Miracle
19 Capítulo 19- Stolen Hopes
Notas iniciais
Stolen Hopes - Esperanças Roubadas
Bom, como devem ter notado, eu estou colocando os títulos em inglês... Bom, a verdade, era que desde o inicio era para eles serem em inglês, só que houve um erro de calculo de minha parte e eu esqueci desse fato.
Well, tenham uma boa leitura.
Miracle
Capitulo 19 – Stolen Hopes
–Mai-san?
–Oe, Mai-chan, está acordada? – Masaomi balançou rapidamente a mão aberta em frente aos olhos de Mai.
–O-o que?! – Assustou-se.
–A aula já acabou. – Anri avisou.
–Sério? – Olhou em volta, não vendo mais ninguém na sala além dos quatro. –Eu nem notei...
–Você anda muito distraída esses dias, Orihara-san. Está tudo bem? – Mikado perguntou.
–Claro que sim. – Levantou rapidamente, começando a guardar o material. –Eu só estou um pouco cansada.
Não deixou que fizessem mais perguntas, terminou de guardar os pertences e os chamou para irem embora.
–Querem sair para comer alguma coisa? – Mikado sugeriu timidamente.
–Eu não estou com muita fome, mas os acompanho mesmo assim. – Mai comentou, tirando seus sapatos do armário.
–Sério? – Sonohara se surpreendeu. –Não te vi comendo nada no lanche...
–Ah, esses dias não tenho sentido muita fome. Então, onde querem... – Não conseguiu terminar sua frase, pois um alto trovão ecoou pela cidade, interrompendo-a.
Os quatro saíram de dentro do prédio e olharam para o céu, percebendo que o dia estava realmente nublado.
–É, acho melhor deixarmos o lanche para outro dia. – Constatou Kida. –Parece que vai cair uma tempestade.
–É melhor nos apreçarmos a voltar para casa, antes que chova. – Alertou o de olhos azuis.
Nos portões da escola, o grupo de despediu, cada um seguindo para seu respectivo destino à passos rápidos, com exceção de Mai, que manteve um ritmo lento e desanimado.
Era uma pena não poderem sair para algum lugar. Adorava o tempo em que passava com seus colegas de turma ou com alguns outros moradores da cidade – como Celty e Shizuo –, pois eram nesses momentos que se esquecia um pouco de sua tristeza.
Havia se passado quase duas semanas desde a conversa que teve com Anri e a motoqueira, e em todo esse tempo, sua relação com Izaya andava terrível. Não que brigassem ou discutissem, preferia até que assim fosse, pois era muito melhor do que ser tratada como uma completa estranha. Havia duas semanas que o informante não lhe dirigia a palavra, sequer um olhar, era como se fosse invisível. E isso a machucava, sentia muito a falta do rapaz, até de quando a provocava. E a situação piorava ainda mais com Atsuki, que vivia grudada em Izaya. Era comum vê-los sentados no sofá do escritório conversando e, para sua angustia, abraçados. Isso sem contar às vezes em que via os dois zanzando juntos pela cidade rindo e se divertindo de mãos dadas. E, pelo que havia aprendido com Celty, os dois pareciam quase namorados. A única coisa que nãos os viu fazendo ainda, eram se beijando. Não entendia muito bem o sentimento por trás desse constrangedor ato, mas quando imaginada Atsuki e Izaya fazendo tal coisa, seu coração apertava.
Tentava ao máximo acreditar que aquilo lhe era bom, que iria facilitar as coisas. No entanto, essa desculpa não era mais suficiente para mascarar sua dor. Sempre que o rapaz passava ao seu lado, ignorando-a completamente, sentia vontade de gritar, dizer que estava ali e que o amava. Porém seu bom senso não deixava, fazendo-a lembrar-se das consequências.
Levantou a cabeça e olhou o tempo, ao se aproximar do escritório. Ainda não havia começado a chover. Uma pena, pois poderia ter saído, ao invés de ter que voltar para a casa de Izaya. Suspirando, entrou no prédio e subiu para o seu andar. Lá, rapidamente notou a presença do informante, que estava fazendo café na pequena cozinha do escritório.
