Minha vida em Crepúsculo
7 A Desavença
Notas iniciais

POV Olivia
Arregalei os olhos assim que percebi o que fiz. Não que eu estivesse arrependida, muito pelo contrario, se tivesse que fazer de novo eu faria só pra ter o gostinho de ver a cara do Edward, parecia que eu tinha dado um soco nele e não batido de leve no seu precioso carro. Entretanto eu tinha essa mania de fazer as coisas sem medir as consequências, e agora além de pagar o concerto do meu carro eu teria que pagar o do volvo também, afinal eu poderia ter batido o carro de leve mais fez um belo de um amassado, eu estava pulando de alegria por dentro, pois descontei todo o meu estresse nesse pequeno incidente.
As pessoas que estavam do lado de fora do meu carro não conseguiam ver o que acontecia dentro do mesmo, por causa dos vidros escuros, mais eu via tudo do lado de fora. Os outros alunos que estavam na garagem estavam se aproximando pra ver o que acontecia, o Edward estava olhando incrédulo pro amassado do carro dele, os outros Cullen eu não conseguia entender suas expressões.
Olhei pro Edward e percebi a fúria que emanava dele, mesmo eu estando dentro do meu carro, talvez eu estivesse com um pouquinho de medo, mais logo mandei esse sentimento pra bem longe de mim. Ok, se eu quisesse me livra de pagar o concerto do carro dele e não ter mais problemas, já que eu ia receber uma bela bronca do meu tio assim que a fofoca caísse nos ouvidos dele, eu teria que usar o que aprendi nas três semanas que fiz no curso de teatro, eu sabia que aquelas três semanas iam servir pra alguma coisa. Respirei fundo e coloquei a "mascara" de arrependimento e sair do carro.
— Ai meu Deus, eu sinto muito pelo que aconteceu. — eu disse me aproximando do Edward, com certa cautela, claro — Foi sem querer. — "não foi não" meu subconsciente retrucou com certo orgulho — Não sei o que me deu, quando vi já tinha acontecido.
Ok, eu estava me segurando muito pra não rir da cara que o Edward estava fazendo desde o momento que sair do meu carro, estava impagável, ele me olhava provavelmente me achando bipolar. Olhei ao redor e parei meus olhos nos outros Cullen, os gêmeos Hale estavam me olhando com o que percebi ser incredulidade e raiva, o tal de Emmett estava rindo atrás da loira e a Alice me olhava risonha, nesse olhar eu sabia que ela sabia que eu tinha feito de propósito, como eu sabia disso? não fazia ideia.
Voltei meu olhar pro Edward, esse olhar meu pai costumava chamar de "olhar especial" pois eu poderia conseguir tudo o que quisesse só com esse olhar, eu não costumava usar isso, só pra me livrar das broncas dos meus pais, entretanto eu iria fazer uma exceção a regra.
— Olha, eu posso pagar pelo prejuízo. — eu murmurei usando o meu "olhar especial" no Edward, vi ele suavizando as feições dele — Eu posso dar um jeito, mais eu pago.
— Não precisa. — ele negou, percebi os outros Cullen olharem pra ele incrédulos — Nem foi tão grave assim.
Sorri internamente, mais por fora eu estava com a "mascara" de arrependida.
— Não, eu posso pagar, serio, de verdade. — retruquei o encarando.
— O que está acontecendo aqui? — ouvi a voz do diretor do colégio. Agora eu estava completamente ferrada.
— Foi um acidente diretor, mais já resolvemos. — o Edward respondeu olhando diretamente pro diretor.
Certo, agora quem estava sem entender nada sou eu. Por que cargas d'água ele estava me livrando de uma suspensão? Uma pergunta sem resposta.
Depois de uns minutos o diretor conseguiu dispensar os curiosos e voltou pra sua sala. Edward olhou pra mim e disse:
— Está tudo bem, foi um acidente, não se preocupe em pagar o concerto do meu carro.
Ok, eu estava surpresa, mais não ia reclamar de jeito nenhum. Concordei com um aceno de cabeça e dei as costas a eles entrando no meu carro pra voltar pra casa.
(...)
Já de noite, eu estava na sala de casa e já tinha feito o jantar, mais o tio Charlie ainda não tinha chegado da delegacia. Alguns minutos atrás tinha recebido o telefonema da Jessica dizendo que o Mike tinha aceitado o convite dela pra ir pro baile, ela estava exultante de felicidade, aproveitei que estava falando com ela e sugeri que ela dissesse pra Angela convidar o Eric e pra uma garota chamada Lauren que poderia convida o Tyler, Jessica achou que seria uma ótima ideia e disse que ia fazer, nos despedimos e agora eu estava aqui sentada no sofá esperando o tio Charlie chegar e me dar a bronca que eu sabia que levaria pelo "incidente" de mais cedo.
