Minha vida em suas mãos. Spemily

15 15 - Previsão de perigo


Notas iniciais
Olá. Obrigada pelos comentários. Sei que estão loucas para que Emily saia do coma, e está próximo, mas ainda não é esse. Não fiquem chateadas e continuem lendo. Espero que gostem. Contem o que acharam. Boa leitura! ;D

O fim de semana passou tão lentamente, me deixando mais apreensiva a cada segundo, tais me pareciam horas. Cada momento que se aproximava mais de segunda-feira, mais ansiosa eu ficava, e meu coração palpitava ainda mais forte dentro do meu peito, pulsando meu sangue mais rapidamente, e mesmo tendo que deixar meu corpo quente, mais um frio se formava no meu estômago. Depois, dentro daquela eternidade dentro de um único fim de semana, o dia tão esperado chegou. Minhas malas estavam prontas, nelas todo necessário, para pelo menos uma semana. Fui trabalhar logo cedo, mais tensa que nunca. Fiz meu serviço, totalmente distraída, apenas aguardando o fim do meu turno chegar, para finalmente ir para "minha nova casa".

A noite chegou, estava saindo do hospital quando recebi uma mensagem dela

Sms on

Ei, já está pronta?? ;) — H

Estou saindo do hospital agora. Acabei me atrasando, pois um paciente precisou ser operado urgentemente e acabei ficando até agora ;/ — A

Entendi. Que hora posso te buscar então? — H

Eu já chego em casa. Então, daqui uma meia hora, pode ser? — A

– Pode sim. Até daqui a pouco então ;* — H

Sms off

Fui o mais rápido possível para casa. Chegando lá tomei um banho rápido e me troquei, uma roupa casual e confortável. O inverno estava chegando ao fim, dando espaço para a primavera, então o clima de frio intenso de dias e semanas atrás, estava se tornando aos poucos mais quente. Depois de meia hora, nem um minuto a mais, nem um a menos, a campainha tocou, e mais uma vez subiu um frio no meu estômago, levando meu coração até a boca. Minhas mãos já começavam a suar frio. Acho que acabei demorando um pouco, perdida no meu nervosismo, pois novamente a campainha tocou. Balancei a cabeça e fui em direção á porta, sequei minhas mãos no meu casaco, sorri, com a mão no trinco, tentando esconder todo meu desespero.

Finalmente abri a porta. Lá estava ela na minha frente, linda como sempre, os olhos azuis como as Maldiva, tão puros, tão... perfeitos. Veio de encontro á mim me abraçar, e quando nossos corpos se encontraram, e seus braços me envolveram, estremeci no meu próprio eixo, e senti suas mãos me apertarem mais ainda contra si. Retribui o abraço na mesma intensidade e me afastei, logo sorri

– Entra — convidei, meio perdida depois do momento "coração fica quietinho ai dentro"

– Não precisa não — sorriu timidamente, e que sorriso

– Vem, eu só vou pegar minhas coisas

– Eu te ajudo então — me acompanhou pela sala

– Obrigada — me virei e sorri para ela , só então me lembrei — Hanna, e meu carro? Eu tinha me esquecido completamente que vou precisar dele para ir trabalhar — fiz uma careta

– Bom... eu posso te levar e te buscar, o hospital fica no caminho do meu serviço

– Mas eu não quero te incomodar mais do que já estou — sorri de lado

– Aria você não está incomodando ninguém, ok? — veio chegando mais perto e segurou minhas mãos, olhando no fundo dos meus olhos

– É... ok... então — gaguejei. Sua aproximação me deixou ainda mais nervosa, e tudo que vinha á minha cabeça era beija-la, então respondi qualquer coisa que veio a minha mente apenas para evitar mais contanto. Logo me distanciei

– Sua coisas? — perguntou, na intenção de finalmente pegá-las

– Ali. Não sei quanto tempo vou ficar lá, então... — apontei para minhas duas malas

– O tempo que quiser — sorriu e pegou uma delas, e foi indo em direção a porta

Não respondi, só fiquei a observando andar, algo que estava se tornando um abito, o qual eu tinha que largar. Mas era tão difícil não olhá-la, o andar dela era tão sensual, de um jeito que nunca imaginei gostar em uma mulher, porém, eu nem me questionava mais sobre taus pensamentos, já que eu não obteria nem uma resposta. Peguei minha mala e fui colocá-la no carro. Depois de feito, voltei para dentro e apaguei todas as luzes, deixei tudo arrumado e sai em direção a minha nova moradia.

