Miraculous - A Luz Entre As Trevas
6 Volta a Rotina
Notas iniciais
POV Autora
O mês passou de pressa. Adrien aprender rápido como funcionava a parte administrativa da Agrestes Company, sempre que enviavam uma proposta para a empresa, Gabriel entregava pessoalmente para que Adrien analisasse e sugerisse uma contra-proposta ou dissesse se era viável para a empresa aceitar.
Devido a isso, Adrien passou a trabalhar no mesmo quarto que o pai durante o período que ficou nos Estados Unidos, quando o garoto estava concentrado lendo os papéis, Gabriel o olhava com certo orgulho, porque ele reconhecia como o filho era esforçado, mesmo não demonstrando e esse tempo que passaram juntos o fez repensar algumas decisões que tomou envolvendo o filho.
Quando finalizaram o trabalho daquela tarde, Gabriel dispensou o Adrien para que ele pudesse descansar, afinal naquela noite eles voltariam para Paris, as malas já estavam arrumadas graças a Natalie, quando o jovem Agreste chegou ao quarto deu um pedaço de queijo ao Plagg e foi tomar um banho demorado para relaxar.
Retornou ao quarto, vestindo a muda de roupa que estava separada na cama e guardou a suja em uma bolsa para por na mala. Ele estava aliviado, nenhum problema com algum akumatizado nesse período que estava longe de Paris e no dia seguinte ele já estaria de volta. Iria poder rever seus amigos, voltar a rotina da escola, voltar a ser o Chat Noir e correr livremente pelos telhados da cidade das luzes.
Ele não conseguiu conter o sorriso ao pensar que veria sua lady novamente, ele sentia falta da sua companhia, de lutar ao seu lado, assim como sentia falta das brincadeiras entre eles. Os quatro anos que trabalham juntos, os tornaram ótimos parceiros, deu a eles uma grande sintonia.
Ele também não podia negar, sentia saudade da Marinette, do jeito meigo e doce que tem ao falar com os amigos, a forma que ela ficava corada quando recebia muita atenção, a determinação dela pra lutar pelo que é justo, do carinho que ela demonstra ter pelo Chat Noir, sentia falta de conversar com ela, de ve-la sorrir totalmente a vontade.
Ele não tinha falo com ela desde o último dia que ela foi a escola, as únicas notícias que ele teve foi que as que o Nino deu, afinal era o namorado da melhor amiga dela, soube que ela está bem e que estava trabalhando com a prima no período de férias e que estaria de volta para o primeiro dia de aula. Decidiu dormir um pouco para ver se o tempo passava mais rápido e ele pudesse ter sua vida de volta.
Marinette, se desenvolveu muito nesse período tanto na dança quanto como pessoa. Ela conseguiu superar a timidez, desenvolveu sua coordenação motora, parando de ser tão estabanada, com a convivência dos amigos que fez no estúdio de dança ela se tornou mais vaidosa, passou a se cuidar mais, desabrochando o melhor versão de si mesma.
Sempre trocava mensagem com a melhor amiga Alya, contando sempre de forma vaga como as coisas estavam, afinal sua rotina ali estava uma loucura. Tinha que aprender a coreografia de manhã, ajudar a prima a ensinar a coreografia a tarde, a noite ela sempre tirava um tempo para estar com a mãe.
Com o dinheiro que recebia, ela comprava alguns tecidos para no final de semana produzir algumas roupas que ela desenhava no decorrer dos dias que passava ali. Nesses trinta dias, metade da roupas que agora estavam compondo o guarda roupa da Marinette foi feita por ela, tanto que teve que pedir uma das malas da mãe para poder retornar a Paris com todas as suas peças.
Nara, disse que ia para uma noite de meninas na casa de uma amiga, chamou Marinette para ir, mas ela preferiu ficar e arrumar tudo para poder voltar pra casa. Depois do jantar, Marinette se despediu e foi para o quarto, tomou banho, trocou de roupa e começou a pentear o cabelo que agora já estava abaixo do ombro. Pegou a bolsa e tirou o pacote de biscoito e deu alguns a Tikki antes de ir dormir.
POV Adrien
Gorila estava abrindo a porta para que Natalie, meu pai e eu entraremos. Finalmente estava de volta a minha cidade, o percurso para casa foi silencioso, passei todo o trajeto observando as ruas pela janela, como senti falta desse lugar. Assim que chegamos em casa, Natalie nos informou que o jantar seria servido em 30 minutos, segui para o meu quarto, assim que entrei e fechei a porta, Plagg saiu voando de dentro do meu casaco indo em direção ao armário que eu guardava o queijo fedorento dele.
