Miraculous - Amor Revelado
22 Caos - Parte 2
— O que? – Chat Noir sentiu o sangue esvair de seu rosto – digo, como? Por quê?
Lady Bug achou estranha a reação exagerada do parceiro, mas não tinha tempo para refletir sobre aquilo. As engrenagens em sua cabeça funcionavam a todo vapor.
— Na mansão Agreste tem um sistema de segurança impenetrável Chat! Se ficarmos lá os policiais não conseguirão entrar e nós ganharemos tempo para planejar uma maneira de entrar no hotel e capturar o akuma.
— Mas... E se o tal Agreste não nos ajudar? – o loiro sentia as mãos suarem — E se...
Ela o cortou impaciente
— Só saberemos se formos até lá não acha?
— Agora?
— É sério Chat? Claro que é agora! – Ouviram um barulho logo acima de suas cabeças – Os helicópteros! Vamos!
Eu nem vou tentar sair dessa! Chat Noir seguiu pulando os prédios atrás da joaninha.
Chegaram à mansão Agreste e pularam facilmente o portão. Ao chegarem à porta de entrada Lady Bug parou. Aquela era a casa do Adrien. Lembrou-se da última vez que estivera ali. Seu coração estava leve e feliz, tão apaixonada se encontrava pelo garoto e esperançosa de que seu amor pudesse ser correspondido.
— My lady, o que houve? – Chat notou o olhar melancólico que ela lançava a porta de entrada da sua casa.
Ela não olhou pra ele. Seus olhos permaneciam fixos na porta fechada. Respirou fundo para dizer
— Não sei se devemos tocar a campainha ou simplesmente entrar por alguma janela... – ela ainda estava travada, mesmo sabendo que provavelmente Adrien estava na escola onde ela também deveria estar se fosse uma garota normal.
Chat suspirou
— Vamos tocar a campainha para não parecermos muito grosseiros e intrometidos – disse irônico
Ela lhe dirigiu um olhar mortal o que o fez rir e relaxar um pouco. Estava extremamente nervoso com que viria a seguir.
Tocaram a campainha e aguardaram. Sabiam que em pouco tempo toda a força policial de Paris estaria ali atrás deles.
Nathalie atendeu a porta e Chat teve vontade de gargalhar com o olhar de choque e surpresa da assistente de seu pai.
— Lady Bug e Chat Noir! O que fazem aqui?
— Hã... Precisamos de uma ajudinha do senhor Agreste – Lady Bug explicou e olhou rapidamente sobre os ombros — Podemos entrar?
— Mas é claro – Nathalie já assumira sua postura austera novamente – Vou avisar o senhor Agreste que estão aqui.
Eles entraram no hall da enorme mansão. Lady Bug ainda ficava impressionada com a exuberância daquele cômodo, bem como de toda a casa, pelo menos os cômodos que ela conhecia. O problema era que toda aquela beleza ainda era fria e impessoal. Fitou o enorme quadro na parede principal entre as duas escadas de acesso.
A expressão de Adrien parecia triste o que a fez imaginar como teria sido aquele dia da foto para o garoto. Será que o pai havia brigado com ele? O que será que havia acontecido com a senhora Agreste? Quantas situações de tristeza e sofrimento o garoto já não havia enfrentado?
De repente ela percebeu que sabia muito pouco sobre ele.
— Família perfeita não? – Assustou-se com a voz de Chat Noir bem perto do seu ouvido. Por alguns minutos esquecera-se completamente que o parceiro estava ali. Percebeu um leve tom de ironia na voz do mascarado, o que a fez franzir o cenho.
Ela ficou imaginando se Chat estaria bravo por causa de Adrien. Afinal ele sabia que Marinette amava o modelo e que este havia partido seu coração. Talvez esse fosse o motivo do mascarado estar tão agitado no momento. Então Marinette poderia significar alguma coisa para Chat Noir afinal.
— Você está estranho Chat! O que está acontecendo? Tem alguma coisa contra os Agreste? – perguntou tentando entender a atitude do parceiro.
Ela o conhecia bem demais, ele pensou. Isso era alarmante e assustador.
