No dia seguinte não foi tão ruim.

Chopper estimava que Law estivesse entre 12 e 13 anos de idade.

Law passou o dia inteiro na enfermaria, ele mal se movia, apenas gemia, e as poucas vezes em que ele estava realmente acordado, ele aparentava estar confuso.

Por várias vezes ele perguntou a Chopper se ele era um dos médicos que Cora-san tinha trazido para vê-lo, só para abaixar a cabeça e perguntar onde que o homem — Cora alguma coisa — estava.

Chopper estava certo de que Law estava com medo, e por vários momentos, ele jurava que havia ouvido um pequeno choro reprimido.

"Quando você vai parar de brincar e me mandar embora?"

Isso foi inesperado.

"Eu não vou te mandar embora."

"Sim, você vai. No final, todo mundo faz isso."

"Eu lhe asseguro, que eu não sou todo mundo."

Chopper ficou surpreso com a falta de fé que Law mostrava. Sua mente buscava freneticamente por opções do que fazer para distrair Law de tudo o que ele estava sentindo ou pensando, quando alguém bateu à porta.

"Entre."

A porta ainda não estava aberta e ele já podia ver um pequeno vestígio de esperança e felicidade aparecer no rosto de Law, apenas para sumirem quando ele percebeu que a pessoa que bateu não era a que ele estava esperando.

"Robin!"

"Olá Chopper! Olá Law."

Robin sorriu gentilmente para Law que apenas acenou com a cabeça. Um comportamento completamente diferente do que Zoro e Sanji descrito.

Para Chopper e Robin, isso só poderia significar que eles estavam vendo um momento diferente da vida de Law, onde tal Cora se tornou a pessoa com o qual Law se sentia seguro, eles podiam notar que Law começou a voltar a ser uma criança, e que a partir do que eles sabiam, foi o momento em que ele teve o impulso que precisava para se tornar uma pessoa boa – se tornar a pessoa que eles conheceram em Punk Hazard.

Eles estavam curiosos sobre quem é aquele homem, Cora, realmente era. Luffy mesmo havia demonstrado grande admiração por ele, mesmo sem nunca tê-lo conhecido, e ele claramente tinha uma grande importância para a Law, como eles mesmos podiam ver.

"Você viu Corazon?"

"Ele não está aqui no momento, mas eu acredito que amanhã ele vai estar, mas eu estou aqui para lhe fazer companhia enquanto nosso pequeno médico descansa um pouco. Está tudo bem?"

"Sim."

Simples e direto.

Essa foi a observação de Chopper, algo muito raro em uma criança dessa idade, mas desde quando alguém que se alie a Luffy pode ser considerado normal?

Apesar disso, Chopper estava relutante em sair, mas Robin também estava certa, ele realmente precisava dormir, afinal de contas, uma vez que Law estava ficando mais velho como o passar do tempo aquela estranha doença também estava piorando , e desde então ele passou a maior parte de seu tempo tentando entender o que assolava o pequeno corpo de Law.

"Chopper? Você não estava indo descansar?"

"Hn? Sim, claro!"

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Finalmente, ela estava lá, sozinha com Law.

Robin via isso como uma oportunidade de realmente falar com ele pela primeira vez.

Ela sentiu tipo de parentesco com ele, por alguma razão, ela sentiu que eles compartilhavam tragédias semelhantes na vida.

Afinal, é preciso ser um para conhecer um. E ela estava bastante familiarizada com olhos que são muito mais velhos do que o dono, com a maturidade em alguém tão jovem, da desconfiança permanente em todo e qualquer adulto, e com a pequena esperança que insiste em aparecer — a esperança de que alguém, de repente podia aparecer e ajudar, só para ter essa esperança esmagada e outra vez.

Law tem tudo isso e mais um pouco.

Como ela sabe?

Quando ela perdeu tudo, ela estava completamente sozinha, e por anos ela pensou que não poderia existir nada mais terrível do que isso. Mas o tempo mostrou-lhe que há algo pior, afinal, ela era apenas uma adolescente quando ela começou a trabalhar com Crocodile.

Mas, por mais frio que ele pudesse ser, ele ainda tinha algum tipo de limite moral, que, até mesmo alguém como ele não iria atravessar. Mas depois de ver Dressrosa, depois de saber o que um homem como Doflamingo era capaz, ela mudou a forma como ela viu Law, porque ele estava sozinho com aquele homem, e nada de bom pode vir disso.

"Você está mentindo, não está?"

Lei interrompeu seus pensamentos.

"Como você sabe?"

