Minha vida em suas mãos. Spemily
12 12 - Tempos difíceis
Notas iniciais
Aquele dia foi realmente muito agitado, desde as primeiras horas dele. Spencer me ligou desesperada e eu fui ajuda-la, depois de horas esperando no hospital, me chega aquela garota, toda estressada e agressiva. Hanna. Ela estava com fogo nos olhos e tudo que eu pude fazer foi tirá-la de cima da minha amiga, o que me causou um certo tremor por dentro quando a puxei daquela forma. Fiquei muito surpresa quando o Mike chegou e falou que era namorado dela, mas o que realmente me causou mais estranheza foi quando estávamos indo e já dentro do café, e alguma coisa me dizia pra cuidar dela, e eu queria faze-lo.
Não queria ver aquele mar azul de seus olhos transbordar em lágrimas, foi tudo muito... intenso, de certa forma para mim, mas nem eu mesma sabia explicar o que me aconteceu, e nem me dei ao trabalho de pensar, não tinha porque e nem nada no que me aprofundar no assunto. O cansaço me tomou e nem pude ficar com Spencer no hospital algo que eu realmente achei muito errado da parte dela, mas não adiantaria discutir, então fui para casa, descansar meu corpo e minha cabeça.
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Voltei do hospital, mesmo contra minha vontade, vim o caminho todo pensativa, sem dizer nada, ao não ser o caminho da minha casa para que Mike chegasse lá dirigindo meu carro. Eu estava exausta, mas nada me saia da cabeça. Seus braços envoltos em mim, seu sarcasmo maldito, seu cuidado e carisma, suas mãos nas minhas, seu olhar profundo, sua boca avermelhada, tudo respectivamente estava me deixando frustrada. Porque pensar naquilo? Nela? Eu só não queria pensar. Ou sera que queria. Você não pensa em alguém, se esse não lhe interessa, só faz isso quando ele tem algo que você quer. E eu tentei. Bem que tentei deixar de lado, mas quando mais eu dizia para mim mesma " Não pense nela", meu cérebro dizia " Ok. Mas em quem mesmo você não quer pensar?", "Nela" eu respondia, e pronto, lá estava ela na minha frente, sorrindo e segurando minha mão, parecendo uma bonequinha de porcelana. E a cada pensamento do tipo eu me perguntava o porque de estar pensando naquilo, mas eu não tinha resposta. Em outro momento eu estaria surtando, se estivesse tendo esses pensamentos, mas naquele momento não, pois quando eu lembrava do seu toque, eu simplesmente me acalmava, e sentia um frio na barriga subir e descer no meu estômago no mesmo instante.
Fui tirada do meu mundinho mágico com um susto. Mike já estava com o carro parado em frente ao portão da minha casa, e me chamou, mas sem resposta, pegou meu braço levemente me chamando, dei um pulo do banco, virando bruscamente para ele que me olhou confuso e logo me acalmando
– Ei calma amor. Chegamos. — me sorriu docemente
– Ah sim, estava distraída — ri de lado
– Hum. E o que te distraia exatamente? — me perguntou sem olhar pra mim, apenas por perguntar, e já ia saindo do carro, mas eu me entreguei, me embananei toda
– Em... nada... nada, porque tá perguntando? — apenas a forma como eu gaguejei denunciou meu desespero, que nem sabia a razão
– Por nada — riu — não quer me contar mesmo o que você estava pensando? — perguntou desconfiado ainda com um sorriso meigo nos lábios
– Não, não é nada não amor. É... vamos entrar então. — não consegui olhar nos seus olhos, então sai do carro disfarçando meu nervosismo, e por sorte ele não percebeu, ou apenas deixou passar.
Abri a porta de casa. Tudo estava tão escuro, quieto e mortificado lá dentro, faltava alegria no local, faltava a Emily. Adentrei a sala com os olhos marejados, tateei a parede a procura do interruptor, quando encontrei-o acendi a luz, e fui entrando pela casa com Mike, indo diretamente para a cozinha, estava faminta. Ao chegar reparei que tinha algo sobre o balcão do centro da cozinha, cheguei mais perto e me deparei com um cartão em formato de coração, vermelho, todo brilhoso, e sobre ele uma caixinha. Primeiro resolvi abrir o cartão com meu nome, analisei mais um pouco, e por fim o abri
" Sabe quando alguém faz parte da sua vida, e você simplesmente acorda todos os dias agradecendo por te-la ali do seu lado?
Quando palavras não definem todo o carinho que você sente por ela, e que não existe gesto lindo o bastante para expressá-lo de forma suficientemente como ele realmente é, e todo cuidado não é o bastante para deixar de ter medo que essa pessoa se quebre e sofra diante dos seus olhos?
