Minha vida em suas mãos. Spemily
16 16 - Quando o desejo fala mais alto
Notas iniciais
Durante aquela ligação, eu nem prestava atenção no que ele me falava, ou quando ouvia suas palavras, e tentava emitir uma resposta, gaguejava sem conseguir formar uma simples frase. Se não fosse aquele telefonema, o que estaria acontecendo agora? Eu estava completamente entregue a ela, e eu sabia, tinha plena certeza de que ela também. O momento daquela aproximação me causou calafrios internos, tais que eu, agora, não tinha mais conhecimento. Não conseguia entender — ou pelo menos me negava a faze-lo — o que acontecia comigo quando ela se aproximava, desde o primeiro dia, o primeiro momento em que tive o contato de seus braços sobre meu corpo, me puxando para trás, longe de sua amiga. Meu coração estava batendo descompassado, forte como um soco de lutador de box, e rápido como um carro de fórmula 1.
Havia corrido para longe dela, indo em direção a janela, estava realmente assustada. Tentei ao máximo prestar atenção no que Mike me dizia. Ele já devia ter me chamado inúmeras vezes, pois começara a aumentar o tom de
– Hanna! — perguntou já alterado
–Oi, oi, desculpe, o que você disse? — queria parecer normal, mas não consegui
– Perguntei se você está bem, Hanna. O que você tem? — perguntou desconfiado
– Me desculpe, estou bem sim. É... Não é... nada — falei pausadamente. Mentir não era uma das minhas coisas preferidas de se fazer
– Então poque está estranha Hanna? -era notável na sua voz que ele estava alterado, irritado
– Não estou — falei um pouco mais alto, já irritada. Dei uma pequena pausa e continuei — Não é nada, não aconteceu... nada — mas foi quase, me repreendi
– Tudo bem então — respondeu mais calmo — Como vão as coisas por ai? — perguntou-me
– Hã... bem — falei incerta
– Tem certeza? — sua curiosidade voltara com meu tom de voz duvidoso
– Sim — tentei soar o mais segura possível
– Certo. E a convivência com a minha irmã? Ela está dando muito trabalho? — não era minha intenção tocar no assunto "Aria"
– É... be...bem — gaguejei — Claro que não, ela até faz tudo — e um pouco mais, com minha cabeça
– Que bom que estão se dando bem então, fico feliz — não ficaria tão feliz assim se fosse você
– É — me limitei a uma simples concordância
– Então amor, estou te ligando pra avisar, que esse fim de semana não vou poder ir para ai — perfeito! Logo quando eu mais preciso dele
– Porque? — perguntei frustrada
– É que eu tenho algumas provas, e ainda tenho que terminar alguns trabalhos da faculdade, e você sabe que, se eu for ai, eu não vou me concentrar em nada, e não vou conseguir estudar — falou num tom brincalhão
– Sério Mike — eu precisava dele, agora mais que nunca
– Desculpe amor, não fica chateada — pediu
– Tudo bem então, fique tranquilo, eu entendo
– Obrigado amor, agora vou desligar, amanhã preciso trabalhar cedo. Te amo, beijos
– Boa noite, também te amo — falei meio incerta, e isso me assustou — Beijos
Assim se encerrou aquela ligação, olhei para fora, pela janela, observando a lua no alto do céu azul escuro, com seus pontos brilhantes por toda parte. Me virei, mesmo receosa disso, pois Aria devia estar ali ainda, mas ao completar a volta não a encontrei e de certa forma me tranquilizei. Não teria que falar sobre os acontecimentos, quase concretizados momentos antes. No lugar onde ela estava sentada antes, agora se ocupava por dois travesseiros, um em cima do outro, e sobre eles um bloquinho amarelo. Peguei-o
Boa noite, Hanna.
Durma bem.
Beijos!
–Aria
Ela, assim como eu, devia estar confusa, decidi que o melhor era não falar com ela naquele momento, eu não saberia o que falar, ou como me portar diante de sua presença, depois no ocorrido. Minha mente estava á mil. E voltaram á tona as lembranças ainda frescas de minutos atrás. Não consegui me segurar, precisava de um abraço, e seu corpo me parecia tão convidativo, como todas as vezes que a via. Me joguei sobre ela a abraçando, era tudo que eu precisava. Mas o contato me fez sentir um frio no estômago, me perdi nos seus braços, deixando que eles me confortassem como ninguém jamais conseguira. Não daquela forma. Tão intensa.
