Minha versão - FABINE

5 Capítulo 5Primeira vez - Parte 2


Algumas horinhas depois de se amarem pela segunda vez, Giane começou a se mexer e a tentar abrir os olhos. Ela estava deitada, com um braço envolvendo a cintura de Fabinho, e com o rosto apoiado em seu peito, o qual subia e descia em um ritmo constante, demonstrando que dormia profundamente. Achou que podia dormir mais um pouco, abraçada àquele homem, mas seu estômago começou a dar mostras de que não estava nenhum pouco satisfeito com suas horas de jejum. Abriu os olhos, suas pupilas ainda tentando se adaptar à luz e fez menção de levantar-se, entretanto, ao tentar sair de debaixo das cobertas, sentiu quando os braços de Fabinho a abraçaram ainda mais forte, e ele soltou um leve gemido. Sorriu, achando graça daquele gesto. Esperou um pouco até certificar-se de que ele voltara a dormir, e dessa vez, tentou ser ainda mais discreta, porém não resistiu a encostar seus lábios em seu peito, tascando-lhe um beijinho singelo. Levantou-se. Ele ainda se mexeu um pouco, e murmurou qualquer coisa ininteligível, decerto chateado por não sentí-la mais em seus braços. Contudo, não abriu os olhos. Sorriu, olhando para aquele homem que mais parecia um anjo. Ele era realmente lindo, constatou sorrindo. Não que nunca tivesse notado, mas vendo ele ali, dormindo, tão frágil, ao seu lado, é que se deu conta do quanto era sortuda por tê-lo escolhido. Colocou um mecha de cabelo por trás da orelha e percorreu com o olhar desde o peito nu, até os traços de seu rosto. Tudo naquele homem a deixava hipnotizada. Tudo mesmo. Suspirou, balançando a cabeça. Precisava sair dali rápido antes que ele acordasse e a visse com cara de boba apaixonada. Era só o que faltava para aquele fraldinha ficar ainda mais insuportável, pensou. Então, esticando o braço, pegou a camisa dele e vestiu, pegou também a chave da porta que estava no criado mudo, para logo em seguida, sair do quarto na ponta dos pés.

Chegando na cozinha, lhe ocorreu uma idéia maluca, preparar um lanchinho e levar na cama para Fabinho. O que estava acontecendo com ela? Nunca fora muito adepta desse tipo de romantismo, até costumava achar bem brega, mas sabe-se lá, o que tinha dado nela? Pensou e logo tratou de preparar tudo. Foi até à geladeira, mas antes de abrí-la, deparou-se com um bilhete afixado nela com um imã. Era de seu pai e dizia: Giane, fui na casa da Margot Ao que parece, o Fabinho sumiu desde cedo e até agora não deu notícias, ela está bastante preocupada, vou lá dar uma força, volto logo, beijos, Silvério!. Terminando de ler, Giane soltou uma risadinha. O que eles iriam achar se soubessem que Fabinho estava naquele exato momento em sua cama? Aliás, o que todo mundo iria pensar? Balançou a cabeça, livrando-se daqueles pensamentos, e retornou ao seu empreendimento, pegando tudo que era necessário para um lanche bem reforçado e delicioso. Não entendia o porquê, mas queria agradá-lo de alguma forma. Preparou tudo, com muito carinho, em uma bandeija. E o toque final, foi uma rosa vermelha. Já podia até imaginar a cara dele quando visse. Lembrou-se do dia em que tirou uma foto dele junto às flores, o quanto tinha ficado irritadinho, e o quanto achara graça daquilo. Por fim, com a bandeija nas mãos, voltou para o quarto. Entrando, percebeu que Fabinho já não dormia tão profundamente, pelo contrário, seu sono parecia bem agitado. Tratou logo de encontrar um lugar para colocar a bandeija.

