Minha versão - FABINE
3 Capítulo 3 Show no Cantaí
Notas iniciais
🎶" You were my strength when I was weak
You were my voice when I couldn't speak🎶
You were my eyes when I couldn't see
You saw the best there was in me🎶
🎶Lifted me up when I couldn't reach
You gave me faith 'cause you believed
I'm everything I am🎶
Because you loved me..."
Encostada no pilar, Giane se perguntava o porquê de estar ali, sozinha, escutando uma música que falava de amor. Amor esse que ela acreditava nunca ter experimentado. Afinal, até mesmo com o Bento, tinha se tratado apenas de uma paixonite infantil. Nunca foi muito de participar dos shows no Cantaí, ainda mais quando se tratava de um como aquele, totalmente romântico. Odiava pieguisses!
E ainda havia o fato de que Fabinho a havia convidado por duas vezes, e suas respostas foram sempre vagas. Não queria que ele achasse que ela só estava indo por causa dele. Tanto que se arrumou toda, escolhendo uma de suas melhores roupas, contudo não avisou e nem esperou por ele, foi sozinha, como sempre foi. Sabia muito bem o caminho. Quem disse que ela precisava de um "fraldinha" para acompanhá-la? Deu um suspiro tão profundo que, quem visse de longe, apostaria que era um suspiro de uma garota apaixonada. Mas, não era. Claro que não! Que idéia!
Em meio aos seus devaneios, ela sentiu quando uma mão a tocou e apertou seu ombro com carinho. Olhou para o lado... Era Fabinho. Sorriu timidamente pra ele que lhe retribuiu o sorriso. Era impressão dela ou exatamente hoje ele estava mais bonito do que nunca? Sentiu um formigamento no corpo e seu coração disparou, então de repente era como se alguém no Cantaí tivesse desligado o ar-condicionado, tamanho o calor que sentiu. Passou a mão no pescoço, disfarçadamente.
Por algum motivo, Fabinho permaneceu a música inteira ao seu lado. Eles não conversaram, nem dançaram, nem nada, mas mesmo assim, ele não arredou o pé dali. E por alguma estranha razão isso a incomodava bastante, tanto que vez ou outra ela arriscava dar uma olhadinha de esguelha a fim de se certificar de que ele continuava ali.
Depois de mais umas duas músicas, Jesuton deu uma pausa, sendo, por enquanto, substituída por uma caixa de som que iniciou com uma música mais animada.
A partir daí, houve um silêncio constrangedor entre Fabinho e Giane. O nervosismo de ambos era sentido nos gestos singulares de cada um, enquanto Giane passava os dedos delicamente entre os cabelos e a nuca, Fabinho esfregava uma mão na outra continuadamente. Os dois estavam sem graça um com o outro, sem saber como se portar ou como reagir, e essa atitude era totalmente nova pra eles já que viviam se provocando. Quem passasse por ali, mesmo sem conhecer aquele casal, percebia algo no ar. Pois, a química que existia entre eles transbordava na intensidade da troca de olhares.
O primeiro a quebrar o silêncio foi Fabinho — Ei, maloqueira, tá com sede? — falou alto por causa do barulho ensurdecedor da caixa de som. Giane franziu a testa tentando entender o porquê daquela pergunta, então Fabinho continuou — É que eu tô indo lá no barzinho pegar uma bebida pra mim. Cê quer que eu pegue uma pra você?
– Olha, quem vê até pensa que é um perfeito cavalheiro... — deu uma risadinha, e ele torceu o nariz — Quero sim. Uma água com gás, por favor.
– Tá certo. Me espera aí que eu já volto! — disse, e rumou em direção ao barzinho. Giane o acompanhou com o olhar e sorriu com ternura, disfarçadamente.
Chegando lá, Fabinho bateu no balcão com uma mão para chamar a atenção de Rosimere que estava atendendo um outro cliente.
– Me vê aí duas águas com gás, por favor! — pediu Fabinho.
– Fabinho?! Vai procurar sua turma, vai! Aqui num é lugar pra você não! — disse Xande, provocando-o.
Fabinho franziu a testa com raiva.