Agora o sono começava a bater na minha porta, e eu nem tinha comido nada, mas não me arriscaria a sair do meu quarto e dar de cara com ela na cozinha. A propósito, eu nem estava com fome. No próximo dia eu não trabalharia, então dormiria até mais tarde, se eu conseguisse, já que, apesar do sono, meus pensamentos me circundavam sem parar, e eu não sabia se ao me deitar iria de fato conseguir dormir. Mas foi o que eu fiz, me deitei, e em poucos minutos o sono me tomou.
~~~~~~*~~~~~~
Acordei, mas ainda cansada, a noite foi agitada, tive pesadelos: corria por uma estrada deserta em meio a uma floresta, e alguém corria atrás de mim, de repente meu corpo parecia ficar pesado, em torno de uma tonelada, e eu não conseguia me mover, logo os passos se aproximavam mais e mais, e quando eles estavam nitidamente atrás de mim, meus pés pareciam penas, e eu voltava a correr rapidamente, tomando distância de quem quer que seja que estivesse me seguindo, eu não sabia quem era, pois nunca olhava para trás. Ou quando a pessoa que estava atrás de mim conseguia tocar levemente a ponta do dedo em meu ombro, eu acordava, assustada, com o coração quase saindo pela boca, a respiração ofegante.
Me levantei, e logo as lembranças da noite passada me invadiram, o roçar de seus lábios nos meus, como eu queria mais, mas não era certo e cada momento que eu tinha essa vontade louca eu me repreendia, balançava a cabeça, como se os pensamentos fossem se desgrudar dela e me deixar em paz, sem essa perturbação que tanto me incomodava. Já eram dez da manhã, e do meu quarto eu ouvia apenas o barulho dos carros que passavam de vez em quando pela rua, mas do outro lado da porta, dentro de casa, não pude ouvir nada, a televisão ligada, o chuveiro ligado, nem sequer passos, estranhei, pois toda manhã, sem exceções, quando eu acordava podia ouvir pelo menos o barulho dos passos dela subindo as escadas, ou as descendo.
Minha barriga "roncava", pois eu não havia nem se quer jantado na noite passada, mas fui contra os próprios pedidos desesperados do meu estômago por comida, e ao invés de apenas escovar os dentes e ir atrás de algo para comer, resolvi tomar um banho, demorado. Fui em direção ao meu banheiro, fiquei em torno de vinte minutos na banheira, depois saí e fui para debaixo do chuveiro, lavei e hidratei meus cabelos, me ensaboei, logo me enxaguei, trinta minutos no processo. Estava á quase uma hora inteira trancada no banheiro, começava a me sentir fraca, a fome estava demais. Coloquei uma roupa leve, uma calça de moletom, uma camiseta larga, sequei meus cabelos apenas com a toalha e os penteei.
Eram quase onze e meia da manhã quando sai do meu quarto. Analisei o corredor e pude perceber a porta do quarto dela aberta, tudo arrumado como sempre, mas ela não estava lá. Desci para o primeiro andar e nenhum sinal de Aria por ele, fui para a cozinha, me dirigi á geladeira, lá encontrei um bilhete colado na porta
Fui para minha casa, vou dar uma limpada por lá.
Vou voltar tarde, então não se preocupe comigo.
Beijos!
–Aria
Ela só poderia estar fugindo, assim como eu, mas era o melhor por enquanto, quando ela voltasse eu não saberia o que ia fazer, se tocaria ou não no assunto. Não era necessário realmente falar sobre nosso quase beijo, podíamos apenas fingir que nada aconteceu, e de fato não havia acontecido nada, mas por apenas um milésimo de segundo.
Preparei uma comida rápida e almocei sozinha, deixei a louça na pia, me arrumei e fui ver Emily. Como eu queria que ela estivesse bem! Ela era a única pessoa que poderia me ajudar naquele momento, mas ela não estava ali para me ajudar. Na verdade estava, mas não como eu queria. Fiquei um tempo por lá, falando para ela tudo que estava acontecendo, mas sem obter resposta alguma. Spencer tinha a decência de nos deixar a sós. Ela passava o dia todo ali, parecia que ela se culpava tanto pelo acidente, que ficava esperando Emily acordar para lhe pedir desculpas.
