Notas iniciais
Surpresaaaaaaa Finalizei esse capítulo um pouco mais cedo e decidi postar pra vocês. Espero que gostem Boa leitura

Assim que cheguei em casa, almocei e fui para o meu quarto verificar se faltava alguma coisa para a viagem, depois peguei uma cesta de piqui-nique, coloquei um pano xadrez vermelho, dois copos, dois pratos, talheres, quarda-napo, quando fechei a cesta, ouvi os gritos das pessoas na rua.

— Temos trabalho a fazer — falei e olhei para minha Kwami — Tikki, transformar.

Sai pela varanda do meu quarto e fui pulando de telhado em telhado e vi quem era o akumatizado.

— De novo — falei sem ânimo

— É o Sr Pombo outra vez? — Chat perguntou com o mesmo desânimo

— Essa é o quê? A quadragésima vez? — perguntei olhando-o

— Parei de contar na vigésima sexta — ele respondeu ao meu lado

— Vamos acabar com isso de uma vez — falei e fomos atrás dele no Museu

A luta era tão óbvia que nem precisamos usar os poderes especiais. E se durou dez minutos foi muito.

— Zerou — fizemos o toque

— Chat, pode me encontrar aqui em trinta minutos? — perguntei e ele sorriu em surpresa

— Claro, My Lady — ele falou segurando minha mão para beijar, mas a puxei

— Até daqui a pouco — falei lançando meu ioiô e voltei para casa

Peguei minha carteira e desci a escada. Falei com a minha mãe, ela me entregou o bolo e sai, passei no mercado, comprei um refrigerante e uma vela com o número quatro. Me escondi e me transformei em Ladybug e fui pelos telhados até chegar em casa, entrei no quarto pegando a cesta e corri para o tipo da Torre Eiffel. Arrumei tudo e sai indo em direção ao Museu. Quando cheguei no prédio próximo não avistei o Chat, será que ele não veio?

— Esperando por mim, meu Amor? — Chat falou assim que pulou no telhado e rolei os olhos

— Vamos, se é que consegue me acompanhar — provoquei começando a correr e ele me acompanhou

— Qual o ponto de chegada? — ele perguntou correndo ao meu lado

— Topo da Torre Eiffel — respondi e ele sorriu pegando o bastão

— Te vejo lá — ele falou sorrindo, usou o bastão para dar impulso no salto ganhando uma boa distância

— Isso é trapaça — gritei e usei meu ioiô para poder alcança-lo

Em pouco tempo estávamos escalando a Torre, lancei meu ioiô no ponto mais alto para chegar primeiro, em segundos ele chegou, antes que ele visse a surpresa tapei os olhos dele

— O que está fazendo, Bugaboo? — ele perguntou com um sorriso travesso

— Vai ter que confiar em mim — falei e ele assentiu — Fica com os olhos fechados.

Ele assentiu e tirei a mão dos olhos dele, segurei a mão dele e o levei até onde o piquenique estava montado

— Pode abrir — falei e ele o fez ficando surpreso

— O quê? — perguntou sem acreditar

— Feliz aniversário pra gente — falei sorrindo

— Não esperava por isso — ele falou retribuindo o sorriso

— Vamos sentar — falei sentando e ele fez o mesmo, peguei a vela e coloquei no bolo acendendo a mesma — Não é aniversário se os aniversariantes não soprarem a vela.

— Ao mesmo tempo? — ele perguntou com um sorriso divertido e eu assenti

— Lembra de fazer um pedido antes — falei e comecei a contar — Um, dois, três

Quando fui assoprar a vela, travei ao lembrar do meu aniversário de 18 anos, do pedido que havia feito e o pesadelo que aquela noite se transformou.

— Você não soprou, Bugaboo — a voz divertida do Chat Noir me trouxe de volta a realidade e ele notou que estava pensativa — Você tá bem?

— Sim. Vamos comer — falei começando a cortar o bolo e ele colocou o refrigerante

— Esse bolo é da padaria Dupain, não é? — ele perguntou depois de cima um pedaço do bolo

— Como soube? — perguntei olhando-o

— Um bolo com essa qualidade só se encontra lá — ele falou comendo outro pedaço e fiquei feliz em saber que ele realmente gostava das receitas do meu pai

— A família Dupain mandou como um agradecimento por você ter ajudado na noite que o senhor Dupain passou mal — falei me controlando para não deixar alguma lágrima cair.

