Chat Noir havia tomado todo cuidado para não ser pego enquanto subia novamente para o andar da recepção do hotel. Foi se esgueirando pelos corredores vazios com sua habilidade de felino em passar despercebido. Ao chegar a um longo corredor, percebeu um movimento na enorme porta de madeira que havia acabado de ser fechada pela garota que permanecia de costas pra ele.
O herói mascarado piscou duas vezes ao ver os cabelos de ébano presos no penteado que lhe era bastante familiar.
Sentiu seu sangue correr mais rápido nas veias. O que ela estava fazendo ali?

— Marinette! – Chamou, ainda em dúvida se aquela visão se tratava de uma ilusão ou se ela realmente estava ali na sua frente.

Ela virou-se devagar e encarou seus olhos, a face ruborizada e a respiração ofegante.

— C-chat!

Em dois segundos ele já estava bem na frente dela, segurando-a pelos ombros.

— O que você está fazendo aqui? – Havia urgência na sua voz e um tremor causado pela expectativa de uma possibilidade.

Marinette entrou em pânico. O toque de Chat Noir parecia queimar seus ombros. Os olhos estavam fixos em seu rosto que deveria estar rubro a essa altura. Pensa Marinette, pensa!

— E-eu... – ela desviou o olhar tentando encontrar uma resposta. Seus olhos pousaram na porta da cozinha atrás de si – Eu vim trazer uma encomenda da padaria... Acabei de entregar.

A pressão das mãos dele em seus ombros relaxou um pouco, mas ele continuou fitando seus olhos como se tentasse desnudar-lhe a alma. Por longos e intermináveis segundos ficaram assim, se olhando, tentando controlar as batidas do coração e acalmar a respiração. Ambos estavam abalados e a eletrizante atmosfera que se instalou sobre eles era quase palpável.
Por fim Chat Noir foi o primeiro a se recuperar.

— É perigoso ficar aqui princesa. Não sabia que o Prefeito Bourgeois está sob efeito de um dos akumas de Hawk Moth?

Marinette finalmente deixou o ar voltar a seus pulmões

— Isso explica aquela tropa de policiais na porta do hotel... E também a presença da Lady Bug...

— Você a viu? – Chat perguntou com uma nítida expressão de alívio

— Sim. E-ela passou por mim rapidamente quando cheguei. Fiquei pensando no que poderia ter acontecido para ela estar aqui – Detestava mentir pra ele, mas não podia deixar nenhuma dúvida na cabecinha daquele gato astuto.

Ele assentiu parecendo acreditar na sua versão. Marinette prosseguiu

— Estive o dia todo ajudando meus pais na padaria Chat, por causa dessa encomenda importante para o hotel. Não tivemos tempo nem para assistir o noticiário, por isso não sabia de nada que estava acontecendo – Nossa, ela estava ficando boa naquilo!

Ele ia falar, mas ouviu passos. Com a rapidez de uma pantera, pegou-a pelo braço e entrou na primeira porta que viu na lateral do corredor. Trancou-a pelo lado de dentro. O Cômodo era pequeno e estava escuro. Chat encontrou o interruptor facilmente com a visão noturna e acendeu. Uma luz fraca iluminou o ambiente que estava cheio de vassouras, rodos e material de limpeza.

Ótimo lugar para se transformar, pena que agora tenho que sair desse balaio de gato primeiro, pensou Marinette irônica.

Ficar naquele cômodo minúsculo com Chat Noir a segurando pelo braço e a olhando de maneira tão intensa estava começando a tirá-la do sério novamente. Era muita adrenalina para um dia só!

— Você precisa ir embora chérie... Vou te tirar daqui em segurança!

— Não! De jeito nenhum! – ela quase gritou. Diante do olhar surpreso do felino ela respirou fundo e prosseguiu mais calma — Você não pode sair, tem que ir ajudar Lady Bug a capturar o akuma. Eu vou sair daqui da mesma forma que entrei Chat. Vou direto pra casa.

A mão que segurava seu braço subiu até o queixo com carinho e os olhos felinos se suavizaram quando fitou os dois oceanos azuis de Marinette. O perfume de baunilha que ele tanto amava invadiu suas narinas quando se aproximou ainda mais dela.