— Não estou estranho e também não tenho nada contra os Agreste – mentiu dando de ombros – só não estou muito confortável aqui.
— Eu te entendo perfeitamente. – ela falou ainda olhando para o quadro na parede — É um ambiente sem muito calor não é?
Ele assentiu e abaixou o olhar. Aquela era sua casa, conhecia cada cômodo dela, mas realmente não sentia o calor de um lar em nenhum deles.
Lady Bug continuou como se falasse consigo mesma.
— As vezes em que eu estive aqui me senti um pouco desconfortável também. Por mais linda e luxuosa que seja essa mansão, é difícil achá-la aconchegante...
— Você já esteve aqui muitas vezes? – Chat perguntou curioso
— Hã... Eu... – ela coçou a nuca nervosa. — Você também esteve ora! Daquela vez lembra? Quando enfrentamos o Saimon mandou? – ele anuiu e ela prosseguiu – então, e também quando enfrentamos a Volpina... Enfim, respondendo sua pergunta, não acho que seja uma família perfeita, porque nenhuma é. As aparências enganam tanto, mas é difícil esconder a tristeza de um olhar – ela apontou para o quadro — Adrien deve sentir muitas saudades da mãe...
Chat sentiu um tremor passar pelo seu corpo e seus olhos marejarem. Ela tocou no seu ponto fraco e falava com tanto pesar, os olhos azuis demonstravam tanta compaixão quando virou-se para fitá-lo.
Era como se ela se importasse com ele... Com Adrien...
Um nó se formou em sua garganta. Não tinha como amá-la mais.
Ela estranhou seu silêncio
— Você está bem Chat?
Antes que ele tivesse a chance de se recuperar para responder foram saudados por uma voz grave e autoritária que ele conhecia muito bem
— Lady Bug e Chat Noir! – Gabriel Agreste os cumprimentou já descendo as escadas – A que devo a honra de ter em minha casa os heróis de Paris?
— Senhor Agreste – Lady Bug o cumprimentou com um aperto de mãos – Viemos lhe pedir ajuda!
— A mim? – Ele a olhou surpreso – Em que posso ajudar?
— O senhor já deve estar sabendo que estamos sendo procurados pela maioria dos policiais da cidade a mando do prefeito Bourgeois – Gabriel assentiu e ela continuou – Precisamos de um lugar seguro para ficar enquanto bolamos um plano para enfrentar André Bourgeois no Hotel Le Grand. E como sabemos que o senhor tem um sistema de segurança de alta tecnologia... – ela sorriu de uma forma que Chat Noir pensou que convenceria até o próprio Hawk Moth — Viemos pedir abrigo.
— Entendo. – Gabriel passou a mão no queixo pensando por alguns segundos, tempo suficiente para causar um leve desconforto na heroína – Está bem, não tenho nenhuma objeção quanto a isso. – Ele finalmente declarou, fazendo Lady Bug relaxar, mas a sensação durou pouco tempo.
— Nathalie! Adrien ainda está na escola?
A assistente havia acabado de entrar no hall
— Creio que sim senhor, mas vou ligar para confirmar
— Sim e peça para o motorista ir buscá-lo. Com toda essa confusão aí fora e os heróis da cidade abrigados em minha casa, não quero meu filho na rua. Diga para que ele venha para casa imediatamente!
Chat que até o momento mantinha-se estranhamente quieto ao lado de Lady Bug resolveu se manifestar
— Creio que aqui será perigoso para seu filho senhor Agreste! Dentro de poucos minutos esse lugar estará repleto de policiais querendo entrar na casa e não sabemos do que eles serão capazes.
— Como vocês mesmo mencionaram, meu sistema de segurança é altamente eficaz. Por isso quero meu filho aqui, sob meu teto e vigilância!
Chat Noir ficou com vontade de bufar e fazer um longo discurso sobre o verdadeiro amor e proteção que um pai deveria ter para com seu filho, mas mordeu a língua e respirou fundo para se controlar.
Nathalie apareceu no hall novamente com uma cara que fez Lady Bug entrar em estado de alerta
— Senhor... Adrien não está na escola. Liguei para o celular dele, mas está desligado.