Não disse nada, apenas abaixou a cabeça e foi sentar no sofá de couro, ligando a T.V. O melhor seria se trancar no quarto, mas lá não teria nada para fazer e ficaria martelando seus problemas em sua mente. Era mais adequado ficar na sala assistindo T.V, onde poderia distrair sua mente.
Poucos minutos se passaram, quando sentiu Izaya se aproximar com duas xícaras de café, colocando uma delas na mesinha de centro à sua frente e levando a outra consigo para sua mesa, onde se recostou e começou a beber o liquido escuro.
A garota olhou para baixo, visualizando seu reflexo na bebida. Adorava coisas com gosto forte, e Izaya fazia um café delicioso. Havia muito tempo que não o tomava, talvez isso melhorasse seu humor. Delicadamente pegou a xícara e a levou a boca, deixando o liquido descer por entre seus lábios.
No ínicio, se deliciou com o gosto, porém, quando o café tocou sua garganta, descendo por todo o canal e chegando ao seu estômago, sentiu uma intensa queimação, como se, de repente, sua temperatura tivesse aumentado exponencialmente. Começou a tossir fortemente, voltando a colocar de forma desajeitada a porcelana na mesa e se inclinando. Colocou a mão na boca e tentou parar, mas sua garganta continuava a arder. Até que sentiu a mão de Izaya pousar em suas costas, massageando-as.
Aos poucos o ardor foi diminuindo e fazendo com que a tosse parasse. Mai endireitou-se no sofá, tentando regularizar a respiração, enquanto o informante se abaixava para pegar a xícara e tomar um gole.
–Não tem nada de errado com o café. –Concluiu. –O que houve com você? –Estendeu o braço para tocar a garota, mas esta se afastou, levantando do sofá.
–Não me toque... Por favor.
–Nem mesmo um obrigada? ~ — Provocou. –Sabe, Mai-chan, esses dias você anda muito ingrata, mesmo eu sendo tão generoso deixando você viver aqui. Será que vou ter que te ensinar bons modos? ~
–Não é necessário. – Olhou parta Izaya de forma dura. –Se quiser, eu vou embora.
–O que? – Seus olhos também foram endurecendo. –Eu não disse isso.
–Eu sei que não. Entretanto, não preciso de sua permissão para sair. Quando eu quiser, irei, você permitindo ou não.
–O que houve com você? Há algum tempo tinha medo que eu te expulsasse. – Riu. –Será que não está mais apreciando morar comigo? ~ É por que está sentindo falta de dormirmos juntos? – Provocou maliciosamente, fazendo-a corar. –Ou será que eu fiz algo que a irritou?
Com o comentário de Izaya, o olhar de Mai vacilou, tal fato foi percebido pelo informante.
–Ah, então é isso?
–...
–Vamos, me diga o que é, e me poupe o trabalho de descobrir.
–Eu já disse, o problema é você, Izaya. – Falou, dando a volta no sofá e seguindo para as escadas.
O rapaz estalou a língua, sentando-se no mesmo lugar em que estava Mai. Havia algo de muito errado com ela, em todos os sentidos. Pela primeira vez, não sabia explicar o que estava acontecendo à sua volta. Não sabia dizer o que estava acontecendo com a relação que tinha com a colegial.
Olhou para baixo, mirando a xícara. Esse era outro problema. Tinha algo de errado com a garota em si. Ao provar o café, notou que não havia nada de diferente. Não estava muito quente e nem o gosto estava ruim, pois sabia o gosto de Mai, e o havia feito para ela.
Então, o que havia de errado?
Suspirou. Não importava, logo ele iria descobrir por Atsuki. Havia combinado com a mulher de se encontrarem em seu escritório amanhã, no horário da aula de Mai. E seria nesse “encontro” que tiraria as informações dela.
Há um bom tempo estava dando atenção extra à Mizawa; saindo juntos com mais frequência, sendo carinhoso e cavalheiro, manipulando-a para que cedesse aos seus encantos e tivesse algum apego sentimental à ele. E havia conseguido, mesmo a mulher tentando esconder, ela havia, sim, contraído algum tipo de sentimento por Izaya. E usaria isso para tirar dela informações sobre a problemática garota com quem dividia o teto.
Mai acordou com o barulho da intensa chuva. O dia estava realmente escuro e nebuloso, transmitindo um cálido sentimento de melancolia.
