Miraculous - Amor Revelado
35 Encontro através do tempo
— Não acredito que a Mari tem camembert em casa! – Plagg falou abraçando o pedaço de queijo fedorento como se fosse um bote salva vidas – Ela é a garota perfeita!
Os dois kuamis estavam na cozinha da casa de Marinette. Haviam deixado os namorados a sós enquanto Plagg recompunha as forças com seu alimento predileto.
Tikki riu e meneou a cabeça.
— Você não tem jeito Plagg! O mesmo esfomeado de sempre...
O Kuami enfiou todo o queijo na boca de uma só vez e retrucou
— E você a mesma joaninha linda e fofa!
Os olhinhos azuis de Tikki se dilataram e ela enrubesceu
— Nossa, as cantadas começaram cedo...
Plagg beijou-lhe a mão
— O problema é que eu não resisto a você joaninha!
Tikki empurrou o nariz do kuami com o dedo indicador
— Abaixa a bola gatinho! Precisamos conversar.
— Claro, mas posso ganhar outro pedaço de queijo?
A kuami suspirou e revirou os olhos
— É o último. Senão você vai acabar com todo o estoque da geladeira e aí a Mari terá que explicar para os pais onde foi parar todo aquele camembert.
— Não seja tão rabugenta Tikki...
— É sério? Não sou eu que vive em pé de guerra com meu portador! – a kuami entregou mais um generoso pedaço de queijo a Plagg – Devia tratá-lo melhor...
— Ora Tikki, provocar e irritar o Adrien é a alegria da minha vida tediosa, não me tire isso! – o gatinho sorriu e lambeu os dedinhos após deliciar-se com o último pedaço de queijo.
A pequenina não conteve o riso
— Você deve fazer da vida dele um inferno, mas eu sei que gosta dele.
Plagg sorriu. Ela tinha razão. De todos os portadores do miraculous da destruição Adrien foi o que mais lhe conquistou a amizade. O garoto tinha um coração enorme e bondoso, além de muita garra e determinação para encarar os desafios.
— Sou obrigado a admitir, tenho um carinho especial por ele. Talvez por isso eu goste de provocá-lo tanto.
— Você tem uma maneira estranha de demonstrar afeto Plagg – Tikki disse com uma careta, fazendo os dois rirem.
Ficaram em silêncio por alguns minutos, sentados no balcão do armário da cozinha, apenas aproveitando a companhia um do outro. Fazia muito tempo desde que os dois kuamis estiveram juntos a última vez. Aquele era o destino deles, sempre teriam que se separar em algum momento. E por muitas vezes ao longo dos séculos eles demoraram bastante tempo para voltarem a se reunir. Impedidos por diversas circunstâncias que muitas vezes não tinham como controlar.
— Dessa vez foi uma longa espera não foi? – Plagg foi o primeiro a quebrar o silêncio.
Tikki suspirou. Havia sido mesmo uma longa espera e uma tortura maior os últimos meses quando sentira a presença do companheiro sem poder encontrá-lo de fato.
— Sim, foi. Lady Bug e Chat Noir demoraram a se acertarem e por pouco não perderam completamente o equilíbrio.
Plagg fez um careta quando se lembrou daquele momento crítico que haviam vivido há poucos dias atrás.
— Nem me lembre! Foi literalmente um pesadelo.
Tikki o olhou com ternura e segurou a mão do gatinho preto
— Você sofreu muito não foi? – Ele deu de ombros como se não fosse nada, mas ela viu a dor em seus olhos – Eu sei que você sofreu Plagg, não finja que não se esforçou. O coma do Adrien durou muito tempo e você ficou segurando a transformação dele porque sabia que se ele deixasse de ser Chat Noir ele poderia... – A pequenina não conseguiu concluir a frase.
— Ele morreria Tikki – Plagg fechou os olhos por um momento trazendo a memória aquele dia terrível – Quando ele foi atingido pelo akuma eu senti a dor lancinante e a perda da consciência dele. Fiquei atordoado por alguns momentos. Percebi a força vital de Adriem se esvaindo e entendi que a única coisa que o manteria vivo era o poder do miraculous. Eu simplesmente não podia deixá-lo morrer...
Tikki entendia e faria a mesma coisa por Marinette se fosse necessário.
— Mari ficou desesperada. Graças a Deus ela teve a idéia de levá-lo ao mestre Fu.
