Minha vida em suas mãos. Spemily
17 17 - Um brinde à vida
Notas iniciais
Todos meus sentidos se entregaram àquele momento para sentir aquele beijo que meu eu inteiro desejava. Sentir sua boca colada á minha me proporcionou um turbilhão de fogos de artificio pelo meu estômago. Meu coração estava batendo tão descompassadamente, como alguém que jamais dançou na vida e ainda tenta entender como acompanhar a música no seu ritmo certo. Sua boca macia entre a minha, apertando nossos lábios. Deixei de pensar em qualquer outra coisa, era como se ela tivesse o poder de me fazer esquecer do resto do mundo todo quando estava perto demais. Me entreguei sem contestar. O beijo mais calmo, mas também o mais intenso de toda minha vida, sabia disso pois ele fez meu corpo inteiro responder de um jeito que eu não podia controlar.
Na verdade, ela tinha esse poder sobre mim, sempre que estava no meu campo de visão, e principalmente quando se encontrava perto o suficiente. Sempre tive total controle de minhas ações, com quem quer que fosse, mas ela me deixava fora de mim, quase como se arrancasse meu coração de meu peito com as próprias mãos e se tornasse completamente dona do meu ser, me fazendo sua marionete, fazendo o que quisesse de mim. Mas era uma sensação tão boa me sentir sua, que chegava a ser um pecado querer algo tão perfeito só para mim. A luxúria estava em mim, ou melhor, eu era a luxúria em pessoa. Todo esse meu querer insano não me deixava usar minha razão. Eu era uma maníaca querendo matar o meu desejo, querendo ter o que eu mais ansiava, e o mundo inteiro que se explodisse.
Deixei ela me levar de encontro ao sofá, pois eu já não era responsável por meus sentidos. No fundo eu sabia que era totalmente errado estar fazendo aquilo, mas como um boa pecadora, eu fazia sem me preocupar com as consequências. Sua língua em contato com a minha estava me deixando mais excitada. "Só pode ser outro sonho" pensei por um momento, mas agora eu sabia que tudo era real, e que tudo estava sendo incontestavelmente melhor que a fantasia que tive semanas atrás. Ela também estava entregue e isso me deixava ainda mais louca por contato. Minhas unhas faziam um caminho em suas costas macias, querendo trazer aquele corpo o perto máximo possível do meu.
Minha respiração se fazia mais difícil a cada segundo, mas eu me forçava a respirar mesmo que desajeitadamente, só para não ter que largar sua boca, já que eu sabia que, uma simples quebra daquele nosso contato, faria com que meu juízo repousasse em mim novamente, e aquele momento que se passava iria se acabar em uma procura pelo certo. E o certo não me parecia tão agradável naquele instante. Ela estava tão sem ar quanto eu, e foi terminado aquele beijo de uma forma tortuosa e deliciosa, puxando lentamente meu lábio com os dentes e chupando-o, sua boca, sua língua, eram doces. Mantive meus olhos fechados, não querendo "acordar", mas a realidade estava ali, e não seria fácil encara-la, agora que toda minha sanidade me cobria de pedras.
