Miracle
20 Capítulo 20- Chase
Notas iniciais
Desculpe a demora.
Bom, só peço que não me matem! >.
Miracle
Capítulo 20 – Chase
Havia acordado cedo naquele dia. Izaya levantou-se da cama e rapidamente trocou de roupa. Sua mente trabalhava constantemente no que tinha planejado para aquele dia. Iria chamar Atsuki para vir ao seu escritório, aparentemente, para um encontro comum. E, até certo ponto, seria. Iria trata-la com um pouco mais de carinho, até que conseguisse introduzir o assunto sobre Mai na conversa e extrair dela o que sabia. Logicamente, com a certeza de que Mai já teria ido para escola e nunca saberia o que iria se passar entre os dois. Não sabia explicar bem o porquê, mas odiava quando estava andando com Atsuki por Ikebukuro e, por coincidência, encontrava com a garota. O olhar desamparado e melancólico que ela demonstrava ao ver os dois fazia-o sentir um desconfortável sentimento de arrependimento.
Balançou a cabeça, tentando espantar os pensamentos e voltar aos seus planos. Saiu de seu quarto e desceu para o andar de baixo, logo em seguida mirando os janelões que mostravam o chuvoso dia. Odiava dias assim, não podia sair de casa e andar livremente pela cidade, sendo obrigado a ficar trancado em seu escritório remoendo sua solidão.
Voltou a olhar para cima, encarando a porta do quarto de Mai. Logo ela iria se levantar e descer, constatou. Saiu de perto da janela e foi até uma das bancadas que separava o escritório da pequena cozinha, tirando de seu armário um guarda-chuva preto e encostando-o perto da porta. Provavelmente a cabeça-de-vento não iria se lembrar de levar um e, caso o fizesse, com toda certeza não iria lhe pedir para arranjar para ela, indo para a escola debaixo de chuva de qualquer forma.
Enquanto encostava o objeto perto da porta, sentiu seu celular vibrar.
–Como vai, Tsuki-chan? ~
A ligação foi rápida. Mizawa queria apenas confirmar o horário que devia chegar ao escritório – alguns minutos depois da aula de Mai começar. E, enquanto conversavam, ouviu o barulho dos passos da garota, que desceu e passou por Izaya sem nem mesmo trocar uma palavra. E, enquanto ela seguia para a porta, o informante virou-se um pouco e ficou a olha-la pelo conto do olho. Assim que Mai se abaixou para colocar os sapatos, notou o objeto perto da porta. Ficou encarando-o por alguns segundos, como se lhe fosse algo desconhecido. Porém, para o alivio de Izaya, ela acabou levando-o consigo.
Os minutos foram se passando depois da saída de Mai, até que o moreno ouviu alguém batendo à porta. Levantou-se do sofá com um sorriso malicioso nos lábios, já sabendo quem era.
–Seja bem-vinda, Tsuki-chan. ~ — Pegou a mulher pela mão, trazendo-a para dentro.
Durante os primeiros minutos de conversa, tudo se seguiu normalmente. Izaya conversava sempre olhando nos olhos de Atsuki e com o braço em volta de seu ombro. Sempre observando atentamente as reações da outra, divertindo-se ao constar como fora fácil faze-la chegar ao ponto de acreditar que havia realmente algo entres dos dois. Antes ela agia como se tudo aquilo fosse um teatro, assim como o informante, competindo para ver quem cedia. No entanto, Izaya era um oponente um pouco diferente. Afinal, mantinha-se fechado para qualquer aproximação desse tipo. E agora, ela havia caído em sua armadilha e caminhava pelas casas que ele havia decidido em seu tabuleiro. Era até divertido ver como ela reagia à ele; deixando sua sinceridade transparecer e, ocasionalmente, sentir ciúmes de Mai.
–Então, Tsuki-chan, esses dias eu notei que a presença de Mai aqui no escritório vem te incomodando. – Deu inicio ao seu plano.
–Ah... – Pareceu se incomodar com o assunto. –Eu apenas... Não confio nela.
–Ah, é? ~ Por quê?
–Eu prefiro não falar sobre esse assunto, uma vez que tem relação com a Nébula.