— Boa garota... – murmurou extasiado – Tudo bem... Eu preciso ir agora princesa.

O desejo de beijá-la o consumia como uma labareda, mas usou toda força que tinha para soltá-la e virar-se para sair, não sem antes beijar-lhe a mão com delicadeza.

— Até breve chérie...

Destrancou a porta, mas quando já estava segurando a maçaneta para abri-la sentiu a mão de Marinette em seu ombro esquerdo.

— Chat... – era um sussurro, mas o fez estremecer. Virou-se ainda segurando a maçaneta da porta. – Estou com saudades. – Ele a ouviu dizer e todo seu controle foi por água abaixo. No segundo seguinte ele a enlaçou com os braços e beijou-lhe a boca rosada com sofreguidão. Como se estivessem separados há anos.

Marinette segurou os cabelos dourados, puxando-o ainda mais para si. Esqueceu-se completamente do que estava fazendo ali, tão perdida ficou nos braços do gato mascarado. A língua do felino explorava cada canto da sua boca, causando-lhe sensações indescritíveis. Uma das mãos segurava sua cintura e a outra estava em seu pescoço e queimava sua pele, pelo menos era essa a impressão que ela tinha.
O beijo foi ficando lento e calmo, como se tivessem conseguido apaziguar um fogaréu, deixando apenas brasas incandescentes.
Quando finalmente conseguiu deixar os lábios dela, Chat Noir fitou os olhos azuis que tinham ganhado uma coloração mais escura, mais intensa depois do beijo ardente. Ele sorriu de leve acariciando o rosto de Marinette, se deliciando com o efeito que causava nela assim como ela causava nele.

— Me desculpe pelo sumiço. Vou te explicar tudo depois – ele falou baixo, ainda com as carícias no rosto da garota que estremecia em seus braços.

Ela apenas assentiu com a cabeça. Não conseguia formular nenhuma palavra, tão presa estava no olhar de seu parceiro.

Como que saindo de um transe, Marinette lembrou-se do motivo de estarem ali. Soltou-se dos braços de Chat Noir e conseguiu lhe dar um sorriso

— Eu vou esperar. Agora vai e, por favor, Chat... tenha cuidado.

Ele lhe deu um beijo rápido nos lábios

— Não se preocupe comigo chérie. Cuide-se também.

Com aquele sorriso ladino e uma última piscadela, ele a deixou.

Marinette ficou alguns segundos olhando a porta fechada por onde Chat Noir acabara de sair.
Esteve lutando ao lado do parceiro boa parte da manhã, praticamente estavam juntos o dia todo, com exceção dos poucos minutos em que ele deixou a casa dos Agreste. Mas somente naquele momento em que ela era apenas Marinette teve a percepção dos sentimentos intensos que o gato mascarado despertava nela.
O mais engraçado era que seu alter ego havia sentido quase a mesma coisa com Adrien momentos antes! Aquelas sensações intensas que os dois despertavam nela a deixariam maluca!
Loiros de olhos verdes definitivamente pareciam ser “seu tipo”, refletiu, lembrando-se do que Chat havia lhe dito antes de entrarem no hotel.

— Agora sim você pode dizer que essa foi por pouco Marinette! – Tikki saiu da bolsinha interrompendo seus pensamentos

— Nem me fale Tikki! Achei mesmo que Chat havia me descoberto.

— E o que foi tudo isso que aconteceu depois?

Marinette corou

— Não tenho tempo para pensar nisso agora Tikki. Aquele gato convencido precisa de nós. Hora de transformar!

***

Chat Noir subiu correndo até a cobertura do hotel pelas escadas de incêndio, seria mais seguro do que usar o elevador onde poderia ser visto antes da hora.
O exercício o ajudou a descarregar um pouco da adrenalina e voltar sua concentração a missão que tinha pela frente. Lady Bug precisava dele e não podia se dar ao luxo de distrair-se pensando em uma certa garota de cabelos negros e olhos azuis brilhantes, com uma boca rosada e perfume de baunilha que o fazia delirar... Foco Chat, foco!

