Minha versão - FABINE
6 Capítulo 6 Cena: Antes e depois de Bento bater em Fabinho
Notas iniciais
No Hospital, deitada no leito, Amora se encontrava radiante com o fato de que todos, inclusive Bento, haviam acreditado em sua mentira. A vítima dessa vez era Fabinho que seria acusado de ter provocado o seu suposto aborto. Uma armadilha articulada por ela e realizada com sucesso. Já que, pelo histórico de Fabinho, quem iria acreditar nele? Afinal, ele já tinha praticado coisas bem piores. O que Amora não contava e nem podia imaginar era que no meio disso tudo, surgiria uma pessoa que, não só não acreditaria, como faria de tudo para provar a inocência dele. Seu nome? Giane. Que apareceu tal qual uma heroína, dando o voto de confiança de que seu namorado precisava para lutar e se reerguer.
– Isso quer dizer que você acredita em mim? — perguntou Fabinho, fungando e enxugando as lágrimas.
Ouvir da boca de sua namorada que ela confiava nele era quase que uma necessidade para Fabinho. Pois, de todo mundo, ela era quem mais lhe importava naquele momento... E para sempre.
Ela sorriu com os olhos, e segurou seu ombro — Cê acha que eu ia cair nessa armação da Amora?!
Só aquela frase foi o suficiente para que Fabinho abraçasse a sua namorada, beijando seu pescoço — Caramba... — segurou seu rosto entre as mãos, e a encarando com os olhos cheios d'água, se declarou — Você é a pessoa mais especial do mundo, mais linda, mais inteligente... Te amo! — selou os lábios dela com três beijos estalados.
Ela sorriu feliz com aquela declaração, segurou seu rosto, e olhando pra ele, fascinada, enxugou suas lágrimas com todo carinho — Até que enfim você disse que me ama.
– Te amo muito! — enfatizou Fabinho — Quando aquela bandida disse que tinha te matado, eu fiquei desesperado e percebi como você é importante pra mim. Te amo demais! — deu mais uns beijinhos em sua namorada, ao mesmo tempo em que a abraçava forte.
O mundo podia acabar naquela hora, e tudo que ele queria, era morrer nos braços dela. Uma frase clichê que nunca fez tanto sentido pra ele, como naquele momento.
Giane riu, recebendo o abraço, e massageando as costas do namorado com carinho — Pelo menos pra alguma coisa serviu essa armação toda.
– Olha, filho, nós estamos do seu lado pro que der e vier, tá?! — quis deixar claro, Seu Silvério, que estava de braços dados com D. margot, presenciando toda a conversa dos filhos.
– Agora se prepara! Porque essa Amora vai te culpar por tudo de ruim que acontecer com ela, inclusive desse falso aborto. — avisou D. margot, bastante preocupada com seu menino.
– A gente tem que agir rápido e pegar a cobra no pulo — acrescentou Giane, acariciando o peito do namorado. Ele a encarou, fascinado, concordando com ela.
– Calma, filha, calma! exclamou, Seu Silvério, pois sabia que sua menina tinha um dom especial, desde criança, de se meter em encrenca. — Nós temos que aguardar as notícias primeiro. Depois é que a gente vai saber como agir, né?! — olhou pra D. Margot em busca de apoio. Ela lhe fez um carinho no braço, em resposta.
Depois disso, Fabinho enlaçou a cintura da namorada e capturou seus lábios, em um beijo que começou singelo, mas que se intensificou o bastante para que D. Margot e Seu Silvério ficassem constrangidos, e saíssem de fininho.
Fabinho apertava sua namorada, subindo e descendo suas mãos pela costa nua dela, às vezes, chegando em sua nuca, e adentrando os cabelos dela com os dedos. Enquanto, Giane segurava o rosto, e a nuca do namorado, puxando seus cabelos, em um frenesi intenso. Os rostos de ambos virando de um lado para o outro, as línguas se entrelaçando, e um tentando a todo custo roubar o fôlego do outro.
