Miraculous - A Luz Entre As Trevas
7 Ilustrador do Mal
POV Adrien
Peguei meu caderno e colocando em cima da mesa, sempre dando um jeito de olhar discretamente para a porta, mas nenhum sinal da Marinette.
— Ei, cara? — Nino me chamou e o olhei — O que achou da mudanças da Marinette?
— Não sei, mas acho que não foi uma mudança apenas externa — falei olhando-o
— Como assim? — ele perguntou me olhando
— A postura dela mudou, a forma de caminhar, não está tímida como antes — postei olhando o caderno — Ela mudou por dentro e refletiu fora.
— O que será que aconteceu para ela mudar assim? — Nino perguntou pensativo
— E o quanto ela mudou? — perguntei pra mim mesmo
— O que tanto vocês cochicham aí? — Chloe perguntou parando ao lado da nossa mesa no corredor
— Acho que é sobre a Marinette — Alya respondeu sorrindo
— O Adrien não perderia tempo falando da Marichata — Chloe falou com deboche, ia falar a voz de alguém se fez presente
— É errado falar de alguém sem que ela esteja presente pra se defender — Marinette falou da porta e Chloe se virou ficou surpresa quando a olhou, mas logo disfarçou. Olhando o relógio
— Olha só, pela primeira vez a Maritrouxa chegou no horário — Chloe provocou e a Marinette sorriu
— Bom dia pra você também, Chloella, já começou a perseguir os dálmatas ou mandou alguém fazer isso por você? — Marinette falou com um sorriso doce, Chloe ficou surpresa e alguns alunos deixou escapar uma breve risada
— O que é isso? A Maritrouxa quer mostrar que têm garras? — Chloe debochou não querendo mostrar surpresa em relação a nova Marinette, que simplesmente se aproximou a passos lentos e firmes
— Sim, eu tenho — Marinette falou olhando nos olhos da Chloe — Por isso vou te falar apenas uma coisa.
— Que seria? — Chloe perguntou com ironia e deu um passo para o lado com descaso, mas sei que foi para se afastar da Marinette
A sala estava em total silêncio, Chloe do outro lado do corredor de frente pra mim, Marinette estava de costas e deu dois passos na direção da Chloe, que tentou dar um passo discreto para trás, mas estava tão perto da cadeira que simplesmente caiu sentada em seu lugar. Marinette colocou uma mão no encosto da cadeira dela e a outra na mesa pra servir de apoio e se inclinou se aproximando dela
— Não mexe comigo ou com meus amigos — esse simples gesto de inclinar a fez empinar e não consegui controlar os meus olhos — Porque não vou permitir que pise neles ou em mim novamente.
Ela comecou a se erguer e consegui desviar o olhar e fiquei aliviado ao ver que a sala inteira estava distraída com a conversa delas e não me viram esquadrinhar o corpo da Marinette.
— Ridícula — Chloe falou se virando para frente
— O que foi isso? — Nino sussurrou muito surpreso
— Também não sei — sussurrei de volta
— Amiga...? — Alya não conseguiu completar a frase enquanto Marinette sentava ao seu lado
A professora entrou e deu início a aula, eu simplesmente não conseguia prestar atenção, era muita coisa pra assimilar, como alguém consegue mudar tanto em um mês e o que causou essa mudança. Estava tão distraído em pensamentos que não percebi quando deu início ao intervalo.
— Você vem, cara? — Nino me chamou me trazendo a realidade
— Vou, claro — quando me levantei vi que a Alya e a Marinette já haviam saído
Fomos lanchar e Nino nos indicou a mesa que a Marinette e Alya estavam sentadas, nos aproximamos delas.
— Ainda não consigo acreditar que você enfrentou a Chloe daquela forma — Alya falou enquanto nos tentávamos
— Alguém tinha que fazer — ela falou e tomou um gole do suco — Essa não foi a primeira vez que enfrentei a Chloe
— Mas essa foi a primeira vez que mexeu de verdade com ela, Marinette — Nino falou olhando-a
— Vocês estão exagerando — falei falou e comeu um biscoito
— Não estão — falei e ela me olhou — Mesmo que ela tenha desfarçado você a intimidou e conheço bem a Chloe pra falar
— Certamente conhece — ela murmurou sorrindo e comeu outro biscoito
— E qual é o próximo passo? — Alya perguntou empolgada
— Pra quê? — Marinette perguntou confusa
— Pra colocar o Chloe no lugar dela — Alya falou como se fosse óbvio
— Eu não vou fazer nada, Alya — Marinette falou normalmente — A única coisa que espero que aconteça é que a Chloe aprenda a ser uma pessoa melhor.
— Amiga, se passaram quatro anos e ela continua a mesma — Alya falou olhando-a — Eu não sei se ela tem jeito, Marinette.