– Hum Não Esse anel é meu — gemeu Fabinho, mexendo o rosto de um lado para o outro, as mãos apertando com força os lençois. — O Bento não O anel.. Meu Mãe

Giane ficou super preocupada e correndo até ele, sentou-se ao seu lado a fim de acalmá-lo. Lembrou-se do dia em que ele chegou à sua casa. Estava febril, suado, e delirava muito, bem parecido com o que estava acontecendo naquele momento.

Tocou sua testa para certificar-se de que não era febre — Fabinho! Acorda, cara! Fabinho! — Giane tentava acordá-lo, o abraçando forte, como se assim pudesse protegê-lo de alguma coisa — Fabinho!

Nada. Ele continuava se mexendo e murmurando coisas sem lógica. Giane ficou ainda mais preocupada e empenhou-se ainda mais em acordá-lo. — Fabinho, abre o olho, cara! Acorda! Fabinho! — Giane quase gritou, e foi aí que num susto Fabinho arregalou os olhos, e se sentou com a cabeça baixa. Estava assustado, e respirava ofegante, olhando de um lado para o outro. Giane chegou mais perto, e tocou levemente em seu rosto — Fabinho, o que que houve, cara?Quer que eu vá pegar alguma coisa? Um copo dágua?

– Não! — gritou ele quase a assustando, e num rompante ele a abraçou. Não um abraço qualquer, mas um daqueles em que a gente sente que não quer largar a pessoa nunca mais. — Eu quero que você fique aqui comigo! Fica aqui comigo, Giane! — era quase que como um pedido de socorro.

Giane ficou com o coração acelerado, quando sentiu que ele chorava como uma criança assustada. Apertou-o ainda nais contra o peito e tentava consolá-lo com palavras de conforto — Eu tô aqui, cara! Fica calmo! Não chora!Vai ficar tudo bem. Eu juro. -E só aí, percebeu o quanto ele estava tremendo. Esperou até que ele mesmo se sentisse melhor para soltá-la. Então, alguns minutinhos depois, Fabinho se acalmou, e depois de afrouxar o abraço, enxugou as lágrimas com as costas das mãos. Giane o olhava, entrestecida, não suportava vê-lo daquela maneira.

– Vai, Fabinho, agora me conta Que sonho foi esse que te deixou assim, cara?

Fabinho levantou o olhar, ainda vermelho de chorar — Não foi um sonho, foi mais como uma lembrança do dia que eu peguei a Irene dando o meu anel pro Bento. O anel que eu guardava desde moleque.

– Ah, eu me lembro disso. Você até quis partir pra cima do Bento.

– E eu só não acabei com aquele paspalho ali mesmo porque o Plínio e a Malu apareceram na hora pra apartar. — seu olhar refletia muita raiva, o que deixou Giane apreensiva.

– Fabinho, esquece isso, cara! Não adianta mais ficar se doendo por causa disso. O Bento é filho da Irene com o Plínio, e nada vai mudar isso, então, é natural que a Irene queira dar o anel ao verdadeiro filho.

– Aquele anel era meu! — esbravejou — O que é, Giane? Vai defender o Zé Florzinha agora?!

– Eu não tô defendendo ninguém, só acho que o Bento é tão vítima nessa estória quanto você.

Nessa hora Fabinho se levantou revoltado, e com as mãos na cintura começou a encrencar.

– Ah não, Giane, na boa, tô começando a achar que você ainda gosta desse cara? O que eu sou pra você? Um estepe?

Giane mal podia acreditar no que ouvira. — Tá louco, Fabinho, se eu quisesse um estepe, eu tinha ficado com o Caio que é muito mais bonito, inteligente e muito mais legal do que você! — disse tripudiando com a cara dele.

Fabinho ficou ainda mais revoltado e começou a calçar o sapato, dizendo: É, tá tudo errado mesmo. Imbecil que eu sou! Eu vou embora!

Agora foi a vez de Giane ficar revoltada, se colocando na sua frente em provocação — Fabinho, você só pode tá zoando com a minha cara?!

– Não. Eu não tô te zoando não Não é isso que você queria, fazer ciúme no Bento?! Parabéns, conseguiu! E me devolve minha camisa!