A expressão de Gabriel Agreste era como pedra quando falou
— Isso é ridículo Nathalie, inaceitável! Ele pode estar em perigo! – Ele suspirou como se tentasse conter uma explosão — Eu quero Adrien em casa imediatamente!
— Eu vou procurá-lo senhor Agreste – Lady Bug se pronunciou fazendo Chat engolir seco
— Não! – Chat a segurou pelo braço – Deixa que eu faço isso my lady! Você precisa começar a pensar no plano para capturarmos o akuma. O tempo está contra nós!
— Mas... – ela tentou argumentar. Já estava com os nervos a flor da pele, preocupada com Adrien
— Não se preocupe – Chat tocou seus ombros – Vou trazê-lo de volta.
Ela suspirou
— Está bem! Mas não demore e tenha cuidado.
Ele piscou charmoso
— Eu sempre tenho Bugboo!
Ela revirou os olhos enquanto ele saía pela porta. Voltou os olhos para Gabriel que os observava atentamente com olhar que parecia lhe perscrutar a alma.
— Hã... Não se preocupe senhor Agreste. Chat Noir irá trazer seu filho de volta são e salvo.
— Assim espero. – ele respondeu sério – Assim que eles chegarem acionaremos o sistema de segurança. Por enquanto fique a vontade Lady Bug. Nathalie vai te auxiliar no que for preciso.
— Obrigada senhor Agreste!
Ele assentiu e após subir o lance de escadas desapareceu mansão adentro.
Lady Bug pegou seu ioiô e começou a analisar o mapa da cidade e a planta do hotel Le Grand. Digitava habilidosamente as pequeninas teclas tentando descobrir um jeito de ela e Chat Noir entrarem no hotel sem serem pegos pelos policiais.
Chat Noir saiu da mansão e viu que a área estava limpa, por enquanto. Avistou a árvore que várias vezes lhe servira de esconderijo para se transformar. Havia pouco movimento nas ruas àquela hora, principalmente porque a população já havia sido avisada da presença de outro akuma na cidade.
Ele foi para trás da árvore e desfez a transformação pegando Plagg em suas mãos.
— Como você consegue se meter nessas encrencas Adrien? – o gatinho perguntou bocejando
— Cala a boca Plagg! Encrenca mesmo vai ser agora! Encarar Lady Bug sem a máscara de Chat Noir!
— Você é ele garoto! Coloque isso na sua cabeça. Aproveita e se declara pra sua joaninha... Ou você ainda não se decidiu entre ela e a Marinette? — O kuami sorriu zombeteiro
Adrien o olhou com cara de poucos amigos
— Já disse para calar a boca. Preciso me concentrar para não fazer nenhuma besteira. Vamos!
— Tudo bem – Plagg levantou as patinhas para o alto – Já não está mais aqui quem falou — Entrou para dentro do casaco do loiro.
Lady Bug estava tão distraída em sua pesquisa que não percebeu a porta da frente se abrir.
Sobressaltou-se quando ouviu seu nome sendo dito por aquela voz que vivia invadindo seus sonhos.
— Lady Bug...
Ela virou-se dando de cara com os olhos de esmeralda que a faziam corar
— A-adrien... – Só faltava começar a gaguejar agora como lady Bug! Ridículo!
— O que faz aqui? – o modelo não pareceu perceber seu nervosismo
Ela sorriu tentando controlar seus batimentos cardíacos
— Eu e Chat viemos pedir uma ajuda a seu pai.
Ele assentiu
— Eu soube que a polícia de Paris está à caça de vocês a mando do prefeito Bourgeois.
— Isso mesmo. Ele está sob efeito de um dos akumas de Hawk Moth.
— E como pretendem resolver isso? Imagino que não queiram confrontar diretamente os policiais a fim de poupá-los.
Ela ficou admirada com a perspicácia do loiro
— Sim, por isso estamos aqui. Viemos nos proteger nessa fortaleza – sorriu, expandindo os braços – E bolar um plano para chegar até Bourgeois sem machucar ninguém. A propósito, onde está o Chat Noir? Ele não te trouxe?