— A pessoa só muda, quando se vê totalmente infeliz — Marinette falou e olhou um ponto qualquer da mesa — Em algum momento ela vai ter um choque de realidade.
— Parece que a nossa Marinette não mudou tanto assim — Nino falou e a Marinette sorriu
— Posso pedir uma coisa? — ela perguntou nos olhando e assentimos — Me chamem de Mari.
O sinal tocou e voltamos para a aula, assim que as aulas terminaram, Chloe foi a primeira a sair da sala acompanhada da Sabrina, Nino arrumou as coisas e se levantou.
— Posso passar na sua casa mais tarde? — Alya perguntou a Marinette
— Pode ser amanhã? — Marinette perguntou — Cheguei de madrugada e preciso descansar um pouco.
— Amanhã, posso ir direto da escola — Alya falou e Marinette sorriu
— Combinado — Marinette concordou
— Vamos? — Nino chamou a namorada
— Claro — Alya foi ao lado dele, segurou a mão do Nino e olhou pra Marinette — Você vem, Mari?
— Só vou terminar de arrumar minhas coisas e alcanço vocês — Marinette falou e eles assentiram
Arrumei as minhas coisas e fiquei sentado, esperando a Marinette sair, quando ela passou por mim levantei
— Mari, espera — falei, ela se virou me olhando — Eh... e-eu
— Você tá bem, Adrien? — ela perguntou se aproximando quando me enrolei nas palavras
— Estou, é que... — comecei a falar, mas parece que as palavras sumiram
— É que...? — ela falou paciente esperando que eu continuasse
— Antes de você chegar, estávamos marcando pra irmos tomar um sorvete — consegui falar sem gaguejar — Nós quatro, Nino, Alya, você e eu. O que acha?
— Por favor, diz que não é uma idéia da Alya pra um encontro duplo — ela falou parecendo um pouco frustrada
— Não, não é um encontro — falei rápido — Apenas quatro amigos indo tomar sorvete.
— Tá bem, mas resta apenas uma questão — ela falou me olhando e sorriu em divertimento — Vai ter espaço na sua agenda pra isso?
— Vou dar um jeito — falei sorrindo
— Tudo bem — ela concordou — Basta dizer onde e quando.
— Tá bem — falei e ela deu um passo pra trás
— Até amanhã, Adrien — ela falou saindo
— Até — falei, peguei minhas coisas e sai
Gorila já estava na porta da escola me esperando. Me despedi dos meus amigos e sai indo em direção ao carro. Quando cheguei guardei minhas coisas no quarto, dei o queijo do Plagg e desci para o almoço, mais uma vez meu pai não estava lá, dessa vez sequer me dei ao trabalho de perguntar onde ele estava, apenas almocei em silêncio, quando terminei Natalie se aproximou
— Adrien, o Sr Agreste quer conversar com você após a sua aula desta tarde — Natalie falou me olhando
— Está bem — falei e fui em direção a escada
Assim que cheguei no quarto liguei a TV e vi a notícia havia um novo akumatizado, pelas imagens na TV era o Ilustrador do Mal.
— O que fizeram a você, Nathaniel? — falei olhando a TV e me levantei — Temos trabalho pra fazer.
— Agora? — Plagg falou deitado na almofada — Tá bem, mas vai ter que me dá muito queijo quando a gente voltar.
— Vou pensar no seu caso — disse quando ele estava voando ao meu lado — Plagg, mostrar as garras.
Sai pela janela do quarto, correndo pelos telhados até chegar próximo ao Museu do Louvri, local onde as imagens da TV indicavam que ele estava. Durante o caminho, lembrei que da última vez ele foi atrás da Marinette, tinha que dete-lo, antes que ele fizesse algum mal a ela. Cheguei no telhado próximo e observei, para meu alívio não havia ninguém ferido, apenas danos a propriedade.
— Desculpa o atraso — não precisei olhar para saber que era a Ladybug
— Chegou bem a tempo, Bugaboo — falei sorrindo e a olhei
Não sei se foram as semanas sem ve-la, ou apenas impressão minha, ela estava diferente. Seu corpo estava com mais curvas, seus traje a desenhava perfeitamente, o penteado era apenas um rabo de cavalo simples. Ela não estava abatida como da última vez que a vi, parecia mais forte, ela parecia mais... mulher.