Lentamente trocou de roupa e desceu para o andar de baixo, onde encontrou Izaya falando ao telefone. Não disse nada, apenas seguiu para porta, sem nem mesmo tomar café, pois não sentia fome. Abaixou-se para colocar os sapatos, quando viu perto da porta algo que lhe era novo; era comprido e se assemelhava à uma bengala enrolada em um pano preto. Já tinha visto essa coisa antes... Ah, sim, no dia anterior viu algumas colegas com uma dessas coisas em mãos, dizendo que provavelmente iriam precisar se chovesse. Terminou de colocar os sapatos, pegou o objeto de coloração negra e saiu.
Parou na portaria do prédio e olhou para o escuro céu. Não estava com a menor vontade de ir à escola, sentia-se triste e desanimada, fora que o clima não ajudava muito. Suspirou, tentando abrir aquela bengala, levando um susto ao apertar um botão, fazendo-a “desabrochar” repentinamente.
Andou lentamente pela cidade, propositalmente para chegar atrasada e os portões da escola estarem fechados. E sua estratégia deu certo, demorou-se tanto que já haviam fechado as portas do Raira e não havia mais nenhum aluno no pátio. Não tendo escolha, — ou preferindo não pensar nas possíveis -, deu as costas para a escola e voltou para o chuvoso centro de Ikebukuro. Não poderia voltar para o escritório de Izaya e também ficar andando por ai não era uma opção, pois corria o risco de se encontrar com o informante e, possivelmente, Atsuki, enquanto matava aula.
Sem ter muito para onde ir, foi se sentar num ponto de ônibus coberto que estava vazio, já que não era mais horário de pico e a cidade se encontrava relativamente vazia. Largou sua pseudo-bengala caída de lado, uma vez que não conseguiu fecha-la, e se sentou cabisbaixa. Desde que chegara a Ikebukuro, era a primeira vez que via chover. Se sua situação não estivesse tão ruim, provavelmente apreciaria esse momento. Gostava do dia mais escuro, era calmo e nostálgico, e o som da chuva era agradável. Talvez ficasse ainda melhor se tivesse uma companhia.
–Matando aula, Mai? – Ouviu.
–Ah, ohayoo, Shizuo. – Cumprimentou o rapaz loiro, que havia acabado de entrar debaixo do toldo. –Você está todo molhado. – Observou.
–Ah... – Murmurou com raiva. –Eu estava andando com meu guarda-chuva, quando bateu um vento forte e virou-o do avesso.
–Entendo... – Então esse era o nome daquela coisa, pensou.
–E você, o que está fazendo aqui? Não deveria matar aula. – Sentou ao seu lado, passando a mão pelos seus cabelos molhados.
–Não estava com vontade de ir à aula.
–Eu também não tenho vontade de sair num dia chuvoso, mas sai mesmo assim, pois tenho o meu trabalho.
–Eu sei, é que... – Suspirou. –Por que você odeia tanto o Izaya?
–Ahn? Que droga de pergunta é essa?
–Eu só queria saber.
–Eu o odeio porque ele me provoca e me irrita. – Cuspiu.
–Ele também me provoca e me irrita, mas eu não consigo odiá-lo.
–Você conhece esse bastardo? – Olhou para Mai.
–Bem mais do que isso.
–Ah, não, não, me explica essa historia direito. – Tirou os óculos. –Qual é a sua relação com aquela pulga maldita?
–Promete não ficar bravo?
–Não.
–Bom... – Ficou um pouco sem graça. –Resumindo, desde que eu cheguei à Ikebukuro, tenho morado com o Izaya e, como posso dizer, meio que consequentemente, acabei me apaixonando por ele. Só que, de uns dias pra cá, acabamos nos afastando, fora que eu decidi não me declarar. E também, estamos falando do Izaya, é uma tarefa quase impossível se aproximar de seu coração.
Depois de terminar de falar, voltou a olhar para Shizuo, que a encarava fixamente.
–Shi-Shizuo?