Giane franziu a testa com raiva — Como você é tapado, idiota, cretino! Tá fazendo esse showzinho todo só porque tá morrendo de ciúmes do Bento! Confessa!

– Que ciúme?! Ciúme nada! Eu só não suporto a idéia de ser feito de idiota!

– Fabinho, o que você acha, cara? Que eu ia pra cama pela primeira vez com um homem só pra provocar outro? — essas palavras calaram forte no coração daquele bad boy — Por que se é isso que você acha — abriu a porta, fazendo gesto com a cabeça pra ele sair — É melhor mesmo que você vá embora! Vai, e leva essa porcaria de camisa com você! — disse retirando a camisa dele com fúria para em seguida jogá- la bem no peito dele. Ela ficou só de sutiã e calcinha. Os olhos de Fabinho a admiraram de cima a baixo. Como era linda aquela peste! Fabinho se arrependeu, levantou, e indo em direção à porta, fechou-a. Giane se afastou e estava com os braços cruzados. — Não. Eu não vou embora. Não assim — tentou chegar perto, mas ela se desviou com a cara fechada.

– Pois devia Se a gente tá brigando assim agora, imagina como vai ser mais pra frente?!

Fabinho se aproximou, e descruzando os braços dela, com carinho, a conduziu até a cama. Ela sentou e ele sentou ao seu lado, sem se tocarem, e nem se olharem. Giane vestiu a camisa outra vez. Mas, os dois conversaram o tempo todo olhando pra frente — Desculpa, se eu peguei pesado, mas é que você me deixou confuso Por que você ficou comigo, se é do Bento que você gosta?

– E quem disse a você que eu ainda gosto do Bento?

– Não gosta?! — suspirou — É difícil de acreditar quando eu sei que você viveu a vida inteira em função dele.

– Olha só, Fabinho, o Bento continua sendo muito importante pra mim, mas eu já desencanei dessa faz muito tempo.

Ele gostou muito de ouvir aquilo, então se virou pra ela — Isso é verdade mesmo?

Ela revirou os olhos, depois virou o rosto pra ele — Você ainda duvida? Fabinho eu tô aqui com você, num tô? Eu podia tá agora mesmo com o Bento, mas não Eu tô aqui com você. Será que isso não te diz nada?

Ele sorriu com ternura — É muito bom ouvir isso, sabia?!

Ela também sorriu e segurando o rosto dele deu um selinho carinhoso em seus lábios. — Fica tranquilo, eu sei muito bem o que eu tô fazendo, e sei ainda mais o que eu quero, e nesse momento eu quero você Menino manhoso! — Ele sorriu e os dois começaram a se beijar,

apaixonadamente.

Quando eles pararam os beijos, Giane quis voltar ao assunto anterior — Fabinho, olha só, quanto ao que a gente tava conversando antes Você tem que dar um jeito de deixar isso pra trás, cara! Não percebe que isso só te machuca e, acaba te levando a agir por impulso. Lembre-se que tem uma porrada de gente aí querendo te ferrar, e eu não tô falando só da Amora não, tô falando de muita gente que não consegue acreditar em você mesmo você dando mostras do quanto tá mudando.

Fabinho se revoltou — Ah não, Giane, não me pede pra ser legal com esse povo! E quer saber o que mais?! Eu quero mesmo é que todo mundo se dane!- esbravejou e fechou a cara.

– Fabinho, baixa o tom! — repreendeu- Você não pode falar assim, cara!

– Ah, posso sim. Posso. Porque no momento em que eu mais precisava ninguém veio me ajudar. Giane, eu fiquei na sarjeta, passei fome, sede, e quase tentei acabar com a minha própria vida. Você acha isso pouco?

Giane arregalou os olhos com aquela declaração — Quê?! Como assim você tentou acabar com a própria vida?

– Acabando. Eu subi no alto de um prédio e quis me jogar de lá.

O coração de Giane acelerou — Fabinho, me diz que você não fez isso, cara!