Uns minutos depois ouvir a porta ser aberta e fechada, sabia que era tio Charlie. Olhei pra ele e pelo seu semblante ele com certeza sabia o que tinha acontecido.
— Boa noite tio. — o desejei me levantando e indo em direção a cozinha — Fiz salada, arroz e estrogonofe pro jantar.
— Boa noite. — ele me desejou se sentando a mesa, me sentei também e me servi da comida — Fiquei sabendo o que aconteceu no colégio hoje mais cedo. — ele começou a abordar o assunto.
— Foi um acidente tio. — eu tentei contornar a situação, sabia que não tinha sido um acidente, mais não queria decepcionar meu tio.
— Eu sei, o senhor Cullen e o próprio Edward me explicaram. — ele comentou e eu me engasguei com o suco que estava tomando — Tudo bem querida? — ele perguntou preocupado.
— Sim tio, estou bem. — respondi uns segundos depois, eu estava surpresa, muito surpresa — Eles falaram com o senhor?
— Sim, eles resolveram vim falar comigo antes que eu ficasse sabendo por fofocas. — ele me respondeu enquanto comia — O Edward me explicou que foi um acidente de percurso, que eu não deveria brigar com você porquê não foi sua culpa.
Eu estava chocada, não sabia o que pensar, nem o que dizer. Não conseguia entender porquê o Edward faria isso, me livraria da suspensão de manhã que com certeza o diretor ia dar pra mim, e agora me livrava da bronca do meu tio, eu não conseguia entender e sinceramente eu estava exausta pra quebrar a cabeça com isso agora.
— Um, é... — eu não sabia o que pensar ou dizer, depois de um momento eu lembrei da ida a Boston que eu queria fazer no final de semana — Tio esse final de semana eu vou pra Boston, eu queria visitar o túmulo dos meus pais, você se importaria?
— Querida eu não vou poder acompanhar você, vou ter que ir pra delegacia esse final de semana. — ele respondeu me olhando tristemente.
— Eu poderia ir sozinha. — propus o olhando — É só por dois dias, eu poderia ir na sexta de tarde e voltar no domingo de tarde, não teria perigo algum.
— Eu não sei, você sozinha em Boston. — eu via que ele estava em duvida.
— Por favor tio, eu queria muito poder visitar os túmulos dos meus pais. — eu pedi nervosa, afinal ele era meu tutor se ele não deixasse, eu não poderia ir.
— Onde você vai ficar? — ele perguntou me encarando.
— Na minha antiga casa, ela ainda é minha e vai ser bom pra pegar algumas coisas também.
— Tudo bem pode ir. — comemorei — Mais tem uma condição. — desanimei — Você vai me ligar a cada três horas, é isso ou nada feito.
— A cada três horas? — perguntei só pra me certificar, ele confirmou — Tudo bem, a cada três horas eu ligo pro senhor pra dizer que estou bem.
— Ótimo, eu gostaria de ir com você, mais infelizmente não vou pode.
— Eu sei. — dou um suspiro — Agora eu vou dormi, estou cansada, boa noite tio. — dou um beijo na sua bochecha e vou pro meu quarto.
Como já tinha tomado banho e já estava de pijamas, só fiz deitar na minha confortável cama. Fiquei por um momento tentando entender o por que Edward me livrou de duas coisas hoje, mais logo o sono bateu e eu dormi.
(...)
Na manhã seguinte, assim que cheguei ao colégio fiz questão de estacionar o meu carro o mais longe possível do volvo, pra não cair em tentação e bater com o meu carro nele de novo.
Assim que tranquei o carro senti a chave do mesmo escorregar, antes mesmo de me abaixar pra pega-la, vi uma mão branca pega-la num flash e quando olhei pro dono da mão vi Edward parado confortavelmente na minha frente.
— Como é que você faz isso? — perguntei estendendo a mão pra pegar as chaves.
— Faço o que? — ele perguntou jogando as chaves na palma da minha mão.
— Aparecer do nada. — digo enquanto guardo as chaves no bolso da calça que estava vestindo.
— Eu não tenho culpa que você é distraída. — ele disse, eu não era distraída coisíssima nenhuma, arqueei uma das sobrancelhas o olhando incrédula com a desculpa dele — Eu estava perto o tempo todo.
