Minha vida em suas mãos. Spemily
13 13 - Problemas em resolução
Notas iniciais
Ela estava ali na minha frente, toda sensual, com seu short extremamente curto e apertado de dormir, branco de bolinhas pretas, com uma regatinha branca, com seus mamilos rígidos á mostra, devido a falta de seu sutiã, os pés descalços. E eu ali babando, conotativamente falando. Aqueles cabelos loiros bagunçados de um jeito sexy, os olhos num tom azul penetrante, só o que consegui fazer foi atravessar a porta em passos largos e rápidos, e colar meu corpo ao seu, forçando-a a ir para traz, até encosta-la na parede mais próxima. Segurei suas mãos, colando-as na parede, uma de cada lado de sua cabeça, olhei por três segundos contados dentro de seus olhos profundos. Eu estava em chamas, e ela parecia estar da mesma forma, minhas palpitações estavam extremamente aceleradas, minha respiração entrecortada, e eu pudia sentir a sua da mesma forma, o ar quente das nossa respirações se encontravam e se misturavam, meus olhos revezavam entre o intenso azul dos dela e sua boca avermelhada molhada, depois que com a ponta da língua a umedeceu.
Ela fechou os olhos, e essa foi minha deixa. Tomei sua boca na minha de uma vez por todas, e ao invés do fogo se acalmar, mais as chamas se alastraram pelo meu corpo. Ela correspondia tudo de uma forma tão inesperada, e eu estava jogada no momento, estava me deixando levar, e estava de certa forma satisfeita, não totalmente, porque, eu queria mais, e queria tudo, e queria ela. Movimentando meus lábios contra os seus, sentia a macies deles, delicados e sensuais ao mesmo tempo, mas eu queria mais, sem pedir passagem, enfiei minha língua na sua boca, e toquei a dela, entrelaçando-as numa dança rítmica embalada, como se estivesse ensaiada, sua saliva e a minha se trocavam de boca, e eu sentia sua língua quente tocar a minha de uma forma prazerosa demais, seu gosto de menta me deixando louca.
Colei nossos corpos ainda mais e desci minhas mãos ao seus quadris, apertando e arranhando-os, pressionando nossas intimidades. Pude sentir a minha calcinha molhada, enquanto sentia ela arranhar minha nuca e emaranhar seus dedos, segurando firmemente a raiz do meu cabelo. Não consegui mais conter o que eu segurava, e gemi entre seus lábios, e comecei a sentir o ar me faltar dos pulmões, mas não queria parar. Então larguei seus lábios, mas sem dar tempo para nem ela e nem eu mesma cogitar, tomei seu pescoço com minha boca, beijando, chupando e lambendo. Desci até a base do seu pescoço e voltei repetindo sempre as mesmas ações, mas quando tornei a descer, e cheguei na primeira curva, em direção ao ombro, quando estava ali na base do seu pescoço, mordi, e mordi forte e firmemente, e ela gemeu, um gemido alto por sinal, o que me deixou ainda mais excitada, e meu interior pedindo toques indecentes.
Eu percorria minhas mãos pelas laterais de seus corpo, porém não era o bastante, corri minhas palmas para dentro de sua blusa, e pude ouvir mais um gemido depois do toque, o que só me deixava ainda mais feliz e molhada (se é que isso se tornava possível dadas circunstâncias), senti seu corpo flamejante em contato com as minhas mãos, sua pele macia, a barriga lisa e firme. Subi mais, parando abaixo de seus seios. Eu ansiava subir mais ainda, mas por um momento me repreendi, só que ao ouvir ela gemer quando eu cheguei ali, não tive mais dúvida nenhuma e alastrei minhas mãos e cheguei num dos pontos esperados.
Eles estavam rígidos, tinham o tamanho perfeito, uma textura incomparável, comecei a massageá-los enquanto ela gemia, quando apertei seus mamilos com meu polegar e indicador ela gemeu mais alto e dessa vez o gemido foi acompanhado por meu nome "Aria", um chamado sôfrego de tesão. E eu acordei!!! Estava suada sobre minha cama, os cabelos molhados, e minha calcinha ainda mais. Ah, eu estava assustada, cansada, indignada com o próprio rumo que minha mente tinha tomado, me dando o prazer estranho de um sonho erótico e...gay. Como se isso já não bastasse, um sonho erótico, gay, e ainda com a namorada do meu irmão. Minha cunhada. Porque isso agora? Ainda mais com ela. O que estava acontecendo comigo? Foram as perguntas que me fiz mas não soube responde-las.