– O que é isso Xande? Independente do que o Fabinho fez, ele aqui é um cliente como outro qualquer, e deve ser tratado com respeito, por isso, vá pegar as duas águas que ele pediu. — mas Xande não arredou o pé, encarando Fabinho que revirou os olhos.
– Vem cá, o que foi que eu te fiz, heim?! — perguntou Fabinho para Xande que em vez de responder foi buscar as águas.
– Liga pra ele não, Fabinho... O Xande é assim mesmo.
– Eu só acho incrível que até gente que eu nunca mexi tem problema comigo... Será que nunca vão me deixar em paz?! — Rosimere apenas arqueou as sobrancelhas em solidariedade.
Alguns segundos depois, Xande voltou com as bebidas, e entregou-as pra Fabinho, quase jogando-as em seu peito. Ele fez careta, nas não revidou, em vez disso, virou a fim de voltar pra onde estava Giane.
Ao avistá-la teve uma surpresa, ela não estava sozinha, à sua frente estava um cara, um pouco mais alto que Fabinho, feição desconhecida, pelo menos para ele.
– Ah, mas tenha a santa paciência! — resmungou para si mesmo e se aproximou dos dois com cara de poucos amigos.
Quando Giane o viu, arregalou os olhos, temendo sua reação.
– Vocês estão juntos? — perguntou o cara para Fabinho, quando percebeu a troca de olhares dos dois.
– Não. — falou seco — Eu só vim trazer a bebida. — entregou a bebida pra Giane que a segurou, e por milésimos de segundos seus dedos se roçaram causando uma sensação inexplicável para ambos.
– Ah, você é o garçom? — perguntou o cara, com inocência.
Fabinho não fez nem questão de responder, em vez disso, forçou um sorriso e saiu sem se despedir.
– Fabinho! — gritou Giane, em vão, Fabinho já se misturava entre as pessoas. Giane ficou com raiva daquele gesto — Que imbecil!
– Você conhece ele? — o cara perguntou.
– Não. Só de vista.- respondeu seca.
– Menos mal. Mas, e aí?! Você aceita ou não dançar comigo?
Giane já estava sem paciência com aquela insistência — Eu já disse que não! Na boa, qual foi a parte do não que você não entendeu? Chispa daqui cara! Vai, vai, vai, vai....
– De jeito nenhum. Adoro mulher difícil! — Giane revirou os olhos.
A noite mal começou e já estava uma droga. Será que tinha como piorar?- pensou.
Enquanto isso, Fabinho estava emburrado, encostado no balcão, bebendo a água na boca da garrafa, quando uma mulher, se aproximou.
– E aí, gato?! Tá sozinho? — perguntou a desconhecida, já alisando o peito de Fabinho de forma lânguida.
Imediatamente, Fabinho retirou a mão dela de seu peito — Tô. E pretendo continuar, então... pro seu próprio bem, pega o bêco!
– Uau! Você é sempre assim, nervosinho?
– Não. — Ele a fuzilou com o olhar — Só quando tipinhos como você vem encher meu saco! — A garota deu uma risada. Fabinho estranhou — Tá rindo de quê? Falei alguma piada?
– Não. — Falou ainda rindo, ao contrário de Fabinho que continuava com a cara fechada — É que acho que sei quem é você... Você é o Fabinho da casa verde, né?!
– Eu sou o Fabinho sim, mas a casa verde fica por sua conta. — pausou — O que você sabe sobre mim?
– Quase nada... Tudo que sei é que você era um bad boy que achava que era filho de um cara rico, até fazer um exame de DNA e descobrir que tudo não passava de ilusão. Daí você voltou e agora tá mudado. Acertei?
Fabinho bufou — Não sei porque todo mundo insiste em dizer que eu tô mudado! Eu continuo o mesmo, só não tenho mais paciência e saco pra fazer certos tipos de coisas que eu fazia antes.
A garota sorriu — Que bom! Por que... — ela passou o dedo indicador no peito dele de forma sensual — Eu tenho tara por bad boys, ainda mais quando eles são gatos como você.
Fabinho revirou os olhos. Já estava perdendo a paciência com a insistência daquela ali, contudo ao olhar por cima dos ombros dela percebeu que Giane por mais que tentasse disfarçar, vez ou outra, olhava para trás, em direção a ele. Ficou estranhamente feliz com aquilo, seus olhos brilharam, e um sorriso terno se fez em seus lábios. A garota percebeu aquela mudança repentina de atitude, e olhando para trás, conseguiu avistar de quem se tratava — Desencana, cara! Pelo que eu vi, acho que ela não está nem aí pra você.