— LADYBUG, APAREÇA — O Ilustrador do Mal gritou me trazendo de volta a realidade
— Temos que dete-lo e rápido — Ladybug falou e olhamos na direção do akumatizado
— Tem algum plano em mente, My Lady? — perguntei e ela parecia pensativa
— Da última vez ele queria se vingar da filha do prefeito, se essa fosse a razão de ter sido akumatizado, ele já estaria lá — ela falou pensativa
— Independente do motivo precisamos pegar o akuma — falei pronto pra saltar, mas a Ladybug me puxou pelo cinto do meu traje
— Tenta ser menos impulsivo — Ladybug falou me olhando
— Tem alguma ideia melhor? — perguntei e ela suspirou
— Howk Moth quer os nossos miraculous, mas foi a mim que ele chamou — ela falou pensativa — Vamos ter menos de cinco minutos.
— Como assim? — perguntei receoso
— Vou usar o talismã e vou ver o que ele quer — Ladybug falou e colocou o comunicador — Fique por perto.
— Não parece uma boa idéia você servir de isca — falei olhando-a
— Não tem outro jeito, temos que ser rápidos — ela falou e assenti colocando meu comunicador
Ela jogou o ioiô pra cima usando o poder do talismã e o que caiu nas mãos dela foi um bastão parecido com o meu mas na cor vermelha com pequenos detalhes em preto.
— Como isso vai nos ajudar, My Lady? — perguntei curioso
— Iremos descobrir — ela falou segurando o bastão — Vamos
Fui pelos telhados mais escondidos e ela foi até o Ilustrador.
— Até que fim, Ladybug — ele falava o nome dela com ódio
— Nathaniel, o que aconteceu? — ela perguntou
— Nathaniel não existe mais, eu sou o Ilustrador do Mal — ele falou com raiva — E irei fazer você pagar por zombar de mim.
— Do que está falando? Nunca zombei de você — Ladybug falou confusa
— MENTIRA — ele gritou e começou a ataca-la
— O akuma deve estar no lápis como da última vez — Ladybug falou pelo comunicador
Aproveitando a distração dele com a Ladybug tentei me aproximar sem ser visto, corri em sua direção, faltava apenas alguns metros quando ele me viu e me atacou, só tive tempo de desviar.
— Não vai me deter dessa vez, Chat Noir — ele falou preparando outro ataque — Quando me vingar da Ladybug e entregar os seus Miraculous para o Howk Moth, irei...
— O quê? Se tornar o maior vilão de Paris? — perguntei olhando-o e me apoiei no bastão — Sua meta de vida é um pouco sem graça, sabia?
— Irei atrás da Marinette — ele falou e senti meu sangue gelar — Seremos muito felizes juntos.
— Isso não vai acontecer — falei indo ataca-lo novamente
— Não deixe que ele encoste o lápis do tablet — Ladybug falou pelo comunicador — Se ele não puder desenhar, ele não tem poderes.
Logo eu e Ladybug estávamos lutando frente a frente com o Ilustrador do Mal, quando ele recuou apagou o meu bastão, me restando apenas lutar corpo a corpo, em um momento de descuido dele, Ladybug acertou o ioiô no lápis que voou na minha direção.
— Cataclismo — usei o meu poder pegando o lápis que virou poeira em minhas mãos, mas nenhum akuma saiu
— Só tenho mais três minutos — Ladybug falou enquanto lutava — Tá no tablet.
— Como queria ter o meu bastão agora — murmurei e corri na direção do akumatizado
Ladybug saltou para trás e pegou o bastão do talismã.
— Chat, pega — ela falou jogando o bastão.
Não era o meu, mas iria servir. O ilustrador estava mais forte fisicamente, quando me aproximei ele se preparou para me dar um soco, Ladybug jogou seu ioiô, segurando o braço dele e o puxou, em um movimento rápido e levantou a perna pondo o pé na linha do ioiô, fazendo a linha descer e o Ilustrador perder o equilíbrio, chute atrás do joelho fazendo-o cair e estiquei o bastão para acertar o tablet liberando o akuma. A Ladybug capturou o akuma, o purificou e libertou a borboleta branca. Devolvi o bastão e ela usou o Miraculous Ladybug pra restaurar tudo.
— Zerou — falamos e fizemos nosso toque
— Onde eu tô? — Nathaniel falou olhando em volta, quando nos viu entendeu o que aconteceu — Fui akumatizado, não foi?
— O importante é que acabou — Ladybug falou e o ajudou a levantar — Desculpe perguntar, mas porque parecia estar com raiva de mim?
— Porque... Porque sei que acha meus desenhos sem graça — ele falou abaixando a cabeça — Sei que devo ser motivo de piada entre os heróis
— Como é? — Ladybug perguntou confusa
— Ela nunca disse isso — falei e ele me olhou
— Sério? — ele perguntou surpreso
— Sério, vejo os seus desenhos no site da sua escola — Ladybug olhando-o — Você é muito talentoso.
— Gosta dos meus desenhos? — ele perguntou corando e ela sorriu
— Eles são incríveis — ela respondeu — Não deixe ninguém dizer o contrário e se disserem ignore. Você é um artista muito bom.