Abri meus olhos e encontrei os dela, num tom de azul escuro, cheios de desejo, assim como eu. Respirávamos dificilmente, pelo fato de termos forçado os pulmões. Seu perfume era tão bom quanto de longe. Sua voz lenta soou confusa
– O que estamos fazendo Aria? Eu não consigo parar. Não consigo controlar essa vontade de você — foi a primeira a se pronunciar
Eu não tinha palavras para dizer. Eu sabia o que estava sentindo, mas meu consciente insistia em querer me convencer do contrário. Eu sabia o quanto errado tudo aquilo era, mas ouvir aquela confissão me fez derreter debaixo dela. Porém, agora, eu estava ciente de que teria que dizer não a tudo aquilo, mesmo querendo dizer o mesmo a ela. Tentei procurar as palavras certas, mas elas fugiam de mim, meu desejo as arrastavam para longe de mim
– Hanna... — foi o que conseguir pronunciar apenas. Ela me olhou de uma forma triste
– Aria... — assim como eu, ela devia estar totalmente confusa — eu... eu não sei... eu quero tanto isso... quero tanto você... desde o primeiro momento que te vi... — ela ia continuar, mas eu a cortei
– Hanna... — caramba, era mais difícil do que parecia, falar que aquilo tinha que parar — Nós não... não podemos — meu coração se quebrou no exato instante em que disse tais palavras. Fechei meus olhos, pois eu não conseguia olha-la enquanto negava minha própria vontade de dizer "Eu também te quero"
Nós continuávamos do mesmo jeito, ela sobre mim, suas mãos acima de minha cabeça, e agora as minhas palmas apoiando suas costelas. Nossos rostos estavam alguns centímetro mais distantes, apenas para que se tornasse possível um contato visual melhor. Abri meus olhos depois de alguns segundos e encontrei os dela me fitando profundamente, e agora lacrimejados, ela estava se segurando para evitar que uma única lágrima caísse
– Eu sei Aria — seu tom era sôfrego, de quem vai fazer algo mesmo sendo totalmente contrário á ela — Sei mais do que você possa imaginar, sei o quanto isso está errado, sei que nada disso devia estar acontecendo, mas é mais forte do que eu, e você... você se sente da mesma forma, e pode negar o quanto quiser, mas suas ações te denunciam e principalmente teus olhos — falou num fôlego só, e sei que aquele foi um fôlego de coragem, o qual eu queria tanto ter — Aria — me chamou, nem eu havia percebido, mas já me encontrava com os olhos novamente fechados, logo abri-os
– Hanna... isso é errado — não confirmei suas palavras, mas também não neguei. "Quem cala consente", essa é a pura realidade. — Nós não podemos — eu não tinha mais o que falar
– Isso você já disse Aria, e eu também já disse que sei. Só me diga uma coisa, você também sente isso não é? — perguntou confiante
– Eu não sinto nada Hanna — menti olhando para seu ombro, tentei soar indiferente, mas não tenho certeza se consegui
– Diga olhando nos meus olhos isso Aria. — falou um pouco exaltada os olhos ainda marejados
Olhei-a nos olhos mas não falei nada, voltei a olhar para o lado e respondi-a
– Eu não sinto nada Hanna — novamente minha tentativa de ser indiferente falhou.
Com as mãos em suas costelas tentei faze-la sair de cima de mim, mas ela apertou ainda mais nossos corpos, pressionando — mesmo que não tenha sido a intenção — nossas intimidades. Gelei por dentro e meu centro se contraiu
– Não minta Aria, e nem tente fugir, só quero que você diga a verdade e eu sei que você não consegue olhar nos meus olhos enquanto mente. Foi você quem foi até meu quarto no outro dia e quase me beijou. Só quero a verdade, só quero que você me diga, depois... depois nós vamos esquecer, não vamos fazer mais nada — pediu novamente
– Não posso Hanna — meus olhos começaram a se inundar.
Eu precisava fugir dali. Empurrei-a, mas agora ela não contestou e saiu de cima de mim. Levantei, e parei em pé de costas para o sofá, me perguntei o que fazer, mas eu estava desnorteada, subi para o "meu" quarto. Chegando lá comecei a tirar todos meus pertences do guarda-roupas e jogar as coisas de qualquer jeito o mais depressa possível dentro das malas, quando não cabia mais nada saí em disparada pela porta, sem me importar com o que ficava para trás. Desci completamente desastrada com as malas, batendo-as nas paredes. Cheguei no primeiro andar já sem ar, deixei uma mala dentro da casa e fui com a outra para fora, em direção ao meu carro, joguei-a agressivamente no porta-malas, e voltei para buscar a outra.
Quando entrei novamente pela porta da frente e fui até as escadas pegar a outra mala Hanna apareceu do nada. Chegou bem próxima de mim, mas numa distância segura.