"Cora-san esta sempre comigo, ele nunca saiu do meu lado desde o momento em que fugimos de Doflamingo."

"E por que você está me contando isso?"

"Porque Cora-san não está aqui. Então isso significa que Doflamingo nos encontrou, e você está aqui para fingir que está tudo bem e tentar me enganar."

Robin ficou quieta. Law era um garoto inteligente, mas ele ainda era um garoto, e como tal ele acabaria soltando algumas informações, mesmo ele não querendo.

"Você está desperdiçando seu tempo. Volte para Doffy e diz para ele que eu estou morrendo, eu sou inútil agora. Que, se ele quer alguém para brincar, ele pode se divertir ir com a Baby 5, ela vai adorar."

Havia tanta informação em sua voz.

Ela notou a amargura quando ele falou sobre o fato de que ele estava morrendo, ela notou o nojo quando disse que "brincar" e ela também notou algo mesquinho, tentando soar como uma vingança, mas soando infantil quando ele disse que Baby 5 adoraria estar o em seu lugar como o tal "brinquedo".

Estava tudo errado de tantas maneiras.

Mas tudo aquilo trazia um pouco de esclarecimento do porque Law é do jeito que ele é, e porque suas ações eram tão confusas quando eles chegaram a Dressrosa .

Mas ela não iria se precipitar em tirar conclusões, pelo o que ela sabe, o Law na frente dela, era estava fugindo de Doflamingo, e que apesar de tudo , sabia que tinha alguém que se importava com ele, que iria protegê-lo. Então ela perguntou a si mesma, ela devia interpretar o seu papel de mensageira do Doflamingo, ou permanecer fiel e tentar explicar a situação para ele?

Ela sentou-se na cama, ao lado de Law e calmamente começou a explicar.

"Eu não trabalho para Doflamingo e eu nunca vou trabalhar. Eu não tenho todas as respostas, mas uma coisa eu posso assegurá-lo ... Ele não vai vir atrás de você enquanto você aqui com a gente."

"Mas você sabe quando Cora vai voltar?"

Esse foi o momento de mais dificil, ela se viu incapaz de lhe dizer a verdade.

Cora estava morto, na verdade, ele morreu há muito tempo atrás, provavelmente na época em que a idade de Law representa agora.

Se eles estiverem corretos em suas premissas, não importa se ela mentir ou disser-lhe-lhe a verdade, quando Law acordar no dia seguinte, um ano mais velho, ele iria esquecer tudo.

O corpo estava protegendo a si mesmo e as suas lembranças originais, eles não poderiam dar a Law uma infância melhor, pois mesmo se eles conseguem fazê-lo feliz, ele iria esquecer tudo, e os esforços de todos seria para nada.

Mas isso não significava que eles ficariam sentados sem fazer isso, Robin jamais conseguiria fazer isso e ela tinha certeza que os demais também pensavam assim.

"Ele estará aqui amanhã, o mais tardar depois de amanhã. Ele está sendo cuidadoso, para que ele não chame a atenção para você."

Law não pareceu feliz, mas pelo menos ele estava satisfeito com a resposta.

Ela queria continuar com suas perguntas, ela queria que ele ficasse focado nela, mas depois de saber que Cora não chegaria, Law simplesmente escondeu-se dentro de sua própria mente e não parecia que ele queria sair de lá tão cedo.

Mas não foi tudo em vão, ela acreditava que ela conseguiria pegar um monte de peças e até o final de tudo isso, ela iria entender melhor o quebra-cabeça que Law é.

Talvez não fosse a coisa certa ir bisbilhotando no passado de alguém, afinal, ela nunca disse a seus amigos todo o seu passado, porque ela sempre soube que certas coisas não dever ser ditas ou lembradas, mas alguém os colocou naquela situação e como eles poderiam ajudar se não entendessem?

A verdade é que por mais errado que seja para bisbilhotar o passado de Law, ela não podia ajudar a si mesma, não quando a ferida estava na frente dela, e não quando ela se identificava tanto com estas.

Mesmo assim ela decidiu esperar, ela tinha certeza de que ela teria tempo suficiente e apesar de colocar em si mesma a limitação de não questioná-lo diretamente, ela sabia que alguns esqueletos não podiam ficar sempre trancados no armário.

Ela aproximou-se dele, e vendo que Law não se afastou, ela começou a fazer cafuné em seus cabelos negros.

Um pequeno gesto de carinho.

Mas ela sabia que esse tipo de coisa era necessária, era um conforto para o coração e a alma de qualquer criança que está com medo e sozinha no mundo.

Notas finais
Que melodrama...mas ainda vai ter mais! Espero que gostem!