E você se sente como uma mãe com seu bebê nos braços, frágil e pequeno, dando a ele toda a proteção que você consegue e além?
EU me sinto assim Hanna, e a única coisa que eu posso fazer é lhe agradecer minha amiga, minha pequena irmãzinha de outra mãe.
Lhe agradecer por me deixar compartilhar os melhores momentos da minha vida com você, por sempre ter me feito sorrir, sempre ter me apoiado em tudo que eu fiz, e me ajudar e apoiar também a ser quem eu sou.
Prometo te amar e cuidar de você até o fim dos meus dias, pois amigas como você são raridades, não são todos que tem a sorte de ter.
E eu sou uma grande sortuda. Obrigada amiga, por tudo.
Te amo"
–Emily
Foi inevitável naquele momento segurar minhas lágrimas, peguei a caixinha e a abri, observei chorando com atenção, nela havia um colar duplo, duas metades de um coração, de um tamanho considerável, cada um com uma pedrinha brilhante e em baixo de um escrito Hanna, e no outro Emily, peguei o que tinha o meu nome, e olhei atrás dele " My sister, my friend, my life! ", toda água do mundo parecia estar nos meus olhos, e tudo aquilo parecia estar me quebrando mais do que eu já estava. Ainda com o cartão e a caixinha em mãos, encostei as costas no balcão e me deixei escorregar, até chegar ao chão.
Eu já não tinha mais sustento algum, minhas pernas não tinha forças. Eu não tinha forças. Apertei o colar na mão, e me deixei desabar. Porque aquilo estava acontecendo comigo? Porque ela? Porque não eu? Era tão injusto ela estar naquele estado, enquanto existem tantas pessoas más no mundo, e ser ela que estava passando por aquilo, justo ela, uma pessoa de um coração tão enorme quanto o universo. Ela não podia estar fazendo aquilo comigo, e por um momento senti raiva dela, raiva por ela ter me deixado, não totalmente, mas me deixado. Mas as pessoas são também egoístas quando estão sofrendo, se esquecem que nem sempre a culpa é daquele que se está sendo apontado. São egoístas e condenam aquele que mais se ama, aquele que mais se preza, pois elas não querem ser deixadas, e culpam um outro para arranjar uma forma de descarregar e se desviar dos problemas.
Pobres almas egoístas dessa terra de abominações humanas, infelizes egocêntricos, que esquecem acima de tudo, que não são Deuses que devem ser saciados de nada, que são apenas... humanos, pequenos, errôneos e frágeis, que não suportam o simples fato de perder, que se acabam por algo que é tão natural, e que mesmo sabendo de todos esses defeitos, não deixam de o serem, as vezes apenas escondem-os num baú no seu fundo, e deixam adormecer, para um dia abrir novamente, e acordá-lo sem poder mais doma-lo e deixar sair algo que devia ser trancafiado a sete chaves e jogado num mar sem fundo, que só desce e nunca para de faze-lo.
Decidi guardar naquele momento no meu baú, meus pertences, e voltei a realidade de mim mesma, e conclui que era isso. Emily não tinha culpa, nem eu, nem ninguém. Talvez o destino, mas quem sabe por quem esse livro é escrito, quem sabe ele não pode ter sido roubado e estar sendo reescrito maleficamente por alguém perverso o bastante. Pus o colar que tinha o nome de Emily e percebi Mike chegando do meu lado, sentado junto comigo logo em seguida, me abraçando e beijando meu ombro afavelmente. Tudo que ele podia me fazer no momento era isso, ficar junto de mim e me consolar sem palavras, pois nenhuma delas iria fazer o meu mal passar. Depois de um tempo ali, levantamos comemos e fui dormir com ele, esperando que tudo não passasse de um pesadelo.
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Acordei com dor de cabeça, como se estivesse com uma terrível ressaca, o barulho da campainha ecoando sofrivelmente em meus ouvidos, olhei as horas no celular, já passavam de meio dia. Caramba! Mais de dez horas de sono profundo, Mike não estava do meu lado, olhei na cômoda ao lado da cama e vi um bilhetinho " Sai para buscar comida, volto logo ". Novamente a campainha tocou, me levantei, coloquei um roupão e sai em direção a porta da frente, quando a abri dei de cara com o pai e a mãe de Emily, com malas de rodinhas no chão e com expressões de sofrimento. Mandei-os entrar, pedi licença só para escovar os dentes e por roupas descentes. O fiz e logo voltei, quando cheguei a sala expliquei com mais calma mas não menos triste tudo que havia se passado, ou no caso, tudo o que eu sabia. Pam tinha os olhos cheios de lágrimas, acompanhada por Wayne (pai de Emily) e eu, que não sabia de onde ainda viam as lágrimas, pois eu pensei ter esgotado todas elas no dia anterior. Esperamos Mike chegar e fomos para o hospital. Lá fomos liberados depois de um pouco de discussão dos pais de Emily (nervosos) e Spencer (calma), para vermos ela.
