Minha vida nas mãos Dele....
20 Desafiando o Deus menor da Guerra.
Notas iniciais
Acordei da melhor noite de sono que já tive. Pela primeira vez, Khali e eu havíamos feito amor. Pelo menos era assim que me sentia. Ele me olhava como se fosse a coisa mais frágil do mundo. Deuses, o amava tanto que me faltava o ar. Ele não estava na cama. Deduzi que deveria estar na cozinha, ou vendo "tv". Tomei um banho demorado, eram por volta das dez horas da manhã. pela primeira vez em anos, desci as escadas sorrindo.
Ele não estava lá, olhei no jardim, nada. Meu coração apertou quando notei que sua moto não estava estacionada na frente de casa. "Calma Anne. Ele deve ter ido resolver alguma coisa, antes que você note, ele vai estar de volta." Pensei tentando acalmar essa bomba que tinha no peito.
Fui pra cozinha, estava tão feliz que resolvi tomar um suco. O café não seria necessário hoje! As nuvens cinza e o vento frio anunciavam a chegada do inverno. Tomei meu café da manhã na varanda, queria respirar o ar frio do inicio da estação que mais gostava.
Ouvi meu celular tocar e corri pra atender.
–Bom dia! — disse transbordando toda minha empolgação.
–Eita porra! Bateu a cabeça no rodapé Anne? — Dylan ironizava do outro lado da linha.
– O que foi? Não posso acordar feliz? — perguntei rindo.
–Poder até pode, só não é algo se vê todo dia! Esperava ser xingado por ligar cedo num sábado de manhã! Já tinha até uma piada pronta! — Fingia uma voz de frustração.
– Foi mal gato, hoje nem você estraga meu dia! — gargalhei.
– Que seja, liguei pra saber o que tem pra comer na sua casa? To com saudade da sua comida!- Era assim quase todo sábado. Ele me ligava só pra avisar que vinha almoçar comigo. — Sem falar que to com saudade da minha amiga. Aquele "K" monopolizou você mesmo hein?!?
– Ele saiu cedo... To pensando em fazer aquele frango assado especial...
–Chego em 10 minutos!! — o viado desligou na minha cara! Coloquei o telefone em cima da mesa e fui começar a preparar o almoço.
Dez minutos depois ele chegou trazendo uma garrafa de rum. Por volta do meio dia, a garrafa havia acabado e o frango exalava aquele cheiro especial de fim de semana. Uma musica lenta tocava e Dylan me tirou pra dançar no meio da cozinha.
– Então, como vão as coisas com Khali?
– Caminhando... — respondi corando — A cada dia ele me surpreende mais.
– Você ta mesmo apaixonada néh? — me girou .
– Muito. — Respondi encostando novamente a cabeça em seu peito. Foi com Dylan que dancei no meu primeiro baile escolar, eu não tinha par e ele foi me buscar de limusine. Lembro-me que todas as garotas estavam se mordendo de ódio e inveja! Naquele ano fui a única a ser acompanhada por alguém mais velho.
– As coisas mudaram desde a ultima vez que dançamos assim não é? — concordei .- Se me lembro bem , você era tímida, não falava palavrão,dependia de todo mundo, ainda não tinha beijado ninguém, estava bem depressiva por causa da morte da Tia Mia. E eu era o cara popular, capitão do time de futebol, brigava com qualquer um que tentava encher seu saco.- ri com a memória. — Olhe pra a gente agora. Você se recuperou da morte da sua mãe, aprendeu a falar palavrão, se mantém sozinha , encontrou um cara legal, a única coisa que continua igual é sua altura. — dei-lhe um tapa no ombro. — Eu deixei o futebol, vou ser pai, vou casar e cresci bastante. — gargalhamos ainda dançando.
– Sim, as coisas mudaram bastante. Ainda sinto falta dela, mas percebi que ela não ia gostar de me ver triste. E nem acredito que você vai casar! — A musica acabou e depositou um beijo estalado na minha testa.
– Agora diga onde você guardou a vodca?
– Na estante da tv. — Ele foi buscar a bebida e eu voltei a me concentrar na salada de maionese.
– Por que cê guardou aquela foto do dia que fomos à cachoeira? — questionou entregando-me o porta retratos vazio.
– Eu não guardei essa foto. Dylan ela estava ai ontem à noite. — "Oh não"– Khali...
Agora tudo faz sentido, todo aquele carinho, toda aquela delicadeza. Ele estava se despedindo. " O que pensou sua idiota? Que vocês iam viver 'felizes para sempre' como num conto de fadas?" Encostei-me no balcão cozinha, Dylan me olhava preocupado. Era bom demais pra ser verdade. "Anne, essas coisas não existem! Você deveria saber, você deveria ter notado que ele estava dizendo Adeus!"
–Anne, você ta bem?
– To sim.
–Garota, você ta chorando! — não havia notado. — O que aconteceu?
–E-ele se foi... — Consegui dizer em voz alta. Abracei meu amigo como se o mundo fosse acabar naquele momento. — Ele se foi!!!
Passei o resto da tarde ali. Destruída, deitada em seu colo, ouvia Dylan dizer que tudo ficaria bem, que eu provavelmente estava exagerando. Estava mais calma depois de algumas doses de vodca pura. Olhava o porta retrato me questionando o porquê dele ter levado a foto.
Eram por volta das cinco da tarde quando bateram na porta ascendendo uma pontinha de esperança. Como eu estava num estado deplorável, Dylan foi atender.
