Era perturbador como de um dia para o outro, a enfermaria tornou-se a casa de Law.

Portanto, era natural que eles começassem a revezar quem ficaria com Law — Chopper, Robin e às vezes Sanji.

Usopp, Brook e Franky ficaram de fora, mas não porque eles não se importavam — todos passaram por lá, pelo menos uma vez, para ver se estava tudo bem — é só que eles simplesmente não sabiam como lidar com a situação.

Luffy por sua vez, mostrou uma postura muito madura, e mesmo sem dizer uma palavra a eles, tinha deixado claro que ele não queria expor a situação de Law.

Chopper foi a única pessoa com quem Luffy tinha falado sobre o assunto, e palavras preocupadas dele não soaram como uma ordem, mas como um pedido, um desejo que Chopper havia interpretado como — se possível, manter o que acontece na enfermaria na enfermaria .

E eles obedeceram.

Zoro havia decidido por conta própria que não iria interferir. Era a sua política para qualquer um deles, e não seria diferente agora. Quanto a Nami, às vezes ela ajudava, mas ela estava mais focada em mantê-los no caminho certo.

O quanto antes eles alcançarem os Piratas do Coração, melhor.

Mas foi durante uma dessas poucas vezes que Nami havia parado por lá para que Chopper pudesse comer, que o inesperado aconteceu.

Law estava dormindo tranquilamente, sua respiração um pouco melhor — uma vez que para diminuir seu sofrimento, Chopper lhe tinha dado uma enorme dose de analgésicos, e alguns dos efeitos era que Law literalmente dormia o tempo todo.

Isso foi até aquele momento.

Nami estava lendo um livro enquanto está sentada em uma das cadeiras, calmamente passando o tempo, quando ela deu uma olhada em Law — o que ela viu a deixou sem palavras ou ações.

Tinha sangue saindo do nariz de Law, em seguida, apareceu um pequeno corte em sua testa e ele começou a sangrar, seu rosto começou a ficar vermelho e em alguns lugares até roxo.

Ela se aproximou dele, mas não sabia o que fazer, ela tinha medo de deixar por isso e de alguma forma aquilo ficar pior, mas ela também sabia que ela era incapaz de ajudá-lo, então ela gritou pedindo ajuda.

O problema era que a Law logo a seguiu e começou a gritar também. Era um grito aterrorizante cheio de dor e tristeza. Law, em seguida, começou a se debater e algumas partes de seu rosto começou a inchar, marcas da mão começaram a aparecer em seus pulsos e no meio de gritos, ele chorava compulsivamente.

Preso em seu próprio transe, ela sequer ouviu a porta ser aberta. Chopper e Luffy entraram, indo direto para Law como se houvesse mais ninguém na sala, Nami por sua vez sequer se assustou quando Robin silenciosamente colocou a mão em ombro dela, orientando-a para a cozinha.

Lá ela encontrou o resto da tripulação em um silêncio desconfortável, todos tentando ignorar os gritos vindos da enfermaria.

Nenhum comentário foi feito até Luffy retornar.

Quando Luffy chegou, Zoro foi o primeiro a dizer alguma coisa, sua voz calma, séria, obviamente tentando ser o pilar emocional para o resto deles.

"Então, eu acredito que o tal Cora morreu hoje. Estou certo?"

"Esta."

"Portanto, agora estamos completamente cegos sobre o que vai acontecer?"

"Sim. Mas tudo vai ficar bem, Torao é um cara muito forte! Shihiihi"

O sorriso de Luffy era contagiante. Era bobo e fora de lugar mas que trazia normalidade para eles, e para Zoro, era mais do que suficiente para voltar à sua rotina.

"Bem, o que aconteceu, aconteceu, ele sobreviveu uma vez, ele vai sobreviver de novo."

"Hey! Onde você pensa que está indo, Marimo?"

"Eu estou indo treinar."

"Você é cego, surdo ou ambos? Você não pode mostrar um pouco mais de compaixão?"

"Não há nada que possamos fazer, Cozinheiro de Merda! Ficar aqui se lamentando não vai ajudar o garoto nem qualquer um de nós. Então, vamos deixar Chopper fazer o trabalho dele, ele é o que mais pode ajudar Law. O resto de nós deve manter o foco em nossas funções neste navio, seremos muito mais úteis mantendo este navio em curso. "

Pelo olhar de Sanji, ficou claro que ele queria reclamar, mas o que mais eles poderiam fazer?

Zoro estava certo, afinal.

Como eles poderiam ajudar, se eles sequer sabem por onde começar?

Eles poderiam, pelo menos, ficar fora do caminho e não atrapalhar, e estarem prontos para ajudar se fosse necessário, mas isso era tudo.