— Não foi nada — ele falou desviando k olhar pra cidade

— Para aquela família, certamente foi muita coisa — falei sinceramente e ele sorriu levemente

Continuamos ali assistindo o por do Sol do ponto mais alto de Paris, era uma imagem linda.

— Sabe... — Chat Noir falou — Já que é nosso aniversário quero pedir um presente.

— Que seria? — perguntei intrigada

— Um beijo — ele falou me olhando e fiquei sem reação

— Não começa — falei começando a guardar as coisas

— Só um beijo — ele falou calmo

— Pra você é tão fácil falar — murmurrei terminando de guardar as coisas

— Não é como se não tivéssemos feito isso antes — ele falou e eu o olhei — Tá bém, não consigo me lembrar de nenhuma das duas vezes, mas sei que aconteceram

— Eu preciso ir — falei guardando o lençol, sentindo meus olhos arderem, meu coração ainda está machucado pela cena que vi ontem

— My Lady, espera — ele segurou meu pulso me virando na direção dele e ele viu meus olhos lacrimejando — Porque está assim?

— Só, problemas pessoais — falei tentando controlar as lágrimas

— Tem a ver com o cara que você gosta? — ele perguntou e fiquei em silêncio — Vou ter isso como um sim. O que ele fez pra te machucar dessa forma?

— Esquece isso — falei me afastando, segurei a cesta em uma mão e lancei meu ioiô com a outra, respirei fundo olhando-o por cima do ombro — Se pudesse mandar no meu coração, eu o daria a você, seria bem menos doloroso.

Saltei da Torre e voltei para casa, desfiz a transformação secando as lagrimas. Limpei toda a cesta e a louça, voltei para o quarto levando uma boa quantidade de cookies

— Pra você — falei colocando alguns no quartinho de boneca que ela dormia

— Você tá bem? — ela perguntou

— Irei ficar, só queria tirar o Adrien do meu coração com a mesma facilidade que ele entrou — falei indo me sentar na cadeira em frente e escrivaninha, coloquei o prato na mesa, peguei meu caderno de desenho e fui finalizar o croqui do vestido que estava fazendo.

POV Adrien


— Se pudesse mandar no meu coração, eu o daria a você, seria bem menos doloroso — Ladybug falou saindo logo em seguida

— O que fizeram a ela? — perguntei e mim mesmo vendo-a sumir da minha vista

Fui correndo para casa depois de ter passado a tarde praticamente inteira fora, entrei pela janela do meu quarto

— Esconder garras — falei desfazendo a transformação

Abri o armário pegando o queijo do Plagg e entregando antes que ele falasse alguma coisa. Me joguei na cama pensando em como o dia foi estranho. Primeiro a Marinette me tratando com frieza, praticamente não me olhou nos olhos. Agora a Ladybug, já a vi com medo, ferida, receosa, mas essa foi a primeira vez em quatro anos que a vi chorar. Não sei quanto tempo de passou até que o silêncio fosse interrompido.

— Você tá bem, garoto? — Plagg perguntou me olhando

— Será que eu fiz algo de ruim para a Marinette? — perguntei olhando-o de volta

— Porque a pergunta? — Plagg perguntou comendo o resto do queijo

— Ela tava diferente hoje, estava fria, parecia triste e com raiva — falei lembrando da forma que ele falou comigo — Será que ela não quer ser mais a minha amiga?

— Vai saber — Plagg falou sentando na minha cama e ficamos em silêncio por um tempo

— O que será que aconteceu com a Ladybug? — perguntei ao Plagg — Ela é a garota mais forte que eu conheço, pra ela chorar algo muito ruim deve ter acontecido

— Sei que ficaria da mesma forma se acabasse o meu preciso Camembert — Plagg falou com a voz chorosa

— Adrien, o jantar será servido em quinze minutos — Natalie falou do corredor

— Estou indo — falei me sentando na cama, olhei o horário e já eram 18h45min

Fui lavar o rosto, ajeitei a roupa e desci, cheguei na sala de jantar e não foi surpresa ela estar vazia e com apenas um lugar posto a mesa, sentei e esperei o jantar ser servido.

— Natalie, meu pai não irá jantar? — perguntei antes de comer

— O Sr Agreste teve uma reunião de emergência e não pode estar no jantar — Natalie falou simplesmente

— É claro que teve. Não sei porque ainda pergunto — murmurei e comecei a jantar.