Ao chegar ao corredor que dava para o escritório do prefeito Bourgeois, pela estreita abertura na porta da escada de incêndio, ele viu que havia dois policiais guardando a entrada da sala e nem sinal de Lady Bug. Será que ela já estava lá dentro? Impossível! Ela não agiria sem ele, apesar de que acabou se atrasando um pouco quando encontrara Marinette. Porém se ela já tivesse entrado com certeza aqueles dois brutamontes não estariam guardando a porta e sim desmaiados no chão.
— Onde você está my lady? – falou baixinho

— Aqui! – O gato sobressaltou-se e por pouco não atingiu com seu bastão a joaninha que havia sussurrado bem atrás dele.

— Você me assustou my lady!

— Ora Chat, pensei que sua audição felina fosse mais aguçada! — ela o provocou

— Eu me distraí... — ele tentou mudar de assunto — Você demorou para chegar aqui!

Lady Bug apenas sorriu de leve

— Tive alguns problemas no meio do caminho.

— Você está bem? – Ele perguntou sentindo-se culpado por pensar que ela havia enfrentado o perigo sozinha.

Ela corou, mas assentiu.

— Sim, tudo bem! Qual é a situação?

— Dois gorilas guardando a porta da sala do Bourgeois.

— Certo. Não tem outro jeito de entrar a não ser derrubando esses policiais e arrombando a porta.

Chat assentiu

— No três? – ela concordou e ele iniciou a contagem – Um, dois... agora!

Os dois saíram pela porta da escada de incêndio e correram pelo corredor. Lady Bug jogou o ioiô enlaçando uma das pernas de cada um dos policiais derrubando-os no chão, enquanto Chat Noir pulou por cima deles e com um chute arrombou a porta com facilidade.

O prefeito Bourgeois estava virado de costas e sequer sobressaltou-se com a entrada triunfal dos heróis.

— E aí prefeito, qual é, não agüenta uma boa competição?

Lady Bug revirou os olhos logo atrás de Chat Noir.

— Já chega dessa palhaçada Bourgeois! Liberte esses policiais.

O prefeito virou-se lentamente e seus olhos vermelhos como fogo eram assustadores.

— Finalmente chegaram Lady Bug e Chat Noir! Eu não sou mais Bourgeois. Sou Governant e essa cidade é minha! Vocês não vão tirar esse poder de mim!

— Vamos acabar logo com isso Governant. Deixe-me resumir pra você. Não vamos entregar os nossos miraculous, você terá que vir tentar pegar!

— Será um prazer Lady Bug, mas vou chamar reforços! – Ele pegou um mega fone que estava sobre a mesa e gritou – Soldados, Peguem esses vermes!

Vários policiais surgiram de todo canto, entrando na sala e avançando sobre a dupla que tentava se desviar dos golpes com dificuldade.

Lady Bug pensou se o akuma estaria no mega fone, mas alguma coisa lhe dizia que não era ali.

Eles lutavam contra a tropa de policiais tentando poupá-los o máximo que podiam, mas aquilo já estava se tornando uma batalha perdida. Precisava fazer alguma coisa.

Governant apenas observava a luta, havia recebido ordens expressas daquele que havia lhe concedido seus poderes, estava apenas esperando o momento certo.

— Chat tem idéia de onde está o akuma?

— Acho que não é no mega fone, ele o usa apenas para hipnotizar e comandar os policiais. O que me chama a atenção são os olhos my lady. Tem alguma coisa errada, além da aparência horrível!

— Tem razão. Precisamos encontrar esse akuma o mais rápido possível e acabar logo com isso. Distraia os policiais Chat Noir! Vou tentar me aproximar e usar o talismã.

Ele assentiu, mas não estava com um bom pressentimento a respeito daqueles olhos.

— Tenha cuidado Bugboo.

Ela jogou o ioiô para o alto

— TALISMÃAAA! – recebeu uma tesoura vermelha com bolinhas pretas.

— Uma tesoura? Que ótimo... – precisava pensar. Olhou ao redor e com a visão estratégica entendeu onde estava a borboleta negra e o que tinha que fazer para libertá-la.