Fiquei no hospital em torno de uma hora e voltei para casa. Quando cheguei, tudo estava tão quieto quanto antes, coloquei minha roupa confortável e me deitei no sofá, liguei a tv, na intenção de assistir um filme qualquer, mas acabei pegando no sono.
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A noite não tinha sido nada fácil, só peguei no sono já tarde da madrugada, mesmo cansada estava difícil pregar os olhos, pois eu ainda estava assustada com tudo que havia ocorrido. Eu quase tinha beijado minha própria cunhada, e estava gostando da aproximação, e gostei mais ainda quando sua boca encostou rapidamente e levemente na minha, um simples roçar, que me deixou no gosto de "quero mais", e confesso que fiquei frustrada quando o celular dela tocou, até mesmo um pouco de raiva. Dormi tarde e muito pouco, mas acabei acordando cedo, como sempre. Não estava preparada para encontra-la, precisava por os pensamentos no lugar. Precisava me repreender ao máximo, e inventar algo convincente o bastante, para lhe falar quando nos víssemos.
Me levantei, fiz minha higiene matinal e sai do meu quarto para ir tomar café. Como sempre Hanna ainda estava dormindo, para minha sorte. Fiz tudo com o máximo de silêncio possível, preparei um suco e comi dois sanduíches de pasta de amendoim, e arrumei tudo logo em seguida. Voltei para meu quarto, juntei algumas roupas sujas e tratei de escrever um bilhete á ela dizendo aonde iria, tentando parecer o mais normal possível. Fui para minha casa, lá eu teria tempo para pensar o suficiente sem ser interrompida. Pedi um táxi, já que eu estava sem meu próprio carro, e fui para lá. Quando cheguei me senti sozinha, mas não de um jeito ruim, de uma forma calma e confortante. Tinha que ocupar um pouco os pensamentos, e para mim, limpar a casa ajudava bastante.
Não que estivesse tudo sujo, pois não estava, mas acabei me cansando de tanto limpar. Me deitei na MINHA verdadeira cama e resolvi descansar um pouco, meu sono estava acumulado pela noite mal dormida. Acordei e vi no relógio que já eram seis da tarde. Levantei sem pressa, tomei um banho demorado, arrumei algumas roupas numa mochila, pois apesar de tudo, pretendia continuar na casa de Hanna, se isso não fosse um problema para ela. Se eu continuasse a morar lá, seria uma forma de mostrar que não tinha acontecido nada demais, nada importante e assim continuaríamos amigas. Peguei meu carro e dirigi á casa dela. Cheguei lá e deixei meu carro para fora, peguei minha mochila e fui entrando. Quando entrei me deparei com uma cena linda.
Ela estava deitada no sofá, dormindo, com o rosto virado para o encosto do sofá, toda encolhida, devia estar sentindo frio, a temperatura havia baixado um pouco. Ela estava linda com sua calça de moletom e sua camiseta, ambas largas, toda folgada, algumas mexas de seu cabelo caindo pelo rosto. Entrei devagar e subi as escadas, fui para o meu quarto e peguei um lençol, desci novamente para a sala, e ela estava da mesma forma. Cobri-a com o lençol, na intenção de ela ficar mais quente e dormir melhor, mas ela acabou acordando. Seus olhos se abriram lentamente e ela virou a cabeça para me fitar, ainda com os olhos semi-abertos de sono. Um azul calmo e sereno. Meu coração começou a se acelerar.
