Mini Creepy Doctor

36 Mini flashback gigante - Parte 2


Sachi e Penguim passaram o total de três dias seguindo o rapaz que o Capitão havia dito.

Eles não viram nada de demais no rapaz, exceto pelo fato de que se eles não soubessem que era um cara, eles provavelmente achariam que era uma moça.

E uma moça bonita.

Os sentiam calafrios só de pensar — aquilo era uma armadilha!

Ainda assim não era isso que realmente os preocupava, e sim o fato de que eles ainda estavam naquele conjunto de ilhotas, insignificantes, esquecidas por Deus, que não tinham nada a oferecer — e com Doflamingo provavelmente na cola deles.

A única razão pelo qual o Shichibukai não os encontrou ainda, só devia estar ligado ao fato de nem mesmo Doflamingo considerava aquelas ilhotas importantes e certamente acreditava que Law era inteligente o suficiente para não perder tempo lá.

Doce ilusão.

Porém ordens são ordens. Eles ao menos argumentaram e conseguiram convencer Law de por Bepo de vigia, caso houvesse algum movimento com relação à Família Donquixote.

Eles por outro lado, ficaram de espiões — e o rapaz tinha uma vida pra lá de monótona.

Casa, trabalho, academia — de segunda a sexta, todo o dia a mesma coisa.

O que Law viu naquele homem?

Mas foi no quarto dia que eles conheceram a irmã dele, mulher bonita, de cabelos crespos e uma personalidade forte, que descobrirá que eles estavam de olho no irmão dela.

"Olha aqui vocês dois, deixem meu irmão em paz! Ele não quer nada com vocês! Caiam fora!"

"Escuta moça! Nós não queremos fazer mal a ninguém!" Disse Sachi

"Ah tá! Sério? Eu não sou idiota, tá! Conheço seu tipinho, piratas, de tempos em tempos passam por aqui, sabe-se lá por que, e assim que veem meu irmão, vão pra cima dele... só um aviso. Se querem sair daqui com seus brinquedinhos inteiros, se afastem dele."

Ela disse apontando para o meio das pernas deles. Penguim involuntariamente, levou suas mãos para proteger as joias da família, com medo da moça fazer algo.

Ela por sua vez só riu.

"Não sou eu que você precisão se preocupar."

E foi embora.

Eles informaram Law sobre o ocorrido, e Law nada fez, na verdade ficou ainda mais interessado, afinal agora eram dois pelo esforço de um.

"Melhor ainda, agora que eles sabem que estamos de olho, não precisamos mais nos esconder."

"M-Mas, Capitão! Ela ameaçou nossas..."

"E quem você teme mais, ela ou eu?"

"Bem, pelo menos com o senhor não dói!" Penguim disse só para constatar um fato e foi salvo por Bepo que o emburrou para fora da sala antes que Law separasse mais alguma coisa de alguém.

"Então, é pra continuarmos na cola deles?" Perguntou Sachi.

"Não, eu mesmo vou falar com ele. Eu descobri umas coisas interessantes aqui."

A verdade é que enquanto Sachi e Penguim seguiam o rapaz e Bepo ficava de olho nas noticias, Law saiu ao encontro de outros médicos, afinal o objetivo deles ali era descobrir um método alternativo para resolver suas constantes dores de cabeça.

O problema era que a medicina local era um lastima.

Uma gripe podia ser o fim da linha.

A maior parte da medicina não passava de informações passadas oralmente, tendo somente três médicos que se deram ao trabalho de fazer um livro de doenças, sintomas e causas prováveis.

Lastimável.

Porém, um desafio, em menos de um semana ele viu mutações de gripes básicas — coisas que ele jamais veria em outro lugar, já que normalmente o tratamento é eficiente e nunca se chegava a tal ponto.

Doenças que haviam sido erradicadas.

Problemas genéticos — primos casando com primos e procriando estava gerando fraquezas fatais para um ambiente daqueles.

Porém um povo muito resistente, ali a seleção natural parecia agir de fato.

Morte no parto, normal.

Bebes morrendo, normal.

De fato, os locais usavam o termo, vingar, uma criança tinha que vingar, um nome só era dado depois dos 10 anos de idade — ele achava meio cruel, porém extremamente lógico — por que se preocupar com nomes, se você vai ter que enterrar mesmo.

E foi assim que ele se envolveu com a população local e sem perceber estava praticando medicina, prestando atendimento gratuito para os moradores locais.

Com a consulta de alguns dos médicos locais e vendo que pior que estava não ficava, Law começou a realizar experimentos, tratamentos alternativos.

Ele estava a pegar alguns trabalhos e pesquisas de outros médicos e empolgado para pô-los em pratica.

Ou ele se tornava um milagreiro de fato ou matava todo mundo da ilha, não que ele se importasse.

E foi no meio de uma de suas pesquisas e conversas que um dos médicos locais — se é que eles podiam ser chamados de médicos, lhe contou a respeito de um rapaz.

Filho mais novo de um casal conhecido, pai pescador, mãe do lar, irmã bem encrenqueira que acompanhava o pai pra tudo.

O tal menino nascera normal, porém lá pelos 8 anos começou apresentar características femininas para desespero da família.

Quando chegou a adolescencia, já possuía um corpo mais feminino do que masculino, apesar de ser um homem.

Law não demorou para saber o que ocorrera, era algo simples, facilmente diagnosticado e tratado.

A ignorância é que levou aquilo, ao isolamento por parte da família devido a uma aparência que nada tinha a haver com a vontade do rapaz — contrariando inclusive o primeiro julgamento de Law, que achava que o rapaz era daquele jeito por que queria.

