Miraculous - A Luz Entre As Trevas
8 A Conversa
Entramos no quarto dela, não havia mudado muita coisa, tinha novas fotos na parede parece que era do período de férias, as malas estavam no canto e parecia que ainda faltava algumas a serem desfeitas. Nos sentamos na cama dela, Marinette cruzou as pernas e colocou uma almofada no colo. Pegou um prendedor, passou o cabelo por cima do ombro direito e amarrou de lado na altura do pescoço.
— Você está diferente? — comentei olhando-a
— Em que sentido? — ela perguntou me olhando
— Fisicamente, você tinha perdido muito peso nos dias após... — parei de falar, não queria vê-la chorar novamente
— Depois do morte do meu pai — ela murmurou baixo e suspirou
— É, mas agora você parece bem mais saudável — falei e ela sorriu discretamente — E não está mais tão abatida.
— Uma mudança de ares me fez bem — ela falou olhando para as mãos, mas notei que ela tocava a pulseira que dei
— Você gostou mesmo da pulseira — comentei sorrindo e ela sorriu olhando a pulseira
— Tô sempre com ela — ela falou e levantou o olhar pra mim — Foi ela que me ajudou a controlar a saudade que senti de você.
Eu não esperava aquela resposta, ela não desviou o olhar, não corou, era notável a sinceridade nos olhos dela, as palavras dela fizeram meu coração bater um pouco mais rápido, me aproximei abraçando-a forte
— Senti muito a sua falta, Princesa — sussurrei ainda abraçado a ela
— Também senti, gatinho — ela sussurrou em resposta
Ela havia conseguido entrar no meu coração de alguma forma, não havia mais como me enganar, mas preciso analisar bem o que sinto. Desfizemos o abraço e ficamos nos olhando, observei bem seus traços, agora me sinto um idiota por não ter percebido antes o quanto essa garota mexe comigo.
— Alguma coisa em você mudou nessas férias, não foi? — perguntei me afastando um pouco e ela assentiu
— Eu me sinto diferente, mas sendo eu mesma — ela falou me olhando — Entendeu?
— Pra ser sincero, não — falei e ela riu
— Como posso explicar? — ela perguntou a si mesma — Eu continuo sendo eu mesma, mas com algumas mudanças.
— Quais foram? — perguntei curioso
— Só algumas coisas que me muitas vezes me atrapalhava — ela disse se encostando na cabeceira da cama — Minha timidez excessiva, minhas inseguranças, aprendi a confiar mais em mim, entende?
— Entendo — agora entendi o que exatamente mudou nela — Como fez pra superar essas coisas?
— Trabalhei com minha prima nas férias, ela é professora de dança e fui sua auxiliar — ela falou ajeitando a almofada no colo — A dança me ajudou a me sentir mais confiante.
— Interessante — falei, ela me olhou e a provoquei — Terá que me acompanhar em uma dança.
— Quem sabe um dia, gatinho — ela falou e bocejou
— Quando chegou? — perguntei intrigado
— Essa madrugada e não parei desde que cheguei — ela falou e estranhei, lembro que ela disse a Alya que descansaria a tarde
— Se foi a escola pela manhã, deveria ter descansado a tarde — comentei e ela concordou.
— É, mas... precisava limpar a casa. Um mês sem faxina imagine como estava — ela falou e assenti
— Sua mãe deve estar tão cansada quanto você — comentei lembrando da última vez que vi a Sabine.
— Na verdade, não — ela falou e a olhei — Minha mãe não voltou a Paris.
— O quê? — perguntei olhando-a
— Ela precisava de um recomeço, ela teve essa oportunidade no Japão — Marinette falou me olhando — Assim como tive minha chance de recomeçar, ela merecia a dela.
— Você está aqui sozinha? — perguntei surpreso
— Não, porque sei que posso contar com você — ela respondeu me pegando de surpresa mais uma vez, preciso me adaptar a essa Marinette confiante.
— Eu tô falando sério, Mari — falei olhando-a — Como vai ser agora?
— Vou estudar, cuidar da casa e fazer a supervisão da padaria — ela respondeu — Pelo menos até definir algo melhor.
— É muita coisa pra você sozinha — falei e ela sorriu
— Não precisa se preocupar — ela falou e bocejou — Eu dou conta.
— Você tem que dormir — falei me levantando
— Ainda tá cedo — ela falou manhosa e sorri
— Tá cedo, mas você está exausta — falei e ela se acomodou na cama — Vou indo pra você descansar.
— Fica mais um pouco — ela pediu segurando minha mão — Por favor
— Tá bem — falei me sentando na cama dela — Fico até você dormir.