Nunca me senti tão viva num sonho como me senti nesse, pareceu mais real que a própria realidade, meu corpo mostrava as respostas do sonho louco que tive. Eu estava excitada com um sonho, estava em chamas. Precisa tirar tudo aquilo da minha mente imediatamente. Peguei o celular, eram três da manhã, não tinha pra onde ir. Se fosse ligar para o Ezra, ele desconfiaria, e logo iria querer saber o porque do meu "agito" aquela hora da madrugada, e o que eu diria "Não foi nada demais amor, eu só estava sonhando que estava trepando com minha cunhada, mas fique tranquilo, foi só um sonho", eu era uma péssima mentirosa e iria entregar minha preocupação rapidamente, o que não seria nada bom já que Ezra sempre foi bem ligado em detalhes e não gostava de mentiras.
Resolvi que aquela não era uma opção viável. Estando assim sem ter o que fazer, resolvi tomar um banho, de preferência frio, muito frio, para espantar todas as loucuras que me rodeavam, e apesar do inverno violento lá fora, meu corpo estava suado, e a água fria bateu contra meu corpo, dando-me um choque, mas não desisti, precisava muito daquilo para espantar os pensamentos eróticos. Assim que o fiz voltei para cama, com frio consequentemente, e me cobri, com as cobertas grossas da minha cama, mas faltavam apenas dez minutos para as quatro da manhã e nada de sono, levantei novamente e procurei um calmante forte que eu tinha, tomei-o e voltei para cama, acho que se passaram quinze minutos apenas e minhas pálpebras começaram a se fechar sozinhas, e fui caindo no sono profundo, tentando deixar de lado toda a obscuridade do caminho que meus pensamentos insistiam em rumar.
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A semana estava sendo puxada demais, estava quase me mudando oficialmente para o hospital, já que além de passar todo o dia naquele lugar trabalhando, ainda estava me dispondo a dormir no local, velando todas as noite o sono profundo em que Emily se encontrava. Era uma sensação estranha ficar ali vendo ela, tinha algo de mim que se remexia dentro de meu corpo, vendo aquele rosto tão terno ali. No terceiro dia, eu me encontrava no meu escritório, mexia e remexia, uma imensa pilha de papéis sobre minha mesa. Uma música começou a ecoar de dentro da minha bolsa, uma música desconhecida por mim, que eu tinha certeza, não se originava do meu celular. Peguei minha bolsa, e com tantas coisas dentro dela, demorei até achar o aparelho de onde provinha o som.
Era o celular da Emily, demorei mais um pouco olhando a tela e observando a imagem, era a mesma garota da foto de capa do celular que eu tinha em mãos. Quando resolvi atender, o aparelho parou de tocar. Eu nem se quer tinha me lembrado de entregar o telefone para Hanna ou para a Pam, e agora não iria ligar de volta, seria falta de respeito dessa vez, mexer no celular de Emily. Então entregaria quando uma delas chegasse ao hospital naquele dia. Meu corpo, com a segunda noite de sono, estava destruído, pela dor e pelo mal jeito, mas eu queria continuar ali, com ela, então providenciei uma reunião com alguns médicos, apesar de não ser realmente necessário, pois eu não precisava pedir permissão a ninguém, para fazer o que eu tinha em mente.
O estado de Emily era estável no momento, mas ainda assim, ela passaria mais dois dias no quarto da UTI apenas por prevenção. Minha ideia era de que quando ela fosse tirada da UTI, levassem ela para um quarto hospitalar privativo, onde haveriam duas camas, uma para ela e outra para um acompanhante, e no caso essa acompanhante seria eu. Outro decisão que eu também já havia tomado era a de deixar de atender meus paciente por hora. Eu queria estar por dentro de tudo que se passasse com Emily, e então eu iria passar o dia no hospital sim, mas no quarto com ela. Coisa boba de se fazer. Hora, a garota está inconsciente! Qual seria a vantagem de ficar com ela em coma? Eu não sabia, mas também não me importava. Minha decisão estava tomada.