–Não! – Levantou-se abruptamente, andando de um lado para o outro. –Alguém apaixonado por aquela pulga maldita? Eu achava que isso era impossível! Pensando bem, eu percebi há algum tempo que aquele imprestável andava um pouco diferente. Ah, então aquela vez que eu vi vocês dois andando juntos pela cidade não era uma miragem... Mas é realmente estranho aquele bastardo deixar alguém chegar tão perto. Está decidido! – Apontou o dedo indicador na direção de Mai. –Você vai se declarar á ele!
–O que?! Não, isso é impossível. Fora que... Ele está muito bem com a Atsuki.
–Aquela mulher de cabelo castanho? Duvido muito. Sei muito bem diferenciar quando ele está manipulando alguém.
–Não, Shizuo...
–Não desista antes de tentar. Fora que, se der certo, vai que aquela escoria deixa de ser tão solitário e passe a ser menos irritante. Isso seria algo muito bom, estaria me ajudando e ajudando à ele.
–Ajudar...?
–Isso mesmo!
–Mas e se não der certo?
–Você tentou?
Mai olhou para os próprios pés e depois para Shizuo.
–Não... – Ainda estava um pouco insegura. –Certo, Shizuo, vou seguir o seu concelho. – Pegou sua pasta e se levantou. –Pode ficar com o meu... Guarda-chuva, essa coisa me assusta.
–Obrigado. – Riu. –E, quem sabe, se der certo, da próxima vez que ele me provocar, eu pegue um pouco mais leve. Quem sabe.
–Eu é quem tenho que agradecer. – Sorriu uma última vez para o rapaz loiro e adentrou na chuva, seguindo para o escritório.
Se declararia, seria sua última jogada. Entendia os riscos, tanto com uma rejeição, quanto uma aceitação. Sabia que poderia sair muito magoada, mas tentaria. Tentaria uma última vez, tentaria entender Izaya, entender a si própria e, principalmente, sua missão.
Correu pelas chuvosas ruas, até chegar ao escritório, parando em frente a sua porta. Ficou um bom tempo lá parada. Sentia-se nervosa, seu coração palpitava de uma forma completamente diferente. Abraçou a si mesma e esfregou os próprios antebraços, tentando se aquecer e se acalmar, mas nem isso ajudou. Até a roupa molhada ajudava a intensificar seus calafrios.
–Izaya, eu... – tentou treinar, mas não conseguiu terminar a frase.
Respirou fundo novamente, na hora saberia o que fazer. Estendeu a mão para a maçaneta e lentamente abriu um pouco, surpreendendo-se por estar destrancada. Um pouco sem graça de entrar, espiou pela fresta que abriu. Foi quando viu algo que a fez congelar no lugar, esfaqueando seu coração e criando um buraco em seu peito.
A visão que teve a fez lembrar-se do que Celty lhe falara sobre pessoas que se amam. Quando duas pessoas se amavam, elas tendiam a sempre ficarem juntas, saírem juntas, se abraçarem, andarem de mãos dadas e, por último, se beijarem. Desde que Izaya e Atsuki se conheceram, eles viam fazendo todas essas coisas, menos se beijarem. Mesmo Mai vendo tudo isso, mesmo isso a machucando profundamente, de certa forma, só não havia desistindo ainda de ficar morando com Izaya pelo fato de não ter visto os dois se beijando. Não entendia muito bem a lógica e o sentimento pro trás disso, mas sempre que imaginava os dois, sentia vontade de chorar. No entanto, aquilo residia apenas em sua mente, dando à garota algum tipo de esperança e felicidade.
Infelizmente, sua esperança havia lhe sido roubada, ao presenciar Izaya e Atsuki se beijando, lenta e profundamente.
Fim do capitulo 19.
Notas finais
Ai, ai, eu estou amando fazer está fic! E agradeço á vocês, leitores, por tudo. =)
Eu disse no ultimo capitulo que a fic já estava acabando, e está, só que enquanto eu escrevia o capitulo 20, me lembrei de um fato que eu estava planejando colocar na história desde o inicio... Então, provavelmente eu acrescentarei alguns poucos capítulos. Mas acho que vocês irão gostar, pois é algo fundamental que dá mais sentido aos fatos.
Ai, ai, minha mente me traindo...
Ah, esses dias eu andei editando os capítulos 1 e 2 da fic, que são os que não tem betagem. Então, se interessar, dão uma passadinha lá.
Bom, abusem dos comentários e até o próximo capítulo! ~
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