— Sim, ela foi esperta, forte e muito corajosa. Carregou Chat sozinha até a casa do mestre. Eu tinha uma leve percepção de tudo que estava acontecendo, mas canalizei todas as minhas forças para manter o garoto vivo. Por sorte ele ainda não havia usado o cataclismo, senão não sei se teria conseguido segurar por tanto tempo...
A joaninha não queria nem pensar naquela possibilidade.
— Quanto da força do miraculous você usou Plagg?
— Precisei ativar mais de noventa por cento da força... Tive medo que o corpo dele não suportasse, mas era o único jeito.
A joaninha assentiu com a testa franzida em preocupação.
— Você disse noventa por cento?
Plagg confirmou com um gesto de cabeça
— Você sabe que nenhum dos dois conseguiu acessar sequer vinte por cento do poder que possuem não é Tikki?
— Eu sei – ela deu um pequeno sorriso – Mas eles ainda têm tempo e já estão bem avançados! Não era para a Lady desenvolver o poder da cura antes dos outros lembra?
Plagg sorriu de canto
— Sim, o poder de cura do miraculous da criação é um dos últimos, mas de forma surpreendente ela conseguiu ativá-lo, mesmo ainda não estando pronta.
— Ela ainda nem sabia, mas já amava Chat Noir de todo o coração. Foi esse amor que a conduziu pela busca do poder para curá-lo.
— Graças aos céus por isso ou então estaríamos perdidos!
— A ligação deles é impressionante Plagg. Eu nem me lembro qual foi a última vez que vi um elo tão forte.
Plagg dirigiu-lhe um olhar enigmático
— Você sabe que existem dois lados dessa moeda não é joaninha...?
Tikki suspirou pesadamente
— Eu sei... Pode fortalecê-los absurdamente e também pode... Destruí-los. – Pensar naquilo a fez lembrar-se o assunto que queria tratar com Plagg – Mari está preocupada com o sumiço de Hawk Moth. Você acha que os poderes dele também estão sendo aperfeiçoados?
— Tenho quase certeza que sim. Apesar do que o mestre Fu disse a respeito da falta de equilíbrio que enfraqueceu os heróis, aquele último akuma não era como os outros. Um tipo de poder que é mais elaborado e só pode ser ativado por fortes emoções negativas como ódio, cobiça por poder, sentimento de traição ou forte rejeição...
— Por isso o Prefeito foi a vítima perfeita... – Tikki ponderou – A velha cobiça pelo poder e controle.
— Exatamente!
A joaninha continuou refletindo sobre aquilo e de repente uma idéia assombrou sua mente
— Plagg, isso pode significar que Hawk Moth está esperando...
— O que quer dizer Tikki?
— Ele espera a oportunidade, a vítima certa, com a dose certa de emoções negativas para transformá-la em uma arma letal contra Lady Bug e Chat Noir, assim como ele fez com o Prefeito Bourgeois.
— Faz sentido – Plagg ponderava – Por isso há vários dias não aparece um akuma sequer. Será que o mestre sabe disso? Ele ainda não entrou em contato.
— Acredito que ele não vai demorar a fazê-lo. Precisamos ficar em alerta. Acha que devemos avisá-los? — Tikki dirigiu seu olhar para o andar de cima onde Adrien e Marinette se encontravam.
O kuami negro meneou a cabeça em negativa
— Creio que podemos esperar um pouco. Esse clima de festas de fim de ano dificilmente vai despertar sentimentos tão negativos a ponto de favorecer um “super” akuma de Hawk Moth.
Tikki ficou aliviada em poder esperar um pouco mais antes de preocupar Marinette mais do que ela já estava.
— Concordo. A Mari já anda com tantas inseguranças na cabeça por causa do namoro com Adrien...
— Como assim? Está insegura com o que?
Tikki pensou em como responderia aquilo. Não iria ficar expondo os sentimentos da garota para o kuami do namorado dela.
— Esse início de namoro é muito difícil Plagg e traz muitas dúvidas, principalmente por ele ser o primeiro namorado da Mari. Ela se preocupa com a opinião do pai dele, com o suposto mundo de glamour ao qual ele faz parte... Dentre outras coisas. Lembre-se que eles ainda são muito jovens e inexperientes. Além de que o relacionamento entre eles é bem atípico, considerando o fato de serem super heróis. – A joaninha suspirou — Ela tem medo de perdê-lo... E nós dois sabemos que existe várias maneiras disso acontecer.