– Bom senhoras e senhores, eu queria informar, que por hora eu vou parar de atender meus pacientes, e ficarei no hospital exclusivamente para os cuidados da paciente Fields, a qual os senhores já tem em mente, que foi a moça que atropelei. Estou lhes informando isso, para que não hajam especulações pelos corredores, sobre esse assunto. E que fique claro, que se eu pegar alguém remexendo o assunto, fofocando e difamando minha pessoa, pela minha decisão, as consequências serão sérias. — todos me olhavam como servos olham seu rei, e eu adorava isso
– Drª. Spencer, seria melhor se você não deixasse de atender seus pacientes, muitos deles dependem demais de você. A drª. poderia então, continuar com os pacientes que atende e só não atender novos pacientes. — esse foi Toby, me falando depois do longo silêncio dos outro médicos, a única voz que eu não queria ouvir era a dele, mas já que ele havia falado, resolvi pensar no caso
– Pensando dessa forma, o Drº. Toby até tem razão. — apesar da repulsa que estava sentindo por ele, não pude negar que ele estava certo — Que assim seja feito. Continuarei com meus atuais pacientes, mas apenas os que estão num estado ruim, e não atenderei novos — Todos concordaram, e foram saindo da sala, deixando apenas Toby e eu no local
– Spenc! — falou tristemente para mim, como quem pede em súplica para ser ouvido
– Drª! — exclamei — Drª SpenCER para o senhor Drº Toby. — enfatizei o fim do meu nome, o qual antes ele havia abreviado da forma que fazia quando estávamos juntos
– Spencer, não faça isso comigo, por favor. Me perdoe pela minha reação daquele dia, eu fiquei fora de mim, me entenda, eu amo você, e não quero te perder — seus olhos estavam úmidos, e sua voz embargada
– Toby, eu já disse que não quero mais nada. Não me peça explicações, pois nem eu as tenho, eu só não me sentia mais... feliz como deveria, a culpa não foi sua e nem minha, não foi de ninguém, eu só não sinto que é isso que eu quero para mim, me desculpe falar assim, mas não é você que eu quero para mim, e antes de me acusar e perguntar se eu tenho outro alguém, não, eu não tenho — pausei por alguns segundos tomando ar, e esfregando o rosto, tentando espantar as coisas ruins da minha cabeça — Sabe Toby, eu não vou mentir para você, eu fiquei arrasada com sua reação, se eu não tivesse me defendido, só Deus sabe o que você teria feito comigo. Você estava fora de si, nunca te vi de tal forma. Não vou te falar que está tudo bem conosco, porque não está, tudo que você fez naquela noite, me deixou muito magoada, pois eu não esperava mesmo, nada do tipo vindo de você — finalizei olhando em seus olhos, mostrando com os meus, toda a mágoa ali contida
– Me perdoe Spencer, eu não sei o que aconteceu comigo, se eu pudesse voltar atrás... — interrompi-o
– Mas não pode Toby, não tem como você voltar no tempo e tentar fazer tudo diferente, e nem que você pudesse voltar naquela noite, saiba que minha decisão seria a mesma e não estava em questão de ser cogitada, e nem agora, eu tomei a minha decisão e nós não temos mais nada agora — estava magoada, irritada e até mesmo aliviada por estar botando toda minha angustia para fora
– Me diga, pelo menos o que eu fiz de errado, o que teria feito você me amar como antes, o que eu fiz, que fez você deixar de querer ficar comigo — seu tom era cauteloso
– Nada Toby, você não fez nada de errado, e não tem nada o que você pudesse ter feito melhor, e eu sei que é totalmente inaceitável uma explicação dessas, mas alguma coisa dentro de mim dizia que não era você, e eu até tentei, tentei mesmo, dizer a mim mesma que eu estava errada, mas foi inevitável, eu apenas deixei de sentir amor, e deixei virar rotina, o que não me fez bem, e nem faria mais para frente nem para você mesmo — uma lágrima escorreu por seu rosto, e ele desviou o olhar para outro lado, foi uma única lágrima, mas a lágrima mais triste que pude ver em toda minha vida, uma lágrima que entristeceria mais que um mar inteiro delas
– Tudo bem Spencer, eu espero que você encontre alguém que te faça feliz da forma que eu não pude fazer — só depois de terminar toda frase foi que me olhou nos olhos
– E eu espero que você encontre alguém que te de tudo que você sempre quis, uma pessoa que te ame de verdade Toby, uma pessoa que te faça feliz, e que se sinta da mesma forma ao mesmo tempo, alguém que só de te olhar sinta que tem o mundo todo em mãos e que tem que agarra-lo com força para não destruí-lo, e você, que sinta que não precisa fazer nada forçado para ela, que só sendo você mesmo, possa faze-la sorrir, e você se sinta a melhor pessoa do mundo ao ver que aquele sorriso é totalmente exclusivamente por sua causa — permiti que meus olhos derramassem o líquido ali contido, minhas palavras eram verdadeiras, eu desejava tudo de melhor a ele. Toby me sorriu ternamente, demonstrando calmaria, aquele era o nosso fim de uma vez por todas