E munido desses dados ele se encontrou com o rapaz.

"Você de novo? O que quer?"

"Quero conversar. Meu nome é Trafal-"

"Não quero saber seu nome e não quero conversar. Vá embora."

"Ao menos me ouça então."

O rapaz não fez nenhum movimento, não saiu do lugar, nem pareceu um pouco mais receptivo.

"Pois bem, eu posso lhe ajudar. Posso fazer com que você recupere alguns do seus traços masculinos."

O rapaz olhou para ele com olhos arregalados antes de dizer. "O que faz você achar que quero isso?"

"Para ser mais bem aceito, para não ter que ficar constantemente alerta, com medo e isolado."

"Humpf...eu não tenho medo, os outros é que tem medo de mim. Eu me isolo para segurança deles não minha."

Law não esperava aquela resposta "Como assim?"

"Confundir é normal, eu já me acostumei com isso e não culpo quem o faz, eu me isolo pois as vezes o choque é meio grande demais para o típico macho alpha, e quase sempre eles acabam por serem violentos e então sou obrigado a me defender."

"Não entendo como isso não é um problema."

"Cricrihihihi... sou muito mais forte do que aparento. E bem, fiquei sabendo que você está dando umas consultas na cidade, então sabe melhor que eu que hospital aqui não serve pra nada, então se eu me defendo e acabo por quebrar alguns membros, esses caras vão passar meses sem pescar, ou vão ficar aleijados..."

"E você se preocupa com isso? Foram eles que pediram por isso."

Law perguntou, já questionando se havia mesmo sido uma boa escolha perder aquele tempo com aquele rapaz.

"Não ligo pra eles, mas meu pai era pescador, não muito diferente desses outros caras e por cafajestes que eles sejam, ainda tem família, esposa e filhos que dependem deles. Se eu quebro um deles, não estou quebrando somente um homem, mas uma família inteira...mas nem pense que isso livra sua cara, você é um pirata, não ligo de quebrar suas pernas e te jogar no mar, sua laia não faz falta no mundo, sem contar que você não faz meu tipo."

Law arregalou os olhos, aquilo foi inusitado, mas ele gostava de coisas inusitadas. Não perdendo a chance de responder, ele disse.

"Sério? Eu não faço seu tipo?" Law disse num tom irônico.

"Não. Eu prefiro mulheres." O rapaz respondeu com um sorriso.

Law não conteve o sorriso, estereótipos, eles existem para serem quebrados.

"Se me permite, esse lugar é pequeno e eu fiquei sabendo muito sobre você. E, bem, com quem você aprendeu a lutar?"

O rapaz sorriu, um sorriso orgulhoso e cheio de admiração.

"Minha irmã. A mulher mais macho que eu conheço. Sabia que o maior peixe já pescado por aqui foi o dela! Precisa conhecê-la! Ela é demais!"

Se primeira impressões é o que contam, aquela foi uma das melhores.

Tudo o que Law se lembrava era um uma mulher de altura mediana, tirando foto ao lado de um peixe que tinha o tamanho dela. E então ela veio sorridente até ele e lhe deu um soco forte o suficiente para ele cair na agua.

"Melhor sair de perto do meu irmão!"

Ele olhou irritado para ela e pode ver o rapaz tentando impedi-la de mergulhar na agua e ir pra cima dele.

Passada a vontade inicial de corta-la em dois, Law sorriu, ele agora estava convicto, ele teria aqueles dois na sua tripulação.

"O QUE?! PIRATAS!?"

"Parece interessante."

"Nem pensar! Você não pode ir pro alto mar, ainda mais com piratas! Você já não viu o que você passa mesmo morando nesse fim de mundo, imagina lá fora? Não, é perigoso demais!"

"Mas nada acontece aqui, minha vida é um tédio, eu mal saio, mal converso com os outros..."

"E quem não garante que eles só estão tentando lhe seduzir?"

E foi nessa hora que ele usou suas cartas magicas, Sachi, Penguim e Bepo.

Sachi e Penguim, eram um compilado de contos personificados, também vindos de um ilha pequena, também conhecidos pelo jeito estranho deles.

E Bepo, como não amar aquele Mink — e a mulher pareceu tomar um apreço ainda maior por ele.

"Nossa, dá pra alimentar uma família por um mês com esse ai!"

"CAPITÃO!!"

"Bepo não está disponível no cardápio, e então o que me diz?"

Apesar de tudo a mulher recusou e ficou claro para eles que o rapaz só viria se a irmã fosse.

Não muito longe dali, um menino se salto alto se aproximava de um figura enorme e musculosa.

"Jovem Mestre, temos novidades!"

Braços enormes envolveram o rapaz, antes de joga-lo para cima, para que pudesse sentar-se no ombro do homem.

"Quais são as novidades, Dellinger?"

"Descobrimos que o Law está brincando de médico em um conjunto de ilhas."

"Oh, é mesmo? O que acha de irmos visita-lo, Dellinger?"

O menino sorriu e abraçou a cabeça de Doflamingo, dando-lhe um beijo na bochecha.

"Eba! Vamos ver o Lawzinho!"

"Fufufufu... vamos Dellinger, vamos!"

Notas finais
Aaaah eu sei, demorei um tempão pra atualizar e nada de Sanji, Luffy e Smoker. Mas prometo que no próximo é só eles. Pois bem, espero que aqui tenha ficado claro de onde Bonney tirou a ideia do Law fazendo experimentos em civis, e o fato dele sempre sair e deixar esses mesmo civis nas mãos do Doflamingo. Espero que tenham gostado desse capitulo tb. Bjus e até o próximo. Prometo não demorar tanto!