– Você age como uma adolescente á procura da barra da saia da mamãe. Foge quando as coisas saem do seu controle.- falou calma, os olhos marejados
– Eu Hanna? Você tem certeza disso? Você ao menos parou para pensar no Mike em algum segundo? — falei num tom o mínimo alterado, e uma lágrima escorreu por meu rosto
– Sim, tenho plena certeza do que estou dizendo. E não venha jogar a culpa de tudo para cima de mim Aria, eu não te obriguei a fazer nada, você agiu de livre e espontânea vontade, "Quando um não quer, dois não beijam"
Suspirei, procurando uma resposta evasiva, mas seus argumentos eram tão verdadeiros, que contraria-los seria inútil
– Quer mesmo saber, droga, você mexe comigo. Se era isso que você tanto queria escutar ai está — falei virada de costas para ela, andando em direção á porta. Parei — E droga, mais uma vez, o que eu mais queria é te beijar novamente — confessei e sai.
Coloquei minha outra mala no porta-malas e entrei no carro. Dirigi até minha casa, ainda sentindo sua saliva na minha boca, seu gosto delicado e tão prazeroso para mim. Entrei pela porta da frente, tudo escuro e quieto. Acendi as luzes e tranquei a porta atrás de mim, subi para o meu verdadeiro quarto e me deitei na minha cama, olhando para o teto. Fechei os olhos deixei meus pensamentos me levarem. Toquei meus lábios com a ponta dos dedos, lábios quais minutos atrás beijava deleitosamente uma boca saborosa e tão bem desenhada. Deixei meus olhos derramarem todo seu reservatório pela minha face. Seu cheiro estava exalando da minha roupa, de mim.
Não conseguia tira-la da cabeça. Todas as suas palavras vagavam na minha mente. "Eu quero tanto isso... quero tanto você", meu coração se apertou. O que aquela mulher estava fazendo comigo? Me fazendo perder a noção de todo o certo, de toda minha vida. Ela estava me tirando do meu eixo. Eu queria muito estar sentindo aquele beijo novamente, naquele exato momento. Dormi perdida nos meus desejos, e acordei com o despertador tocando na manhã seguinte. Mais um dia de trabalho, um longo dia por sinal, visto que eu não tirava Hanna um segundo sequer da cabeça. No café da manhã me lembrei da cafeteria no dia em que nos conhecemos.
Quando o mel escorreu por sua boca, por um instinto passei meu dedo no canto de seus lábios tirando o excesso. Naquele momento lembro de ter imaginado como seria tocar seus lábios inteiros. Agora eu sabia que era a melhor sensação do mundo. Mas tudo teria que ser esquecido, não sei exatamente a forma, mas teria. Fui para o hospital, e lá eu não conseguia me concentrar, até que Spencer chegou
– Aria, o que você tem? Está tão longe hoje, fiquei sabendo que quase deu um medicamento errado á um paciente — perguntou confusa, mas afável
– Desculpe, eu estou distraída mesmo, não vou mais errar. — falei lhe lançando um sorriso forçado — Ah, eu voltei para casa — informei com total normalidade na voz, para que não houvessem perguntas, mas ela era do tipo curiosa
– Oque? Por que? — perguntou mais confusa ainda
– Porque sim Spencer — falei exaltada. Não estava a fim de dar certas explicações
– O que a Hanna fez? O que aconteceu? Você parecia tão acomodada lá — jogou o questionário para cima de mim, e resolvi arranjar qualquer desculpa que não gerasse mais pergunta alguma, pois dizer a real razão não estava dentre minhas opções
– Eu peguei ela se jogando para cima do Ezra — menti
– Meu Deus Aria! — arregalou os olhos — Então era á ele a quem ela se referia no outro dia — falou, mais para si mesma do que para mim. Fiquei equivocada
– O que você quer dizer com isso? — perguntei curiosa
– Outro dia ela veio ver a Emily e eu as deixei a sós, quando voltei ouvi ela dizer que estava com sentimentos loucos por alguém que não devia — explicou
Meu coração parou. Não, não era o Ezra o responsável por esses sentimentos dela. Era... eu
– Aria? — me chamou, e logo sai do meu devaneio
– Sim — balancei a cabeça e dei atenção á ela — Então, é por isso mesmo que eu quero manter distância dela — menti novamente. O que eu mais queria é estar com ela
– Nossa Aria, que situação essa. Você vai contar para o Mike? — me perguntou e logo me exaltei
– Não! Não vou contar nada, eu já resolvi as coisas com ela. — eu não podia contar nada, pois aquilo era mentira, e tudo que havia acontecido de verdade, afetaria também a mim, e eu estava decidida a esquecer e não queria decepcionar meu irmão
– Você tem certeza Aria? O Mike está sendo feito de bobo — falou tentando me convencer
– Tenho Spencer — alterei meu tom de voz — Ele não tem que saber de nada, eu já falei com ela — na verdade Spencer tinha razão, e dizer que Mike estava sendo feito de bobo cortou meu coração, pois eu era uma das que o estava enganando
– Você quem sabe Aria.