— Claro que estava. — disse sarcasticamente enquanto me virava de costas pra ele e começava a caminhar pra entrada do corredor pras salas de aula.
— Espere, quero falar com você. — ele pediu tranquilamente enquanto andava do meu lado — Quero te fazer uma pergunta.
— Vou me arrepender disso, tenho certeza. — sussurrei baixinho pro ser do meu lado não me ouvir, parei de andar e o encarei — Ok, pode perguntar.
— Eu estava imaginando se no sábado, sabe no dia do baile...
— Você está de brincadeira? — o interrompi, o encarando seriamente.
— Você não me deixou terminar. — dei um suspiro — Eu queria saber se você quer que eu te acompanhe na sua ida a Boston?
— Como é?- eu estava incrédula.
— É, sabe, pra você não ir sozinha. — ele disse aquilo completamente calmo.
— Como sabe que eu vou sozinha? — perguntei confusa.
— Eu sei que o seu tio vai trabalhar na delegacia no final de semana, as noticias correm. — Edward me explicou, fiquei em silencio só o olhando — Então você quer que eu te acompanhe? — ele voltou a perguntar.
— Não. — neguei logo voltando a andar.
— Por que não? — ele perguntou seriamente, andando atrás de mim.
— Porque Edward eu não vou viajar com você, ainda mais pra Boston. — parei de andar e me virei pra ele e acabamos esbarrando um no outro e ficamos cara a cara. Nos encaramos profundamente, estávamos perto demais um do outro, engoli em seco e logo depois dei um passo pra trás.
— Prefere ir sozinha? — ele perguntou ligeiramente perturbado, não respondi porquê realmente era difícil pra mim a ideia de ir sozinha pra Boston, por causa de tudo que aconteceu — Eu posso acompanha-la. — ele afirmou.
— Nem somos amigos Edward. — comentei calmamente o encarando — E não por culpa minha. — resolvi dar uma alfinetada de leve nele.
— Eu sei que a culpa é minha, mais eu só tentei te dar um aviso. Seria prudente não sermos amigos, mais sinceramente eu não estou ligando mais pra isso. — ele disse tão confiante que eu realmente achei que ele era bipolar ou tinha sido trocado por outro durante a madrugada — I ai vai me deixar te acompanhar até Boston?
— Olha Edward, eu agradeço a preocupação — na verdade não sabia se agradecia realmente, eu estava confusa demais pra isso — mais realmente é melhor não, tchau.
Me virei e comecei a andar, dei uns quatro passos pra longe dele, mais parei assim que ouvir a próxima fala dele.
— Eu realmente não queria fazer isso. — escutei o murmuro dele — Mais você está me devendo, dois favores.
— Como é que é? — me virei pra encara-lo — Como assim eu estou te devendo favores? — me aproximei dele.
— Horas, eu te livrei de ser suspensa do colégio e da possível bronca que o seu tio daria em você, o mínimo que você poderia fazer é aceitar a minha companhia até Boston. — ele falou aquilo como se estivesse falando do tempo.
— Você está me chantageando? — perguntei incrédula, eu acho que o próximo amassado que eu fosse fazer não seria no carro precioso dele e sim no belo rosto dele, eu queria muito bater em alguma coisa, especificamente no idiota na minha frente.
— Não, claro que não. — ele respondeu como se eu tivesse perguntado pra ele se ele tinha três cabeças — Veja como uma troca de favores. — arqueei uma sobrancelha, eu ia bater nele.
— Quer saber Edward — comecei a falar calmamente depois de ter respirado fundo e contado até dez mentalmente — Eu não pedi pra você me livrar da suspensão e nem da bronca, você fez porquê quis e se quiser pode ir até o diretor e até o meu tio contar a sua versão da historia do incidente de ontem, eu não ligo.
Assim que terminei de falar sair dali rapidamente, pois se ficasse mais algum minuto eu ia realmente ceder aos meus impulsos e ia bater nele até amassar aquele belo rosto de galã que ele tinha. Eu estava com tanta raiva, mais tanta que ninguém nem mesmo as minhas "sombras" chegaram perto de mim, o que eu agradecia mentalmente.
Quem Edward pensava que era pra me chantagear, aquele idiota. Eu tinha que me acalmar, parei de frente pro meu armário encostei minha testa no mesmo e respirei fundo tentando me acalmar, o que funcionou um tempo depois. Tomei uma decisão, agora era eu que não queria me aproximar e nem ser amiga de Edward Cullen.
Dei um longo suspiro e fui pra minha aula, tinha que me distrair.
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