Fabinho franziu a testa, revoltado — O que você queria, Giane? Eu tava acabado, destruído, um lixo, ninguém mais acreditava em mim, ninguém, nem mesmo minha mãe Margot queria saber de mim.

Os olhos de Giane se encheram dágua. E ela não sabia o que dizer. Ficou sem palavras diante daquele desabafo. Ela sabia de tudo aquilo, mas ouvir da boca daquele garoto lhe doeu na alma.

Ele segurou as mãos dela entre as suas, e a olhou no fundo dos olhos — Giane, você foi a única que teve pena de mim, que me estendeu a mão, que me deu carinho e atenção, mesmo sabendo de tudo que eu aprontei com todo mundo. Se eu mudei foi por sua causa! Porque você me deu uma chance, e me mostrou uma saída que eu nem sabia que existia — Fez um carinho de leve em seu rosto. Os olhos dela brilharam — Giane, eu não consigo mais me imaginar longe de você — sorriu com ternura, e corou de leve. Nunca em sua vida se imaginou se declarando para uma mulher, assim, tão naturalmente — Eu não consigo mais imaginar o meu mundo sem você

Giane arregalou os olhos de leve diante daquela declaração. Ficou sem palavras. Então, ele continuou: — Giane, eu quero te pedir uma coisa — Ela ficou curiosa, e no fundo temia aquele pedido — Aconteça o que acontecer, promete que não vai me deixar, que vai ficar do meu lado, mesmo que todo mundo fique contra mim Eu preciso muito que você acredite em mim! Você é a única pessoa que em quem eu sei que posso confiar de verdade.

Giane arregalou os olhos, e sentiu o peso que aquelas palavras significavam. Ficou assustada. Nunca em sua vida teve de decidir algo assim tão repentinamente. Como poderia prometer algo assim. Não era dona de seu próprio destino. Há menos de dois meses não cogitava nem a idéia de esquecer o Bento, e agora estava ali, deitada na cama com outro homem, e ele lhe pedia juras de amor, aliás exigia. Isso tudo a deixou bastante confusa, e muito, mas muito assustada. Não podia dar um salto maior que a perna, precisava ir com calma. Sempre foi centrada, não era agora que ia deixar de ser.

– Fabinho, eu sei que você aprontou muito, que você não é nenhum santo, nem nunca vai ser, mas você tá tentando mudar, e é isso que importa, mas, cara, não me pede isso. A gente não pode saber o que vai acontecer daqui pra frente Não me exige uma decisão agora, por favor! Isso tudo é muito novo pra mim.

Fabinho fez uma expressão de decepção, e Giane se arrependeu profundamente do que falou. Agora era a vez dela tentar consertar o que disse Deu um suspiro profundo e fez um carinho no rosto dele. Ele sorriu fracamente- Fabinho, tenta entender, cara, eu não posso te prometer o que você tá me pedindo — sua expressão mudou- A única coisa que eu posso te prometer é Um dia de cada vez E que a gente vai lutar junto contra tudo e contra todos para provar as injustiças que estão cometendo contra você.

Fabinho retirou a mão de Giane do seu rosto com uma expressão triste — Desculpa, Giane, mas isso não é suficiente pra mim. Eu tô inteiro nessa relação, e entrei de cabeça Por isso mesmo, eu não vou aguentar te ter só pela metade Sendo assim, a nossa relação para aqui.

Giane entrou em parafuso com aquela declaração. Nunca esperaria algo tão profundo vindo dele. Ficou calada por alguns segundos, olhando de um lado para o outro, pensando que, não podia se declarar pra ele, inda não tinha certeza de seus reais sentimentos. Gostou muito tempo de Bento, era muito difícil pra ela admitir que estava apaixonada por outra pessoa. Mas, acabar? Não. Isso nem passava por sua cabeça. Queria continuar com o Fraldinha e vê no que ia dar. Ninguém nunca lhe havia despertado sentimentos tão intensos Não. Precisava descobrir o que sentia, e longe dele seria bem difícil. Não queria ficar longe dele. Não. precisava dele. Deus, como precisava dele. Era quase como precisar de ar.