– Oi — falou meio sem graça
– Oi, não queria te acordar — sorri para ela e ela fez o mesmo
– Que horas são? — perguntou esfregando os olho, tão linda, tão doce, achei que o clima estaria mais tenso, mas para minha surpresa, estava leve, calmo. Ela me deixava assim
– Já são oito horas — informei simpaticamente
– Nossa, dormi demais. Demais mesmo — soltou uma risada rápida e gostosa, e começou a levantar e se sentar
– Quer jantar? Eu faço alguma coisa — perguntei ainda em pé
– Seria uma boa, eu te ajudo — e logo se levantou indo para a cozinha e eu a acompanhei
– Acho que uma macarronada ao alho e óleo, e almôndegas vão bem, e são rápidas de se fazer
– Pode ser — começou a pegar as coisas para prepararmos as coisas
Cozinhamos em silêncio, eu fiz a macarronada e ela as almôndegas e o suco. Arrumei a mesa e logo fomos jantar, ficamos uma de cada lado do balcão, sentadas nos bancos altos. A falta de palavras estava se tornando constrangedor a cada segundo
– O que fez hoje? — perguntei para acabar com aquilo
– Fui ver a Em e... dormi — riu como se fosse óbvio — E você? Fez algo mais interessante que dormir? — perguntou brincando com o macarrão
– Bom se você acha interessante limpar a casa, digamos que sim. Mas depois que terminei dormi também — ri e continuei a comer. Nada daquele outro assunto, e estava ótimo
– Na verdade não acho. Então concluo que estamos na mesma — zombou
– Acho que sim então
E logo o silêncio se instalou novamente. Acabamos de comer e eu fui arrumar a bagunça. Ela já nem insistia que eu colocasse tudo na máquina de louças. Comecei a lavar as panelas que usamos, enquanto ela trazia o resto das coisas que tinham ficado na mesa
– Quer ajuda — perguntou assim que acabou de colocar o ultimo copo sobre a pia
– Não precisa Hanna — me virei e sorri em agradecimento ela sorriu e já ia saindo, mas percebi que ela parou, e logo ela começou a falar.
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Eu já estava me considerando parte daquela poltrona, daquele hospital. Todos os
dias a mesma rotina. Já começava a me sentir fraca, não fazia mais minhas corridas pelo parque, estava começando a me achar uma velha, pois as dores nas costas estavam me incomodando, meu quadril doía. Precisava sair um pouco dali, mas não por que eu queria, e sim porque eu precisava. Alguns enfermeiros, ou as faxineiras com quem agora eu me distraía, sempre ficavam me falando que eu precisava sair um pouco, que eu ia acabar ficando louca de tanto que olhava para aquelas paredes brancas. A única coisa que me prendia aquele hospital era Emily.
Mais um fim de semana "trancada" naquele quarto de hospital. Peguei meu livro, meu rádio, sentei na poltrona ao lado da cama dela e liguei meu rádio, aquela música que eu adorava começou a tocar. Comecei a ler, mas conforme as páginas iam se passando, eu tentava achar uma posição confortável, até que escorei meus braços na cama, ficando mais próxima do corpo dela, por hora parecia confortável ficar daquela forma. Continuei a ler, dez páginas se passaram, quanto ao tempo eu não me dei conta. Peguei sua mão e comecei a brincar com seus dedos, permaneci assim, e mais páginas se passaram, de repente, a mão entre as minhas se mexeu, rapidamente apertou a minha e afrouxou os dedos novamente.
Meu coração parou por alguns segundos, e em seguida começou a bater rapidamente, olhei para ela, meus olhos arregalados, esperando que ela tivesse acordado, mas seus olhos continuavam fechados, voltei minha atenção para os monitores e nada de diferente. Chamei o Wren, ele checou os aparelhos, fez alguns exames, e chegou a uma conclusão: "Apenas reflexos". Foi o que ele me disse, e não tinha o que contestar. Hanna veio algumas horas depois, mas não queria dar a ela falsas esperanças. Deixei-as sozinhas e fui andar pelo hospital. Andei por um bom tempo e fui de volta ao quarto. Chegando lá, parei antes da porta, e pude á ouvir dizer alguma coisa como : " Por que você não está aqui logo agora que mais estou precisando, agora que eu preciso de um conselho seu, agora que meu coração está assim, com esses sentimentos loucos, e logo por quem menos deveria".
Esperava estar errada, mas pelo que entendi, Hanna estava apaixonada por alguém, e com certeza não era o Mike. Logo agora que ele parecia tão feliz e finalmente centrado em um relacionamento sólido. Mas as vezes nem tudo é o que parece. O coração fala baixo, a mente finge não escutar, e a boca nada fala. Fugimos de nós mesmos, e não vamos á lugar algum. Decidi que não era da minha conta os sentimentos e os problemas da Hanna e do Mike, dei mais uma volta e fui novamente para o quarto. Cheguei lá com ela já se despedindo de Emily com um beijo na testa. Saiu e se despediu de mim, me pedindo que cuidasse dela. Coisa que ela nem precisava pedir, eu já fazia por vontade própria.