Quando Governant viu que Lady Bug havia usado o talismã, novamente ouviu a voz de Hawk Moth em sua mente.

Ela usou o poder especial e o Chat Noir está distraído. Chegou a hora de agir Governant!

— Sim Hawk Moth!

Chat Noir ouviu essa frase sair da boca de Governant como uma ameaça. Ele derrubou os dois policiais que tentavam segurá-lo e olhou para o prefeito. Os olhos de Bourgeois agora pareciam duas bolas de fogo azul e ele os apontava para Lady Bug que corria em sua direção. Havia algo nos olhos, um poder, um ataque iminente!

Chat Noir não pensou e mesmo se tivesse parado pra pensar não teria feito outra coisa. Ele não permitiria que o inimigo a atingisse. Correu e pulou aproveitando-se que estava a poucos metros na frente da joaninha. Sentiu o raio atingir suas costas, uma queimação se espalhar por todo seu corpo e uma fraqueza o dominou, como se estivesse com muito sono. Sentiu o baque com o chão e antes de mergulhar na escuridão, a última coisa que lhe veio à mente foi o rosto corado da sua princesa.

Em um momento ela tinha tudo sobre controle e no outro tudo era um verdadeiro caos.
Mesmo se revisse a cena em sua mente um milhão de vezes não entenderia como aquilo foi acontecer, tão rápido e sem que ela pudesse ter nenhuma reação. Quando Lady Bug já estava pronta para saltar no vilão, viu o raio azul sair de seus olhos e acertar em cheio seu parceiro que havia pulado bem na sua frente como um escudo protetor impedindo de ser atingida.

— Chat Noir! Nãaaaoooo! – O corpo do parceiro caiu praticamente a seus pés, inerte. Ela olhou horrorizada para os olhos fechados e a face sem cor do seu parceiro – O que você fez com ele? — Vociferou para Governant.

Ele riu de uma forma selvagem, cruel.

— Eu queria ter acertado você primeiro Lady Bug, mas tudo bem, posso fazer isso de novo! Seu gatinho agora está em um sono profundo, pior do que um coma. Além do sono ele vive um pesadelo que ele pensa ser real, uma ilusão de uma vida terrível que o manterá preso na escuridão... Eternamente!

Ela sentiu medo, um medo real que gelou sua espinha. Mas naquele momento a raiva suplantou o pavor. Ela avançou como um raio na direção de Governant, ainda segurando a tesoura nas mãos.

Um grito saiu de sua garganta e os olhos marejados de lágrimas dolorosas fuzilavam o seu oponente, surpreendendo-o e não dando chance de revidar quando ela o agarrou pela lapela do paletó e puxou-o fitando os olhos de fogo e falou, agora sem nenhum temor na voz, apenas raiva e determinação.

— Escute bem minhas palavras Hawk Moth. Se alguma coisa acontecer ao Chat Noir eu mesmo o matarei com minhas próprias mãos! Vou te encontrar onde você se esconde seu rato e acabar com você!

Com a tesoura em punho ela cortou a faixa governamental que sempre adornava o paletó do Prefeito Bourgeois. A faixa caiu e o akuma foi liberado.
Ela capturou a borboleta negra e a purificou com seu ioiô num ritual que já conhecia muito bem.
Mais rápido do que de costume ela jogou a tesoura para o alto ativando os miraculous enquanto corria para perto de Chat Noir esperando com ansiedade que a qualquer momento ele despertasse do sono e voltasse ao normal, assim como acontecia com os policiais e com o prefeito.

Mas para o seu desespero, após o brilho avermelhado dos miraculous desaparecer, Chat Noir continuava caído, sem se mover, inconsciente.
Ela o segurou nos braços, sentiu o gosto salgado e um tanto amargo das suas lágrimas quando abriu os lábios para chamá-lo.

— Chat, por favor, não faça isso comigo! Acorde gatinho. Você disse que iríamos conversar... Que você iria me explicar porque não tem aparecido na minha casa, você prometeu gato estúpido! – Ela chorava olhando para o rosto pálido de seu parceiro. Sequer percebeu que falava como Marinette ainda com seu uniforme de Lady Bug.