Chegando lá, não tiramos de imediato as coisas do porta-malas, ela pediu para antes me apresentar a casa. Não cogitei, e fui andando atrás de si. Ela abriu a porta, tudo estava quieto e escuro, então a loira acendeu a luz, e pude ver como era bonita a casa dentro, tanto quanto fora. As paredes da sala eram brancas, os móveis em preto, o sofá em um "U" preto, a televisão enorme na parede. Uma lareira em outra parede, do outro lado dava para ver metade da cozinha, a pia em inox, e um balcão no meio, com uma pedra de granito preta. O corrimão das escadas que levavam para o segundo andar, imitavam galhos de árvores, em ferro, pintado em branco. Tudo muito bem detalhado e muito bonito também.

Me mostrou a sala, a cozinha em seguida, que tinha os armários em madeira. Da janela da cozinha era possível ver que lá fora tinha uma piscina, coberta por uma lona azul. Finalmente me levou para o segundo andar onde ficavam os quartos. Eram cinco portas no corredor. A primeira dava em um escritório, que Hanna disse ser de Emily. Tudo lá dentro estava muito bem organizado, três paredes brancas, e uma preta, uma mesa de vidro grande no centro, três cadeiras giratórias, uma atrás da mesa e duas á sua frente. Na parede lateral, um monitor grande preso na parede e abaixo dele, uma mesa inclinada, cheia de projetos arquitetônicos, lápis, réguas, inúmeros objetos. O cômodo todo decorado com quadros de prédios gigantescos e elegantes, outros paisagens, muito belas e exuberantes.

Saímos, e abrimos a próxima porta, era um banheiro grande, todo arrumado, limpo, com cheiro de lavanda, um guarda-toalhas em losango marrom, todo separado em quadrados, cada um com uma toalha, intercaladas, pretas e brancas. Um chuveiro enorme, dentro do box de vidro, e ao lado uma banheira, pouco menor que a da minha casa. Depois de tudo visto, fomos para o próximo, era o quarto de Emily, uma cama king-size toda arrumada, intacta, televisão na parede. Não ficamos muito ali, pois Hanna já parecia se entristecer. O próximo, seria o meu quarto, uma cama queen, televisão, tudo muito arrumado também. E finalmente o que eu mais tinha curiosidade. O quarto de Hanna. Abriu a porta, uma televisão branca na parede, a cama maior que uma king-size, toda projetada, bagunçada em seus lençóis de cetim, e um edredom preto e cinza, e vários travesseiros jogados pela cama e pelo chão. O cheiro de seu perfume amadeirado e doce fresco, me invadindo. Se eu pudesse ter escolhido o quarto, teria escolhido aquele, e com ela junto, pois todos os dois aromas juntos, davam a combinação perfeita. Todos os quartos tinham seu próprio banheiro.

– Só não repara a bagunça. Não sou muito boa em arrumação — fez uma careta fofa sorrindo para mim

– Fique tranquila, não vou reparar — pisquei para ela. Claro que não ia, pois o que eu mais reparava no quarto e na casa toda, era ela.

– Obrigada — sorriu abertamente

Depois de me mostrar tudo, fomos para a cozinha, eu já estava com fome, e ela provavelmente também, pois simplesmente me arrastou para o primeiro andar. Insisti em preparar o jantar, mas ela era teimosa e não deixou, colocou uma lasanha congelada no forno e deixou assando, enquanto isso, pediu que eu pegasse os pratos, talheres e copos, e foi preparar um suco. Depois de pronta, nos servimos da lasanha e do suco de maçã, e comemos, enfim. Depois de muito "discutir" lavei a louça, e fomos para a sala, procuramos algum filme qualquer de comédia e assistimos, depois nos deitamos, cada qual em seu devido quarto. Assim se passou uma semana, tomávamos café, que eu me dispunham a fazer, como gratidão por ela ter sido tão acolhedora comigo, depois íamos para o serviço, Hanna me deixava primeiro no meu e logo em seguida ia para o seu. Quando meu turno acabava, Hanna já estava me esperando, todas as vezes no quarto de Emily, junto com Spencer.

Tudo parecia muito calmo e muito bom, se não fosse por aquela noite.