Seus pensamentos foram interrompidos, quando em um rompante, Fabinho ameaçou se levantar da cama. Ela imediatamente segurou seu braço — Não, Fabinho, espera Eu Espera — saiu da cama, meio atordoada, se lembrando que um gesto vale mais do que mil palavras.

– Tá indo pra onde? — perguntou Fabinho sem entender.

Sem responder, ela se dirigiu até o guarda roupa e de lá retirou uma caixa azul turquesa. Voltou pra cama e entregou para Fabinho que franziu a testa. — O que é isso?

Ela sorriu com ternura — Abre, ué!

Ainda olhando pra ela, ele abriu a caixa, e quando abaixou o olhar, o conteúdo daquela caixa o deixou bastante surpreso. Levantou o olhar pra ela. — O que significa isso?

– Você nem imagina? — perguntou ela pedindo a Deus que ele mesmo concluísse.

– Não São fotografias minhas, mas O que isso tem a ver? Não tô entendendo.

– Significa que eu revelei uma por uma das suas fotos. Desde a primeira que eu tirei com você dormindo até a última lá na Acácia amarela. Todas, inclusive — remexeu a caixa tentando encontrar uma fotografia em especial — Essa.- entregou pra ele que ao vê-la sorriu meio de lado.

– Espera, essa é a fotografia que você tirou quando eu tava jogando bola — ela assentiu com a cabeça arqueando as sobrancelhas, certa de que ele havia compreendido — Mas você não disse que tinha apagado? — olhou pra ela de esguelha.

– Eu menti. — ele sorriu, encantado- O que foi? Tive que mentir. Você tava ficando muito metido, garoto!

Ele soltou uma risadinha marota — Por quê? Por que você revelou as minhas fotografias?

– Ah, sei lá porque Isso tudo começou desde que você saiu daqui de casa. Eu costumava ficar noites à fio só olhando essas fotos idiotas. Chegava atrasada e tudo no trabalho. Acho que Eu acabei Ficando com saudades de você — falou essa última frase bem baixinho.

– Agora fala mais alto porque eu não ouvi nada. — imitou ela.

Ela revirou os olhos — Eu fiquei com SAU-DA-DES. Satisfeito?!

Ele sorriu feliz, era a declaração mais estranha que já tinha recebido, mas o que esperar de uma maloqueira? Contudo, ele queria mais, por isso, perguntou na lata — Você gosta de mim?

Ela suspirou — O que você acha?

Ele sorriu — Eu só quero que você saiba que hoje foi o dia mais feliz da minha vida, e que eu tô gostando de você, gostando demais.

Ela sorriu com ternura — Por que você não fala logo que me ama?

– Eu vou fazer melhor — Então, sem mais delongas, ele encurtou o espaço entre eles, e adentrando os dedos entre seus cabelos, tomou seus lábios e lhe deu um beijo profundo. Com suas línguas buscando espaço em desespero, mas ele precisava chegar ainda mais perto daquela garota, foi aí que segurando sua cintura, ele a trouxe para seu colo, envolvendo todo o seu corpo com os braços. Entrelaçados como estavam, pareciam um só. Fabinho a beijava com paixão, e seus beijos começaram a descer pela linha do pescoço de Giane, que arqueava o corpo em resposta. Mas, mesmo envolvida por completo naquelas carícias, Giane se lembrou do lanchinho que havia preparado para ele. — Chega chega — dizia ela em meio aos beijos.

– Não Não Que chega?! Tá louca?! — e continuou a beijá-la sem parar (sabe aqueles beijinhos estalados que eles costumam dar, imaginem aí kkkkkk)

– Hum Hum Chega chega Hum — ela tentava sair, mas ele tentava de toda forma impedí-la. Foi com muito, mas muito esforço mesmo que ela conseguiu se livrar dos braços dele, correndo e dando gritinhos agudos, em direção à bandeija. Ele esticou tanto o braço para impedí-la que caiu na cama, dando um resmungo alto.