Quando Fabinho começou a descer os lábios pelo pescoço de Giane, ela fechou os olhos, arqueando a cabeça para facilitar as investidas do namorado. E sorria, se deliciando com as carícias.
– Tá a fim de namorar um pouquinho lá em casa? — perguntou Fabinho. Sua voz saiu abafada pelo fato de que seu rosto estava escondido no pescoço da namorada.
– Achei que era isso que a gente tava fazendo, até agora. — falou Giane, em meio a um risinho.
Ele riu com carinha de safado, negando com a cabeça — Já ouviu falar de preliminares? Isso, é o que a gente tava fazendo até agora.
Giane arregalou os olhos, sorrindo — Safadinho você, heim?!
– E olhe... — apertou mais a cintura dela — Que você ainda não viu nada! — completou Fabinho, encarando a namorada com desejo.
E foi aí que finalmente eles se deram conta de que estavam sozinhos.
– Ué, cadê meu pai e sua mãe? — perguntou Giane, olhando surpresa em direção ao lugar onde eles estavam.
– O que cê acha, pivete? Eles só podem ter saído quando a gente começou a se beijar. — respondeu Fabinho de forma natural. E se inclinou, buscando mais uma vez, os lábios da namorada.
– Para, Fraldinha! — pediu Giane, manhosa, se esquivando — Eles podem voltar...
– Por isso, a minha idéia brilhante de ir lá pra casa. Vamo?!
Giane sorriu, revirando os olhinhos. Como resistir a um convite daquele?
***
Depois de se despedirem dos pais, Giane e Fabinho se dirigiram de mãos dadas, dedos entrelaçados, até à casa dele. Ao chegar lá, Giane soltou a mão do namorado, e foi até à pequena cozinha que ficava atrás do balcão.
Fabinho franziu a testa — Ei, pivete, tá fugindo de mim?
Giane sorriu — Não, relaxa... Só vim ver se tem alguma coisa pra gente comer. — Abriu a geladeira.
Fabinho chegou por trás, abraçou sua cintura, tascou um beijinho no pescoço dela, e gemeu — Hmmm... Também tô com fome, mas... É de outra coisa. — ele disse em seu ouvido, terminando por dar uma mordiscadinha no lóbulo de sua orelha. Ela sorriu, se arrepiando.
– Ai meu Deus, cê num tem freio não?! — perguntou Giane, puxando o rosto dele para um beijinho, de lado.
Ele deu mais uns três beijinhos estalados nela, e soltou-a, indo procurar alguma coisa nos armários. Encontrou algo bem sugestivo. Pegou e virou pra mostrar pra ela — Tem pipoca de micro-ondas, serve maloqueira?
Giane fechou a geladeira já rindo da pergunta. Virou pra ele ainda rindo — Num vai me dizer que cê aprendeu a fazer?! Olha só, tô orgulhosa! — debochou.
– Ham, palhacinha... — retrucou ele, abrindo o forno, e colocando a pipoca dentro. Mas, aí se lembrou que não sabia quanto tempo era. Suspirou e envergonhado virou pra ela que entendeu a pergunta que ele ia fazer só pelo jeitinho que a olhou.
– Três minutos — ela disse rindo. Então, ele apertou os botões, e ligou o aparelho.
Giane apoiou suas costas no balcão, observando seu namorado, que preparava tudo com todo carinho.
– Cê às vezes parece que não gira bem das idéias, sabia?! — questionou Giane, quando Fabinho abriu a geladeira.
– Eu, por quê? — quis saber Fabinho, pegando um resto de refrigerante, e colocando em cima do balcão.
– Por quê?! Cê ainda pergunta? — Giane arregalou os olhos — Seu Silvério, D. Margot, a gente tá indo lá pra casa... É que a gente quer ficar mais a vontade, se é que vocês me entendem?! — repetiu as palavras do namorado, fazendo voz grossa. — Você praticamente disse aos nossos pais que a gente vinha fazer sexo! — reclamou.