Plagg sabia, mas estava surpreso com o que Tikki havia contado.
— Tikki... O Adrien faria qualquer coisa pela Marinette! Ele é totalmente apaixonado por aquela garota e viraria o mundo de cabeça pra baixo para vê-la feliz. A única pessoa que dividiu o espaço dela no coração dele foi Lady Bug, ou seja, ela mesma. Ele não tem olhos para mais ninguém!
— Plagg... — Tikki tentou argumentar, mas ele sequer a escutou
— Adrien é um bom garoto, mas com apenas dezesseis anos já passou maus bocados. Abandonado pela mãe e rejeitado pelo pai, vivendo sob as rédeas curtas do Agreste, fazendo tudo que lhe mandam. Uma rotina pesada de aulas e compromissos profissionais. Para o garoto ir ao cinema tranquilo ele tem que driblar o segurança Tikki...! – Plagg suspirou concluindo – Chat Noir foi sua válvula de escape... Mas Marinette é sua tábua de salvação. É o porto seguro dele... Quando ele vem pra cá é como se estivesse voltando para casa. O lar do Adrien é onde Marinette está!
A kuami vermelha tinha os olhinhos marejados. Ela conhecia os sentimentos de Marinette e sabia que Adrien a amava, mas não tinha noção da intensidade desse amor. E acreditava que a garota também não.
— Plagg... O que aconteceu com você? De onde tirou toda essa sensibilidade?
Ele sorriu sem jeito. Poucas vezes demonstrava esse lado para alguém, mas Tikki exercia esse poder sobre ele, de mostrar-se por completo.
— Só digo o que vejo... – ele respondeu fazendo Tikki sorrir também.
— Acredito que Marinette ame Adrien com a mesma intensidade Plagg... Eles só precisam de um pouco mais de tempo. É esse amor que os ajudará nessa jornada.
— E não é sempre assim, minha querida joaninha? – Plagg passou o braço pelos ombros de Tikki trazendo-a para mais perto.
Ela encarou os olhos verdes brilhantes do gatinho preto. Ele estava em sua vida desde sempre. Às vezes distantes, porém nunca separados completamente. Juntos venceram grandes batalhas, salvaram muitas vidas e sofreram algumas perdas pelo caminho. Ele era sua outra metade e juntos poderiam invocar um poder inimaginável que poderia ser usado tanto para o bem como para o mal. Era o propósito de suas vidas. A criação e a destruição.
A joaninha deitou a cabeça no ombro do gatinho apenas por um instante, aproveitando aquele momento de calmaria que a madrugada lhes proporcionava. Um daqueles raros momentos em que podiam desfrutar de um recomeço.
Mais tarde Tikki e Plagg subiram para o quarto e encontraram Marinette e Adrien grudados um no outro naquele divã estreito, em sono profundo.
— Eles são lindos juntos não é? – Tikki olhava maravilhada para o casal de heróis. Quem os visse assim jamais pensaria como eram fortes, corajosos, destemidos e como se arriscavam dia após dia para manter a cidade segura.
Plagg fitou a kuami ao seu lado
— Eles devem muito a você Tikki. Pegar a carta do lixo de Marinette e colocar no bolso do paletó de Adrien enquanto dançavam foi uma idéia genial.
— Mesmo se eu não tivesse feito nada, acredito que eles dariam um jeito de ficarem juntos.
— Talvez... Mas você fez muito bem porque eles realmente são perfeitos um paro o outro – Plagg lançou-lhe um sorriso sedutor e beijou-lhe a mão — como eu e você.
— Ah Plagg! Não sei por que fica me dizendo essas coisas! – A kuami que já era vermelha conseguiu intensificar sua cor escarlate.
— É simples joaninha. Porque eu amo você!
— Também amo você gatinho bobo!
Os dois se abraçaram sem nenhuma vontade de soltarem-se um do outro. Cada momento juntos era muito importante naquela longa jornada.
— Está tarde... – Plagg sussurrou — Preciso acordar esse loiro folgado e levá-lo para casa, antes que arrume problemas.
— Espere só mais um pouquinho – Tikki pediu ainda abraçada com o gatinho — Olhe ainda está nevando.
Pela janela dava para ver como a neve cobria os telhados e as ruas parisienses, deixando uma paisagem branca e cinza do lado de fora. Os dois kuamis permaneceram abraçados contemplando aquele espetáculo da natureza, que mesmo após séculos não cansavam de admirar.
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