Minha vida em suas mãos. Spemily
8 8 - O destino se faz presente - part 2
Notas iniciais
A noite estava chegando, cada minuto parecia mais frio dentro daquela cabana no meio da floresta, resolveu acender a lareira para tentar esquentar o local que estava "congelando". Pegou alguns tocos de madeira e colocou na lareira e á acendeu. As chamas logo se fizeram maior, e o frio foi cessando um pouco, deixando o ambiente um pouco mais agradável, mas não totalmente. Havia colocado música para tocar, no seu pen- drive, num rádio portátil que trouxera de sua casa, músicas selecionadas, a maioria delas calmas para se concentrar, quando de repente ouviu um barulho do lado de fora, deu um pulo com o susto, parou o que estava fazendo, colocando seu lápis na mesa e abaixou o volume, e foi em direção á janela da sala, afastou a cortina que a cobria, e olhou para fora procurando de onde vinha o barulho, mas nada viu, então concluiu que devia ser apenas coisa da sua cabeça, ou algum animal que passava por ali, afinal era uma floresta, deviam haver vários animais dentro da floresta e passando por ali.
Resolveu parar o trabalho já estava muito tarde, e ainda um pouco frio e resolveu fazer um chá para relaxar e descansar, e foi para a cozinha. Revirou os armários, pegou o bule de chá encheu- o de água e pôs no fogo, e se virou para a pia, foi quando avistou um vulto, e começou a ficar assustada. Viu que o vulto havia ido para o lado direito da cabana, se movendo devagar. Com passos rápidos se direcionou para a janela que havia ali do lodo direito da cozinha, se realmente não fosse uma projeção de sua mente veria imediatamente. Foi até lá e afastou a cortina, aquele local não era coberto por árvores e a luz da lua se fazia presente iluminando o local, deixando á vista dela tudo que ali havia, e pode ver algo que a deixou paralisada, horrorizada, logo morrendo de medo.
Do lado de fora havia um homem de aproximadamente dois metros de altura, ombros monstruosamente largos, o rosto tinha uma expressão medonha, era um olhar maníaco, os olhos arregalados e um leve sorriso no canto da boca. — "Quem sorriria daquela forma com sangue escorrendo no rosto se não um maníaco" — pensou ela. Possuía um machado em uma das mãos, estava totalmente coberto de sangue, tão banhado de sangue, que esse ainda pingava do machado, de sua roupa e de seu rosto em direção ao chão, deixando uma trilha vermelha sobre o manto branco de neve por onde pisava, ele andava em direção a porta da frente, tinha o andar firme e lento. Ele não havia percebido que Emily o observava.
Após o choque, Emily só pensou em uma coisa. Fugir. Pela primeira vez na vida se lamentou por estar fora de contato com o mundo todo, sem sinal no celular não poderia pedir ajuda, e nem se conseguisse ninguém chegaria a tempo de salva- la, longe da civilização. O homem estava perto demais, á alguns metros da entrada da frente, e ela sabia que de nada adiantaria trancar todas as portas, pois um homem daquele tamanho, com aquele machado, quebraria facilmente em um só golpe a porta, e ela seria pega por aquele maníaco do machado que sabe lá o que faria primeiro com ela, mas de um coisa ela tinha certeza, ele a mataria se ela ficasse ali parada.
O carro estava na lateral contraria da cabana, onde havia um quarto, que tinha uma janela sem grades que lhe daria mais chances de chegar mais rapidamente até o seu automóvel e fugir dali, e no momento que conseguisse algum sinal pediria ajuda. Então pegou o celular e enfiou no bolso de sua jaqueta, e depois pegou a chave do carro, (ambos objetos se encontravam no balcão da cozinha — felizmente) e se dirigiu ao quarto, abriu lentamente a janela e pulou para fora da cabana. Mas logo que avistou o carro, ficou sem reação, paralisada novamente.
Os pneus do carro estavam todos com enormes cortes — que com certeza haviam sido feitos pelo machado do maníaco -, alguns golpes haviam acertado as calotas do carro, e deviam ter sido dali que vieram os barulhos que á assustou á momentos antes. Então agora sua última e única solução era correr. E foi o que começou a fazer, mas em um momento de total distração olhou para trás á procura do louco, e acabou esbarrando em um latão que havia ao lado do carro, o objeto foi ao chão provocando um barulho estrondoso devido o silêncio natural da floresta.