Ela sorriu divertindo-se com a carinha de frustração que ele lhe lançou.

– Tá rindo de quê?! Tá pensando que é assim? Me beija, me deixa cheio de vontade, e depois foje?! Volta aqui, garota! Disse com a voz manhosa e quase num apelo.

Ela voltou, mas trouxe consigo a bandeija, colocando-a perto dele — Fiz um lanchinho pra gente, mas eu vou logo avisando pra você não se acostumar, viu?!

Ele sorriu com ternura, e começou a contar nos dedos — Sério, que além de jogar bola, posar, e cuidar das plantas, você ainda sabe cozinhar? É uma mulher completa, meu Deus! Que que eu quero mais?!

Ela riu — Mas, é um palhaço mesmo!

Os dois riram com cumplicidade e a partir daí começaran a se deleitar com o lanche e a conversar, animadamente.

Em meio a isso, Fabinho mergulhou um morango no leite condensado e deu a Giane na boquinha, só que, de forma brincalhona, o segundo morango, ele não deu na boca, em vez disso, ele fingiu que errou o alvo, melando o rosto de Giane, que se irritou, divertida — Para, Fabinho, tá maluco! O que você tá fazendo? Tá me sujando toda! Eca!

Então, foi aí, que ele se inclinou em direção a ela, beijando ao mesmo tempo em que passava a língua por todo o rosto de Giane, que dava gritinhos divertidos de protesto. Retirou a bandeija do meio, e deitou por cima dela.

– Huuuum Agora sim Toda docinha Só pra mim! — Falou rouco, reiniciando a brincadeira.

– Chega, Fabinho Chega! Aaaaaaa Sai de cima de mim Aaaaaaaa! — ela o empurrava, juntando todas as suas forças, até que, enfim, em um descuido dele, ela se soltou e correu para o outro lado do quarto.

– Ah, não, não, não! Giane, volta aqui! VOLTA AQUI AGORA! — gritou por entre dentes.

– Não. Olha o jeito que você me deixou! Tô toda lambuzada, melada Argh! Precisando urgente de um banho. Sério. Eu preciso de um banho, cara!

Fabinho deu um resmungo alto, mas foi vencido por Giane — Tá bom! Deixa eu só me levantar aqui que a gente vai

– A gente? Nada disso. Eu vou. Eu não tô acostumada a tomar banho com ninguém.

Fabinho revirou os olhos, impaciente — Giane, na boa, do que você tem medo? Que eu te veja nua? Tarde demais. Só hoje já te vi , o quê? Duas vezes?! — mostrou os dois dedos para dar ênfase ao que dizia.

Giane fez careta — Ok! Você quer tomar banho comigo? Então vai ter que me pegar primeiro.

Fabinho arqueou as sobrancelhas — Você só pode tá brincando, né?!

Sorrindo marota, Giane balançou a cabeça em negativa — Vai amarelar, Fraldinha??!!! — provocou.

Fabinho sabia que não adiantava o que dissesse, quando aquela garota botava uma coisa na cabeça Por isso, sem mais pensar, sentou na beira da cama, esticando a coluna, causando um estalo, para em seguida esticar o pescoço, dando voltas circulares com ele.

– Bom, de uma coisa eu sei Se depender de você, o nosso namoro nunca vai cair na rotina. Vou ter que entrar numa academia com urgência pra aguentar teu pique.

Giane deu uma risada gostosa — Mas, é um bunda mole mesmo!

– Ei, vai começar a tripudiar?!

Mas, ela nem ligou, em vez disso começou a fazer movimentos parecidos com os de um goleiro, e a gritar — Vem Fraldinha! Vem! O que foi?Tem medo de mulher?! Vem fraldinha!

