Notas iniciais
Eu não tô dando tempo de vocês sentirem falta da fic, né? Aproveitem bastante o capitulo, escrevi com muito carinho. Espero que gostem, boa leitura!

Duas Semanas Depois.

POV Marinette

Os últimos dias foram uma loucura, minha mãe disse que quando eu estivesse de férias deveriamos viajar para o Japão visitar alguns familiares, quando ela falou quase entrei em desespero, não posso deixar Paris sem a proteção da Ladybug, mas pensarei em alguma coisa para evitar ir nessa viagem, passei as minhas horas livres estudando feito condenada para recupera o conteúdo atrasado, Alya me ajudou a entender os assuntos que tinha mais dificuldade, consegui fazer as provas finais e faltavam dois dias para pegar os resultados das provas, tiveram alguns akumatizados, mas Chat Noir e eu conseguimos resolver. E desde o dia do enterro do meu pai, Adrien se mostrava mais interessado em conversar comigo, quem sabe essa não seja a oportunidade que esperei tanto tempo para me aproximar dele, me declarar e ele passar a me ver mais do que como amiga.

A mamãe contratou mais um assistente para ajuda-lá na padaria e com a supervisão da minha mãe eles conseguiam fazer as receitas do meu corretamente deixando o resultado quase identifico ao dele.

Amanhã completa quatro anos que o Chat e eu nos tornamos os heróis de Paris. Tenho que fazer alguma coisa, pedi a minha mãe um bolo de chocolate pequeno, disse que seria para entregar ao Chat em agradecimento por nos ter ajudado quando o papai passou mal, usei a desculpa de que como amanhã a cidade estaria comemorando o aniversário da aparição dos heróis era provável que ele aparecesse. Ela acreditou e vai fazer o bolo.

Hoje a noite fiquei de fazer a ronda para me certificar de que estava tudo em ordem, já estou indo de telhado em telhado por toda a cidade há quase duas horas, nem sinal de problema, acho que é melhor ir para casa. Comecei a correr indo em direção a minha casa, sentindo a sensação de liberdade que o uniforme da Ladybug me proporciona, estava tudo normal, até que vi uma cena que quase me fez escorregar do telhado.

— Não — murmurrei sentindo meus olhos lacrimejarem

Na varanda do quarto da Chloe Bourgeois, vi o Adrien ao beijos com a Chloe, senti as lágrimas escorrerem, não consegui mais ficar assistindo aquela cena e voltei a correr até a minha casa. Assim que entrei no meu quarto, desfiz a transformação e me joguei na cama chorando.

— Marinette, o que aconteceu? — Tikki perguntou perto de mim

— Eu o vi, Tikki — falei entre os soluços — Ele estava beijando a Chloe.

— Calma, Marinette — Tikki tentou me acalmar — Talvez não seja o que está pensando

— Eu não preciso pensar, Tikki — falei me sentando — Eu vi. Eu fui tão idiota.

— Não fala assim, Marinette — Tikki falou

— Como não? Eu fui uma estúpida por acreditar que ele poderia se apaixonar por mim — falei começando a sentir raiva de mim — Porque ele olharia? Sou um desastre ambulante.

— MARINETTE, FICA CALMA — Tikki gritou tentando me calar — Se continuar assim vai acabar sendo akumatizada.

— Eu tô tão cansada, Tikki — falei tentando controlar o choro — Eu só queria poder sumir.

— Você não pode se deixar abater, você a Ladybug — Tikki falou me apoiando

Fechei os olhos, comecei a respirar fundo na tentativa de controlar meus sentimentos e por meus pensamentos em ordem. Quando abri novamente, estava muito mais calma, me levantei fui ao banheiro, lavei o rosto e fui até a cozinha. Peguei alguns cookies e uma caixa de papelão vazia.

— Tikki, trouxe pra você — falei colocando o prato com os cookies na mesa

— Você tá bem, Marinette? — Tikki perguntou me olhando

— Irei ficar — falei colocando a caixa na cama

— O que vai fazer? — Tikki perguntou comendo um cookie

— Desistir — falei abrindo a parte de cima da caixa

— De quê? — Tikki perguntou preocupada

— Do Adrien — falei e estiquei o braço pra tirar um dos pôsteres dele da parede perto da cama — Cansei de insistir em algo fadado ao fracasso.

Tirei todos os pôsteres, todas fotos das paredes e coloquei na caixa, exclui todas as fotos dele do meu celular e do meu computador. Fui até a minha mesa e abri a gaveta, vendo o colar que ele me deu de aniversário e o bracelete da sorte que ele fez anos atrás. Nunca usei o colar, mas cheguei a passar horas admirando a bracelete, respirei fundo e coloquei o bracete na caixa e peguei o colar. Pus no meu pescoço como um lembrete da minha decisão de deixa-lo para trás.