— Obrigada — ela sorriu e beijou próximo a minha boca, na despedida sei que foi sem querer, agora sei que não foi. Isso quer dizer que mexo com ela tanto quanto ela mexe comigo?
Ela se deitou puxando um pouco o cobertor.
— Soube do akumatizado? — perguntei e ela me olhou assentindo — Foi o mesmo que veio atrás de você pra um encontro anos atrás
— Nathaniel — ela sussurrou o nome dele é assenti
— Ele apareceu aqui? — perguntei olhando-a
— Não, só o vi de relance na escola — ela falou e me olhou intrigada — Porque essas perguntas?
— Não é nada — falei sorrindo, mas ela não acreditou
— Não mente pra mim — ela pediu se sentando e suspirei pesadamente — O que aconteceu?
— Durante a luta, ele disse que quando derrotasse a Ladybug e a mim, ele viria atrás de você — respondi olhando-a
— Ficou preocupado comigo — ela falou baixo
— Claro que fiquei, não me perdoaria se alguma coisa te acontecesse — falei sem pensar, esperei a reação dela, ela deu um sorriso discreto e se deitou novamente.
— Boa noite, princesa — falei enquanto a enrolava
— Boa noite, gatinho — ela falou fechando os olhos e comecei a fazer carinho no cabelo dela.
Não sei quanto tempo se passou até que ela dormisse, com cuidado para não acorda-la me aproximei depositando um beijo na bochecha dela. Me levantei, caminhei até a mesa dela, peguei um papel e escrevi um bilhete, coloquei no criado mudo ao lado da cama dela. Fui até a clarabóia e sai voltando pra casa, assim que cheguei desfiz a transformação.
— Como prometido — falei colocando o pedaço grande de queijo pro Plagg na mesa e me joguei na cama
— Tá tudo bem? — Plagg perguntou comendo o queijo
— Acho que tô gostando da Marinette — admiti encarando o teto
— Sério? Não imaginava — Plagg ironizou e comeu outro pedaço do queijo
— Como não pude perceber antes? — perguntei olhando-o
— Você só queria saber da Ladybug, como olharia pra outra pessoa? — ele respondeu simplesmente e não tive como responder
Ele estava certo, passei tanto tempo tão focado em conquistar a Ladybug que não notei antes a garota incrível que já tinha em minha vida. Mas como posso ter certeza se ela sente o mesmo por mim? O quase beijo de hoje foi um sinal? Mas e quanto a Ladybug? Tenho sentimentos por ela, isso é fato, antes da minha viagem ela deu a entender que se pudesse me escolher, me escolheria. Isso quer dizer que ela sente alguma coisa por mim ou que poderia sentir? O que eu faço?
Fiquei um bom tempo com esses pensamentos rondando a minha mente e em algum momento eu adormeci.
POV Marinette
Acordei com o barulho do meu alarme, desativei e sentei na cama me espreguiçando, quando ia me levantar vi um bilhete no criado mudo.
"Espero que tenha conseguido descansar. Fiquei feliz em te ver novamente.
Nos vemos em breve, Princesa!"
Sorri ao ler o bilhete e o guardei na caixa do meu diário. Me levantei, fui até a cozinha ligar a cafeteria e fui tomar banho. Quando sai do banheiro, vi a Tikki na minha cama.
— Bom dia, Tikki — falei sorrindo
— Bom dia, Marinette — ela falou me olhando animada — E como foi ontem com o Chat Noir?
— Você não viu? — perguntei curiosa
— Não, acabei dormindo — ela respondeu, a viagem a deixou cansada tanto quanto a mim — Me conta.
— A gente conversou como sempre, mas antes de ir dormir... — parei lembrando do que fiz
— O que aconteceu, Mari? — ela perguntou ansiosa
— Dei um beijo bem no canto da boca dele — falei sorrindo e ela ficou surpresa
— E o que ele fez? — ela perguntou empolgada
— Ficou um pouco surpreso, mas virei pra dormir como de nada tivesse acontecido — disse simplesmente — E quando acordei hoje tinha um bilhete dele.
— O que dizia? — ela perguntou me olhando
— Que ficou feliz em me ver e que nos encontraremos em breve — falei sorrindo
— Acho que ele gosta de você, Marinette — Tikki falou sorrindo
— Espero que sim, Tikki — falei olhando-a — Porque tô gostando muito daquele gato de rua.
— Tô torcendo pra que dê tudo certo — ela disse sorrindo
— Obrigada — falei e me levantei — Acho melhor eu me arrumar logo, não quero me atrasar.
Me vesti com as roupas que fiz pra ir a escola, tomei café com a Tikki, peguei as minhas coisas e fomos para o colégio. Cheguei no pátio e encontrei a Alya conversando com o Nino.
