perceberam que Alya estava certa. O cinema estava lotado! Dirigiram-se a área de alimentação onde se encontraram com Nino que já havia comprado os ingressos. Haviam decidido por um filme de ação cuja estréia seria naquele dia. Estavam empolgados com o enredo que prometia virar uma trilogia.

— E aí cara! – Nino cumprimentou Adrien com o costumeiro toque das mãos – Oi Marinette!

— Oi Nino – cumprimentou o moreno com um aceno — cadê a Alya?

— Já foi comprar as pipocas. Você sabe como ela é, quis adiantar tudo enquanto vocês não chegavam.

Eles riram. Adrien pagou os ingressos que Nino havia comprado pra eles e logo avistaram a ruiva acenando.

— Ei Mari, me ajuda aqui! – Alya carregava uma bandeja enorme onde tinha quatro baldes de pipoca amanteigada de aroma delicioso, refrigerantes e chocolates.

Marinette aproximou-se da amiga rindo e ajudando-a com os baldes.

— Você comprou pipoca para um exército!

— E chocolate também amiga. Não se esqueça dos chocolates!

Os quatro amigos se dirigiram até a sala indicada nos ingressos e sentaram-se em seus lugares bem na hora de começar o filme.

— Finalmente vamos conseguir assistir um filme juntos. – Adrien sussurrou no ouvido da mestiça enquanto pegava um punhado de pipoca.

Ela sorriu olhando para aqueles olhos risonhos que transmitiam pura felicidade. As coisas mais simples eram motivo de enorme alegria para o loiro e Marinette se encantava com isso. Riu ainda mais quando o viu encher a boca de pipoca e suspirar de prazer com o gosto amanteigado.

De repente a enorme tela que já exibia as primeiras cenas do filme se apagou e uma figura estranha surgiu bem em frente às primeiras fileiras de cadeiras.

Marinette sentiu o sangue correr mais rápido nas veias antes de dizer com pesar.

— Acho que falou cedo demais gatinho.

O akuma tratava-se de um homem vestido de roupa prateada chamativa e tinha um objeto semelhante a uma câmera filmadora que ele usava como arma. De súbito, das lentes da Câmera surgiu uma intensa luz branca que refletiu em toda primeira fileira de cadeiras deixando as pessoas que ali estavam paralisadas, como estátua. O akuma soltou uma risada estridente e preparou-se para um novo ataque.

A partir daí o pânico foi geral. As pessoas começaram a se levantar se dirigindo a saída de emergência, porém o akumatizado conseguiu atingir várias delas, não apenas paralisando, como também deixando-as em estado letárgico como se estivessem em câmera lenta.

Alya e Nino se levantaram correndo enquanto Adrien e Marinette se olharam já sabendo o que teriam que fazer. Os amigos se separaram, correndo por corredores diferentes. Marinette viu o exato momento em que a luz branca atingiu Alya e Nino paralisando-os totalmente.

— Não! – Por um momento ela se moveu em direção aos amigos, mas sentiu ser puxada pelo braço.

Adrien a segurava firmemente falando com urgência no olhar

— Precisamos sair daqui Mari e transformar!

Ela assentiu e o seguiu, deixando que ele a guiasse pelo melhor caminho. Conseguiram sair da sala, mas precisavam encontrar um local vazio para realizarem a transformação. Enquanto isso o pânico tomava conta da multidão que conseguira fugir da sala de cinema e se espalhava pelo restante do enorme centro de entretenimento. Eles encontraram uma das salas vazia. Chegara a hora

— Tikki Transformar!

— Plagg mostrar as garras!

Ao término de suas transformações seus olhos se encontraram. Aquela era a primeira batalha juntos após tomarem conhecimento de suas verdadeiras identidades. Apesar da aparente tensão, um sorriso brincava nos lábios de Chat Noir e Lady Bug revirou os olhos.

— Você estava louco por isso não é?

— Não posso negar joaninha. Não é sempre que tenho a chance de vê-la nesse collant. Além disso, preciso exercitar os músculos e minha mais nova habilidade.

— Então é melhor corrermos gatinho, porque Paris precisa de nós!

Eles correram e não demoraram muito para encontrar o akuma que já espalhava o terror por todo o cinema.

— Ei idiota, que tal filmar um astro de verdade heim? – Lady Bug já esperava pela piadinha sem graça, então sequer se incomodou. Esperou que o akumatizado os desse a devida atenção se apresentando.

— Ora, se não são os famosos heróis de Paris! Vocês merecem um filme meus caros e eu posso ser o diretor! O que acham? Podemos fazer um curta metragem e depois posso pausar vocês enquanto eu pego seus miraculous!

— Obrigado câmera man, mas não vai rolar.