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O fim de semana havia sido longo. Depois que trouxe Aria para casa, ela pareceu se adaptar muito bem. Chegava até a me irritar, sua insistência em querer arrumar tudo que via pela frente, só para mostrar o quanto agradecida ela estava por eu estar a acolhendo. Eu acordava e o café já estava pronto, a casa arrumada (se fosse o caso ter algo fora do lugar), não me deixava fazer nada. Ela era minha convidada, não minha empregada e eu me sentia sem jeito com toda essa sua gentileza, e até um pouco nervosa, mas nada demais. Todo dia nós tomávamos café juntas, aquele que ela fazia, e quer saber, eu adorava vê-la cozinhando para mim... para nós, era elegante o jeito com que fazia tudo, parecia uma chef, uma chef toda salaz. E eu? Eu me deleitava com a vista, seu movimentos, seus olhares misteriosos.

Eu estava ciente de que era muito errado estar tendo tal reação a ela, mas não era como se eu comandasse meus próprios instintos, meus próprios desejos. Cada dia ela parecia mais bonita, e isso me deixava com uma interrogação na mente. Como seria a textura de seus lábios, o gosto? Me peguei inúmeras vezes fazendo essas perguntas para o nada, enquanto ela comia, e movia lindamente seus lábios, ao mastigar, abrir, e fechar a boca, sorrir. Me repreendia, tentando pensar no meu namorado, e que aquilo era apenas falta dele, e que tais sensações só se davam pelo fato de serem parecidos (apesar de saber que eles não se pareciam em nada, pelo menos fisicamente). Mas eu inventava esse desculpa a mim mesma sempre que me pegava com pensamentos errados.

Como todos os dias, eu a buscava no hospital, para voltar para minha casa, eu a esperava no quarto da Emily, toda vez era uma tristeza a mais no meu coração vê-la lá daquela forma, e não poder fazer nada, e não poder tê-la ao meu lado, como sempre foi. Á quase um mês ela estava ali, sem dar nenhum vestígio de acordar. Aria chegou e logo fomos para casa. No caminho costumávamos conversar, falar amenidades, rir muito, cantar, mas naquele dia foi diferente, eu estava mais triste e isso me impossibilitou de manter uma conversa o mais simples e boba que fosse, e ela pareceu perceber meu estado de melancolia, e respeitou ele. Chegamos a minha casa e a primeira coisa que me pus a fazer foi ir até meu quarto e me sentar na minha cama. Em cima do meu criado-mudo havia uma moldura com uma foto minha e Emily juntas, na qual nos abraçávamos e ríamos como bobas alegres.

Um forte aperto no meu peito se manifestou, e comecei a chorar baixinho. Apertei o pequeno quadro conta meu peito e abaixei minha cabeça, deixando que as lágrimas descessem livremente. Ainda era muito difícil para mim, ter que lidar com a situação da minha amiga. Aliás, nunca seria fácil. Chorei, relembrando os velhos tempos de faculdade, quando saíamos para festas loucas, onde bebíamos, dançávamos e nos divertíamos, até não aguentar mais. Sorri com a memória, mas logo me voltou á tona ela naquela cama de hospital, e qualquer vestígio de felicidade que pudesse ter se prolongado no meu rosto, sumiu, como um cubinho de açúcar dissolve na água, rapidamente e sem deixar que a visão a perceba lá.

Olhei para o teto, tentando sumir com as lágrimas, mas elas insistiram em permanecer ali. Olhei mais uma vez nosso retrato, devolvi-o ao comodo, mas coloquei-o dessa vez virado para baixo. Se eu continuasse a olhando, choraria mais, e eu não suportava mais chorar, todas as noites, era um abito ruim, depressivo. Me levantei e fui para meu banheiro, liguei o chuveiro, deixei a água esquentar, tirei minhas roupas, prendi meu cabelo num coque bagunçado, mas bem preso e me pus debaixo d'água, deixei-a escorrer por meu corpo, na esperança de que ela levasse consigo, toda a tristeza que me possuía. Deixei meu corpo relaxar sob a água quente, me ensaboando e logo me enxaguando. Permaneci cerca de dez minutos á mais, mesmo depois de já limpa, debaixo do chuveiro.