– Obrigado Spencer por ter me feito feliz durante o tempo que estivemos juntos, espero mesmo que você encontre o homem da sua vida, e que ele possa fazer seus dias serem sempre novos, cheios de alegrias, te desejo tudo de melhor. Obrigado mesmo por ter mudado minha vida — se aproximou de mim e beijou o topo da minha cabeça por alguns segundos, depois me deixou ali e foi em direção a porta, só voltou a me olha quando estava parado no batente com a maçaneta na mão, me lançou um sorriso e disse — Adeus Spencer
Não respondi nada, eu sabia que adeus era aquele, não era um adeus de "nunca mais nos veremos", mais um adeus de quem diz "nossa história terminou aqui", eu estava num misto de emoções, estava aliviada por ter resolvido meu problema com Toby, por no fim termos ficado de certa forma bem, triste por deixado alguém tão bom, amável e compreensivo, por não sentir nada por ele, e também feliz por não precisar mais fingir um sentimento que eu não sentia. As vezes a vida é assim, lhe apresenta um alguém tão magnífico, mas te faz não querê-lo, não simplesmente te faz amá-lo, mas faz não se sentir feliz, mesmo que esse alguém seja a opção mais certa, a mais fácil. Mas eu tinha fé de que encontraria a pessoa certa para mim, aquela que pararia meu mundo, só para eu descer.
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Depois do ocorrido, voltei ao trabalho, e logo Hanna chegou, desta vez sem os pais de Emily
– Hanna — chamei-a quando cheguei mais perto dela
– Ah, oi Spencer, como vai? — perguntou calmamente
– Estou bem. Eu queria lhe entregar isso — tirei do bolso do meu jaleco branco o celular da amiga dela, e o estendi até ela — Ficou comigo desde o dia do acidente, acabei esquecendo de dar á você ou a mãe dela, mas aqui está — ela o pegou — Ah, e ligaram para ela, mas eu não atendi
– Nossa, nem eu me lembrei — acendeu a tela, e checou as ligações, e disse — é a Maya, nossa eu esqueci completamente dela — disse arrependida, em desgosto com si própria
– Elas são parentes? — perguntei sem mais nem menos, por pura interação
– Ela é a namorada da Em — fiquei chocada com a resposta. NamoraDA? Enfatizei para mim mesma. Emily gay? Arregalei os olhos, abri e fechei a boca algumas vezes, sem conseguir dizer nada, até que por fim consegui
– É... namo...rada? — perguntei ainda chocada. Emily não parecia nada gay, tinha um rosto tão feminino
– Sim. Algum problema com isso? — perguntou meio desconfiada e já irritada
– É... nã...não, imagina. É só que... ela é tão feminina, não parece ser lésbica — expliquei meio sem jeito
– Hum — falou ainda desconfiada, arqueando apenas uma sobrancelha para mim — Você se surpreenderia com as garotas que eu conheço que são gays e são tão femininas quanto eu — apontou para si mesma, mostrando as roupas delicadas e os acessórios
– Ah — falei sem jeito, corando violentamente
– Acho bom que não seja um problema. As pessoas tem muito preconceito, julgam as pessoas de forma horrenda antes mesmo de conhece-las, e sabe, eu sei como é, pois vi o tanto que Emily sofreu, desde muito nova. Para mim nunca foi um problema, ela sempre me respeitou muito, somos amiga como irmãs e confidentes uma da outra, veja, até moramos juntas. Quando ela se descobriu, foi para mim que ela contou, antes de qualquer outra pessoa, ela chorava e estava devastada com si mesma, mas eu nunca fui o tipo de pessoa que julga o sentimento dos outros, ser gay é apenas uma forma diferente da maioria, de amar, e muitas vezes é até mais bonita, que muitos casais héteros. E pode confiar no que digo, sou uma hétero, e confirmo isso com plena certeza
– Desculpe, é só que eu fiquei surpresa, mas não há problema algum — disse, mas estava incerta de minhas próprias palavras, ficamos conversando por mais algum tempo sobre o estado de Emily e logo voltei ao meu serviço
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Aquela semana passou lentamente, tratei de procurar um serviço, eu precisava esvaziar a cabeça, ficar em casa como eu fazia antes ia acabar comigo, ainda mais agora que Emily não estaria ali todo dia para me fazer companhia. O pai dela foi embora no terceiro dia, depois de que chegou, seu serviço na polícia não havia o liberado, nem dado uma semana de férias se quer para cuidar da filha, e também não tinha muito o que ele fazer, já que ela estava em coma, tudo que todos podiam fazer era esperar resultados bons. A mãe dela por outro lado, conseguiu uma semana de folga, e passou todos os dias no hospital, e as noites na minha casa e de Emily, para descansar.