– E qual o problema disso?! Eles sabem que a gente já transou. Seu Silvério já cansou de me pegar saindo do seu quarto. Além disso, o que você acha que os nossos queridos pais estão fazendo sozinhos lá na sua casa? — Giane arregalou os olhos — Jogando dominó é que não é. — completou ele, esboçando um sorrisinho cínico.
Giane franziu a testa, indignada — Ah, me lembre de te agradecer, Fraldinha, por agora estar pensando em uma bela imagem do meu pai e sua mãe... Eca! — fez careta, arrancando uma risada gostosa de seu namorado que, se dirigiu até ela, e segurando o balcão, prendeu-a entre os braços.
Chegou bem perto do seu rosto, seus narizes quase se tocando — Chega a ser engraçada essa sua inocência...
– E eu lá sou inocente! — rosnou.
– É verdade. Você agora é bem experiente, mas também pudera, teve o grande privilégio de aprender com o papai aqui. Digo logo, que num é pra qualquer uma não, heim?!
Giane apertou os olhos, balançando a cabeça de um lado pro outro — Ai, garoto, como você é metido! — beliscou seu tórax. Fabinho fez carinha de dor, rindo.
– Por que imagina aí, se tivesse sido com o almofadinha do Caio ou com o Zé Florzinha?! Você estaria total arrependida. — sorriu, convencido.
– Aí, meu filho, eu já num posso dizer nada, né?! — o alarme do forno tocou, anunciando que a pipoca estava pronta. Então, em meio a conversa, Fabinho teve que ir até lá. Entretanto, Giane continuou — E... Quem pode me garantir que você é mesmo o melhor?! — provocou.
Fabinho que estava, naquele exato momento, despejando a pipoca na bacia, parou no tempo por alguns segundos, até se virar, outra vez, em direção à sua namorada.
– Como? Num entendi! — fez uma expressão de confusão.
– Ah, Fabinho, até agora eu só fiquei com você, então... Quem me garante que você é mesmo tudo isso que você diz?! — provocou-o ainda mais.
Fabinho franziu a testa, indignado — Peraí, pivete! O que você tá querendo dizer com isso? — Giane arregalou os olhos, assustada com o rumo que aquela conversa estava tomando — Você queria que tivesse sido com o Zé Florzinha, né?! Seu grande amor...
– Eu não falei isso. Nem vem colocar palavra na minha boca. Eu só disse que, pelo fato, de eu só ter tido um homem na minha vida, eu não tenho parâmetro de comparação. Só isso. Coisa mais chata! — rosnou, sem paciência, mas se arrependeu quando viu que seu namorado fechou a cara.
Foi até ele, segurou o rosto dele entre as mãos, forçando-o a encará-la — Fabinho, larga mão de ser marrento! Eu já te disse um milhão de vezes que o Bento é página virada na minha vida. Se eu me entreguei a você foi porque eu quis. E quero ainda... Muito. — segurou sua nuca, trazendo seu rosto para um beijo, não correspondido — Viu o que você me obriga a dizer?! Daqui a pouco eu vou tá que nem aquelas mulherzinhas que...
Ela parou de falar, pois foi cortada por ele que, segurou seu rosto, e se apoderou de seus lábios, com um beijo violento. Depois, enlaçou sua cintura, e a agarrando com posse, imprensou-a contra a parede. E Giane fincava as unhas nas costas do namorado, tamanha era sua excitação.
Os dois apaixonados não conseguiam se desgrudar nem pra recuperar o fôlego.
Fabinho, passava a mão na cintura da namorada, com vigor, quando sentiu Giane segurar a mão dele e pousá-la em seu bumbum.
Ele riu em meio ao beijo — Tá aprendendo direitinho, heim, maloqueira... — falou, apertando o bumbum dela.
– Ah, calaboca! — resmungou ela, segurando sua nuca e se apossando outra vez de seus lábios.
Depois disso, Giane voltou suas mãos para o peito dele, e deslizando-as, retirou sua jaqueta. Tentou fazer o mesmo com a camiseta dele, porém... A droga do celular dela começou a tocar, e os dois foram forçados a parar.