Depois de dizer isso, Zoro saiu, mas os gritos não.

Era desconfortável.

O navio foi sempre tão feliz, sempre com música, comida, e risadas. Mesmo nos dias mais tristes, eles sempre poderiam voltar para o navio e achar ali paz e felicidade, nenhum deles estavam acostumados a isso, ainda mais quando se trata de uma criança.

Ele estava afetando-os, até mesmo Luffy, sempre tão pateta e otimista, estava perdendo a paciência.

Ele nunca lidou muito bem com outras pessoas chorando.

Sempre recorrendo a uma piada, um grande "Cale a boca", ou mesmo balançando a outra pessoa enquanto chorava também.

Mas Luffy sabia que ele não podia fazer isso com Lawi.

Luffy deu o seu maior sorriso para eles.

Não era um sorriso completamente falso, ele era bom em encontrar um motivo para sorrir, mas ele estava fazendo isso para fazê-los se sentirem melhor, e vê-los voltando para a rotina diária mostrou-lhe que ele conseguiu, e isso o fez feliz então porque não sorrir?

Era natural.

Não era lógico, nem planejado, sua intuição nunca o deixou na mão.

Mas, há sempre um mas, apesar do que ele disse aos seus amigos, ele tinha escutado Torao muito bem em Dressrosa, ele ouviu a sua história, ouviu sua sofrimento e raiva, sentiu a profunda tristeza que Torao sentiu.

Ele não precisa de nenhum Haki para saber que para Torao, revelar parte de seu passado, foi realmente uma grande coisa, um grande passo.

Ele se sentiu especial ao saber que Torao confiava nele a esse ponto — era um bom sinal, ele poderia ajuda-lo, poderia alcança-lo, até pedir-lhe para se juntar a sua tripulação depois de tudo isso.

Mas Luffy também notou como Law deliberadamente havia omitido algumas coisas, porque ele não teve tempo suficiente para contar e porque ele simplesmente não queria Luffy soubesse.

Ele entendeu razões de Law, eles são capitães de uma tripulação de piratas, ele sabia que ele não queria que a Marinha ou outros piratas soubessem como ele ficou após a morte de seu irmão. Ele não queria nem mesmo que os seus nakamas soubessem.

Mas Torao tinha visto, ele tinha visto tudo, e isso o fez desejar que Torao também mostrasse para ele o que tanto o machucou.

Ele havia visto a Família Donquixote, e viu Doflamingo — um bando de malucos — ele viu como eles admiravam, mas também como eles temiam o homem, mesmo assim, o medo deles era diferente do medo de Torao. Era tudo diferente, até mesmo no jeito como Doflamingo olhava para Torao. Era um olhar que ele jamais se esqueceria, um que ele nunca tinha visto antes.

Aquele olhar no rosto de Doflamingo o fez lembrar de Hancock, de quando ela lhe contou sobre Mariejois, sobre os Dragões Celestiais, sobre o que aconteceu com ela e porque ela escondia a marca em suas costas, porque ela sentia tanta vergonha e dor por causa daquilo. E Doflamingo erai um Dragão Celestial, disso Luffy sabia, o que ele não sabia era o que Torao era para Doflamingo.

Fosse o que fosse, uma coisa que ele não podia negar — quando em Dressrosa, todos os seus instintos gritavam para ele quando viu aquele homem se aproximar de Torao. Não era a violência, não era os tiros, era o homem — tão grande e tão impotente e Torao indefeso — sua intuição lhe dizia que ele precisava sair de lá e levar Torao para longe do alcance daquele homem, o mais longe que ele conseguisse.

Ele sentia que havia algo muito errado naquele homem-pássaro.

A partir daquele momento, tudo teve outro significado para ele.

Em Dressrosa, Torao estava lutando contra um inimigo invisível, contra suas lembranças, e mais do que isso, Torao era seu amigo, então ele ficou lá junto dele — ele sempre lutou e sangrou pelos seus amigos — e sendo assim, ele ficaria ao lado de Torao agora também, ele iria ajudar Torao outra vez, ele estava preparado para isso, Torao o tinha visto em seu pior momento e ele iria apoiá-lo no seu.

Isso porque ele sabia que ao final de tudo isso eles teriam uma grande festa com bebidas, comidas e um monte de carne, Torao iria ficar bem, porque não há ninguém que não se cure depois de uma boa festa com os piratas do Chapéu de Palha.

Notas finais
Esse foi um capitulo simples. Tentei manter a ingenuidade de Luffy diante da situação, mas sem faze-lo totalmente sem noção da gravidade de tudo. Deu certo? Vou postar o próximo capitulo ainda essa semana, fique no aguardo!