— O que vai fazer com a caixa? — Tikki perguntou

— Ainda não sei — falei fechando a caixa — Por hora irei deixa-la aqui

Coloquei a caixa de baixo da cama, bem junto da parede.

— Marinette, o jantar está pronto — minha mãe falou da cozinha

— Estou indo — falei me levantando

Desci para jantar com a minha mãe.

— Podemos conversar? — minha mãe perguntou receosa

— Claro — falei pondo os pratos na pia e a acompanhei até a sala e nos sentamos no sofá — Está tudo bem?

Ela suspirou e passou a mão no cabelo de maneira nervosa.

— Está, só... serei muito sincera com você, estou sentindo muito a falta do seu pai, cada pedaço, cada detalhe nessa casa me faz lembrar dele — ela falou e suspirou pesadamente — Por isso quero fazer essa viagem, não é que eu queira esquecer do seu pai é que...

— Quer tentar superar isso tudo — falei e ela assentiu

— Exatamente — ela falou — Talvez nos distanciarmos de tudo por um tempo seja bom pra nós duas.

— É... acho que sim — falei após pensar em tudo o que aconteceu

— E tem mais uma coisa — minha mãe falou me olhando com certa preocupação — Me ligaram hoje e querem fazer uma proposta para comprar a padaria

— O quê? — perguntei surpresa — Essa padaria era o sonho do papai

— Eu sei — ela falou baixando o olhar

— E qual resposta você deu? — perguntei ainda surpresa

— Disse que conversaria com a proprietária e ela entraria em contato — ela respondeu me deixando intrigada

— Como assim? Você não é a dona? — perguntei sem entender e ela suspirou

— Esse era o presente que seu pai e eu iamos te dar na segunda após seu aniversário — ela falou entregando uma pasta — Colocamos a padaria e o prédio no seu nome.

— Quê? — sussurrei a pergunta

— Seu pai estava pensando em se aposentar — ela falou com calma — E a padaria da dinheiro suficiente para manter a casa e pagar as mensalidades da sua faculdade. Seria a garantia de que realizaria seu sonho de ser estilista. Por isso a decisão do futuro dessa padaria será você que vai decidir.

Permaneci em silêncio por um tempo.

— Não sei o que pensar — falei simplesmente

— Entendo que é muita coisa para assimilar — minha mãe falou — O comprador disse que não precisa ter presa e entrar em contato quando tiver certeza do negócio.

Assenti olhando os documentos em minhas mãos

— Está bem... acho melhor arrumar as malas pra viagem — falei me levantando

— Está bem. Antes que eu esqueça, liguei para o diretor da escola, ele irá liberar suas notas amanhã após o fim das aulas, porque viajaremos na madrugada seguinte.

Assenti, subi a escada, entrei no quarto e coloquei a pasta sobre a mesa. Respirei fundo, abri meu armário e tirei as duas malas de dentro, coloquei sobre a cama e comecei a separar as roupas para arruma-las

— O que está fazendo? — Tikki perguntou preocupada

— Arrumando as malas para viagem — respondi e ela ficou desesperada

— Marinette você não pode sair de Paris — Tikki falou quase em pânico — Você é a Ladybug

— EU SEI — gritei e ela se assustou, nunca havia feito isso com ela — Eu sei, mas não posso ficar.

— Porquê não? — Tikki perguntou

— Porque no estado que estou sou um perigo — respondi olhando-a — Meus sentimentos estão loucos, se eu perder o controle e for akumatizada o Hawk Moth terá o miraculous da criação.

— Marinette, não é prudente que... — Ela tentou falar mas interrompi

— Por favor, não questiona a minha decisão — pedi olhando-a e continuei a arrumar as malas

— Só você pode purificar um akuma, se aparecer um akumatizado, o que vai acontecer? — Tikki perguntou

— Eu não sei, só me resta torcer para que o Chat Noir dê conta de tudo sem mim — falei fechando a primeira mala.

POV Adrien

Antes que eu pudesse me dar conta, a Chloe havia me beijado, quando me dei conta a afastei

— O que está fazendo? — falei recuando

— Até parece que não gostou — ela falou tentando se aproximar mais eu a afastei

— Não. Não gostei — falei e ela me encarou — Olha, você é minha amiga, é bonita, mas não podemos

— Porque não, Adrien? — ela perguntou me olhando — Meu pai é o prefeito, a minha família tem bens, tenho certeza que seu pai apoiaria.