Naquele momento a comida estava intragável, não sei se pelo fato do meu dia estar totalmente estranho, ou por mais uma vez meu pai esquecer que tem um filho. Não comi muito, mas o suficiente para que não reclamassem, me levantei e voltei para o quarto. Fiquei deitado até ter certeza que a casa estava quieta.

— Plagg? — chamei pegando um pedaço de queijo e jogando pra ele — Come, logo. Vamos dar uma volta.

Quando ele terminou se aproximou de mim.

— Podemos? — falei e ele assentiu — Plagg, mostrar as garras

Assim que me transformei fui em direção a casa da Marinette, assim que cheguei na varanda, me aproximei da clarabóia, vi que a Marinette estava sentada a mesa concentrada em alguma coisa, bati no vidro e ela olhou na direção do som, sorri para ela que retribuiu e abriu a claraboia que eu entrasse.

— Feliz aniversário, Chat Noir — ele falou me abraçando

— Obrigado — falei assim que entrei — Boa noite, Princesa

— Boa noite! — ele falou e foi se sentar na cadeira — Aconteceu alguma coisa?

— O gato mais charmoso de Paris não pode visitar uma amiga? — perguntei olhando-a

— É claro que pode — ela falou sorrindo, fechando o caderno e meu olhar foi para o canto perto da mesa

— Vai viajar? — perguntei como se não soubesse

— Sim, passarei as férias no Japão — ele falou enquanto arrumava a mesa e me sentei na cama dela

— Não tinha dito que ia viajar — comentei, ela sempre comentava tudo comigo pelo menos quando eu estava de Chat Noir

— É... eu meio que decidir ir ontem — ele falou guardando os lápis de cor

— Você decide ir pra outro continente do nada? — perguntei e ela riu

— Minha mãe marcou essa viagem dias após o enterro do meu pai, mas eu não queria ir — ela falou se virando e pegando um cookie do prato — Mas mudei de ideia.

— Porque? — perguntei olhando-a

— Depois de tudo que aconteceu, uma mudança de ares pode me fazer bem — ela respondeu e entendeu o prato na minha direção — Aceita?

— Bonito o colar — falei tentando chegar no assunto que eu queria enquanto pegava um cookie

— Obrigada — ela falou simplesmente, levando a mão ao pingente e o segurou fechando os dedos em volta — Foi um presente

Percebi a diferença do toque, quando ele toca a pulseira que dei é um toque suave, carinhoso. Mas ao tocar o colar, foi um movimento brusco como se sentisse raiva.

— Quem deu? — perguntei normalmente e comi um pedaço do biscoito

— Um colega de classe — ele falou soltando o pingente, deixando a mão cair no colo

Então era isso, que ele pensava de mim quando era Adrien? Ela não conseguia me ver como amigo, apenas um colega? Olhei em volta e vi que não havia mais nenhuma foto minha na parede, nenhum pôster, rapidamente sobre a mesa e nem sinal do desenho que ele havia feito.

— Tirou as fotos daquele modelinho? Adrien Agreste, não é? — perguntei como se não importasse e comi o resto do biscoito

— Sim — ela respondeu secamente — Era ele.

— Porque? — perguntei com curiosidade, o que eu fiz de ruim para ela?

— Mudar não faz mal a ninguém — ela deu e ombros e mudou de assunto — A Ladybug entregou o presente?

— Mais ou menos — falei aceitando a mudança de assunto

— Como assim? — ela falou cruzando os braços

— Ela preparou uma "festinha" pra comemorar o nosso aniversário — respondi lembrando da surpresa e sorri — Ela cortou o bolo e quando nos servimos ela falou que foram vocês que mandaram pra mim. Porque se eu soubesse desde o começo que era meu, levava inteiro pra comer em casa.

— Maldade, não ia dividir nem um pedacinho com ela? — Marinette perguntou rindo

— Talvez eu pudesse pensar no caso dela — falei rindo também

— Então ela fez bem em não dizer que era pra você de cara — Marinette disse controlando o riso

— Princesa, posso te fazer uma pergunta? — falei pegando outro biscoito

— Pode — Marinette respondeu me olhando

— Se alguém falasse que se pudesse mandar no coração te entregaria, o que você acha que essa pessoa quer dizer? — ela parou me olhando e pareceu pensar

— Acredito que a pessoa quer dizer que confia em você o suficiente para te entregar o bem mais valioso dela se pudesse — Marinette falou depois de pensar um pouco — Quem te falou isso?