Diante daquilo, Fabinho revirou os olhos, rindo, e começou a correr atrás dela, como numa brincadeira de criança. Mas, Giane não facilitava, correndo ao redor do quarto, algumas vezes parando para provocar — Vem Fraldinha! Vem! Vai desistir?! Vem Fraldinha! — Para em seguida, continuar a brincadeira, chegando a subir na cama com os pés. Fabinho o tempo todo em seu encalço. Até que num descuido, Fabinho conseguiu pegá-la, e agarrando a sua cintura, desequilibrou-se, de maneira que caiu por cima dela. E ele que não é bobo nem nada, segurou os pulsos dela no alto da cabeça prendendo-a. — Te peguei! E sabe qual vai ser o seu castigo? Nunca mais sair da minha vida!

Giane sorriu e revirando os olhinhos, o encarou de forma sedutora — E quem disse a você que eu quero sair?

Pronto, essa foi a deixa para Fabinho beijá-la com sofreguidão. Giane correspondia a cada carícia com uma loucura felina. Então, foi aí que Fabinho a levantou nos braços e sem parar nenhum segundo de beijá-la, levou-a pro banheiro pra que pudessem tomar um banho. (Imaginem aí o banho desses dois?! )

Alguns minutinhos depois de terminado o banho, Giane vestiu uma blusinha azul de mangas compridas que costumava usar em casa, enquanto Fabinho vestiu a mesma roupa, com excessão da jaqueta. Antes de ir embora, Fabinho ainda aproveitou pra curtir mais um pouco a namorada. Deitaram-se na cama, bem agarradinhos, em posição conchinha. Estavam tão enamorados que queriam se tocar, sentir a maciez da pele um do outro, por isso, esticaram os braços, e entrelaçando os dedos de leve, foram descendo lentamente até que Fabinho não aguentou e apertou a namorada contra o peito, enchendo seu pescoço de beijos, e aspirando seu perfume em leves fungados.

Cansada, e preocupada com a possível chegada do pai, Giane expulsou Fabinho com a voz toda manhosa — Chega Vá embora

– Não vou embora, não vou embora — respondeu ele mergulhado em seus cabelos, para em seguida levantar a cabeça — É assim que você faz, é? Você me seduz, me leva pra cama, faz mil promessas, pra depois me mandar embora?

Ela adorava aquele jeitinho dengoso dele, tanto que ela se virou pra enchê-lo de beijinhos, porém já estava tarde, precisava dar um fim naquilo antes que seu pai chegasse. Levantou preguiçosa — Meu pai já deve tá chegando, vai

Mas, ele não queria sair, estava muito feliz com ela. Tentou impedí-la de se levantar, a agarrando e colocando uma perna por cima da dela — Não E daí? Por favor Posso voltar a noite?

– Só se você prometer que vai embora antes do dia amanhecer

– E por que eu tenho que fazer isso? — falou manhoso

– Ah, porque eu não sei ainda se o meu pai ia gostar de me ver dormindo com meu namorado. Eu preciso fazer com que ele se acostume com a idéia ainda. Eu sou uma moça de família, tá pensando o quê? Que eu sou que nem as lambisgóias que você tá acostumado a pegar?!- falou em tom de brincadeira, arrancando uma gargalhada gostosa dele.

– Tá bom, você me convenceu, mas será que a moça de família pode pelo menos me acompanhar até a porta, por favor!

Ela sorriu, e os dois se levantaram da cama. Ele segurou com uma mão, a jaqueta, que carregou no ombro, num estilo bem charmoso. E com a outra mão segurou a dela, seus dedos entrelaçados.

Os dois saíram em direção à porta, mas quando estavam para se despedir, Giane ouviu alguém girar a chave. Era seu pai chegando. Desesperada, ela mandou Fabinho se esconder. Ele correu de volta pro quarto, mas na agonia deixou a jaqueta cair.

– Oi filha! — seu pai a cumprimentou quando entrou. Ele estava com um pacote na mão. Algo embrulhado.

– Er Oi pai! Chegou cedo

– Pois é -Respondeu, caminhando em direção à cozinha. Ela o seguiu , precisava se certificar de que ele nem desconfiava — Mas e você, tá aí o dia todo Não quis sair?

– Não. Eu preferi ficar em casa hoje. E como foi lá na Dona Margot?