— Meu nome é Caméscope e estou farto dessa correria desenfreada em dia de estréia! Todos ficam malucos nessa droga de lugar e tratam os funcionários como lixo. Agora não mais! Todos vão parar e desacelerar! Inclusive vocês!

A luz da câmera brilhou em direção a Lady Bug e Chat Noir que saltaram cada um para um lado desviando do ataque. Com apenas um olhar de concordância eles optaram pelo confronto direto. A câmera na mão de Caméscope não o impedia de lutar contra os heróis, pelo contrário, ele a usava para atingi-los no embate corpo a corpo. Chat usava o bastão para se defender enquanto Lady Bug tentava encontrar uma forma de destruir a arma e liberar o akuma que só poderia estar na tal câmera.
Após alguns minutos de luta corporal, Caméscope conseguiu derrubar Chat Noir, a luz da câmera brilhou e sem que o loiro pudesse impedir o brilho o atingiu.

— Não! Chat! – ela conseguiu prender os braços do inimigo utilizando o ioiô e correu na direção do parceiro esperando encontrá-lo paralisado, porém o efeito da magia do akuma nele havia sido outro. Um que ainda não tinha manifestado em ninguém.

Chat se preparou para ser atingido, era inevitável, mas quando a luz da câmera o acertou ele não sentiu que perdia os movimentos do corpo. Sentiu apenas um calor intenso que atingiu sua garganta. Ele tentou gritar, mas não conseguiu, nenhum som saía dos seus lábios. Ele abria a boca, mas não conseguia emitir som algum.

Caméscope sorriu maleficamente

— Não acham o cinema mudo interessante?

— O que você fez com ele? – Lady Bug vociferou

— Esse gatinho fala demais, já era hora de calar suas piadinhas – ele soltou-se do ioiô e apontou a câmera para lady Bug – Agora é a sua vez joaninha!

Chat não podia permitir que ela fosse atingida, empurrou-a para o lado e recebeu mais uma rajada da luz ofuscante da câmera. Agora sim, sentiu-se fraco, os movimentos lentos e por mais que tentasse se movimentar, tudo a sua volta corria lentamente, estava ativado no modo slow motion.
Ele conseguiu ver a expressão de pavor da sua lady quando o fitou, ela gritou alguma coisa, mas ele não conseguia discernir as palavras porque aos seus ouvidos soavam arrastadas, era uma sensação terrível. Ele precisava sair daquele estado.

Lady Bug sentiu as lágrimas queimarem em seus olhos. Adrien estava em perigo! Fora atingido duas vezes e uma delas para protegê-la! Mas ela não podia se desesperar. Tinha que acabar com aquele akuma para fazer com que todos voltassem ao normal. Precisava manter o controle sobre suas emoções. Chat confiava nela, tinha que ser forte por ele também.

Chat estava entrando num estado de exaustão por tentar se mover mais rápido, mas sem sucesso. Era frustrante ter um poder de super agilidade e ficar parado no tempo como estava naquele momento.
De repente uma luz se acendeu em sua mente. Ele tinha o poder de super velocidade, só precisava ativá-lo para sair daquela prisão de câmera lenta. Pelo menos acreditou que daria certo, era sua única chance!
Ele parou de relutar e começou a se concentrar no poder do miraculous. Concentrou todas as suas forças em buscar aquele poder e logo começou a senti-lo se espalhando pelo seu corpo. Uma luz verde brilhou intensamente e como se rompesse uma barreira invisível ele ultrapassou aquele estado de lentidão alcançando velocidade e indo em direção ao akuma pegando-o de surpresa com um soco que o lançou do outro lado da enorme sala de cinema.

Lady Bug arregalou os olhos diante da cena que presenciara. Chat ativou o poder de velocidade quebrando a magia de câmera lenta do akuma e com um golpe certeiro o lançou longe, deixando-o atordoado. Ela correu até o parceiro

— Chat, você foi incrível gatinho. Está tudo bem? – Ela não obteve resposta. Ele ainda estava mudo. Droga!

O olhar dele era de pura frustração. Ela tentou tranquilizá-lo

— Está tudo bem gatinho. – Ela colocou as mãos nos ombros dele imitando um gesto que o loiro sempre fazia com ela para transmitir-lhe confiança – Vamos derrotá-lo e fazer você voltar ao normal. Nós estamos ligados, nos entendemos apenas com o olhar, não precisamos de palavras lembra? Apenas mantenha-se conectado comigo.

O olhar de Chat se iluminou e ele assentiu com um gesto de cabeça. Caméscope já estava de pé e corria ao encontro deles. A partir daí a comunicação entre eles ficou por conta dos olhares e alguns comandos dados por lady bug quando necessário. Partiram para mais um confronto corpo a corpo. Seu opositor gostava de uma boa briga. Ela também gostava, mas já estava cansada daquilo. Chat Noir não podia invocar o cataclismo, portanto ela tinha que destruir a câmera sozinha e depois recuperar o akuma.