– Não, não, não... — reclamou Fabinho, todo manhoso, ainda prendendo-a contra a parede. — Deixa tocar...
Giane riu — Tá louco?! Esqueceu que você tá sendo acusado de ter matado o filho da bandida? Pode ser meu pai com alguma novidade.
Fabinho fez uma careta, mas compreendeu que sua namorada tinha razão. Saiu de cima dela, frustrado, e já tratou de vestir a jaqueta com raiva.
Giane retirou o celular da bolsa e atendeu — Oi pai! — pausou para escutar — Tá, fica tranquilo, que eu já tô indo pra aí. Beijo! — e desligou. Sua expressão era de preocupação.
Fabinho se aproximou, fazendo um carinho de leve no rosto dela — O que foi que ele disse, amor?
Giane o encarou — Ele disse que o Bento já tá sabendo de tudo, inclusive, que você tentou matar a Amora. E como a gente imaginava, ela disse que perdeu o bebê por sua causa. Ou seja, o Bento a essa hora deve tá querendo te matar. Por isso, Fabinho, olha só... Fica longe do Bento!
– Relaxa, num vai acontecer nada comigo. Eu te prometo. — segurou o rosto dela entre as mãos, e tascou um beijinho demorado em seus lábios — Até porque o Bento... Apesar de não gostar de mim, nunca seria capaz de fazer nada que pudesse estragar sua faminha de sujeito paz e amor. — sorriu com ternura — Fica tranquila. — beijou mais uma vez seus lábios.
Ela sorriu, mais em paz — Tá. Mas, toma cuidado, Fabinho... É sério. Eu pensei que eu conhecia bem o Bento, mas ultimamente as atitudes insanas dele vem me surpreendendo. Tenho medo do que ele possa fazer com você.
Ele sorriu, fascinado, e enlaçando sua cintura, a trouxe para si — Sabia que eu tô adorando te ver preocupadinha assim comigo.
Giane sorriu, revirando os olhinhos — Ai, mas é meloso! — exclamou, já sentindo os beijos dele em seu pescoço. Começou a empurrá-lo — Chega Fabinho, chega vai... — ela tentava sair, mas seu corpo pedia pra ficar. — Eu prometi me encontrar com meu pai e... — ela falou, sendo cortada por ele, que capturou seus lábios.
E antes que pudesse protestar, seu namorado a ergueu nos braços e a levou para o sofá. Sentou com ela praticamente em seu colo, continuando a beijá-la com ardor, apertando suas costas nuas com os dedos.
Giane ainda permaneceu um tempinho correspondendo aos beijos, mas... — Deixa eu ir agora... — ela disse, se soltando dele e levantando.
– Não, não, cê tá louca, cê tá louca, tô precisando de proteção — segurou o braço dela, trazendo-a de volta pra seu colo — Cê vai ficar aqui comigo.
Giane riu, dando um beijinho nele — Deixa de ser fraldinha! — exclamou tentando sair, e deu um tapinha de leve em sua perna.
– Não... Eu num sou fraldinha não. — disse todo manhoso, e segurou outra vez o braço dela, que havia se levantado de novo — Para, para, para, para... POR FAVOR, FICA AQUI! — gritou Fabinho, puxando a namorada, de maneira que ela caiu deitada em seu colo.
Então, ela voltou a beijá-lo, morrendo de rir do dengo do namorado, que até gemia entre um beijo e outro.
– Agora eu vou! Para! — conseguiu se levantar com muita dificuldade, e rumou para porta, apressadamente, com ele em seu encalço. — Daqui a pouco eu tô de volta! Daqui a pouco, daqui a pouco, daqui a pouco... — dizia Giane, sem olhar pra trás.
– Ah, meu Deus do céu, não, não... — resmungava ele indo atrás dela, mas ela acabou sendo mais rápida, abrindo a porta, saindo e deixando-a aberta.