–Creio que não é uma mera desconfiança, certo? Parece que há assuntos mais complexos envolvidos. Entretanto, se é tão grave assim, deveria dividir o que sabe comigo. Afinal, eu moro com ela. Isso pode ser de grande ajuda tanto para mim, quanto para você e, principalmente, para a Nébula.
–Eu realmente não devo, Izaya.
–Não diga isso. – Tentou deixar sua voz o mais aveludada possível. –Não esconda nada de mim, Atsuki. – A mão que estava no ombro da mulher escorregou para sua face esquerda, enquanto lentamente aproximava seu rosto do dela, mirando seus finos lábios, até que não houvesse mais nenhuma distância entre eles e os próprios. Colocou a outra mão livre na cintura de Mizawa e aprofundou mais o beijo. Para quem visse, aquele parecia um beijo profundo e apaixonado, mas para Izaya não passava de uma estratégia para conseguir informações.
O informante deixou que o beijo durasse mais um pouco, para em fim, se afastar.
–Izaya... – Falou, levemente ofegante.
–Vamos, me diga o que sabe.
–Certo... – Deu-se por vencida, fazendo o sorriso de Izaya se alargar. –Há algum tempo, coloquei alguns de meus agentes vigiando-a pela cidade, não constantemente, mas o suficiente para conseguir algumas informações. No entanto, mesmo isso, junto com as que eu consegui por conta própria na escola, serviram para chegar à alguma conclusão consistente.
–E o que seriam essas informações?
–Bom, consegui descobrir que ela podia, facilmente, ver e interagir com Dullahans. Mas não considerei isso algo conclusivo ou digno de desconfiança. No entanto, na escola, notei que o comportamento dela era diferente dos demais alunos. Tinha dificuldade de entender coisas simples de conhecimento comum e cultural, e nessa falta, fazia uso da lógica. No inicio, achei que pudesse ser estrangeira, mas seus dados pessoais eram sem fundo, até o sobrenome não era dela. Cheguei a pensar que estivesse tentando se esconder, porém sua mente aparentava ser extremamente inocente, em todos os sentidos.
Ficou em silêncio por alguns segundos.
–Depois dessas descobertas, durante um tempo, não houve nada de novo. Até o dia em que ela foi atacada pela Niekawa Haruna, uma saika. A Mai recebeu uma serie de golpes, mas não foi controlada. A lâmina amaldiçoada não surtia efeito nela. Fiquei muito impressionada e ao mesmo tempo curiosa. Entretanto, o que mais me surpreendeu foi quando, dois dias depois, ela voltou a frequentar as aulas como se estivesse completamente recuperada. E realmente estava, porque mesmo usando as bandagens, não havia ferimento algum por baixo delas. Eu mesma as tirei e pude verificar.
Izaya colocou a mão no queixo, relembrando que já havia um bom tempo que Mai não usava nenhum tipo de curativo. Também imaginou que no dia em que foi buscar a garota na escola e desceu com os olhos vermelhos e dizendo que não tinha se sentido bem, foi, provavelmente, o dia em que Atsuki tentou ver por debaixo de suas bandagens. Provavelmente ela obrigou Mai a tira-las, por isso ela estava naquele estado.
–Fora que não conseguimos achar nada sobre o seu passado, nada mesmo. Isso não é normal! Não consegui chegar à nenhuma conclusão, só teorias frustradas.
–Que tipos de teorias? – Estreitou os olhos.
–Primeiro pensei que ela pudesse ser apenas uma humana com habilidades excepcionais, mas isso não explica a incógnita com relação ao seu passado. Depois imaginei que ela pudesse ser um Dullahan; isso iria explicar a falta de conhecimento comum, a estranha habilidade, a rápida recuperação e a falta de um passado conhecido. Infelizmente... – Balançou a cabeça negativamente. –Fiz várias pesquisas, mas não achei nenhuma lenda que se encaixasse, fora que fisicamente ela tem características muito humanas para ser tal coisa. Tudo isso me preocupa... Ela pode ser algo perigoso.
–Hm... – Colocou a lateral do dedo indicador na frente dos lábios, tentando tampar o malicioso sorriso que surgira. –Muito interessante. – Levantou-se do sofá, ficando de costas para Atsuki. Já não aguentando mais segurar suas risadas, desatou a rir. –Ah, Mai-chan, você vive me impressionando! Eu já te achava estranha, mas nunca imaginei que tivesse tantos segredos. Ah, mal posso esperar para você chegar da escola! ~
–Izaya?