— Er... uma amiga — falei, não querendo revelar que foi a Ladybug

— Tendi — ela falou comendo um biscoito

Ela olhou para o relógio e suspirou pesadamente.

— Algum problema, Princesa? — perguntei olhando-a

— Em pouco minutos terei que ir dormir — ela falou baixo — Meu vôo vai ser de madrugada.

— Então acho melhor a gente se despedir — falei me levantando e ele fez o mesmo

Ela não levantou o olhar, parecia estar encarando o chão. Foi quando eu vi uma lágrima pingar no chão.

— Princesa? — chamei e ele se aproximou rápido me dando um abraço apertado

— Vou sentir sua falta — ela falou e senti algumas lágrimas molhando meu uniforme

— Também vou sentir a sua — sussurrei de volta, abraçando-a com carinho — Assim que eu te ver de volta na cidade, venho te visitar

— Obrigada — ela sussurrou e nos olhamos — Por ter cuidado de mim nos últimos dias.

— Não precisa agradecer — falei com um sorriso enquanto secava as lágrimas dela — Nem imagina o quanto me ajuda quando para pra dar atenção ao miado solitário desse gato de rua

Ela riu mais uma vez, me fazendo sorrir, sem que eu esperasse ela se aproximou dando um beijo na minha bochecha, mas devido a nossa diferença de altura, o beijo foi bem perto do canto da minha boca.

— Boa noite, Chat — ela falou corando levemente pela atitude dela

— Boa noite, Princesa — falei, pegando sua mão e depositando um beijo casto ali — Não se esqueça de mim durante a viagem.

— Não irei — ela falou e eu sorri

— Até mais — falei passando pela janela

— Até — ela respondeu e sai correndo pelos telhados indo em direção a minha casa

Assim que eu cheguei no meu quarto, fechei a janela.

— Esconder garras — falei desfazendo a transformação

— Sabe, um lanchinho antes de dormir não seria uma ideia ruim — Plagg falou fingindo pensar

Peguei um pedaço de queijo e dei a ele.

— Faça bom proveito — falei quando ele se afastou devorando o queijo

Troquei de roupa e fui para a cama, me deitei tentando ir dormir, mas não conseguia pegar no sono. Fiquei repassando o comportamento da Marinette, repassei em minha mente tudo que fiz a ela, nossas conversas, não vejo razão dessa mudança repentina dela comigo. E com o Chat Noir, quando se despediu parecia também um pedido de desculpa, sem que me descer conta minha mente repassava o momento do beijo de despedida, eu sabia que ela era uma garota doce, sensível, mas apenas hoje me dei conta do quanto ela fica fofa corando e como eu consigo rir com mais facilidade ao lado dela

— Vou sentir sua falta, Mari — pensei enquanto fechava os olhos.

POV Marinette


Às três da manhã, meu alarme aciona, me informando que devo levantar. Peguei a muda de roupa que separei na noite anterior e fui para o banheiro me arrumar.

— Tem certeza do que está fazendo? — Tikki perguntou me olhando com preocupação

— Tenho — respondi pegando as malas e abri a bolsinha para a Tikki entrar — Vamos?

Ela entrou na bolsinha, peguei as malas e desci tendo o máximo de cuidado para não tropeçar na escada. Cheguei a sala, onde a minha mãe me aguardava, minutos depois o táxi chegou para irmos ao aeroporto, quando chegamos despachamos as malas e pouco tempo depois ouvimos a chamada para o nosso voo, embarcamos, encontramos os nossos acentos e nos acomodamos. A minha poltrona ficava ao lado da janela, isso me permitiu admirar a beleza da cidade das luzes e do amor uma última vez antes de viajar.

Involuntariamente toquei a pulseira me lembrando da minha despedida do Chat Noir, do aperto no meu coração na hora do adeus. Ele me apoiou nos momentos que mais me sentia perdida. Cuidou de mim quando parecia que ninguém mais podia.

O avião começou a decolagem, respirei fundo e olhei para a pulseira, a levei aos lábios e beijei o pingente de pata de gato

— Por favor, tenha cuidado, gatinho — falei olhando a iluminado Torre Eiffel