Fabinho conseguiu voltar o olhar de novo pra ela — Ela? Ela quem? Do que você tá falando?
– Da garota encostada ali no pilar. Percebi que você não tira o olho dela.
Fabinho gargalhou, e fazendo gestos com o dedo indicador, explicou : — Você tá falando da Giane? Tá maluca! Eu a fim daquele maloqueiro?! Nem que ela fosse a última mulher da face da terra, eu me interessaria por ela.
A garota fez de conta que não entendeu — Sei... Então, já que é assim, bora dançar?!
Fabinho já ia responder à altura, com aquelas respostas "delicadas" dele, mas quando abriu a boca, seus olhos se deteram numa cena que estava acontecendo no lado oposto do salão. O cara que estava com Giane estava tentando à fina força agarrà-la e ela, com as mãos em seu peito, tentava empurrá-lo. Furioso, ele não contou estória e deixando a garota a ver navios, rumou apressadamente pra lá.
– Me larga, cara! Deixa de ser idiota! Não vê que eu não quero dançar. Para de insistir! — gritava Giane tentando se defender. Mas, o cara estava irredutível.
– Você vai dançar comigo, queira você ou não!
– Larga ela! — esbravejou Fabinho quando se aproximou dos dois, deixando Giane aflita.
– Ah, é?! Senão você vai fazer o quê? — provocou o cara.
– Eu vou quebrar a sua cara! — Berrou Fabinho já partindo pra cima, mas Giane foi mais rápida e se colocou na frente dele.
– Calma Fabinho! Tá maluco, cara! — Giane dizia enquanto segurava sua jaqueta — Esqueceu que você tá na condicional?!
– Eu lá quero saber disso! Me solta, Giane!
– Não! Eu não vou te soltar! — disse e se virou para o cara que só esperava uma brecha de Giane para bater em Fabinho — E você, ô peste! Vaza daqui antes que eu mesma resolva dar um murro nessa sua fuça!
O cara deu um sorriso cínico — Fica se escondendo atrás dela, porque se eu te ver sozinho, você já era! — ameaçou e foi embora.
– Ai, graças a Deus, ele já foi... — Cruzou os braços e fuzilou Fabinho com o olhar — E você, seu Fabinho, vê se nã se mete mais em encrenca! Você quer perder a condicional, cara?!
– Claro que não! Só que quando eu vi aquele cara te agarrando à força, o sangue subiu minha cabeça... E eu acabei não medindo as consequências.
– Como sempre né?! Fabinho, olha só, eu sei me defender sozinha!
– Ah, eu vi o jeito como você tava se defendendo, tanto que se eu não tivesse chegado, a essa hora você tava num matagal aí qualquer...
Giane franziu a testa, incrédula — Como? Eu não ouvi isso... — bufou — Pra mim já deu... Tô indo embora! — disse e sem se despedir passou por ele, furiosa.
– Hã?! E é assim? Vai sair assim? Giane! Ô Giane! Volta aqui! — chamou, correndo atrás dela, e quando ela estava prestes a atravessar a porta, ele a alcançou, e segurando seu braço, puxou-a com ímpeto para si, uma proximidade perigosa para ambos.
– Me solta, Fabinho!
– Não! Até você me explicar por que tá indo embora.
– Num tá óbvio?! Eu não tenho mais nada pra fazer aqui.
– Ô Giane, me responde uma coisa, qual foi a parte do convite que eu te fiz que você não entendeu?!
– Do que você tá falando?!
– Eu me lembro muito bem de ter te chamado pra vim pro show da Jesuton comigo. Então, por que você não me esperou? Por que você veio sozinha? Eu fiquei que nem um tonto te esperando no portão da sua casa. À sorte é que teu pai saiu e me avisou que você já tinha saído, senão eu tava lá até agora.
– Problema seu! Eu nunca confirmei que vinha com você.
– Ah, é problema meu, é?! — Giane assentiu com a cabeça em provocação, então sem pestanejar ele enlaçou a cintura dela, seus rostos a poucos milímetros de distância.