— Bom dia — falei ao me aproximar deles
— Bom dia, Mari — eles responderam ao mesmo tempo
— Ainda não acostumei com o seu novo visual — Alya admitiu e eu ri baixo
— Você nem imagina quantas peças fiz nas férias — disse sorrindo
— Foram tantas assim? — Nino perguntou me olhando
— Tive que trazer uma mala a mais da viagem — respondi olhando-o
— Como você tinha tempo? — Alya perguntou curiosa
— Costurava quando chegava do trabalho e parte dos fins de semana — respondi calma — Não tinha tanta coisa pra fazer como aqui.
— Que bom que teve muitas peças suas, assim podemos atualizar o seu blog — Alya falou empolgada
— Achei que tinha desativado ele — perguntei curiosa
— Ainda está ativo, esperando o seu retorno — Alya respondeu empolgada — Hoje a tarde penso em como iremos fazer pra seu blog voltar com tudo.
— Bom dia, gente — ouvi a voz do Adrien antes dele parar próximo a gente.
— Bom dia, Adrien — respondemos olhando-o
— Tá tudo bem? — Nino perguntou olhando-o — Está tão pra baixo
— Não é nada — Adrien falou sorrindo — Não precisa se preocupar, só não tive uma boa noite de sono
— Que chato — Alya falou olhando-o
— Quais os planos pra hoje? — Nino perguntou mudando totalmente de assunto
— Vou passar a tarde com a minha melhor amiga — Alya falou me abraçando e abracei de volta
— Vou trabalhar pela tarde — Adrien disse simplesmente
— E eu fui largado — Nino falou nos fazendo rir
— Para se ocupar, poderia editar o vídeo da última aparição da Ladybug e Chat Noir pra mim — Alya falou olhando-o — Falando neles, viram que a Ladybug mudou o penteado?
— Vi, agora é um rabo de cavalo, né? — perguntei como se não soubesse
— Eu adorei — Alya falou simplesmente — Ela parece mais madura assim.
— A conversa tá boa, mas o sinal vai tocar em alguns minutos — falei olhando-os — Acho melhor irmos para sala.
Nós quatro seguimos para a sala, nos sentamos em nossos respectivos lugares, entregamos as redações sobre as férias a professora, a aula seguiu normalmente até dar o horário do intervalo. Nós quatro sentamos na mesma mesa, algumas vezes percebi o Adrien me observando, houve uma época que ficaria a beira do desmaio se ele olhasse tanto pra mim assim.
Sei que ainda tenho sentimentos por ele, mas também tenho pelo Chat Noir, sei que posso ser feliz ao lado do Chat, só preciso dar espaço para que ele entre, tenho certeza que quando ele ocupar totalmente meu coração, conseguirei tirar o Adrien de lá. Ah, Chat! Você será capaz de amar a garota por trás da máscara? Espero conseguir te conquistar, gatinho.
Mesmo sem dar muita atenção ao assunto da conversa a mesa, sinto meu celular vibrar, uma mensagem da minha mãe. Desbloqueio a tela e vejo a mensagem.
"Oi, Mari. Na nossa vídeo ontem, esqueci de te passar o contato do empresário que fez a proposta a padaria. Você me deu uma oportunidade de recomeço agora terá a sua. Faça o que achar certo. Eu te amo!"
Respondi a mensagem, poucos minutos depois o sinal tocou informando o final do intervalo e retornamos para a sala, com o movimento dos alunos para irem para suas respectivas salas, alguém sem querer me empurrou e quase cai por ser pega desprevenida, mas alguém me segurou meu braço e me puxou pela cintura antes que caísse.
— Você tá bem? — Adrien perguntou me olhando com preocupação
— Estou, algum aluno deve tá atrasado — falei, mas ouvi um resmungo irritado
Olhamos na direção do som e vimos a Chloe sair a passos pesados acompanhada da Sabrina.
— Ou não — Adrien murmurou entendo que ela havia me empurrado — Sinto muito.
— Não precisa se preocupar, depois de cinco anos, a gente aprende a ignorar — falei e o olhei, só então me dando conta de como estávamos perto um do outro — Acho melhor irmos ou vamos acabar nos atrasando.
— É... verdade — ele falou como se voltasse a realidade, dei um passo para trás e voltamos para a sala.
Nós sentam e poucos segundos depois a professora entrou iniciando a aula. Assim que finalizou a aula, arrumamos nossas coisas e fomos caminhando até a saída, nós despedimos dos meninos, Alya e eu fomos para minha casa.
— Pode deixar as coisas no quarto, vou esquentar o almoço — falei indo em direção a cozinha, Alya subiu pra deixar as coisas no quarto
— Onde está a sua mãe? — ela perguntou depois que desceu — Não a vi.