— Oi meu precioso, senti tanto a sua falta — ele falou se deitando por cima do queijo
— Falando assim, até parece que te deixei com fome a viagem toda — falei me sentando na cama
— Comparado a quantidade de queijo que tenho aqui, quase morri de fome — Plagg falou comendo um pedaço
— Espero que isso sirva pra você parar de ser mal agradecido — falei olhando-o e ele apenas revirou os olhos comendo o queijo
Quando deu o horário do jantar, desci e não me surpreendi ao ver que meu pai não estava ali. Realmente parece que voltamos a rotina, jantei e voltei para o quarto informando que iria dormir, afinal amanhã era segunda e teria que acordar cedo para ir a escola. Ao entrar no quarto tranquei a porta.
— Plagg? — falei olhando meu kwami — Que tal dar um volta?
Ele apenas assentiu pronto para ir, ele também sentia da liberdade que o Chat Noir trazia.
— Plagg, mostrar as garras — falei e em instantes eu era o Chat Noir — Como senti falta desse uniforme.
Corri e saltei pela janela do meu quarto sem ser visto e comecei a correr pelos telhados de Paris. Não conseguia conter a felicidade por estar ali novamente, pulando de telhado em telhado, corri em direção a Torre Eiffel e a escalei o mais rápido que pude até chegar ao topo. Aquela vista era incrível, toda a beleza da cidade das luzes diante dos meus olhos.
Fiquei ali por alguns minutos, olhando a cidade, a memória do momento da minha despedida, do Marinette veio a mente, o beijo quase no canto da boca, que ficou na minha mente durante todo o período que estive fora, meus olhos foram na direção da casa da Marinette, Nino me disse que ela iria para a aula amanhã, isso significa que deve ter voltado de viagem, acabei sorrindo e pulei da Torre seguindo o caminho até a casa dela.
Quando cheguei no telhado vizinho, vi a casa inteira escura, pelo horário ela já deve estar dormindo, mesmo assim fui até a varanda, caminhei em direção a clarabóia, mas ela não estava lá, o quarto dela estava exatamente o mesmo da noite da nossa despedida com exceção das malas que não estavam ali, a cama arrumada indicava que ela não havia voltado. Suspirei frustrado e decidi voltar para casa, assim que entrei pela janela a fechei.
— Esconder garras — falei me destransformando e dei o queijo do Plagg antes que ele falasse algo
Coloquei o pijama e me joguei na cama, Plagg já dormia preguiçosamente no sofá do meu quarto. Me enrolei, tentei dormir sem sucesso. Queria ver como a Marinette estava, essa foi uma das minhas preocupações durante as férias, a todo instante me preocupando se apareceria algum akumatizado ou se me perguntando como a Marinette estava. Admito que no último mês a Marinette estava mais em minha mente do que a Ladybug. Acredito que seja por preocupação, afinal sou apaixonado pela Ladybug. Mas e se o que sinto pela Marinette for mais que amizade? Não, isso é loucura. Ela é a minha amiga, apenas isso. Não sei quanto tempo se passou até que eu dormir e sonhar com uma garota de cabelo preto azulado e olhos azuis.
POV Marinette
O relógio marcava três e quarenta da manhã, quando cheguei ao aeroporto de Paris. Em poucas horas tenho aula, recolhi minhas malas, as coloquei no carrinho e fui em direção a porta de saída do aeroporto, assim que pus os pés no lado de fora, senti a brisa da madrugada e fechei os olhos aproveitando aquele momento
— Lar doce lar — sussurrei indo em direção ao táxi parado em frente a porta
O motorista me ajudou a por a bagagem na mala do veículo e entrei no carro. Dei o endereço, ele seguiu, olhei a cidade pela janela e minha mente foi para o momento da despedida da minha família.
Flashback ON
Nara e minha mãe foram me levar ao aeroporto, despachei as malas e elas me acompanharam até o portão de embarque.
— Vou sentir tanto a sua falta, minha filha — Minha mãe falou me abraçando
— Eu também vou, mamãe — falei retribuindo o gesto — Mas manteremos contato todos os dias.
— Com certeza — ela falou me olhando e sorriu — Se cuida, minha menina
— Prometo que vou fazer isso — falei e beijei as mãos dela e olhei para Nara
— Cuida dela por mim — pedi e ela assentiu
— Iremos cuidar — Nara garantiu e abraçou — Não se esquece das coisas que aprendeu sobre você aqui, Mari.
— Nunca mais vou esquecer — falei sorrindo — Obrigada por tudo.