Adrien havia pensado em uma desculpa, mas teve dificuldades em se lembrar diante do olhar azul como o céu de verão e o sorriso cativante da joaninha a sua frente.
— Chat Noir? Não, eu não o vi. Vim a pé para casa após ser dispensado da escola. Meu celular descarregou, por isso não pude avisar que estava vindo.
Lady Bug franziu o cenho preocupada.
— Mas onde aquele gato se meteu?
Adrien deu um meio sorriso e aproximou-se da heroína fazendo-a dar dois passos pra trás.
— Será que eu posso ajudar em algo enquanto ele não chega?
—Bom... É que... Eu estava tentando pensar em uma forma de entrarmos no hotel sem termos que partir para um confronto direto com os policiais. As imagens que vi no noticiário mostram que o hotel está cercado deles, por todos os lados.
Adrien chegou mais perto e viu que no ioiô da joaninha havia uma planta do hotel Le Grand.
— Posso? – Ele pediu para olhar a planta mais de perto. Lady Bug exitou alguns segundos, mas estendeu o ioiô para o modelo.
Ele analisou a planta e depois a imagem de uma reportagem onde mostrava o hotel de cima repleto de policiais por todos os lados como ela dissera. Até no terraço da cobertura havia agentes da Lei.
— Tem policiais por toda parte my... er... Lady Bug! É quase impossível vocês entrarem sem serem notados... A menos que... – uma idéia se acendeu na mente do garoto que sorriu de lado.
Ela iria detestar aquilo!
— A menos que...? – ela perguntou curiosa com a expressão enigmática de Adrien.
— A menos que vocês entrem no hotel em suas formas civis
— O que? Não, não, não... Isso está fora de cogitação!
Adrien revirou os olhos, sabia que ela não concordaria.
— Pensa bem Lady Bug! Os policiais estão atrás exclusivamente de você e do Chat Noir! Até agora eles não se mostraram ameaça para nenhum civil. A raiva de Bourgeois está direcionada apenas a vocês. E pelo que vimos na reportagem, o hotel está funcionando normalmente. Eles estão apenas aguardando que vocês apareçam! Mas se entrarem como civis, ninguém vai se importar e depois podem se transformar quando já estiverem lá dentro, com bem menos inimigos para atrapalhar.
Ela suspirou. Tudo que Adrien estava falando fazia muito sentido. Parecia até que ela estava discutindo aquilo com... Chat Noir... Fitou as íris verdes brilhantes e o cabelo dourado. Fisicamente eles se pareciam muito... Ela nunca gostou de admitir isso, mas atualmente estava sempre comparando os dois. Não é possível! Seria demais para sua sanidade.
Adrien percebeu o olhar azul intenso sobre si e pensou se teria dito alguma coisa para ser descoberto. Lembrou-se que ela o conhecia bem demais, sentiu seu coração acelerar.
— Lady Bug...
Ela balançou a cabeça e sorriu. Estava imaginando coisas.
— Desculpe, me distraí por um instante – ela corou levemente e limpou a garganta – Você até que tem razão Adrien. Talvez não seja má idéia... Mas preciso discutir isso com o Chat Noir! Vou ligar pra ele. Ela pegou o ioiô e tentou chamá-lo pelo comunicador. Desligado.
— Adrien! – Nathalie veio correndo e o abraçou – Graças a Deus está bem!
— Sim Nathalie – ele sorriu sem jeito – Eu vim andando da escola. Desculpe não ter avisado. Meu celular ficou sem bateria.
— Tudo bem, mas acho melhor você ir para o seu quarto. Vou avisar seu pai que você está em casa.
Ouviram o barulho de bombas do lado de fora do portão. Lady Bug e Adrien correram juntos para a janela. Vários policiais já estavam tentando derrubar o portão da mansão utilizando explosivos.
— Eles nos descobriram! – a heroína pegou o ioiô novamente – Chat Noir cadê você?
As janelas de ferro começaram a descer e blindar a casa toda.
— Meu pai deve ter acionado o sistema de segurança.
Adrien pensou como iria sair daquela enrascada. Num impulso subiu as escadas.