Saí e me enrolei numa toalha. Soltei o cabelo e fui em direção ao meu quarto, peguei qualquer roupa. Uma camiseta larga, uma calça de moletom, e me vesti. Não estava a fim de fazer nada naquela noite, então me limitei a ficar no quarto, e mesmo sem querer, voltei a chorar, mas de uma forma calma, deixando o líquido salgado escorrer lentamente por meu rosto. Me deitei na minha cama, e segurei o colar de meu pescoço entre meus dedos, apertando-o como se ele fosse capaz de fazer alguma mágica, mesmo que não fosse possível, e eu sabia. Passei um tempo assim, até que bateram na porta, mas não respondi, não queria que ela me visse daquela forma. Destruída.

Ela porfiou, bateu novamente e acrescentou a voz

– Hanna... — chamou firme, como se fosse continuar, mas não o fez, esperou minha resposta

– Sim? — finalmente deixei uma palavras sair da minha boca

– A comida está pronta — gentilmente informou

– Obrigada Aria, mas estou sem fome hoje — falei amargamente

– Posso entrar? — ousou em me interferir no meu momento meditativo

– Entra — permiti depois de um tempo hesitando a mim mesma

Abriu a porta lentamente, colocando primeiramente apenas a cabeça para dentro, para averiguar o território, e quando seu olhar me encontrou, naquele estado, devastada, sua expressão foi de curiosa, á cruciante. Me senti mal por vê-la assim, por minha causa, mas o que eu poderia fazer, se tudo o que eu precisava era chorar? Veio entrando e fechou a porta atrás de si. Como se houvesse mais alguém aqui! Olhei-a. Deslumbrante, mesmo estando tão simples. Sentou-se na borda da frente da cama, virou e olhou para mim, lançando-me um sorriso torto e amargo de tristeza

– Não chore, não gosto de te ver assim — revelou, deixando meu interior curioso com a afirmação inesperada

– Não é como se eu quisesse realmente faze-lo — respondi a sua afirmação, ainda deitada, virando meu olhar para o lado, pois sua entrada me provocou batimentos mais rápidos e involuntários, e eu tentava me acalmar

– Sei que não, mas tente. Estou aqui pra te ajudar Hanna, do jeito que for — me olhou séria

Tudo que fiz foi me levantar rapidamente e me sentar ao seu lado e lhe abraçar. Era tudo que eu precisava, um abraço aconchegado, e ela logo retribuiu, fazendo meu coração disparar...

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A semana tinha sido menos corrida que as anteriores, acompanhando apenas o tratamento de quatro pacientes meus, e nada mais. Tudo que me restava, era velar Emily, no seu sono profundo. Maya vinha cada vez menos visita-la, e tudo que pude pensar foi em como ela estava sendo insensível com a própria companheira, a própria... namorada. Essa palavrinha me causava um desconforto interno estranho e ruim, não gostava de falá-la quando me referia a Maya por Emily, e vice-versa. Meu rádio estava sendo meu melhor amigo nesses últimos dias. Ele e meus livros. Pois, ficar ali sem poder conversar com a pessoa deitada ao meu lado, era frustrante, e ter uma melodia tocando docemente naquele quarto, amenizava um pouco a tensão que o rodeava.

Minhas músicas preferidas tocavam ali, mas em especial, uma me tirava do meu mundo trágico, e me levava a um outro paralelo feliz. Sempre que ela terminava, eu a voltava e ouvia-a novamente. Eu me sentia bem e mal em estar ali. Mal por estar constantemente me lembrando que fui eu a tê-la atropelado, e bem por vê-la, a razão eu mesma desconhecia de tais sentimentos, deveria ser apenas compaixão e humanidade. Hanna e Aria estavam mais próximas que semanas antes. Aria se mudou para casa da Hanna para não ficar sozinha, e eu me desculpei com ela por isso. Não era minha intenção deixá-la sozinha, mas uma coisa leva á outra, e minha decisão de ficar no hospital, levou a isso. Hanna não tinha mudado seu abito, vinha todo dia ver Emily, eu as deixava sozinhas, e muitas vezes quando voltava, podia notar seus olhos vermelhos, o rosto molhado, sinais óbvios de seu choro, e tristeza irrefutáveis.

Ela parecia sim, estar mais conformada, mas nada além disso. Conformidade não quer dizer que a tristeza te deixou, quer dizer, apenas, que você passou a ver que não há nada que se possa fazer para mudar tal situação, você passa a aceitá-la mesmo que isso fure seu coração como uma agulha de uma seringa de um anestesista, ela afunda e dói, mas logo te faz relaxar mesmo contra a vontade. Nada é pior do que se amar alguém e não poder te-lo ao seu lado ou vê-lo sofrer, seja qualquer tipo de amor, o de uma mãe, o de um pai, o de um filho, de um amigo, e de um apaixonado. É uma dor psicológica, que machuca mais do que se você estivesse se debatendo contra um parede, uma dor que te enlouquece, e faz com que a agonia se torne dez vezes maior do que ela é realmente. Ela te mata aos poucos, de dentro para fora.