Ela estava toda machucada, com muitos aparelhos ligados em si, e em... coma. Estávamos Pam, Wayne, Spencer e eu dentro do quarto, Mike preferiu deixar-nos a sós, apenas os mais próximos de Emily, afinal ele nem a conhecia direito. A mãe dela chorava nos baços do marido, ao lado da cama da filha, Spencer ficou na porta apenas observando, e eu fiquei um pouco atrás dos dois, com os braços cruzados sob o peito, deixando as lágrimas escorrerem sem terem pedido permissão. Senti então uma mão tocar meu ombro, me virei e senti meu corpo gelar, num arrepio. Era ela, era Aria, me olhando ternamente com um sorriso de canto de quem está triste pela sua tristeza, assentiu como quem diz "Tudo vai ficar bem"
– Vai dar tudo certo, ela vai melhor Hanna — foram sua palavras baixas para mim
Sorri para ela, agradecendo, e sem dizer nada, e voltei a olhar para frente para Emily, mas logo me veio outro choque no estômago, sua mão foi deslizando do meu ombro pelo meu braço, até chegar na minha mão, abri-a involuntariamente e pude sentir ela roçar uma única vez sua palma contra a minha e logo entrelaçar seus dedos com os meus, apertando minha mão docemente, e acaricia-la com o polegar. Não me virei para olha-la. Não sabia o porque daquilo, mas tinha algo dentro de mim que sorria com um medo feliz, e me deixei levar e também apertei sua mão sentindo seu calor.
Eu, Mike e os pais de Emily almoçamos num restaurante ali perto, dispensando ir para casa comer o que Mike tinha ido buscar mais cedo. Passamos o dia todo no hospital, e durante esse tempo fiquei sempre a procura de Aria com o olhar, e quando eu a via passar prendia meu olhar nela, observando cada curva, cada traço seu, disfarçadamente. A noite chegou e nós quatro fomos de volta para minha casa, deixei eles num quarto de hóspedes, e fui me deitar com Mike, pois ele tinha que voltar para Cambridge logo cedo no outro dia, para trabalhar e ir para faculdade. Eu também teria que ir para a faculdade, mas eu faria o contrário, resolvi me dar uma folga e focar em Emily naquela semana, voltaria só na outra. Deitei minha cabeça no ombro dele e me deixei cair no sono assim, no aconchego de seus braços.
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A noite foi horrível, dormi sem nenhum conforto, e acabei acordando com o corpo "quebrado", mas deixei de lado a dor quando vi Emily ali deitada. Seu rosto era tão bonito, tão terno, transmitia a calma que eu não tinha no momento. Fui para o meu escritório, lá eu tinha meu banheiro particular com chuveiro e tudo. Tomei um banho e fiz minha higiene matinal e me pus a trabalhar para esquecer um pouco os problemas.
Foi tristemente magoante quando os pais dela vieram. Depois de teimarem, permiti a visita deles e de Hanna. Muito triste velos chorando daquela forma. E me senti horrível vendo aquela cena. E confusa com a reação de Aria para com Hanna, mas não tinha o que dizer, era a cunhada dela e ela estava dando uma força, só isso. Depois de saírem quiseram do quarto continuar no hospital, mesmo sem poder vê-la. Trabalhei o dia todo e não vi Toby, para minha sorte. Eu não estava com estômago para encará-lo. A noite chegou e desanimei só de ver aquela poltrona desconfortável, mas era ali que eu ia ficar, e assim o fiz novamente, pegando no sono pouco melhor que na noite anterior.
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Hanna estava tão triste, e ver aquilo me deixou da mesma forma, e eu queria fazer algo para ajudá-la, só não sabia o que. Me pus do seu lado e só consegui dizer uma pequena frase de consolo, e ao ver aqueles olhinhos vermelhos molhados meu coração apertou. Instintivamente percorri seu braço, unindo nossas mãos e apertando-as. Senti-a estremecer, e comigo aconteceu o mesmo, assim como um frio por dentro me percorreu com o contato.
Eu estava tão confusa como nunca estive, o que era aquilo que me adentrava quando ela estava perto, que reações eram aquelas? Não podia encher minha cabeça de coisas sem fundamentos e decidi não pensar, mas a cada vez que eu passava por algum corredor e conseguia vê-la meu coração palpitava mais rapidamente, e eu só queria encará-la, mas não podia e disfarçava. Com isso o dia se tornou torturante e passou lentamente. A noite voltei para casa sozinha de novo e me deixei dormir tendo meus pensamentos me tomando.
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