E assim foi finalizada nossa conversa. Tudo que eu queria fazer era esquecer o que tinha acontecido, mas por mais que eu tentasse, não era algo que eu pudesse controlar. Eu só fazia: pensar nela. Aquele beijo parecia tão vivo em mim, seu perfume parecia ter grudado no meu corpo, onde eu ia sentia seu cheiro.
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Eu só queria a verdade, só queria ouvir da boca dela tudo que estava explícito na minha frente. Eu só queria que ela admitisse. E quando a ouvi dizer que também me queria meu corpo travou, e ainda escuta-la dizer que o que ela mais queria era me beijar novamente, fez minha felicidade se tornar eminente. Mas ela saiu pela porta da frente e tudo de bom que meu coração estava sentindo se esparramou pelo chão. Eu sabia que teria que esquecer, era o que eu havia prometido, tanto a ela quanto a mim. Mike. Mike não merecia nada disso, só que não foi algo planejado. Então eu iria esquecer todos os acontecimentos e me dedicar a ele. Faria de tudo para tira-la da cabeça.
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No outro dia me dediquei ao meu serviço, e pela primeira vez desde o acidente deixei de ver Emily por um dia todo. Ela não tinha culpa dos meus erros, e me senti mal por não te-la visitado, mas ir àquele hospital, desencadearia um encontro incomodo. Eu não saberia qual seriam nossas reações, e o que causa medo nas pessoas é não ter controle das coisas que vão acontecer, é não saber O QUE vai acontecer. Isso é horripilante, você ter os dois lados da moeda, cinquenta por cento de chance para que cada lado dela caia para cima, são chances iguais, e essa igualdade nos leva de volta a estaca zero.
Fui para a faculdade na segunda à noite e logo quando cheguei encontrei o Mike. Meu coração disparou, toda a cena da noite passada me voltou repentinamente. Quando ele chegou perto de mim forcei um sorriso e ele me beijou. Retribui da forma que pude, e por um instinto comparei o beijo dele com o da sua irmã. Se comparado à ela, ele tinha o corpo forte, me apertava de um jeito um pouco bruto, típico de homem, sua boca era áspera, mãos grandes e indelicadas, já nela tudo era o oposto, seu toque era macio e ao mesmo tempo que era carinhoso era extremamente sensual, a boca doce e macia como o toque de uma flor, um beijo devorador, á procura de conhecimento, querendo explorar cada centímetro da minha boca, e também querendo me proporcionar o mesmo prazer.