– Posso ajudar? — o ouvi perguntando, é definitivamente não era Khali .
–Me chamo Teutates. Procuro por uma humana que atende pelo nome de Anne... — aquela voz, era a mesma voz do sonho.
– Desculpa brother ela não — não escutei Dylan completar a frase, ao invés disso, escutei um baque como se algo grande fosse arremessado longe e um gemido de dor. Levantei da cadeira pegando um cutelo que estava sobre a pia e corri para a sala.
– Quem pensa que é pra invadir a casa dos outros e machucar meu amigo? — Gritei com o homem que estava no meio do cômodo, era baixo, não passava de 1,70 cm de altura, tinha os cabelos castanhos e olhos que emanavam um brilho púrpura. Dylan estava caído perto da escada e gemia de dor.
–Corra baixinha. Esse cara não é normal! — mesmo machucado ele ainda tentava me proteger.
– Você é uma garotinha muito inconveniente pro seu tamanho. — Teutates me olhava de cima a baixo com cara de nojo. Viu a arma na minha mão. — Achas que podes me ferir com isso? Khaliadranosh não te ensinou que armas humanas não podem ferir um deus? — Ria enquanto falava. Precisava achar um meio de impedir que aquela coisa machucasse meu amigo, eu tinha me colocado nessa situação, eu assumi o risco de me fuder de verde e amarelo quando comprei a Last Umbra.
– O deixe fora disso Teutates. — larguei o cutelo no chão. — Seu problema é comigo.
– Menina corajosa. — Arqueou uma sobrancelha.
– Por que achas que Khaliadranosh não me matou quando teve a chance? — usei todo meu cinismo.
– Faz sentido. — deu de ombros. Olhou pra Dylan que tinha uma expressão de confusão misturada a dor. — Sinto o cheiro daquele verme em você. Diga-me ele a marcou? — Ri sarcasticamente.
– Isso faz alguma diferença? — franziu o cenho. — Ele não esta mais aqui. Partiu pela manhã. — disse tentando parecer indiferente.
– Na verdade criança, o fato de ele não estar aqui, só torna as coisas mais interessantes. — Vi quando ele se abaixou próximo a Dylan. — Jovem rapaz, dê um recado ao Khaliadranosh por mim? — antes que pudesse ouvir o que ele disse tudo ficou escuro.
Me sentia enjoada, meu corpo doía, tentei mover meus braços e notei que estavam presos acima da minha cabeça. Meus pés não tocavam o chão, abri os olhos com dificuldade, o lugar estava parcialmente iluminado por algumas velas, o cheiro era horrível, mesmo com a visão embaçada tive ciência de que estava em uma espécie de cela.
– Finalmente acordou. — ouvi a voz daquele miserável atrás de mim. Senti um frio na barriga.- Você não sabe o trabalho que deu pra conseguir me livrar daquele verme. — falou rasgando a parte detrás da camisa que eu usava. "Isso não é bom."– Dai você vem e liberta-o! Vou matá-la, mas antes, vou fazer você gritar e implorar pra que ele venha salvar-te. — Sussurrou a ultima parte no meu ouvido.
– Foi você não foi? — eu ri. — Você matou Lanellus. — conclui rindo alto. Ouvi quando a respiração dele passou de calma à agitada e descompassada.
Senti quando o chicote tocou violentamente minhas costas, doía como o inferno, achei que minha pela tinha rasgado. Lagrimas de dor escorriam dos meus olhos cerrados. Segurei um grito de dor na garganta. "Não vai me ouvir gritar seu filho da puta!." pensei enquanto esperava o próximo golpe que não demorou muito a chegar.
–Tive que matar minha própria irmã para convencê-los de quê Khaliadranosh não merecia ser um Deus! — "Depois falavam que Khali era louco!" pensei. — E você sua humana imunda, o libertou! — desferiu mais uma chicotada. Gargalhei.
– Deve ter sido foda pra você não é? — era difícil falar, meu corpo tremia de dor e medo. Sangue escorria dos meus pulsos que carregavam todo o peso do meu corpo. — Mesmo sendo um Deus da guerra, Khaliadranosh era e é melhor em tudo! Coitadinho, não podia derrotá-lo feito homem então, matou a própria irmã! Dá-me asco! — cuspi.
– Vai pagar caro por isso sua cadela.
Perdi as contas de quantas vezes aquela merda me acertou, tinha uma poça de sangue abaixo de mim, senti quando um dos meus ombros deslocou. Ja não sentia tanta dor, meu corpo estava dormente, tudo na sala girava, tinha sede, muita sede. Minha força era insuficiente pra levantar a cabeça, tudo a minha frente era um grande borrão. Ha quanto tempo estava ali? Teutates era criativo, quando cansou do chicote, passou a bater em mim com as mão. Abriu cortes profundos com uma faca. Ele queria me ouvir gritar e eu me recusava a dar esse prazer à ele.
Estava tão fraca, acredito que não me reconheceria se me olhasse num espelho agora.Minha respiração estava falha, sentia falta de um ou dois dentes, e volta e meia cuspia sangue."Então, essa é sensação de estar perto da morte?." Lembrei do ultimo domingo, quando acordei depois da confusão e vi Khali Dylan e Tanaka bebendo e conversando na minha cozinha.Todos tão felizes." Vou sentir saudades de vocês. Por favor não fiquem tristes." uma ultima lagrima caiu dos meus olhos enquanto mergulhava no silencio e na escuridão.
Fale com o autor