Pela primeira vez, sentiu-se impotente como heroína, um misto de dor, culpa e arrependimento vinha em ondas, invadindo sua alma, fazendo ela se sentir ainda mais fraca.

— O que eu vou fazer Chat... Não me deixe, por favor, fala comigo gatinho – Ela o abraçava e beijava seu rosto, seus lábios, seus olhos, as lágrimas encharcando a face do loiro.
Ela sentia a respiração dele o que lhe trazia um pouco de alívio, mas seu conforto era mínimo comparado a aflição de pensar que ele poderia ficar daquele jeito para sempre.

O primeiro sinal de alerta dos seus brincos a tirou do estado de torpeza. Olhou para o Prefeito Bourgeois que já estava sendo auxiliado por seus assessores. Várias pessoas começaram a entrar na sala, todos ainda confusos com o que havia acontecido, mas cientes da gravidade da situação.
Alguns olhavam para eles preocupados.

Precisamos sair daqui! Lady Bug tentou raciocinar.

Sem dizer palavra, ela colocou Chat Noir em seus ombros com dificuldade. O parceiro era maior e mais pesado que ela e obviamente seria difícil carregá-lo, mas ela usou toda sua força reserva para levá-lo até a sacada do hotel. Lançou seu ioiô e se lançou na corrida desesperada de prédio em prédio segurando firmemente seu parceiro nos braços. Só havia uma pessoa que ela conhecia que poderia ajudá-los.
Ainda bem que a casa dele não ficava longe dali, lembrava-se com clareza do caminho.

Ouviu mais um bipe vindo de seus brincos e acelerou ainda mais a corrida ciente que precisava chegar a seu destino antes que sua transformação acabasse.

Avistou a casa do Mestre Fu de longe e suspirou de alívio. Entrou pela janela que estava aberta e um segundo depois de passar por ela foi inundada pelo brilho branco e avermelhado que desfez sua transformação. Ainda abraçada a Chat Noir percebeu que havia entrado em um quarto, provavelmente o quarto do mestre. Viu Tikki, que mesmo fraca, foi flutuando pela casa em busca do ancião.
Ele veio rápido se aproximando de Marinette e Chat Noir com olhar preocupado. Tikki veio logo atrás seguida pelo kuami de Mestre Fu.

— O que aconteceu Lady Bug?

Ela achava estranho ser chamada de Lady Bug enquanto estava em sua forma civil, mas aquilo não tinha a menor importância agora.

— Ele foi atingido por um raio, uma espécie de feitiço de sono profundo lançado por um dos akumatizados de Hawk Moth.

— Você usou o talismã?

— Sim, mas os miraculous não o fizeram voltar ao normal. – As lágrimas voltaram a inundar os olhos azuis — Porque mestre? O que eu fiz de errado? Como podemos trazê-lo de volta? O senhor pode ajudar?

— Se acalme minha querida. Vamos colocá-lo na cama – eles carregaram Chat até a cama de solteiro que ficava no meio do quarto.

O garoto começou a suar frio e gemer. Em sua face surgiram expressões de dor e medo. Ela começou a acariciar-lhe os cabelos e a face em uma tentativa de acalmá-lo e a ela mesma.

— O akumatizado me disse que Chat iria viver um pesadelo contínuo e que isso o manteria em um sono eterno, pior do que um coma.

Mestre Fu assentiu e colocou uma das mãos no queixo analisando a situação.

— Eu só vi isso acontecer uma vez em toda minha vida. Esse tipo de magia não ter sido quebrada pelos miraculous só pode significar uma coisa... Mas falaremos disso depois. Agora você precisa descansar e alimentar sua kuami. Terá que se transformar novamente em breve.

— Mas mestre o senhor não vai fazer nada para salvá-lo? – o desespero começava a dominá-la novamente.

Mestre Fu a olhou com seriedade. A garota teria que dar um passo enorme daquela vez. Ele achava que ainda não era a hora certa, mas as circunstâncias os tinham levado até ali e ele não costumava questionar os caprichos do destino.

— Eu não posso fazer nada para ajudar seu parceiro Lady Bug. A única pessoa que tem esse poder é você!

***