–E tudo isso graças á você, Mizawa Atsuki-chan. – Voltou a se virar.
A mulher arregalou os olhos, entendendo a situação em que se encontrava.
–Parece que eu ganhei nosso joguinho, certo? ~
–Realmente, você faz jus a sua repugnante fama. – Cuspiu, ainda que tivesse um sorriso malicioso nos lábios.
–Não adianta me elogiar, não vou voltar atrás. Porém, não fique triste, devo dizer que foi deveras divertido jogar com você. Infelizmente, não faz o meu tipo, nem de aparência ou personalidade. Então, acho que tudo acaba por aqui.
Mizawa também se levantou do sofá, passando por Izaya e ficando de costas.
–É uma pena mesmo. – Disse. –Estava começando a gostar de você... Mas devo dizer que não foi uma perda total, Izaya. Você pode ter ganhado, entretanto, foi o seu jogo. O meu ainda está em andamento.
–O que quer dizer, ein?
–Bom, seu jogo consistia em me manipular romanticamente para me conquistar e me fazer revelar o que sabia sobre a Mai. Infelizmente, isso te custou muito caro. – Olhou por cima do ombro. –Acha mesmo, depois de tudo o que fizemos na frente dela, sua queridinha ainda vai querer se aproximar de você novamente?
Mizawa não estava mentindo. Para o desgosto de Izaya, Mai estava completamente ciente das ações dos dois. Entretanto, pretendia dar um jeito nisso. Então, por que mesmo assim via isso como uma vantagem?
–E é aí que entra o meu plano. Veremos como fará para “reconquista-la”. – Andou até a porta. –Foi realmente uma pena não ter dado certo... – Deixou uma ponta de tristeza transparecer em sua voz, antes de deixar o local.
Assim que Atsuki saiu, murmurando, Izaya deu as costas para porta e começou a caminhar na direção de sua mesa, mas antes que chegasse, a porta voltou a se abrir, fazendo-o virar para trás.
–Ah, Shiki-san, pontual como sempre. – Falou, recuperando sua postura. –Acabei de finalizar um serviço, agora tenho o resto do dia para atendê-lo. – Deu a volta no sofá, ficando de frente com o homem de terno branco, quando notou algo estranho em sua mão. –Onde conseguiu isso?
–Bom, eu cheguei um pouco adiantado em seu escritório, e quando subi para o seu andar, notei uma garota em pé em frente à porta. Ela parecia estar olhando pela fresta, quando deixou essa pasta aqui cair e saiu correndo. Quase que trombou em mim, e percebi que sua expressão não era nada boa. – Terminou, colocando a maleta molhada em cima da bancada.
–Garota? – Sem que quisesse, um leve tom de apreensão tomou sua voz. –Como era essa garota? – Já tinha uma ideia de quem poderia ser, mas precisava confirmar.
–Usava o uniforme do Raira e tinha os olhos azuis. – Sorriu de forma sacana. –Não sabia que era do tipo que tinha muitas parceiras, Orihara-san.
–Mai... – Ignorou o comentário. –Me escute, farei um acordo com você, Shiki-san. Use seu carro para me ajudar à procura-la, que o serviço que veio me pedir sairá de graça.
–Hm, troca de favores, é? Certo, venha comigo.
Shiki e Izaya saíram do escritório, e, ao passar pela porta, o informante pode ver as pegadas molhadas que Mai havia deixado em sua fuga. Estalou a língua, irritado com Mizawa. Que droga ela havia planejado? Ah, não, se ela achava que ia conseguir roubar sua fonte de diversão, estava muito enganada. Izaya nunca deixaria Mizawa Atsuki ter o que era seu. Nunca a deixaria ganhar o jogo.
Os dois saíram do prédio e entraram no carro negro do mafioso.
–Para onde você quer ir? – Shiki perguntou, ligando o carro.
–Vamos dar uma volta pelo centro, ainda está cedo e o fluxo de carros e pessoas está baixo. – Pediu, observando o clima tempestuoso. –Vai ser fácil acha-la.