— Não tem nada a ver com bens — falei sem acreditar que ela poderia ser tão superficial assim — A questão é que eu gosto de outra pessoa.

— Quem é ela? Por favor, não diz que é a ridícula da Marinette — ela disse com deboche ao falar da Marinette

— Não fala assim dela, Chloe — falei firme e ela riu

— Tá apaixonado pela sem sal da Marinette? É por isso que tá tão próximo dela? — perguntou com deboche, mas era possível ver a raiva em seus olhos

— Não estou apaixonado pela Marinette — falei olhando-a

— Então quem é? — Chloe perguntou — Seja lá quem for, com certeza sou muito melhor, além de ser uma Bourgeois, sou uma das heroínas de Paris.

— Isso diz respeito apenas a mim — falei firme — E se tem alguma consideração pela minha amizade, peço que nunca mais rápida essa atitude de hoje.

— Mas, Adrien... — Ela tentou me deter quando estava saindo

— Tenha uma boa noite — falei e fechei a porta do apartamento dela no hotel do prefeito

Entrei no elevador, entrei no carro que estava me aguardando e voltei para casa. Assim que cheguei fui direto para o quarto me jogando frustrado na cama.

— Anda conquistando alguns corações, não é? — Plagg provocou depois de pegar um pegaço de queijo

— O único coração que quero consquistar é o da Ladybug — falei encarando o teto

— Falando em Ladybug, já decidiu o que vai fazer sobre a viagem? — Plagg perguntou

— O que eu posso fazer? — perguntei me sentando — Eu tenho que ir.

— Como assim você tem que ir? — Plagg perguntou me olhando — Você não pode deixar Paris assim, você é o Chat Noir

— Eu sei, Plagg — falei suspirando

— Se nesse período aparecer um akumatizado? — Plagg perguntou

— Eu tenho que confiar que a Ladybug vai dar conta de tudo sem mim — falei indo em direção ao banheiro.

POV Gabriel Agreste

Terei que adiar meus planos por um mês. Essa viagem não poderia ter surgido em pior hora, pelo menos poderei ensinar ao Adrien mais sobre a administração da empresa.

Pensando bem, um mês nos Estados Unidos, pode ser o que eu preciso para identificar onde estou falhando para obter os miraculous da Ladybug e do Chat Noir. Eu preciso dos Miraculous para ter poder suficiente para trazer minha amada esposa de volta e dar ao Adrien a família que ele perdeu, quando a Emily "sumiu".

— Senhor, todas as malas estão prontas — Natalie falou me tirando dos meus pensamentos — A viagem será daqui a dois dias assim que o Adrien sair da escola.

— Ótimo, Natalie — falei normalmente

— Deseja mais alguma coisa, senhor? — Natalie perguntou

— Nada, pode ir descansar — Falei simplesmente — Boa noite

— Boa noite, senhor Agreste — Natalie falou se retirando do meu escritório

Olhei mais uma vez para a pintura da minha esposa.

— Eu vou conseguir os Miraculous e irei traze-la e volta, eu prometo — falei me levantando da cadeira e saindo escritório.

Na Manhã Seguinte

POV Marinette

Acordei cedo, tomei banho e me arrumei para ir a escola. Tomei café da manhã com a minha mãe, peguei a bolsinha para levar a Tikki e sai, fui caminhando devagar até chegar a escola, o colar que o Adrien havia me dado estava por dentro da minha blusa, assim que atravessei a rua, Nino e Alya estavam na porta conversando, quando estava perto da escada vi o carro que traz o Adrien estacionar, ele saiu logo em seguida e sorriu quando me viu. Que sorriso, o mesmo sorriso que foi a razão de muitas fantasias de um futuro maravilhoso ao lado dele, fazendo meu coração aquecer em contraste com o metal frio do pingente do colar, me lembrando da noite passada. Respirei fundo e o esperei.

— Bom dia, Marinette — ela falou ao se aproximar

— Bom dia, Adrien — respondi sem emoção

— Você tá bem? — ela perguntou estranhando a minha reação

— É só... dor de cabeça — falei simplesmente e tocou meu ombro

— Se precisar de alguma coisa, me fala — ela falou com um sorriso reconfortante que quase me fez derreter ao seu toque

— O-o-obrigada — me repreendi mentalmente por gaguejar — E-eu preciso ir

Quando dei um passo pra trás me esbarrei com um aluno que acabou derrubando o caderno.

— Desculpa — falei rápido e peguei o caderno — Foi sem querer.