– Oi — disse sorridente
– Oi — respondi tentando esconder meu nervosismo
– Como foi seu dia? — me perguntou
– Bom e o seu? — menti. Na verdade meu dia tinha sido muito ruim, desconfortável, agora ainda mais
– Está melhor agora com você aqui — respondeu sorridente
Me limitei a dar um selinho nele, não consegui pensar em algo bonito para lhe falar
– Você está bem mesmo Hanna? Está inquieta. — perguntou me olhando um pouco confuso, mas calmo
– Sim Mike, tudo bem sim — lhe lancei um sorriso falso, mas bem disfarçado
– Que bom então. E a Aria como está? — caramba, tanta gente para falar e ela seria o assunto
– Não sei Mike — respondi de uma forma um pouco agressiva
– Ow! Por que esse nervosinho todo? Não perguntei nada demais — perguntou confuso
– Desculpe. — pedi, mais calma — Deve estar bem, não sei. Ontem ela voltou para a casa dela — falei indiferente, tentando ao máximo não soltar nada comprometedor
– Por que? Aconteceu alguma coisa?- ele estava sem entender
– Não sei Mike. De repente foi só porque ela quis?- fiz uma pergunta retórica sarcástica — Não aconteceu nada, ela só preferiu ir — á se ele soubesse a verdade
– Não entendo Hanna, ontem ela parecia muito bem acomodada lá, parecia se sentir na sua própria casa — se explicou
– As vezes nada é o que parece — minha frase tinha um duplo sentido, mais ele só conhecia um deles
– Muito estranho isso Hanna. — ele queria uma explicação, eu tinha certeza disso, mas essa eu não poderia dar a ele
– A Mike, deixa assim como está. Ela foi porque quis, e eu vou ficar bem, ok? — pedi quase que chorosa
– Tudo bem amor, eu deixo isso para lá. Mas mesmo assim, isso é estranho — falou compreensivo
– Certo Mike. Agora vou para a aula, se não vou me atrasar — sorri para ele e lhe dei um beijo
– Tchau amor — se despediu e fomos cada um para um lado
Ele era um cara muito bom para mim, eu gostava dele, mas agora, eu estava totalmente confusa, aquele beijo que ele me deu não me causou nada, nem um simples desejo por mais, eu só queria parar e me soltar dele. E mais, o beijo dela não me saia da cabeça, por mais que eu quisesse e me esforçasse a esquecer. Há um tempo que meus sentimentos estavam se distanciando do Mike, e eu nem havia percebido tais acontecimentos, não era como antes. No começo eu queria vê-lo todos os dias, passar cada segundo com ele, dividir tudo que me acontecia com ele, mas agora, eu não ligava mais se passasse uma semana sem ter contato com seu corpo.
Desde o dia do acidente, eu não havia mais transado com ele, primeiramente por me encontrar num estado, meio que de pré-luto, no dias mais recentes do acidente, mas passadas duas semanas, apesar da tristeza, as coisas já deviam estar voltando ao normal entre nós, como um casal. Mas eu não tinha mais vontade e nem sentia a necessidade de transar com ele, eu havia começado a reparar bem mais em Aria, e agora eu sei que todo meu desinteresse nele era porque o que eu queria na verdade era o contato dela. Decidi naquele momento que isso teria que mudar completamente. Eu iria recuperar meu amor por ele, minha vontade dele e querê-lo como antes, deixando de lado qualquer vestígio de interesse que Aria me causava.
Mandei uma mensagem para o Mike.
Sms on
Me encontra a agora naquele banheiro da área leste da faculdade, aquele desativado. -H
Já estou indo. Mas aconteceu alguma coisa Hanna? -M
Apenas venha rápido -H
Sms off
Me dirigi rapidamente para o lugar indicado. O banheiro não era mais usado á algum tempo, pois as salas daquele pavilhão estavam sendo reformadas, então o banheiro estava desativado. Chegando lá vi que estava tudo escuro. Entrei e o esperei. Alguns minutos depois ele entrou meio desesperado
– O que aconteceu Hanna?