O homem da Yakuza deu a partida e acelerou chuva afora. Passaram por ruas e mais ruas, cruzando avenidas e contornando prédios, porém não havia nenhum sinal de Mai. Izaya já estava ficando frustrado e irritado, apertando os punhos, quando se lembrou de algo.
–Dirija para a parte Leste de Ikebukuro.
Depois que viu Atsuki e Izaya se beijando, sentiu o corpo inteiro gelar. O frio da chuva não parecia nada diante do que sentia naquele momento. Sentiu-se perdida, tanto que acabou deixando sua mochila cair no chão. Não queria acreditar, queria achar que estava tudo bem, que nada daquilo havia acontecido, que Izaya nunca havia se envolvido com Atsuki.
Queria voltar para o tempo em que eram só os dois.
Mas isso era impossível, pois, na concepção de Mai, Izaya amava Atsuki. E era por esse motivo que o informante havia se afastado tanto dela e se aproximado da mulher.
Não queria mais ver aquilo, não queria mais ver nenhum dos dois, aquilo doía muito. Deu um passo bambo para trás e deu meia volta, disparando a correr, quase trombando em um homem de terno branco que se aproximava. Desceu as escadas correndo, quase escorregando, até sair do prédio e se embrenhar no tempestuoso tempo.
Não tinha a menor ideia de onde estava indo. Estava completamente sem rumo, correndo cegamente pelas ruas, mas sempre indo em frente, tentando se afastar ao máximo daquele escritório. Mesmo se achando idiota por ter feito a mesma coisa da primeira vez em que viu os dois juntos. Era realmente uma covarde. No entanto, dessa vez faria diferente. Iria embora e nunca mais voltaria. Quem sabe, longe de Izaya, conseguisse completar sua missão... Não seria difícil desaparecer sem que ele percebesse, afinal, não sabia que ela havia presenciado o beijo. Iria embora, e ele nem perceberia.
Seus apressados passos foram diminuindo de ritmo, à medida em que se sentia cansada e ofegante, até que parou por completo. Seu coração estava disparado, sua respiração quente e ofegante, contrastando com o frio da chuva e criando vapor. Seu uniforme ensopado grudava em seu corpo criando uma sensação desagradável... Tudo isso misturado ao seu deplorável estado psicológico.
Olhou para o lado, surpreendendo-se ao perceber que seus perdidos passos haviam-na guiado até aquela praça cheia de brinquedos coloridos. Lentamente caminhou pela grama enlameada na direção do brinquedo que mais chama sua atenção – o pequeno retângulo suspenso por duas correntes. De frente para o brinquedo, segurou firmemente em seus frios elos, puxando-os para baixo, ao mesmo tempo em que abaixava a cabeça e, pela primeira vez naquele dia, deixando as lagrimas saírem.
Duras e sôfregas lagrimas... Lagrimas de alguém que amava, mas sabia que nunca seria correspondida.
–Dói... – Falou com a voz embargada. –Isso dói muito!
Doía muito, era quase físico. Queria gritar até ficar sua voz... Mandar para longe aquele sofrimento que chegava a tirar seu ar.
–Droga... Isso dói na mesma intensidade em eu te amo... O pior de tudo é que nem ao menos consigo te odiar. – Apertou mais as correntes, deixando seus dedos brancos. –Izaya, eu...
–Mai!
Fim do capitulo 20.
Notas finais
Provavelmente vocês querem me matar, tanto pelo que aconteceu, quanto pelo tamanho do capítulo.
Desculpe!
Mas não se preocupem, o próximo capítulo provavelmente será bem grande, pois terá muitas reflexões.
Acho que com o que a Atsuki falou, vocês devem ter ainda mais duvidas quanto á Mai, certo? Huhu.
Por favor, comentem bastante, isso me deixa muito feliz! ~
Espero que estejam gostando muito, quero muito saber a opinião de vocês quanto á Miracle.
Uma perguntinha: Vocês gostam de historias originais?
Na verdade tenho mais algumas perguntas, mas depois eu faço.
Eu mudei a sinopse, está melhor?
Ah, estou entrando agora só pra postar, depois respondo os reviews, ok? Perdão.
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