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Eu precisava falar sobre aquilo, mas não sabia como. A todo momento eu queria falar, mas não conseguia mover minha boca para comentar sobre nosso momento. Mas chegou em um ponto que eu tive que criar coragem.
– Aria... — procurei as palavras — Me desculpe por...ontem — falei pausadamente, ainda virada de costas para ela
– Hanna... — assim como eu, ela pareceu pesquisar na sua cabeça a frase certa a ser dita — Não precisa se desculpar. Não aconteceu nada, a gente apenas esquece — falou, e logo senti uma pontada no peito. Seria decepção por ela querer apenas esquecer? Eu não sabia, mas me fingi de indiferente
– Certo — fitei-a nos olhos, e disse indiferente o bastante para que ela acreditasse que eu também não me importava. Me virei e saí
Fui para a sala e comecei a ver tv, um programa qualquer. Passou um tempo e ela veio e sentou-se do meu lado
– Que filme é? — perguntou normalmente
– Não sei o nome, mas é de comédia, parece bom, acabou de começar — o assunto estava realmente encerrado
– Hum. Vamos ver se é bom mesmo — riu e voltou sua atenção para a televisão, assim como eu
O filme realmente foi muito bom, rimos muito, tudo estava bem. Assim que ele acabou fomos cada uma para seu devido quarto. Eu dormi, pois o próximo dia seria longo, trabalho e faculdade, nada melhor para ocupar a cabeça. A semana como sempre foi corrida, mas sempre arranjava tempo para visitar Emily, todo dia, sem falhar um sequer. Era de lei, ver Emily. Realmente ela era a pessoa mais importante na minha vida, uma irmã que não se troca por nada. Durante uma de minhas visitas, enquanto estávamos no quarto eu, Spencer e uma faxineira, durante uma conversa descontraída e sem fundamentos, sobre festas, que a mulher já de idade ia na sua mocidade, ela me falou para que qualquer dia que fosse eu levasse Spencer para fora do hospital, nem que fosse numa simples cafeteria, mas que fosse longe dali, e que ela passasse mais de uma hora fora daquele lugar.
Achei engraçado o jeito como a senhora falou, como se fosse um pecado uma pessoa tão jovem estar perdendo tempo num hospital, todos os dias de sua vida. Disse também que nós perdemos muito tempo nos preocupando com coisas que não podemos resolver e esquecemos de viver nossas próprias vidas, deixamos o tempo precioso de nossa juventude forte passar, e não nos damos conta de que ele não volta jamais, e que um dia, quando estivéssemos da idade dela, nos lamentaríamos muito por termos deixado de aproveitar, deixado de fazer o que queríamos, termos deixado de ser felizes.
Fiquei pensando naquelas palavras dela. Eu estava de fato feliz nesse momento da minha vida? Eu sabia que não pelo fato de Emily não estar bem. Mas e o resto? E meu namoro, estava indo bem? Meu coração estava verdadeiramente feliz com meu atual relacionamento? Era ele que eu queria pelo resto da minha vida ao meu lado? O caso é que ele me fazia feliz, mas meu coração não era mais o mesmo, não era como á um mês atrás, desde que ela apareceu. Eu estava tão confusa, sobre uma coisa que eu não deveria estar. Ela fazia meu coração disparar de uma forma que nunca aconteceu, diferente de qualquer amor que eu já havia sentido. Comecei a me lembrar do nosso primeiro dia, quando ela me puxou, e só seu toque fez meu corpo gelar, sem nem mesmo ter visto seu rosto.
Mas eu tinha que esquecer tudo, era isso que nós tínhamos decidido, era o melhor a fazer, quase tinha traído meu namorado com sua própria irmã, e ele não merecia isso. Mas será que apenas desejar já não é uma forma de trair, ainda mais do modo como eu estava pensando, do modo como eu estava me sentindo, e pelas perguntas que eu mesma me fazia? Não podia mais negar que eu sentia uma forte atração por ela, seria tolice fingir algo que está tão óbvio, que está debaixo do meu nariz. Mas eu iria esquecer, prometi a mim mesma que isso era o mais certo a se fazer, que era apenas algo passageiro.