— Obrigado, Ladybug — ele falou mais animado — Não deveria prestar atenção nas coisas que a Chloe fala.
— Chloe Bourgeois? — perguntei, ele assentiu e os brincos da Ladybug apitaram
— Eu tenho que ir — ela falou jogando o ioiô — Até mais.
— Se cuida, Nathaniel — falei e ele assentiu
Voltei pra casa o mais rápido que pude, coloquei o queijo fedorento do Plagg na mochila e sai praticamente correndo, não posso me atrasar pra aula de hoje. Assim que entrei no carro, repassei o que aconteceu na batalha em minha mente. A Ladybug amadureceu muito nos últimos anos, mas apenas hoje notei o como ela mudou. Da última vez que a vi, ela estava mais magra, tinha um corpo definido, mas não muito, usava maria-chiquinha o que dava um ar mais ingênuo a ela. Hoje quando a vi, não pude deixar de me surpreender, ganhou um pouco de peso que realçou as suas curvas, o cabelo preso em um rabo de cavalo dava a ela um ar mais maduro. Mas fiquei feliz quando notei que esse mês longe não diminuiu em nada nossa sintonia. Assim que chegamos a frente do curso, desci do carro e entrei.
As horas se passaram depressa, assim que cheguei em casa fui para o escritório do meu pai e bati na porta, o ouvi dizendo para entrar e assim o fiz.
— O senhor queria falar comigo? — perguntei me aproximando da mesa
— Sim — ele falou e pegou uma pasta — Pode analisar esse contrato e me entregar o relatório depois da escola?
— Sim senhor — falei pegando a pasta — Algo mais, pai?
— Permitirei que saia das aulas extracurriculares — ele falou me surpreendendo — Exceto a de administração.
— É sério? — perguntei surpreso
— Sim, quero que trabalhe comigo algumas horas depois da escola e... — ele falou me olhando — Te deixarei com os fins de semana livre. Mesmo não concordando com suas amizades da escola, permitirei que os veja no final de semana.
Antes que eu me desse conta, já estava abraçando meu pai. Pela primeira vez desde que minha mãe sumiu há cinco anos, ele pareceu tomar uma decisão pensando em mim .
— Obrigado, pai — falei o soltando
— Estou confiando em você — ele falou me olhando
— Não irei decepciona-lo — falei sem conseguir conter o sorriso
— O jantar será servido às 18h — meu pai falou enquanto me afastava
— Pai? — o chamei e ele me olhou — Posso continuar na aula de esgrima?
— Tudo bem, contanto que não interfira na sua nova responsabilidade, não tem problema — meu pai falou e eu assenti.
Quando deu o horário do jantar, fiquei um pouco decepcionado ao ver que meu pai não estava lá, mas evitei perguntar dele, jantei e fui para o meu quarto, afinal tinha uma visita a fazer hoje. Assim que entrei peguei dois pedaços de queijo, um menor e o outro maior, levantei e o Plagg veio voando na minha direção
— Calma aí — falei e ele recuou um pouco — Por enquanto vou te dar o pequeno
— Porque não os dois? — Plagg perguntou manhoso
— O maior é pra depois da visita a Mari — falei entregando o pedaço pequeno
— Você não consegue tirar essa garota da cabeça, não é? — Plagg perguntou me olhando e comia o queijo
— Só estou preocupado com ela — falei me apoiando na mesa
— Sei... Se quer acreditar nisso, vá em frente — ele comeu o último pedaço do queijo — Vamos logo, que eu quero o meu queijo.
— Plagg, mostrar as garras — falei me transformando e sai pela janela
Fui correndo pelos telhados indo em direção a casa de Marinette, quando cheguei no telhado ao lado, eu a vi, sentada no banco na varanda, com um lençol cobrindo as pernas, pulei para a varanda e me aproximei. Só então notei que ela estava dormindo com a cabeça encostada no braço que estava apoiado no encosto do banco.
— Princesa? — a chamei baixo e com cuidado pra não assusta-la — Mari?
Ela se mexeu um pouco soltando um leve gemido, piscou os olhos algumas
— Desculpa se demorei — falei sentando ao lado dela, no leve corar pude ver que ainda tinha parte da minha Marinette nela
Minha Marinette? Minha amiga. Foi isso que eu quis dizer. Afastei esses pensamentos antes que me confundisse ainda mais.
— Podemos entrar? — ela perguntou me olhando — Estou ficando com frio
— Vamos — falei e ela se levantou primeiro, estendendo a mão pra mim.
Segurei a mão dela, que me guiou até o quarto dela, mesmo que já soubesse o caminho. E não me importei de alguma forma aquele simples gesto era reconfortante pra mim.
Fale com o autor