— Vou procurar o meu pai Nathalie!
— Espere Adrien! — A secretária não soube o que fazer. Olhou para Lady Bug que a orientou:
— Enquanto ele estiver na mansão ele estará seguro Nathalie. Sou eu quem preciso ir para a proteção de todos vocês. Agora me mostre por onde posso sair sem ser notada.
— Está bem. A secretária pegou um controle que estava em um console embutido na parede. Vamos pelos fundos, é o melhor local.
Lady Bug deu uma última olhada para trás, esperando sinceramente que Adrien estivesse seguro.
Adrien entrou em seu quarto e pegou o queijo camembert que guardava para situações de emergência.
— Plagg, estamos sem tempo, então faça isso rápido.
O kuami saiu do casaco de Adrien como um raio e abraçou o pedaço de queijo
— Você é cruel Adrien, por me fazer comer essa maravilha sem ao menos o direito de saboreá-lo.
Adrien revirou os olhos e bufou. Viu pela janela quando Lady Bug saía pelos fundos da mansão.
— Estou encrencado! Lady Bug deve estar uma fera com Chat Noir. Tenho que pensar em uma excelente desculpa.
Plagg mal havia acabado o queijo e Adrien já estava dizendo as palavras de transformação
— Plagg mostrar as garras!
Lady Bug conseguiu sair da mansão Agreste sem ser notada, no entanto pensou que não poderia deixar os policiais invadirem a casa a sua procura colocando a vida de inocentes em risco, principalmente a de Adrien. Por isso, quando já estava em cima de um prédio chamou a atenção deles para que a seguissem e deixassem a mansão. Viu que seu plano dera certo quando uma quantidade considerável de policiais passaram a persegui-la deixando a mansão dos Agreste para trás.
Enquanto saltava pelos prédios ouviu o sinal do comunicador no ioiô. Chat Noir
Parou em um terraço e atendeu ofegante
— Onde você se meteu Chat?
O rosto do loiro mascarado apareceu na tela de seu ioiô visivelmente incomodado.
— Desculpe my lady! Eu vi que Adrien já estava chegando em casa e decidi dar uma olhada mais de perto no Hotel Le Grand. Precisei entrar em combate com alguns dos nossos “amigos” policiais, o que acabou me atrasando.
Ele viu a joaninha suspirar
— Você não devia ter ido sozinho Chat! Mas não temos tempo pra isso. Encontre-me no prédio ao lado do Hotel.
Sem esperar resposta, desligou o comunicador e continuou a saltar pelos prédios percebendo que havia deixado a maioria dos policiais para trás.
Encontrou-se com Chat Noir no local combinado.
— Qual é o plano my lady? – Chat perguntou já sabendo a resposta
Lady Bug suspirou, ainda em dúvida se aquela realmente era a melhor opção. Fitou os olhos verdes do gato mascarado. Ele iria amar aquilo!
— Vamos entrar em nossas formas civis.
— O que? Sério? Isso não pode ter sido idéia sua... – Ele não resistiu em provocá-la
— Você é tão engraçado Chat! Mas tem razão. Essa idéia nunca passaria pela minha cabeça, no entanto, quando a ouvi entendi que era o melhor caminho.
— É mesmo? E quem lhe deu essa brilhante idéia? – Ele não conseguia se conter
Ela lhe deu um sorriso radiante
— Foi o Adrien Agreste! Ele me ajudou enquanto você desapareceu do mapa!
— Acredite my lady, eu estava fazendo o meu melhor. Mas que bom que o modelo teen pôde te ajudar.
Ela notou o desdém na voz do herói e voltou a pensar se aquela animosidade toda era por causa de Marinette.
— Fique sabendo que ele é muito inteligente e esperto. Muito perspicaz também, além de gentil e...
— Ok, ok – Chat levantou os braços – Já entendi! Se continuar elogiando esse garoto vou acabar ficando com ciúmes Bugboo – Ele disse e a enlaçou pela cintura achando fofo as coisas que ela havia dito sobre ele.
Ela sorriu de modo provocante e desvencilhou-se do seu abraço.