— Tudo bem — Nathaniel respondeu corando

Ignorando o Adrien segui o Nathaniel até onde a Alya e o Nino estavam.

— Bom dia — falei assim que cheguei

— Bom dia, Amiga. Chegou cedo, que milagre — Alya brincou e apenas consegui dar um sorriso triste

— Você tá bem, Marinette? — Nino perguntou e eu assenti

— Só dor de cabeça, não tive a melhor noite de sono — falei e eles aceitaram a minha resposta

Adrien se aproximou e cumprimentou eles sorrindo

— Vejo vocês na sala — falei me afastando

Fui em direção a sala de aula, me sentei no meu lugar, cruzei os braços sobre a mesa e abaixei a cabeça. Estava dividida, me coração dizia pra não desistir do Adrien, por outro lado minha cabeça falava que não adiantava insistir nele, preciso escolher, mas porque isso é tão difícil? Porque ele tinha que ser tão bonito, tão perfeito? Chega, não posso continuar com os pensamentos nesse rumo, não mais. Por quatro anos segui meu coração tentei lutar pelo Adrien, mas não foi suficiente. Dessa vez é melhor seguir a minha cabeça.

Continuei a cabeça baixa, percebi a Alya sentar ao meu lado, mas não me movi, levantei a cabeça apenas quando a professora entrou na sala e escreveu a palavra Férias no quadro.

— Sei que oficialmente hoje é o último dia de aula e amanhã será apenas a confraternização — a professora falava — Mas passarei um atividade durante as férias.

Toda a sala murmurou, apenas fiquei quieta, não faria diferença pra mim.

— Calma, porque a atividade é fazer um texto contando sobre as férias de vocês — a professora falou nos olhando — E como a entrega é para depois das férias, terão tempo suficiente pra fazerem a atividade e não se preocupem não terão que apresentar.

Tornei a baixar a cabeça, a aula não teria nada demais

— Agora, quero saber, o que irão fazer nas férias? — a professora perguntou e não prestei muita atenção nas respostas dos meus colegas

— Eu irei passar as férias em Londres com meus pais — Chloe falou quase gritando e acabei levantando a cabeça

— Eu conseguir um trabalho como DJ em uma casa de festas — Nino falou contente

— Irei passar as alguns dias na casa da minha avó no interior — Alya falou

— Irei passar as férias nos Estados Unidos com meu pai — Adrien respondeu, ele não parecia muito animado

— E você, Marinette? — a professora perguntou quando fiquei em silêncio

— Com certeza, a Dupain-Cheng vai passar as férias fazendo pão — Chloe falou fazendo a Sabrina rir

— Irei para o Japão visitar os familiares da minha mãe — falei normalmente ignorando o comentário da Chloe

— Que bom, Marinette — a professora falou — Na sua redação gostaria que contasse as coisas que aprendeu por lá

— Claro — respondi sem ânimo

Quando o sinal tocou nos avisando que poderíamos ir para casa, fui direto para a sala do diretor, peguei as minhas notas e coloquei na bolsa e sai. Alguns alunos ainda estavam no pátio, a Alya estava conversando com o Nino e o Adrien.

— Alya, já tô indo — falei e dei um abraço apertado nela — Vou sentir sua falta

— Não vem amanhã? — Alya perguntou quando desfizemos o abraço

— Não, meu vôo vai sair de madrugada — falei sem encara-la

— É um pena — Nino falou e me abraçou — Nos vemos em breve.

— Claro — falei de maneira automática

— Você tá falando como se não fosse mais voltar — Adrien falou, se eu pudesse não voltaria mesmo

— Vai voltar, não é? — Alya perguntou e eu assenti com um sorriso fraco

— Eu preciso ir, tenho algumas coisas pra arrumar, com licença — falei me afastando deles

— Amiga, não esqueceu de ninguém? — Alya falou com um sorriso travesso no rosto

— Desculpa — falei e voltei para falar com o Adrien — Até mais, Adrien. Aproveite as férias.

— Você também, Marinette — assim que ele falou, estendi a mão para cumprimenta-lo, ele estranhou assim como nossos amigos, mas cumprimentou de volta

— A propósito, obrigada pelo presente de aniversário, nos últimos acontecimentos, não tive oportunidade para agradecer — falei assim que soltamos as mãos

— Tudo bem, aconteceu muita coisa nas últimas semanas — Adrien falou e eu assenti — Espero que tenha gostado.

— Sim, ele é perfeito — falei tirando o colar de dentro e blusa — Pra marcar uma nova fase

— Entendo — certamente ele acredita que estou falando da perda do meu pai

— Tchau, gente — falei saindo de lá e voltando pra casa