Já estava me acostumando a morar no hospital. Comecei a conhecer mais os próprios funcionários que trabalhavam há anos ali, que eu, dona do hospital, nunca tinha me dado conta de que existiam. Comecei até mesmo a interagir melhor, a conhece-los e saber de suas vidas, do que achavam do trabalho, mesmo que parecesse que eles mentiam um pouco por eu ser a dona. Sempre fui ciente que é muito cansativo o dia de trabalho em um hospital, ver pessoas vindo e indo, morrendo e vivendo, chorando e sorrindo. Passei a prestar mais atenção em pequenos detalhes, em como simples gestos, quase que imperceptíveis, como: sorrisos arrancados, sem nenhum esforço; abraços de urso confortantes; uma flor de um jardim qualquer; um olhar sincero e brilhante.

Tudo ao meu redor estava se tornando mais sentimental, e meu coração mais aberto. Deixei a semana passar, olhando e admirando tudo a minha volta, e principalmente ela.

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Seu abraço me pegou de surpresa. Mas eu sabia que era isso que ela precisava, uma abraço amigo e reconfortante, então retribui de bom grado, sentindo seu rosto encostar no meu obro, as bochechas quentes e molhadas. A proximidade era muita para mim, mesmo parecendo o mais inocente possível, aquele contado fez meu corpo esquentar, meu coração acelerar. Seu cabelo exalava um aroma gostoso de morango, e seu corpo a sabonete de avelã, uma combinação inebriante. Apertei-a em meus braços, sentindo meu coração acelerar gradativamente. Não me segurei e beijei o topo de sua cabeça afavelmente, e tive uma leve sensação que estremeceu com minha ação. Ficamos mais um tempo abraçadas, e lentamente fomos nos separando, minhas mãos nas suas costas, e as dela escorregando pelos meus braços. Fomos nos distanciando, mas paramos numa zona de perigo, rostos frente a frente.

Estávamos tão perto que podia sentir sua respiração se misturando com a minha, ambas pesadas e descompassadas. Baixei os olhos apenas, e fitei sua boca, entre-aberta, suspirando, seu hálito estava tão perceptível, menta. Comecei a intercalar minha atenção entre sua boca e seus olhos, lábios rosados e molhados, olhos azuis profundos como a noite. Dessa vez tive plena certeza de que ela também me olhava, fitava minha boca, parecendo querer devorá-la, não era apenas minha imaginação. Estávamos a centímetros de distância, mas ainda era muito longe para mim, começamos, as duas, a ir de encontro, um rosto contra o outro, lentamente. Vi que ela fechou os olhos, e meu coração parecia que pularia, pela minha boca, ou explodiria no meu peito naquele instante. Mas quando nossos lábios roçaram levemente, antes de manter um contato firme, concreto, algo nos atrapalhou. O barulho invadiu o quarto, alto e em bom som, nos tirando imediatamente da nossa bolha.

Ela correu agilmente até o celular, e virou-se de costas para mim, indo de encontro a janela, em que se via a rua, e começou a conversar. Decidi que o mais apropriado naquele momento era sair do quarto, pois o clima depois da ligação, ficaria muito tenso e estranho, como já estava se tornando palpável para mim. Olhei para seu criado-mudo e encontrei um bloquinho de papel amarelo e uma caneta, peguei-os rapidamente e escrevi nele. Puxei dois travesseiros para ocupar o lugar onde eu estava sentada momentos antes, e empilhei-os, e logo em cima coloquei o bloquinho com o recado, para que ficasse bem visível, e saí.

O que quase havia acontecido? A cena rondava minha mente. Implorei para o além que ela não fosse até meu quarto, pois eu não teria palavras para explicar nada. Ela não veio, mas eu não tinha tanta certeza se aquilo era realmente bom. Minha noite seria difícil, disso eu tinha certeza.

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Notas finais
Espero que tenham gostado. Mais um capítulo e vocês terão o tão esperado momento "Emily a vida novamente". Comenteeeeeeeem. Até mais ;D