— Ninguém mandou você me deixar sozinha com o modelo loiro de olhos de esmeralda Chaton!
Ele arqueou uma sobrancelha e um sorriso maroto surgiu em seus lábios
— Não sabia que esse era o seu tipo, my lady...
Ela corou e preferiu mudar de assunto
— Chega de gracinha Chat! É o seguinte, você entra primeiro e eu vou dar um tempo para que encontre um lugar para se transformar. Depois eu vou entrar e nos encontramos na cobertura onde provavelmente o prefeito Bourgeois está.
Ele assentiu. Preparou-se para sair, quando ela lhe puxou o braço.
— Chat, por favor, não tente nenhuma gracinha para descobrir minha identidade.
Ela estava com medo disso. Ainda não se sentia segura o suficiente para se revelar. Agora mais do que nunca tinha medo que ele se decepcionasse quando descobrisse quem ela era.
Ele a olhou com seriedade. Um pouco magoado por ela pensar que ele seria capaz de desrespeitar uma decisão dela.
— Depois de todo esse tempo my lady, acredita mesmo que eu faria isso? Até hoje respeitei sua decisão, mesmo desejando o contrário. Seria incapaz de trair sua confiança desse jeito.
Ela sentiu-se culpada. Ele tinha razão. Sempre respeitava sua decisão mesmo deixando claro que queria o contrário.
— Me desculpe Chat! Não quis duvidar de você. Foi apenas... Força do hábito.
— Está bem – ele riu, mas ainda havia uma sombra em seu olhar – Nos vemos lá dentro!
Ela suspirou. Havia magoado seu parceiro. Droga!
Chat Noir tornou-se Adrien assim que saiu do prédio onde estava. Olhou para cima. Nem sinal da Lady Bug. Ela jamais tentaria descobrir quem ele era e não fazia a menor idéia de que o garoto sobre quem ela falara com tanto orgulho e carinho há alguns minutos atrás era ele mesmo. Sorriu lembrando das palavras da sua lady sobre sua pessoa. Talvez devessem se conhecer melhor quem sabe... Afastou aqueles pensamentos quando se aproximou do seu destino.
Entrou no hotel Le Grande pela porta da frente, passando por todos os policiais que permaneciam impassíveis diante da sua presença, porém alertas para qualquer sinal de aparição dos heróis de Paris. Não havia muito movimento no hotel, exceto por alguns poucos hóspedes e os funcionários. Mas por segurança achou melhor descer mais um andar, onde provavelmente não haveria ninguém. Achou a lavanderia que há essa hora estava vazia. Perfeito.
— Hora de transformar. Plagg mostrar as garras!
Lady Bug deu cinco minutos de vantagem a Chat Noir. Achou que seria o suficiente sem deixá-lo correr risco sozinho. Entrou no hotel como Marinette, passando despercebida pela tropa de policiais e tratou de procurar um lugar para se transformar novamente. Tikki já estava se alimentando com os cookies que ela deixou na bolsinha.
Havia hóspedes na recepção, então ela procurou um lugar mais vazio. Poderia usar o elevador, mas ele estava demorando demais para chegar ao térreo. Andou pelos corredores e achou a cozinha. Excelente!
Abriu a porta devagar, não havia ninguém ali. Abriu sua bolsinha pronta para a ação.
— Tikki...
Antes de conseguir pronunciar as palavras ouviu passos e estacou. Abaixou-se rapidamente atrás de um balcão. Duas mulheres entraram, vindo de uma porta nos fundos da cozinha. Elas conversavam sobre o cardápio do jantar que seria servido aos hóspedes e não perceberam a presença de Marinette.
Ela continuou abaixada e saiu pela porta com cuidado. Quando chegou do lado de fora levantou-se e suspirou aliviada. Ainda estava de costas para o corredor. Essa foi por pouco...
Já ia se virar quando ouviu seu nome
— Marinette!
Sentiu seu sangue esvair-se do rosto. Ela conhecia muito bem aquela voz. Seu coração começou a bater descompassado, respirar tornou-se a tarefa mais difícil naquele momento.
Virou-se lentamente para encontrar as íris felinas de Chat Noir!
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