Frustrado, ele fechou a porta, quase que com os cotovelos. Depois deu meia volta e foi à cozinha, quase se arrastando. Entretanto, no caminho, escutou alguém bater à porta. — Voltooooou! Muito bem! — exclamou, com esperança de que fosse sua namorada.
Abriu a porta, sorrindo, mas, logo sua expressão mudou quando viu de quem se tratava.
Era Bento que estava furioso, tanto que, irrompeu pela porta e foi logo pegando Fabinho pelo colarinho.
– Eu não fiz nada, cara! Eu não fiz nada, Bento! — gritou Fabinho, desesperado, ao mesmo tempo em que Bento o acusava de ter matado o filho dele, e de ter tentado esganar a Amora.
– Eu vou te matar, Fabinho! — esbravejou Bento, derrubando Fabinho no sofá, e começando a socá-lo.
***
Ao sair da casa de Fabinho, Giane foi se encontrar com seu pai que já estava vindo em sua direção. Porém, parou no meio do caminho quando ouviu alguns berros vindos da casa de Fabinho. Voltou correndo. Seu pai também correu atrás dela, mesmo sem saber do que se tratava.
Abrindo a porta, desesperou-se quando viu Bento batendo em seu namorado. Correu para ajudá-lo. Puxou Bento com violência. E se colocou entre os dois, impedindo-o de chegar perto de fabinho. Mesmo assim, Bento não parava de esbravejar seus motivos para querer matar Fabinho. Giane ficou indignada. Nunca imaginou que seu amigo pudesse ser tão idiota a ponto de acreditar na cobra da mulher dele que já havia dado provas suficiente de que não prestava?
No entanto, Bento continuou irredutível em seus argumentos, forçando Giane a gritar aos quatro ventos de que sua "linda esposinha" não estava grávida.
– Eu falei com o médico. Eu vi a Amora... — argumentou Bento sendo cortado por Fabinho que tentou se defender.
– Bento, se eu quisesse fazer mal pra Amora, cê acha que eu ia escolher o quintal da tua casa com todo mundo podendo ver... Pensa, cara!
– Num adianta argumentar nada não, que esse cara tá muito cego, muito surdo, BURRO! — esbravejou Giane.
– Tio Silvério, cê num tá acreditando nesse marginal, tá?! — Bento tentou buscar apoio em seu tio, já que Giane parecia não acreditar nele.
– Olha filho, tá todo mundo muito nervoso, então... — respondeu S. Silvério, numa tentativa frustrada de amenizar os ânimos.
– Esse cara é um assassino! — Gritou Bento, interrompendo o tio — Ele tentou matar a Odila, tentou matar a Amora, tentou me matar e agora matou meu filho.
Diante daquilo, Fabinho não se aguentou e levantou, encarando Bento de perto com o dedo em riste — Ela num tava grávida! Ela tava era te fazendo de idiota que é a melhor coisa que ela faz! — esbravejou, mas antes que pudesse argumentar qualquer outra coisa, Bento socou a cara dele, lançando-o no sofá e arrancando sangue de sua boca.
– Bento, para! — gritou Giane com toda força de seu pulmão.
– A morte é pouco pra você, Fabinho. Eu vou dá queixa na polícia e você vai apodrecer na cadeia. — Ameaçou Bento, indo embora.
Giane ficou desesperada — Pai, pelo amor de Deus, não deixa ele fazer isso.
Imediatamente, Seu Silvé rio saiu no encalço de Bento.
Giane foi ao encontro de seu namorado que agonizava de dor — Meu Deus, Fabinho... — disse ela, segurando o queixo de Fabinho, e vendo que sua boca sangrava.
– Eu vou matar aquela desgraçada! — disse Fabinho, quase que como num delírio.
– Num vai matar ninguém! Fica quieto! — mandou Giane- Parar com essa violência. Deixa eu cuidar disso, peraí... — se levantou, indo em direção à cozinha.
Abriu as gavetas, e em uma delas, encontrou um pano. Foi até o refrigerador e pegou alguns cubos de gelo. Enrolou-os no pano, e levou para Fabinho.