Ainda no meio daquela semana Aria comentou que seu namorado viria passar o fim de semana com ela, então tive uma ideia. Mike também viria para ficar comigo no fim de semana, então resolvi chamar todos para jantar, mas uma reunião particular, em casa, eu não estava a fim de ir a festas, já que da ultima que fui, essa ficou marcada por um telefonema triste e trágico. Eu faria um jantar e nós passaríamos a noite juntos. Spencer precisava realmente voltar a viver sua vida. Eu estava vivendo a minha, mas nunca deixando Emily de lado. Conversei com Aria e ela concordou com a reunião, e também que Spencer precisava de ar fresco, fora do hospital. No outro dia falei com Spencer, e ela olhou para Emily depois para mim, e mesmo receosa aceitou o convite.
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Assim que o fim de semana chegou fui fazer compras com Aria, ela me ajudaria com a comida. Sábado á noite preparamos tudo, Spencer foi a primeira a chegar pois Aria a buscou, logo Mike apareceu, por último veio Ezra de táxi. Conversamos sobre inúmeras coisas, jantamos e voltamos a falar sobre a vida um do outro e amenidades quaisquer, quando percebemos já se passavam de uma da manhã. Já que todos estavam ali e tínhamos bebido algumas cervejas, insisti que todos dormissem na minha casa mesmo. Ezra parecia um cara muito legal e inteligente, mas ainda sim eu não gostava da presença dele, ainda mais tão junto e abraçado com Aria, mas eu não tinha que opinar em nada, eles eram namorados e eu tinha que esquecer qualquer vestígio de interesse que eu tinha nela.
Ezra ficou Aria no quarto dela, eu com Mike no meu, e liberei o quarto de Emily para Spencer usar. Acordamos já tarde no domingo e resolvemos fazer um barbacue. A tarde estava mais quente que as anteriores, passamos ela toda bebendo, mais do que comer, e acabamos misturando cerveja, vinho, whisky e ainda vodka. Todos acabamos entrando na piscina, menos Spencer. Fiquei boa parte do tempo observando o corpo da Aria, mas disfarçadamente. Era um corpo perfeito, a barriga reta, seios e bunda nem grandes, nem pequenos, mas no tamanho ideal, a pele lisa sem uma imperfeição sequer. Balancei minha cabeça quando percebi meus pensamentos e mergulhei para esfriar meu corpo, que agora se encontrava quente.
Evitei ao máximo olhá-la depois de quase babar a olhando. A tarde chegava ao fim, todos arrumamos as coisas que ficaram bagunçadas, e depois fomos fazer algo leve para o jantar. Depois de jantarmos Ezra disse que precisaria embarcar para Nova Iorque novamente, e Mike também voltaria para Cambridge, e Spencer iria para o hospital, ela já estava inquieta por ter deixado Emily lá sozinha. Spencer pediu um táxi e se foi ás nove da noite. Uma hora depois Ezra também iria pedir um táxi, mas Mike lhe ofereceu carona pois o aeroporto era á caminho da saída de Londres. Me despedi do meu namorado e Aria do dela, e como achamos que ainda era cedo resolvemos assistir algum filme, achamos um de terror "Jennifer's Body". Durante uma parte do filme Aria se pronunciou
– Minha cabeça não para de doer — fez uma careta e riu
– Quer um remédio? perguntei
– Já tomei, mas não passa, me lembre de não misturar bebidas alcoólicas nunca mais — riu de lado massageando a têmpora
– Pode deixar. Vou ter que cuidar de você não é mocinha? — perguntei num tom brincalhão e rimos — Vem cá — chamei-a e bati no sofá, indicando para ela se sentar ao meu lado.