– Ah, foi ótimo! Inclusive ela lhe mandou um pedaço de pudim — e colocando o pudim em cima da mesa, se dirigiu até o armário para pegar os pratos.

Quanfo Giane viu seu pai arrumanfo os pratos em cima da mesa, estranhou um detalhe — Três pratos, pai?

– É, ué Você não vai chamar o Fabinho pra comer com a gente? — ela arregalou os olhos, e ele continuou — Eu vi a jaqueta dele no chão, filha.

Giane apertou os olhos, e corou envergonhada — Pai, eu posso explicar

– Filha, fique calma! Você já é bem grandinha. E eu confio em você, confio plenamente. Agora Vê se vai chamar logo seu namorado porque o meu seriado já tá quase começando e — Giane não deixou que ele continuasse porque se atirou nele e o encheu de beijos — Sabia que você é o melhor pai do mundo?!

– Sabia. Mas, é sempre bom ouvir isso. — Giane sorriu e correndo foi buscar o namorado que já estava angustiado, achando que Seu Silvério estava tramando sua morte.

Quando eles dois chegaram na cozinha, Fabinho estava apreensivo, com aqurla carinha de turrão bad boy que a gente adora.

– Senta aí, filho! — disse Seu Silvério pra quebrar o gelo.

Fabinho se sentou todo errado, e Giane se sentou so seu lado. Seu Silvério estava sentado na porta da mesa. — É até bom que vocês estejam juntos aqui porque eu tenho um pedido a lhe fazer, Fabinho

– Um pedido Pra mim?! — ele olhou pra Giane lhe perguntando em silêncio se ela sabia de alguma coisa. Ela deu de ombros.

– Como você é o único filho, eu me vi na obrigação de fazer isso — ficava cada vez mais estranho — Fabinho, eu gostaria de te pedir permissão para namorar a sua mãe

Os dois arregalaram os olhos e deram uma gargalhada de alívio por se tratar só disso.

– E aí, você permite? — insistiu Silvério.

Fabinho se levantou e foi em direção a ele que ficou receoso com sua reação.

– Eu só acho que vai haver um problema Fiquei na dúvida O senhor é o meu sogro ou o meu padrasto?! — e todos caíram na risada.

Depois, Seu Silvério, que já havia terminado seu pudim se levantou e disse em tom de brincadeira — Ué, Fabinho, você não vai querer mais um pedaço de pudim?! A sua mãe me disse que você achava MARAVILHOSO o pudim dela.

Fabinho se tocou logo do que ele quis dizer. Sua mãe, com certeza, deveria ter contado do episódio do ciúme dele com Caio, no dia que Giane saiu apressada porque o pai dele havia morrido. Agora, Giane ficou perdida.

– Você entendeu isso?

– Não. Mas, eu acho que o seu pai e a minha mãe estão conversando demais!

Giane franziu a testa sem entender nada, mas tratou de deixar pra lá e comer o seu pudim.

Depois que eles comeram, Giane foi deixar seu namorado na porta — Você aparece lá no Cantaí mais tarde?!

– Claro. Eu só vou me arrumar e bato por lá.

Ele sorriu e enlaçou sua cintura em um abraço bem apertado, então ela aproveitou para sussurrar em seu ouvido — Espero que você saiba fazer um bom café da manhã

Ele sorriu — Isso quer dizer que eu posso voltar de noite e ficar até o amanhecer? — sussurrou ele em seu ouvido.

Ela sorriu e ele entendeu aquilo como um sim, beijou-a com paixão e foi embora.

Giane voltou e sentou-se ao lado do pai que assistia todo concentrado ao seu seriado preferido. Suspirou de maneira profunda.

– E aí?! isso que tá rolando entre vocês dois é mesmo sério? perguntou seu pai, sabendo da resposta.

– É Acho que a gente tá apaixonado aí! — falou com voz malandra e seu pai deu uma risada bem gostosa, encerrando o assunto porque o seu seriado tinha acabado havia de voltar dos comerciais.

Notas finais
Beijooooooo