– O que você tá fazendo?! Me larga! — pediu, mas sua voz saiu rouca, o que aumentou o desejo de Fabinho que olhava para boca de Giane com sede.
– Num vou te largar! Só se você vim
comigo!
– Cé tá louco! Ir com você pra onde?
– Qualquer lugar, Giane. Eu só quero... Ficar sozinho com você. Vem comigo!
Giane arregalou os olhos. Que tipo de proposta era aquela? Suas pernas ficaram bambas, e ela ficou muito tentada a aceitar, se não fosse... — NÃÃÃÃO! CUIDADO, FABINHO! — gritou a plenos pulmões quando viu que o cara, o mesmo que a estava paquerando a alguns minutos estava atrás de Fabinho, e neste momento desferia um golpe no rosto de Fabinho, que havia se virado quando sentiu que alguém o tocou no ombro.
Com a surpresa, Fabinho não conseguiu nem se defender, e desequilibrou-se caindo nos braços de Giane que o segurou quase caindo também. E covardemente, o cara fugiu. As pessoas que estavam ao redor viram, e dois deles foram atrás do cara a fim de revidar.
– Fabinho! Você tá bem?! Fala comigo, cara! — falou Giane, aflita, dando leves tapinhas no rosto dele.
– O que aconteceu? — perguntou Fabinho quando recobrou a consciência.
– Um covarde te bateu, e o pior é que o danado fugiu. Foi o mesmo que inda agora você queria brigar.
– Argh! Eu vou matar esse cara! — esbravejou ele se levantando.
Giane também se levantou e cruzou os braços — Você não vai fazer nada. Você vai ficar quietinho pra eu cuidar desse seu ferimento. — tocou com delicadeza em seu lábio inferior que estava sangrando. — Olha só como ele te deixou...
Ela pegou na sua mão, e os dois se dirigiram até o balcão — Rosimere, por acaso você tem aí um kit de primeiros socorros?
– Por acaso eu tenho sim, mas o que foi que houve?
– Nada. Foi só uma briguinha de leve... Mas, por favor, não conta nada pro tio Gilson, ele ainda tá com um pé atrás com o Fabinho.
Rosimere percebeu através daquelas palavras que Giane sentia algo mais do que só amizade pelo Fabinho. Ficou apreensiva — Espero que você saiba o que tá fazendo...
Giane fez cara de interrogação — Claro que eu sei! Agora... Você vai ou não vai me dizer onde tá o kit?!
Rosimere suspirou, assentiu com a cabeça, e abriu a portinha do balcão — Entra aqui! Ele tá lá na cozinha, na gaveta do armário da esquerda.
Giane sorriu agradecida — Valeu!
Então, de mãos dadas com Fabinho, ela entrou na cozinha.
Rosimere balançou a cabeça — Esses dois sei não viu?! — disse para si mesma e voltou a servir os clientes.
Lá dentro, Fabinho estava sentado em cima de um balcão, enquanto Giane estava à sua frente passando delicadamente um paninho umedecido com álcool em seu ferimento.
– Ai, isso dói! — reclamou Fabinho pra Giane que riu da cara dele.
– Ah, larga de ser fraldinha!
– Eu não sou fraldinha. Só que isso tá ardendo pra caramba!
– Tá... Fica calmo. Vou tentar ser mais delicada.
O que foi um erro, pois com a proximidade dos dois, seu coração ficou bastante vulnerável. Enquanto ela passava o paninho, a troca de olhares foi intensa. Fabinho quase não conseguia mais se aguentar, contudo Giane resolveu quebrar o clima se afastando.
– Pronto. Acho que... Já tá bom.
– É... Eu também acho.
– E... Acho melhor a gente ir indo porque alguém pode dar por nossa falta e... Enfim, vamos?!
Sem esperar a resposta ela virou, mas Fabinho foi mais rápido e pulando do balcão, ele segurou a sua mão, impedindo-a de continuar.
– Espera, Giane... Antes da gente ir embora eu queria... Bom, eu... — suspirou — Eu queria te agradecer, não só pelo que você fez hoje, mas... Por você ter cuidado de mim na sua casa. Brigado, viu?!