— Não precisa agradecer e lembre-se você é Mari Dupain-Cheng — ela falou e ri baixo
— Você quis dizer Marinette — falei olhando-a
— Não, você veio Marinette, mas retorna como Mari — ela falou convicta — Aqui no Japão, Mari quer dizer perfeita. E é exatamente isso que você é, nunca deixe ninguém dizer o contrário
— Obrigada, Nara — falei abraçando-a novamente
Ouvimos o meu vôo ser anunciado e tive que ir, assim que entrei procurei meu assento, quando o achei me sentei e toquei a pulseira no meu pulso e sorri. Em breve veria o meu gatinho de novo.
Flashback OFF
— Senhorita? — a voz do motorista me trouxe de volta a realidade — Chegamos.
— Obrigada — falei, descendo do carro
Mais uma vez o motorista me ajudou com a bagagem e o paguei. Entrei em casa trancando a porta em seguida, olhei dentro do bolso interno do sobretudo que eu usava e vi que a Tikki ainda dormia tranquilamente. Com cuidado, subi a escada indo para o meu quarto, limpei o quartinho de boneca, com delicadeza tirei a Tikki do bolso e a coloquei na caminha dela.
Meu quarto estava organizado, mas havia uma camada de poeira cobrindo tudo. Estava sem sono, então decidi limpar meu quarto, aproveitando limpei a casa toda. O relógio marcava 5h30 da manhã quando terminei tudo. Liguei a cafeteira e fui tomar banho para ir a escola.
— Marinette? — ouvi a voz da Tikki quando estava me enrolando na toalha e sai do banheiro
— Bom dia, Tikki — falei olhando-a e ela sorriu
— Bom dia! Já acordada? — ela perguntou sorrindo
— Na verdade, nem dormi — disse indo abri a mala
— Ansiosa para voltar as aulas? — ela perguntou empolgada e eu sorri
— Estou louca para ver o pessoal novamente — respondi a ela sorrindo
— Já sabe com que roupa vai? — Tikki perguntou me olhando
— Sei, preparei uma roupa especial para ir a escola nesse semestre — falei pondo as peças sobre a cama e ela sorriu
— É linda, Marinette — ela falou olhando
— Obrigada, Tikki — falei sorrindo
— Agora, vou adiantar não quero chegar atrasada e temos que comer alguma coisa — falei e ela concordou
Vesti a roupa, fiz uma maquiagem simples, deixei meu cabelo solto como fazia nas últimas semanas. Desci a escada, fui em direção a padaria onde os rapazes trabalhavam normalmente, a padaria ficou funcionando na ausência da minha mãe, o Gustavo sempre se mostrou leal e de confiança e ao final do expediente sempre mandava o relatório do que saiu, do valor que entrou o que precisava ser reposto, graças a ele, continuaram a trabalhar.
Os cumprimentei, peguei dois pães, meia dúzia de cookies e macarrons e voltei para casa. Tomei café da manhã com a Tikki, peguei a bolsa com o material da escola, chamei a Tikki que se escondeu na minha roupa e sai. Senti meu celular vibrar, desbloqueio a tela e vejo uma mensagem da Alya
"Bom dia, amiga! Já tô na escola. Cadê você?"
Sorri com a mensagem, guardei o celular e apressei os passos para chegar a escola o quanto antes.
POV Autora
Adrien havia acabado de descer do carro quando avistou Nino parado em frente a escadaria do colégio, sorriu e foi em direção a ele.
— Oi Nino — Adrien cumprimentou se aproximando, Nino sorriu e o abraçou
— E aí, mano? Como foi as férias? — Nino perguntou desfazendo o abraço
— Um tédio — Adrien respondeu com sinceridade fazendo o amigo rir — Pensei que a Alya estaria com você?
— É, mas ela veio na frente para falar com a Marinette — Nino respondeu e o Adrien sentiu seu coração acelerar levemente com a menção do nome da mestiça — Só tava esperando você, vamo?
— Claro — Adrien respondeu escondendo a ansiedade
Assim que entraram no pátio viram poucos alunos por ali, Alya estava sentada no banco próximo a escada mexendo no celular.
— Bom dia, Alya — Adrien falou se aproximando
— Bom dia, Adrien — Alya nem desviou o olhar do celular para responder
— Cadê a Marinette? — Nino fez a pergunta que estava na cabeça do Adrien desde que puseram os pés na escola
— Não sei, mandei uma mensagem que ela visualizou, mas não respondeu — Alya guardou o celular emburrada
— Sabe como a Marinette é, deve ter se atrasado — Nino falou tentando acalmar a namorada
— Eu sei, mas quero ver a minha melhor amiga logo — Alya falou e Nino sorriu
— E vai ver, só fica calma- Nino falou e Alya assentiu — Que tal nós quatro marcarmos de tomar um sorvete? Passamos um mês sem nos vermos, um momento pra gente vai ser divertido.