— Talismãaa!!! – Em suas mãos caiu um frasco de óleo lubrificante. O que?

O que ela iria fazer com aquilo...? Sua visão de joaninha foi ativada e ela viu o que precisava.

— Chat, distrair!

Ele fez sinal positivo com a cabeça e partiu pra cima do inimigo. Lady Bug amarrou o frasco de óleo no ioiô e o lançou aos pés de Caméscope. O frasco se rompeu e o líquido esparramou no chão bem no momento em que o vilão avançava em Chat Noir, escorregando e desequilibrando-se, caindo ao chão. A lente da câmera se espatifou e tornou-se inútil em suas mãos. Ele a lançou longe, mas continuou a lutar. O akuma não estava na câmera!
Lady Bug olhou para Chat Noir e por uma fração de segundo ele exitou, mas logo ela viu em seus olhos que ele havia descoberto onde a borboleta negra estava. Observou ele pular por cima do vilão e com o bastão puxar algo do pescoço de Caméscope. Um crachá! Era ali que estava o akuma. Lady Bug pegou o objeto lançado por Chat e o partiu em dois liberando a borboleta negra.

— Chega de maldade akuma.

Após a borboletinha branca sair voando ela lançou o frasco de óleo para o alto e invocou os miraculous que começaram a restaurar tudo a sua volta, desfazendo a magia que atingira os civis e também Chat Noir.

Ela correu até ele. Só queria uma coisa, ouvir a sua voz.

— My lady... – Ela o abraçou com força e ele retribuiu, pensando que de agora em diante seria sempre assim. Eles temeriam muito mais pela vida um do outro. Eles se arriscariam mais um pelo outro. Eles seriam mais unidos do que nunca!

— Graças a Deus você está bem. – Ela fitou seus olhos e lhe lançou um olhar bravo — Precisa parar de ficar se colocando na minha frente toda vez que estou para ser atingida por algum akuma!

— Nunca! – ele colocou as duas mãos em seu rosto – Nunca vou deixar de proteger você. Acostume-se com isso Bugboo.

Ela tinha vontade de beijá-lo, mas reparou que as pessoas, mesmo ainda confusas, começavam a se aglomerar ao redor deles. Inclusive Alya e Nino que já começavam a procurar por eles em suas formas civis.

— Precisamos sair daqui. – Ele assentiu e eles saíram dali, procurando um local seguro para desfazerem a transformação.

Encontraram-se com Nino e Alya do lado de fora do prédio.

— Onde vocês dois se meteram? – Alya já estava arrancando os cabelos de preocupação com os amigos

— Nos escondemos em uma sala vazia Alya, na confusão, acabamos nos perdendo de vocês dois!

— Graças a Deus estão bem. – A ruiva bufou indignada — Droga! Não acredito que perdi Lady bug e Chat Noir em ação! Estava no mesmo lugar que eles, mas paralisada sem poder fazer nada!

Nino revirou os olhos

— Não acredito que essa é sua maior preocupação Alya! – A ruiva cruzou os braços ainda irritada por ter perdido a chance de filmar os heróis para o ladyblog.

— E eu não acredito que não conseguimos curtir um cinema juntos... De novo! – Adrien suspirou, passando a mão pelos cabelos.

Marinette compartilhava dos mesmos sentimentos do loiro. Hawk Moth sempre se manifestava nos piores momentos.
Ela olhou ao redor e viu que as pessoas já retornavam a seus afazeres. O fato dos miraculous sempre restaurarem os danos causados pelos akumas ajudavam as pessoas a voltarem rapidamente a suas vidas normais. Infelizmente aquilo tinha um lado ruim. As pessoas acabavam se acostumando com os ataques de Hawk Moth. Já sabiam que cedo ou tarde apareceria algum akumatizado e teriam que contar com a ajuda de lady Bug e Chat Noir. Era terrível acostumar-se com o mal, como se fosse algo inevitável!

— Sabe de uma coisa – ela falou chamando a atenção dos outros – Acho que não devemos permitir que Hawk Moth atrapalhe nosso passeio. Tudo bem que não dá mais para irmos ao cinema, mas podemos pelo menos sair para comer alguma coisa.

Os três a olharam e suas expressões variavam entre surpresa e animação

— Ótima idéia Marinette! – Nino empolgou-se – tem um bistrô aqui perto. A comida deles é pra lá de boa

— É verdade. Nós já fomos lá algumas vezes. O que vocês acham?

Adrien foi o único a demonstrar preocupação. Ele pôs a mão no ombro da namorada em um gesto carinhoso

— Tem certeza Mari... Não está cansada?

Ela sabia que ele estava preocupado por causa da batalha

— Eu estou bem Adrien, é sério... E você?