Olhou totalmente assustada para o objeto derrubado arregalando os olhos e se desesperando, e em milésimos de segundos se virou e seus olhos foram de encontro á dois vidros negros sangrentos que á fitava, o "monstro" respirava pesadamente, fazendo um movimento de sobe e desce no peitoral sangrento, devia ter corrido para ver de onde viera o barulho, e encontrou sua "presa" o fitando fixamente, totalmente horrorizada, com um medo iminente em cada terminação nervosa de seu corpo, se fitaram por 3 segundos longos, que mais pareceram horas.
– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhh — Rugiu tão altamente o maníaco que á quilômetros poderia ser ouvido, rindo logo em seguida
Emily arregalou os olhos ainda mais quando ouviu o rugido e vendo o louco começar a vir em passos leves e logo aumentando a velocidade em sua direção, estavam á pouco mais de cinco metros de distância, o que deu vantagem á ela de ter tempo para poder reagir e começar á fugir. E assim começou a perseguição. Emily corria desesperadamente, não tinha forças para gritar, os pulmões só se dedicavam á sua respiração totalmente desregulada, assim não havia espaço para gritar, corria pulando árvores caídas, valas, poças d'água congeladas, não sabia de onde estava conseguindo arranjar tanta velocidade, o maníaco vinha logo atrás dela, todo desconjuntado, por ter uma estrutura enorme, e por um momento de sorte, milagre ou sabe- se lá o que foi aquilo, o louco foi ao chão, e logo se levantou, foi algo muito rápido um flash, mas deu mais vantagem á ela que com á distração dele que olhou para o chão á procura do machado, virou para outro lado e continuou correndo, e após alguns minutos de corrida percebeu que não havia mais ninguém atrás dela, e olhou para trás sem diminuir a velocidade tentando enxergar algo em meio á escuridão presente, devido as árvores cheias e acabou derrapando em meio ás árvores.
Não era muito alto, cerca de três á quatro metros de decida, mas foi rolando e entre os rolamentos pode ver que estava numa estrada, e colidiu com o chão em frações de segundos, se levantou viu um carro, não mediu consequências e entrou na frente, para chamar atenção, mas foi o maior erro que cometeu em sua vida.
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P.O.V Hanna on
Passei o dia todo no shopping com Mike, fazendo compras, mas principalmente companhia á meu namorado. Adorava ficar bastante tempo com ele, pois durante a semana, me dedicava as minhas aulas da faculdade, e o que nos sobra são alguns poucos momentos depois das aulas e fins de semana que nem eram todos, eu venho até o apartamento dele para ficarmos juntos, não era de todo um mal, pois assim nós dois tínhamos tempo de sentir saudade, e não enjoar um do outro, tínhamos também nossas próprias vidas, amigos, famílias, e com a distância estávamos preservando todos eles, cada um tendo o tempo que precisa sem se sentir sufocado.
Eu não conhecia a família dele, um namoro de três meses, tão recente e tão bom, que nem eu e nem ele queríamos que nada atrapalhasse. querendo ou não a família de alguma forma sempre faz isso, ou não aprovariam por ele ser mais novo, ou os parentes dele falarem que eu não servia para ele, pois não trabalhava, ou porque perdi muito tempo fora da faculdade, preconceitos banais, e eu sabia que alguém arranjaria alguma coisa para falar de mim ou dele. Então concordamos com deixar o tempo rolar e só quando fosse extremamente necessário, conheceríamos os pais, um do outro.
A noite chegou e como combinado fomos pra boate junto com alguns amigos, estávamos bebendo e dançando, e por um momento me senti de um jeito totalmente desconfortável, uma coisa muito ruim, que eu não sabia explicar, um pressentimento ruim, olhei no celular esperando encontrar algo, mas não tinha nenhuma mensagem, ligação, nada, conclui que era apenas coisa da minha cabeça, não costumava ter pressentimentos, mas sempre que sentia que alguma coisa aconteceria — nada acontecia. Botei o celular de volta no bolso e voltei a me divertir, ignorando totalmente minha sensação boba, a noite tinha tudo pra ser ótima.
P.O.V Hanna off
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P.O.V Spencer on
Vi pelo retrovisor do carro tudo que acabara de ocorrer em curtos segundos, e fiquei aliviada tanto por Toby ter parado de me seguir, quanto por não ter sofrido nenhum acidente. Eu me culparia pelo resto da vida se isso tivesse acontecido.