– Isso! — disse e logo o puxei para perto de mim
Colei meu corpo no seu e pus minhas mãos na sua nuca enquanto começava a beijá-lo, e as dele agarravam minha cintura, firme e fortemente, apertando de um jeito nada delicado. Adentrei minha língua em sua boca e fui impulsionando-o a ir para trás. Logo entramos em uma das cabines. Empurrei-o pelos ombros, fazendo com que ele se sentasse. Olhei de um jeito malicioso e sexy em seus olhos, e logo me sentei em seu colo voltando a beija-lo. Sua mãos exploravam meu corpo, sedentas por mais, as minhas apertavam sua nuca fortemente incentivando ele a fazer mais.
Puxei sua blusa para cima e tirei-a sem ajuda. Passeei minhas palmas por seu abdômen bem definido, e sua boca logo começou a descer para meu pescoço, chupando-o e mordendo-o fortemente. Gemi. Minha blusa começou a ser desabotoada, e as mãos forte á apertar meus seios sem doçura por cima do sutiã. Seus lábios foram descendo mais e Mike afastou o tecido que cobria meu seio com o dedo, logo tomou-o com sua boca, sugando e lambendo meu mamilo. Joguei a cabeça para trás e me deixei sentir, mas não estava sendo tão intenso quanto eu achei que fosse ser, mesmo com todo o contato se aprofundando aos poucos. Comparei novamente: o prazer daquele simples beijo de Aria era mais forte do que tudo que ele estava me fazendo naquele momento. Desabotoei sua calça e ele logo se levantou um pouco comigo no colo e a puxou, ficando apenas de cueca.
Era possível ver sua ereção já excitada. Me desvencilhei rapidamente da minha calça e calcinha enquanto ele descia a cueca, baixando-a até os joelhos, coloquei uma camisinha nele, a qual eu havia trazido e se encontrava no bolso da minha calça. Voltei a me posicionar sobre ele, e me sentei no seu colo deixando que me penetrasse no mesmo instante. Gritei quando ele me invadiu, pois minha intimidade não estava úmida o bastante. Comecei a me movimentar sobre ele, para cima e para baixo, ele gemia enquanto beijava meu pescoço. Eu reprimia meus gritos pela dor que sentia.
– Hanna — gemeu meu nome, ele estava chegando ao seu ápice
Continuei, mas o prazer que ele estava sentindo não era recíproco por mim. Eu estava chegando ao meu limite. Ele logo explodiu num orgasmo, eu apenas me vi cansada, nenhum líquido de prazer saiu de mim.
– Eu estava com saudades — me forcei a falar e lhe beijei demoradamente.
– Eu mais ainda meu amor. Te amo Hanna — me assustei, lhe beijei mais demoradamente ainda. Não consegui dirigir a mesma frase a ele.
Me levantei e sai de cima dele, começando logo a me vestir, e ele fez o mesmo. Já vestidos nos beijamos e saímos de lá. Eu ainda tinha uma aula. Me despedi de vez dele, e disse que depois da aula iria de volta para casa, pois estava exausta. Ele apenas me lançou um sorriso malicioso e foi para sua sala. Não foi como eu esperava. Foi um contato carnal sem sentimento, eu não tinha sentido o mínimo de prazer, me sentia apenas dolorida. Depois da aula voltei para casa. Sozinha me deitei na minha cama, e cansada dormi rapidamente.
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Abri meus olhos. Estava cansada demais, parecia que um trator havia passado sobre meu corpo. Tentei me mexer mas não consegui, meu corpo doía muito. Minha vista estava embaçada, tudo que eu conseguia enxergar eram borrões, as paredes brancas demais estavam me deixando mais cega ainda, pela luz que nelas batia. Pisquei algumas vezes me forçando a ver melhor. Não tinha me dado conta de onde estava ainda. Senti uma mão segurando a minha, acariciando-a e brincando com meus dedos. Consegui virar apenas minha cabeça, e ainda enxergando borrões pisquei e notei uma mulher. Uma mulher linda. A pele tão clara, quase como aquelas paredes, os cabelos jogados de lado, o corpo magro, e seus olhos castanhos claros fitavam um livro. Ela era linda, mas eu não tinha ideia do porque dela estar ali comigo, eu não a conhecia.