Os olhos do loiro brilharam divertidos

— Estou ótimo e passar mais tempo com você é o que eu mais quero – ele deu-lhe um selinho

— Ei! Estamos aqui também garoto – Alya se manifestou fazendo os amigos rirem

— Vai ser ótimo passar mais tempo com todos vocês Alya. Melhorou?

— Bem melhor! – ela riu

— Chega de papo furado. Vamos comer! – Nino pegou a mão da namorada e Adrien fez o mesmo com Marinette. Foram andando e conversando pelas ruas de Paris. Ainda era cedo, mas o sol já havia se escondido no horizonte trazendo a noite de lua cheia. Entraram no bistrô que àquela hora ainda não estava muito cheio. Escolheram uma mesa próxima das janelas e logo o chef veio anotar os pedidos. Decidiram por comer Steak au Poivre e a famosa sopa de cebola.
Enquanto aguardavam a comida chegar, Marinette e Alya se levantaram para irem ao banheiro. Adrien ficou observando a namorada se dirigir ao fundo do estabelecimento. Percebeu que no curto trajeto da mesa até o final do corredor uma série de olhares masculinos foram atraídos pela beleza da garota.
Adrien sentiu algo que mais tarde Plagg jogaria na sua cara como sendo puro ciúme. Ele estreitou os olhos e cerrou os punhos. Não estava acostumado com aquela sensação e surpreendeu-se com a intensidade daquele sentimento. Avaliou cada um que lançava um olhar desejoso a sua princesa. Alguns garotos que provavelmente tinham a mesma idade que ele, porém havia dois homens mais velhos que também haviam olhado pra ela de um modo nada respeitoso, o que fez o loiro estreitar os olhos e uma ira genuína se apossar de todo seu ser.

Nino percebeu o olhar assassino do amigo e que este não estava prestando atenção em nada do que o moreno estava falando

— Ei cara, o que foi? Cê ta com um olhar homicida mano! Tá me ouvindo?

Adrien esforçou-se em olhar para o amigo, mas sua expressão ainda estava carregada

— Você disse alguma coisa Nino?

— Caramba velho, o que houve? Porque saiu de órbita de repente e ainda parece que quer matar alguém?

Adrien suspirou

— Eu não gostei de alguns olhares direcionados a Mari quando ela estava passando pelo corredor... – sentiu o rosto esquentar. Não sabia se era pela raiva ainda ou vergonha de admitir aquilo para o amigo.

— Ah... Entendi. Não sabia que você era ciumento cara!

— Eu não sou ciumento Nino!

— Possessivo então?

— Talvez... – depois ele pensaria sobre aquilo. Avistou as duas amigas retornando para a mesa. Novamente os pares de olhos masculinos se deleitavam com a visão das duas moças de forma indiscreta e o loiro sentiu vontade de arrancar os olhos de cada um deles.

Marinette sequer percebia como estava chamando a atenção masculina, tão envolvida estava em sua conversa com a amiga. Alya também era admirada conforme Nino passou a observar, o que o fez se aprumar na cadeira.

— Mais que bando de abutres!

— E depois eu é que sou o ciumento – Adrien declarou com ironia

As duas se aproximaram da mesa ainda rindo, mas ao se sentarem perceberam a expressão fechada dos dois garotos o que fez com que se olhassem confusas antes de se dirigirem aos respectivos namorados.

— Tudo bem por aqui? – Alya foi a primeira a perguntar

— Ah, tudo bem, só o Adrien que estava tendo um ataque de ciúmes da Mari

— O que? – o loiro arqueou as sobrancelhas e fuzilou o moreno com o olhar – E você espertinho? Também não ficou se mordendo agora a pouco?

— Podem explicar o que está acontecendo meninos? – A mestiça indagou com o cenho franzido

Adrien fitou Marinette e suspirou. Quem não olharia toda aquela beleza...? Ela parecia um anjo.

— Esquece princesa. Nino fala demais! – O moreno já ia responder, mas foram interrompidos pela chegada da comida, entusiasmando a todos.

Enquanto comiam, conversavam animadamente sobre diversos assuntos, dissipando o clima tenso. Nem parecia que haviam vivido um ataque de akuma há pouco tempo. Sequer notaram a presença de um certo velhinho chinês que havia acabado de entrar no bistrô, sentando-se em uma das cadeiras do balcão. O mais velho observava discretamente os quatro jovens que ele conhecia muito bem. Eles haviam ficado muito amigos naquele ano. Uma amizade sincera e verdadeira, sem interesses. Se respeitavam e amavam estar juntos. Muitas risadas ecoaram no bistrô naquela noite vinda dos jovens. Eles ainda não sabiam, mas em breve suas vidas seriam conectadas de outra maneira, o que os tornaria muito mais que apenas amigos.

***