Precisava espairecer, longe de tudo e de todos, não iria para mina casa, pois lá seria o primeiro lugar que ele me procuraria, não iria á casa de nenhum outro amigo do trabalho, ou da cidade, pois não tinha com mais ninguém tanta intimidade para lhes bater na porta chorando por um término. Aria devia estar com Ezra e também não queria mais aborrecer minha amiga com meus problemas. Então decidi apenas ficar andando de carro sem rumo nenhum, sem um destino planejado, só fui indo para fora da cidade em uma estrada no meio de uma floresta, um lugar calmo e deserto, precisava dessa calma mais que tudo, minha cabeça estava a mil.
A estrada era toda rodeada por milhares de árvores, nascidas numa terra inclinada, que se encontravam no topo, formando um tipo de túnel natural branco, coberto de neve, a iluminação se dispunha apenas pelo luar que chegava á estrada passando em meio as folhas daquele túnel. Dirigia numa velocidade agora moderada, sabendo que ali ele jamais me encontraria, e pensava em como tinha sido a conversa a uma hora atrás. Esperava quaisquer outras reações dele, menos aquela, sendo agressivo. Esperava choro, inconformidade, até mesmo gritos, mas agressão jamais. Ele me apertando, me machucando, como ele jamais havia feito, jamais imaginaria que ele faria, ele parecia possuído por algo muito ruim, seus olhos estavam totalmente demonizados, em chamas e sangue. O que teria acontecido se eu tivesse ficado ali? Ah, eu não queria nem pensar, podia ter sido pior, muito pior.
P.O.V Spencer off
Pôs- se a chorar mais ainda com todos aqueles pensamentos. A estrada estava ficando escorregadia, mas ela estava tão fora de si que nem ao menos percebeu. A estrada era calma e deserta, apenas em linha reta á quilômetros. Até que uma curva um pouco estreita começou a se formar, e ela ia tentando diminuir a velocidade, mas estava difícil, pois só agora havia se dado conta que a pista estava escorregadia, mas conseguiu de alguma forma sem explicação fazer a curva, deslizando um pouco o carro e quando acabou, fechou por um segundo os olhos, aliviada por ter feito a curva, foi quando percebeu uma pessoa caindo em meio as árvores, chegando ao chão e rapidamente se levantando e indo de frente para o carro, tentou frear, mais foi impossível devido á pista escorregadia e a distância tão curta, e colidiu com o corpo, jogando- o á alguns metros de distância.
Desesperada, virou todo o volante e freou, fazendo o carro deslizar e ir parando, ficando na direção contraria da pista. Saiu correndo do carro já discando para a emergência, indicando o local e chegando perto da pessoa percebeu que era uma mulher e que ainda estava acordada, mas quase fechando os olhos. Spencer era médica mas em meio aquela situação não sabia o que fazer. Esqueceu- se de todos os anos de estudo, experiência e se ajoelhou no chão, levantando a cabeça da garota e colocando sobre seu colo, percebeu que ela estava tentando falar algo, mas sua respiração estava fraca, mesmo assim conseguiu
– Me... aju... aju..da — a garota dizia pausadamente tentando se manter acordada e respirando
– Ei fique acordada, eu já chamei ajuda, não feche os olhos por favor, fica acordada, vai dar tudo certo — Spencer dizia chorando, desesperada com a garota que vez ou outra fechava os olhos demoradamente
– Me... ajuda, por... por... favor, a min...minha... vida... depen... depende... de você..., está... nas... su... suas..mãos — a garota disse e foi fechando os olhos
A cabeça da morena em seu colo sangrava, ela estava agora completamente desacordada, mas ainda respirava dificilmente, e Spencer ficava mais desesperada ainda com a demora da ambulância que não chegava, e enquanto a ajuda não aparecia ela checou os bolsos da blusa da garota e encontrou o celular dela, pegou- o e logo no mesmo instante em que o fez, a ambulância chegou, então guardou o celular no seu bolso da calça e enquanto levavam a menina para dentro do automóvel, se dirigiu para o seu e o encostou na lateral da estrada rapidamente, nesse momento não ligava mais para bem material nenhum, só queria ajudar ela, pegou sua bolsa e foi para a ambulância, mostrou sua identificação do hospital, que era médica e a deixaram ir como acompanhante e foram á caminho do hospital mais próximo.
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