– Acho que eu morri e vim parar no céu — consegui dizer, mais com uma voz baixa e falha, porém ela ouviu
Virou-se para mim, os olhos arregalados, surpresos. Ficou me fitando e acabou por derrubar o livro no chão.
– Ei, o anjinho ai pode me dizer onde estou? — nossa, eu devia estar mesmo "grogue", flertando assim
– E-Emi-Emily — proferiu perplexa sem soltar minha mão
– Acho que sim — ri
– Emily, meu Deus, Emily. — ela estava mais boba que eu, em pé do meu lado, estática
– Isso — ri novamente do seu jeito bobo — E você quem é? — perguntei sorridente
A mulher se inclinou e beijou minha testa, gelei com o contato, e também me surpreendi
– Emily me desculpa, eu não sei o que te dizer. Eu estou tão feliz que você tenha acordado — falou num fôlego só
– Eu desculpo — ri novamente — Comece me dizendo seu nome — pedi novamente
– Spencer. Eu vou chamar o Wren, já volto — disse rapidamente e saiu sem dar espaço para que eu falasse algo
Que mulher linda ela era. Por fim percebi que estava num hospital, só não sabia a razão e nem o porque daquela linda desconhecida estar ali comigo e ainda ter beijado minha testa. Eu não me lembrava dela, por mais que tentasse. Minha garganta doía bastante, assim como tudo em mim. Eu estava com um tubo no nariz, e por todos os lados haviam fios, tubos, aparelhos, um monitor, eu não conseguir me lembrar do que havia acontecido antes de pegar no sono, e me forçar a lembrar me causou uma dor de cabeça. Logo ela voltou com um homem, um médico, deduzi vendo suas roupas
– Emily, eu não acredito que você finalmente acordou — o médico sorriu abertamente para mim
– Dr. O que aconteceu comigo? Por que eu estou aqui? — perguntei, e antes dele começar a falar a mulher se virou para mim e começou
– Você sofreu um acidente Emily, eu te atropelei — falou e uma lágrima começou a escorrer por seu rosto
– Calma. Spencer não é? — perguntei e ela confirmou com a cabeça — Eu estou bem
– Me desculpa Emily — abaixou a cabeça e pôs as mãos no rosto, logo ouvi seu choro baixo
– Não chore Spencer — tentei me levantar, mas minha cabeça rodou, deitei novamente — Vem aqui. — chamei e ela logo se pôs do meu lado, segurei sua mão — Está tudo bem. Eu não me lembro o que aconteceu, mas independente do que tenha sido, eu te perdoo, ok? — Sorri para ela e ela devolveu o mesmo gesto
– Emily, você ficou em coma por mais de um mês — começou o médico a dizer — Nós achávamos que você nunca mais voltaria do coma. Quando tudo aconteceu nós não pudemos fazer nada, você se encontrava num estado delicado, e as cirurgias não foram possíveis de serem realizadas por essa razão, nós achamos que você ficaria em estado vegetativo pelo resto da sua vida, mas olha você, acordada, milagres acontecem Emily, agradeça a Spencer por não ter fugido do local do acidente e ter te ajudado, te trazido para esse hospital tão bem preparado que é, e não ter deixado você em qualquer lugar
Aquele foi um choque, saber que eu fiquei a beira da morte. Era isso mesmo que eu havia escutado? Sim, foi isso, se eu não tivesse sido ajudada eu estaria... morta. Meu coração disparou. Mais de um mês em coma, todo esse tempo "morta" para o mundo. Não era apenas a sensação de ter sido atropelada por um trator, eu realmente havia sofrido um acidente, e digerir todas essas informações, assim, que foram jogadas para cima de mim sem dó nem piedade, era demais para minha cabeça. Apenas um médico sincero e rápido com as informações. Era demais para aguentar. Não consegui dizer nada, apenas me deixei cair no sono repentino.
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