— Não, ela está no Japão — falei pondo os pratos no balcão
— Como é? — ela perguntou me olhando chocada — Você tá aqui sozinha?
— Você fala como se eu fosse criança — comentei revirando os olhos
— Não é isso, mas porque ela ficou? — ela perguntou curiosa
— Porque ela precisava. Desde que o meu pai morreu, minha mãe não estava mais feliz aqui — falei pondo a jarra de suco no balcão — No Japão ela voltou a se sentir em casa.
— Mas ela simplesmente te mandou de volta? — ela perguntou começando a se servir
— Eu quis voltar — falei e ela me olhou — Aqui é o meu lar, onde meus sonhos estão, meu futuro. Eu tinha que voltar.
— Falando em sonho — Alya deu um sorriso discreto — Vi que o Adrien não tirava os olhos de você durante o intervalo. Acho que ele tá se interessando por você.
— Não viaja, Alya — falei me servindo — Não tem nada a ver.
— Ele não estava te olhando como.se fosse apenas uma amiga — Alya falou me olhando e suspirei
— Eu não me importo — falei e ela ficou surpresa — Já desisti do Adrien
— Como assim? Quando foi isso? — ela perguntou me olhando
— Na véspera da viagem — respondi e comecei a comer
— Me conta isso direito — pelo olhar dela sabia que não me deixaria em paz até contar
— Passei quatro anos fazendo tudo pra que ele me notasse e nunca funcionou, então pra quê insistir? — falei olhando-a — Melhor seguir em frente.
— Amiga, o que te impedia de falar com o Adrien era sua timidez — ela falou me olhando — Talvez agora, a nova Mari, a história pode ser diferente.
— Não sou outra pessoa, Alya — falei olhando-a — Ainda sou a mesma, só mais confiante. Se ele não foi capaz de notar isso em mim antes, talvez ele não me merecesse agora.
— Entendi — ela falou e ajeitou o óculos — Posso fazer mais uma pergunta
— Se eu disser sim e te responder, vai deixar eu almoçar? — perguntei em tom de súplica e ela riu
— Prometo — ela falou e eu assenti — Tem outro garoto na história?
— Talvez — falei e voltei a comer
— Não acredito, amiga — ela falou empolgada — Quem ele é?
— Prometeu que me deixaria comer — falei e tomei um pouco do suco
— Só responde mais essa — ela implorou me olhando
— Não posso conta ainda — disse olhando-a
— Qual é, Mari? — ela falou frustrada
— Só torce por mim, se der certo, será a primeira pessoa a saber — falei e ela assentiu — Agora come.
Almoçamos, ela me ajudou a limpar a cozinha.
— Não sabia que cozinhava tão bem assim — Alya falou me ajudando a guardar a louça
— Cresci dentro de uma cozinha — falei simplesmente e ela sorriu — Tinha que aprender alguma coisa.
— Tá bem — ela falou e guardei o pano de prato — Agora quero ver as suas novas peças.
Subimos para o meu quarto, peguei a mala e abri colocando as peças sobre a cama, montei os looks mostrando cada um a Alya.
— Vamos fotografar todos — ela falou pegando o primeiro — Vamos vestir a manequim.
Passamos a tarde inteira jogando conversa fora, trocando as peças de roupa na manequim e tirando as fotos. De maneira discreta coloquei cookies para Tikki enquanto Alya fotografava.
— Amiga, você é muito talentosa — Alya falou sorrindo com o resultado das fotos — As fotos ficarão incríveis no seu blog.
— Obrigada, Alya — falei abraçando-a — Não sei como faria sem a sua ajuda.
— Não precisa agradecer — ela falou e desfizemos o abraço, Alya olhou o horário e suspirou — Preciso ir, prometi que ajudaria minha mãe com o jantar.
— Tudo bem — falei e ela pegou as coisas
Descemos e a acompanhei até a saída.
— Você vai ficar bem? — Alya perguntou e sorri
— Vou sim, não se preocupe — disse olhando-a
— Até amanhã, amiga — ela me abraçou forte antes de ir
Fechei a porta, fui para o meu quarto, liguei o computador e mandei um email, para o empresário que fez a proposta na padaria. Em poucos minutos ele informou que mandaria os papéis do contrato para que eu analisasse, admito, estou nervosa em relação a esse negócio, não sei exatamente o que devo fazer. Fui tirada dos meus pensamentos quando ouvi uma movimentação muito grande na rua.
— Tikki? — a chamei e ela veio para o meu lado — Acho que temos trabalho a fazer.
— Quando você quiser — ela falou e eu me levantei dá cadeira
— Tikki, transformar — falei e sai pela varanda, saltando entrem os telhados em direção ao akumatizado.
Fale com o autor