— Pode ser legal — Adrien falou contendo a empolgação
— Tá bem — Alya suspirou e me olhou — Desculpa, pelo meu comportamento.
— Não se preocupe — Adrien falou sorrindo — Como você tá?
— Tô bem — Alya respondeu sorrindo — O que fez nas férias?
— Basicamente trabalhei e estudei — Adrien respondeu simplesmente
— Alguma campanha? — Alya perguntou curiosa
— Não, meu pai me ensinou como funciona a parte administrativa da empresa — Adrien respondeu
— Nossa, que chato — Nino falou, fazendo o Adrien e a Alya rirem, mas a morena parou de rir, seu olhar foi em direção a entrada da escola
— Não acredito — Alya murmurou surpresa
Nino e Adrien olharam na mesma direção e tiveram a mesma reação. Marinette havia acabado de chegar a escola, os poucos alunos que já estavam lá olhavam na direção dela e não era pra menos.
POV Adrien
Eu não consigo acreditar, aquela é a Marinette? Ela estava diferente, muito diferente. Não estava com as tradicionais calça rosa, blusa branca, jaqueta de tecido preta e sapatilhas, nem com as marias-chiquinhas.
Ela usava um saia levemente drapeada estilo colegial azul marinho com dias listras na barra que marcava a cintura e terminava uns 4 dedos abaixo do meio da coxa, uma camisa social branca que estava por dentro da saia, os dois primeiros botões de cima estavam abertos deixando um decote V discreto, no pescoço dela estava o colar que havia dado de presente de aniversário.
Por cima da camisa social tinha um blazer azul marinho de tecido leve, um botão fechado fazia que a cintura dela ficasse marcada, no lugar das usuais sapatilhas, havia um par de botas brancas de salto grosso que a deixavam no mínimo 8 centímetros mais alta e em cima dos cabelos que estavam soltos havia uma boina vermelha. Seus olhos estavam realçados por um delineado simples, seus lábios com um leve tom rosado.
— Marinette? — Alya falou ainda surpresa e se levantou do banco
— Não mereço um abraço de boas vindas? — Marinette perguntou em tom de brincadeira e elas se abraçaram — Senti tanto a sua falta
— Eu também, mas deixa eu te olhar direito — Alya falou e elas desfizeram o abraço, Marinette deu uma volta para que Alya pudesse observa-la e parou pondo a mão na cintura fazendo pose como se fosse tirar uma foto — O que aconteceu com você?
— Gostou? — Marinette perguntou olhando a melhor amiga
— Eu adorei, você tá incrível amiga — Alya falou sorrindo e só então ela pareceu notar nossa presença
— Desculpem meninos, bom dia — Marinette falou nos olhando
— B-bom di-ia — me repreendi por ter me enrolado nas palavras, Marinette notou, porque me olhou sem entender
— Bom dia, você tá diferente — Nino falou olhando-a
— Espero que no bom sentido — Marinette falou com ar de riso,
— No melhor deles — Nino afirmou abraçando a namorada
— Você vai ter que me contar todos os detalhes do que aconteceu nas suas férias — Alya intimou e Marinette riu
— Prometo que vou contar tudo, mas preciso falar com o diretor que conseguir adiantar a viagem — ela falou ajeitando a alça da bolsa — Meu retorno estava programado pra próxima semana.
— Vai lá, eu guardo seu lugar — Alya garantiu e Marinette assentiu
Ela foi em direção a escada e subiu indo em direção a sala do diretor. Nino, Alya e eu fomos para a sala, ainda estávamos surpresos com a mudança da Marinette. Além da postura, o olhar dela estava diferente, estava confiante, a garota insegura não existia mais, seu tom de voz não estava vacilante como antes, não gaguejava mais, parecia mais espontânea.
— Ainda não consigo acreditar — Nino falou me tirando dos meus pensamentos
— Eu também não, mas ela parece mais feliz, totalmente o oposto de quando viajou — Alya falou e tivemos que concordar
— Fico feliz que ela tenha se recuperado — falei e eles assentiram
— Mas ela vai me explicar direitinho, tudo o que aconteceu nas férias — Alya falou e nós rimos
Nesse ponto precisava concordar, preciso saber o quanto essas mudanças a afetaram, acho que o Chat Noir vai visitar uma princesa esta noite.
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