Ela estava do outro lado, se levantou e veio, se sentando onde eu havia mandado
– Pronto — sorriu
– Vira pra mim — ela arqueou a sobrancelha hesitante mas o fez — Fiz alguns cursos, antes eu não trabalhava mesmo, então tinha tempo de sobra — coloquei minhas mãos na sua cabeça e comecei a massagear — Até que o curso de massagem está sendo útil não é — ri
– Meu Deus, mãos de anjo, sem mais palavras — falou rindo e eu corei
Continuei a massagear sua têmpora e cabeça, e sempre olhava para o filme, prestando atenção nele
– Melhorou? — perguntei, ainda com os polegares apertando sua têmpora, olhando no fundo de seus olhos. Não tinha me dado conta da nossa aproximação
– Acho que sim. Obrigada — agradeceu curvando os lábios num lindo sorriso
Não respondi. Rapidamente percebi meu rosto corado, e virei para a tv, era uma cena em que as amigas estavam no quarto, uma em pé e a outra ajoelhada na cama, e a morena vai em direção a loira e a beija. Me virei para Aria no momento exato do beijo, e quando encontrei seus olhos senti meu coração gelar. Não pensei em mais nada. Com minhas mãos em seu rosto fui chegando mais perto, alternando minha atenção entre seus olhos verdes e sua boca vermelha e entre-aberta suspirando pesadamente. Ela não tirava seus olhos dos meus. Cheguei mais e mais perto e quando faltava apenas um centímetro para encontrar seus lábios com os meus, fechei meus olhos e me deixei levar.
A única coisa que senti foi sua boca colada na minha, seu lábio inferior preso entre os meus, e o meu superior entre os dela, mas sem fazer nenhum movimento, apenas lábios colados apertadamente. Desci minhas mãos de suas bochechas para seu pescoço, á puxando para mais perto. Meu coração batia descompassado, num ritmo frenético, e meu estômago gelava. Como resposta ao meu puxão ela se aproximou e depositou sua mão nas minhas coxas, apertando-as levemente com a ponta dos dedos, e senti meu corpo inteiro se arrepiar e meu centro latejar. Separei meus lábios dos seus chupando e puxando o inferior dela com a ponta dos dentes, de uma forma lenta e tortuosa. Não abri meus olhos, mas sabia que ela não havia recuado nem um centímetro sequer, pois eu podia sentir sua respiração quente e pesada muito próxima, se misturando com a minha.
Abri meus olhos por meio segundo e vi sua boca semi-aberta, não exitei mais em tempo nenhum e voltei a beijá-la, mas agora nossos lábios se moviam lentamente um contra o outro, mas de uma forma sensual e viciante. Eu queria explorar mais. Minha língua pedia contato, então deslizei-a sobre sua boca e ela a abriu, deixando o caminho livre para eu entrar. Senti o sabor gostoso de menta misturado á vodka, um gosto tão bom, que a própria bebida jamais teria sem estar ali naquela boca. Não havia pressa, era um ritmo gostoso de sensações. Suas mãos foram subindo pelas minhas coxas e pousou sobre meus quadris, onde ela apertou e me puxou. Fui inclinando meu corpo em direção do seu, deitando-a no estofado do sofá.
Haviam duas pessoas no meu interior, uma tinha um metro e meio de altura e gritava de longe "Pare! Isso é errado" mas estava tão longe que era quase impossível ouvir sua voz. A outra pessoa tinha mais de dois metros de altura, e estava á uma distância de um metro de mim, estávamos muito perto, mas mesmo assim ele gritava em alto e bom tom, nitidamente "Seja feliz, você quer isso. Seu coração quer", gritava muito alto, encobrindo totalmente a outra voz atrás de si. A voz do mais alto era tão convincente, que não pude contrariar a ordem. Apertei meu corpo contra o seu, apoiei minhas mãos uma de cada lado de sua cabeça e bem acima dela também. Minha língua tocando a sua, distribuindo um prazer enorme por todo meu corpo em chamas.
As mãos dela agora exploravam minhas costas por baixo da blusa, arranhando levemente por onde passava me apertando ainda mais contra si, minhas pernas entre as suas. Nunca me senti tão bem e confiante com um beijo quanto esse. Lábios de uma macies e textura incomparáveis, a língua quente passeando por cima da minha, e entrelaçando-as lentamente. Respirava desajeitadamente entre o beijo, pois eu não queria parar, mas o ar insistia em faltar. Chupei e mordi seu lábio inferior o soltando lentamente, arrastando meus dentes por ele. Dei mais um selinho naquela boca e colei nossas testas. As respirações pesadas, ofegantes, corpos arrepiados, corações disparados, a proximidade me permitia sentir o dela.
– O que estamos fazendo Aria? Eu não consigo parar. Não consigo controlar essa vontade de você — falei ofegante, e de uma forma lenta, como eu conseguia
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