– Ai! Isso dói! — reclamou Fabinho quando Giane encostou o gelo no lábio dele. — Faz mais devagar!
– Ai, Fabinho, deixa de ser bunda mole, que eu mal encostei na sua boca. — argumentou Giane, fazendo mais uma tentativa. Sem sucesso.
– Bunda mole, bunda mole, queria ver se fosse você que tivesse recebido um soco na cara daquele imbecil. Eu devia era ter revidado e acabado com a raça desse idiota. E você, por que não me defendeu? — Giane arregalou os olhos. Fabinho ia mesmo descontar nela? — Por que num bateu nele como você fazia comigo? Não, né?! Afinal, ele ainda continua sendo seu grande...
– Nem se atreva a completar essa frase, Fabinho! — rosnou Giane, indignada — Porque senão, eu juro que saio por aquela porta e nunca mais você vai me ver! — completou e fechou a cara, com os olhos cheios d'água.
Fabinho se arrependeu no mesmo instante. E quando Giane ameaçou se levantar, ele puxou a mão dela, impedindo. — Desculpa! — pediu com voz doce — Falei sem pensar. Cê sabe que eu sou assim. Acabo falando besteira quando o sangue sobe a minha cabeça.
Giane suspirou — Tá. Tudo bem... Acho melhor você ir tomar um banho. Relaxar um pouco vai te fazer bem. Eu vou... — levantou, e rumou pra cozinha — Preparar alguma coisa pra gente comer e...
– Giane, num fica com raiva de mim. — pediu Fabinho chegando perto dela.
Giane estava de costas, e de frente pra pia. Permaneceu assim, até sentir a mão de Fabinho percorrendo de sua cintura até o seu abdome. Fechou os olhos, o coração acelerado. — Eu num tô com raiva, mas é que... Eu odeio quando você faz esse tipo de comentário. Isso me machuca... — engoliu a seco.
– Desculpa, vai... — pediu Fabinho com a voz rouca — E... Olha pra mim, por favor...
Giane deu um suspiro profundo, reunindo todas as suas forças — Vai tomar banho, Fabinho... Depois... Depois a gente conversa. — ela disse num fio de voz.
Fabinho franziu a testa. Ficou arrazado, e seus olhos se encheram d'água também. Ele retirou a mão da cintura dele e sem mais delongas partiu para o banheiro. Retirou toda a roupa, abriu o chuveiro e se enfiou debaixo dele. Fechou os olhos, e esticou os braços, encostando suas mãos espalmadas na parede. Ficou assim por alguns segundos, deixando que suas lágrimas se misturassem à água que caía sobre sua cabeça. Estava destruído. Teve muito medo de perder sua maloqueira. Não tinha certeza do que aconteceria com ele se ela resolvesse deixá-lo. Afinal, desde que o salvara, ela tinha se tornado seu mundo.
Seus pensamentos foram interrompidos quando ouviu o barulho da porta do box sendo aberta. Abriu os olhos e inclinou sua cabeça para o lado. Arregalou os olhos. Pensou até que fosse uma miragem, mas não... Era ela. Linda. Nua. Sorrindo pra ele, numa mistura de pudor e experiência. Ele sorriu, percorrendo todo aquele corpo feminino com olhar de desejo. Ela chegou mais perto, seus rostos a poucos centímetros de distância, seus sexos quase se roçando.
– Resolvi tomar banho com você. — disse ela, corando, e baixando a cabeça.
Ele tocou delicadamente seu queixo, levantando seu queixo — Eu te amo, Giane. Você é a mulher da minha vida. Desculpa se às vezes eu pareço um tosco, grosso, cretino, imbecil e...
– Ssshhh! — pediu com o dedo em sua boca — Num fala mais nada. Só me beija!
Ele sorriu, feliz, e sem mais delongas, enlaçou sua cintura, puxando-a pra debaixo do chuveiro. Ela riu, divertida. Então, ele abocanhou seus lábios em um beijo sôfrego e cheio de paixão.
Naquele dia em meio a tanta agonia, eles se amaram, e se amaram como nunca.
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