Uma coisa que me deixou muito intrigada foi o jeito diferente que Aria começou a me tratar, em relação a quando nos conhecemos, quando fomos a cafeteria, a "força" que me passou no quarto de Emily. Quando nos víamos nos corredores, ela desviava o olhar, quando não, corava violentamente me olhando de cima a baixo. Evitava ao máximo se aproximar de mim, parecia querer fugir, só não sabia o porque. Será que eu havia feito alguma coisa, alguma coisa que a deixou mal, será que eu havia feito algo errado? Me perguntava, mas não obtinha respostas.
Ela mantinha uma distância segura do meu corpo, toda vez que nos falávamos, diferente do dia no café, depois que nos conhecemos e ela me acompanhou até lá para "esfriar" a cabeça, naquele dia seus toques sobre mim deram ao meu corpo uma reação diferente, seus olhos eram intensos. Tudo nela estava bem distinto do que no dia que eu vi Emily pela primeira vez, depois do acidente, quando estávamos no quarto da UTI, e ela segurou minha mão. Voltei a lembrar do dia do café, quando ela limpou minha boca de mel, com o dedo, e levou o mesmo até a própria boca. Ela mal me cumprimentava com um aceno de cabeça, ou se não, quando eu tomava a iniciativa e levantava minha mão na direção dela, ela a olhava hesitante, voltava os olhos para os meus e sorria timidamente, mostrando as bochechas rubras, pela qual razão não sei, e apertava rapidamente, soltando-as o mais depressa possível.
Sua reação para comigo chegava a me assustar, quando ela dava um passo para trás quando eu chegava um pouco mais perto de seu corpo, nada perigoso, mas parecia que ela se incomodava tanto, e parecia que ia correr para o mais longe possível de mim. Um dia acabei questionando-a, depois que ela deu dois longos e rápidos passos para trás, quando fui me despedir dela, após tomarmos um café no refeitório do hospital, eu iria embora e fui me despedir com um abraço, mas ela recuou bruscamente, eu já estava no limite de indignação e acabei por dar algumas indiretas
– Eu não mordo Aria — falei rindo, franzindo o cenho desentendida
– Eu sei — sorriu de lado desajeitadamente, mas um sorriso tão perfeito quanto qualquer outro ensaiado — Desculpe — balançou a cabeça brevemente fechando os olhos se desculpando
– Mas parece que não. Eu te fiz alguma coisa? Achou minha ficha na polícia, viu que sou uma serial killer e agora está com medo de eu te matar? — perguntei ainda rindo, para disfarçar minha pequena revolta
– Não, sério me desculpe, eu só...- fez uma pausa, para pensar no que dizer — Nada. Não é nada, me desculpe mais uma vez — disse um pouco mais séria
– Certo, porque se tiver alguma coisa lhe incomodando pode me contar.Posso? — estiquei meus braços para abraça-la, ela aceitou o pedido e veio de encontro ao meu corpo, mas ainda estava receosa
Abracei-a e pude senti-la estremecer nos meus braços, já eu senti um frio gostoso na boca do estômago, e senti minhas bochechas se esquentarem rapidamente, eu estava corando, o perfume de seus cabelos inebriantes, invadiram minhas narinas, me deixando extasiada por um momento. O abraço estava durando mais que o necessário, mas parecia que nem uma nem outra queria se soltar, então resolvi das o primeiro passo e me soltei e ela fez o mesmo. Quando nos soltamos vi que seu rosto estava corado, e eu sabia que o meu também, mas sem mais delongas, falei "Tchau" mais uma vez e sai, e me precavi de não pensar sobre tais reações. Mike tinha ido embora, mas me ligava todos os momentos possíveis no dia para saber se eu estava bem, ele estava sendo o namorado perfeito e atencioso que eu sempre quis.
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