– Ah, para de drama, Fabinho! Aquilo não foi nada...
– Nada? Cê tá louca... Aquilo foi a coisa mais legal que alguém fez por mim em toda minha vida.
Giane não gostou nenhum pouco do rumo que aquela conversa estava tomando, por isso, resolveu responder de maneira fria — Num fica convencido não! Eu faria isso por qualquer um...
– Claro... Mesmo assim, brigado. — chegou perto dela e segurando de leve o seu queixo, roçou o polegar com mais delicadeza ainda. Então, se inclinou e tascou um beijinho um pouco demorado na pontinha de seus lábios. Giane se sentiu flutuando. Mas, não conseguiu mais encará-lo, olhando para os lados.
– A gente pode ir agora. — disse Fabinho cortando o clima constrangedor.
Então os dois saíram, voltando para o salão. A vontade de Giane era ir embora, mas quem disse que suas pernas obedeciam... Em vez disso, foi até quase à frente do palco, seguida de perto por Fabinho. A essa altura, Jesuton já havia voltado e cantava, para finalizar, a mesma música do início do show, atraindo muitos casais pra pista de dança. Menos Giane que permanecia olhando para o palco sem virar nem de lado, até que, engolindo a seco, ela sentiu quando duas mãos tocaram em sua cintura, por trás. Ela apertou os olhos, sabia que era Fabinho, teve receio de virar, até que ele mesmo, com mãos firmes, virou-a em sua direção. Ela ainda não conseguia encará-lo, então, sem dizer nada, ele segurou suas mãos, e colocou-as ao redor de seu próprio pescoço, para por fim enlaçar sua cintura, puxando-a devagar para si. Giane tinha toda liberdade para fugir daquilo, e em outros tempos, fugiria sem pestanejar. Contudo, permaneceu ali, abraçada àquele homem, já arriscando alguns passinhos de dança pra lá e pra cá, suas faces roçando uma na outra. E as mãos quentes de Fabinho percorrendo com pressão suas costas nuas, até chegarem à sua nuca. Seu corpo correspondendo a cada carícia e investida.
Tudo naquele momento colaborava para um clima extremamente sedutor, e Giane já não estava gostando nem um pouco do rumo que aquilo estava tomando. A coisa piorou ainda mais, quando, do nada, Fabinho começou a sussurrar a letra da música em seu ouvido, seus lábios tocando delicadamente em sua orelha. (🎶" You were my strength when I was weak...). Nervosa, Giane errou o passo, e acabou pisando, sem querer, no pé dele por duas vezes.
– Desculpa... Eu não... — falou, se virando, e seus olhares acabaram se encontrando, os dele, com um poder tão intenso, que conseguia penetrar-lhe a alma.
E como se não bastasse toda aquela sensação, Fabinho resolveu arriscar, e segurando, com toda delicadeza o queixo dela, inclinou-se de maneira que seus lábios pressionaram os dela em um beijo singelo, porém com inúmeros significados. Suas respirações ficaram ofegantes, e Fabinho já não conseguia mais aguentar aquela tortura de estar tão perto sem poder tocá-la, por isso, sem mais pensar, segurou sua nuca com firmeza e já ia avançar para um beijo quando sentiu que as mãos dela o empurraram.
– Não... Não... O que cê pensa que tá fazendo? — questionou ela, balançando a cabeça em negativa, apesar de todo o seu corpo dizer que sim. Fabinho ainda tentou segurá-la, mas ela foi mais forte e se soltou dele, correndo em direção à porta. Ele correu atrás, não queria que ela fosse embora com raiva dele, ou seja lá o que ela havia sentido. — Espera, Giane! Giaaaaane!
Na metade do caminho da casa dela, ele a alcançou, e segurou seu braço. Ela parou e virando pra ele, cruzou os braços, esperando uma explicação.
– Giane, por que você saiu correndo de lá? — a cara fechada dela lhe deu a resposta — Foi por causa do... Giane, pelo amor de Deus, deixa de frescura, eu nem cheguei a te beijar, aquilo foi só um...
– Selinho. — completou — Um maldito selinho que não devia ter acontecido. E nunca mais vai acontecer.
Fabinho franziu a testa — Tá bom... Não se preocupe. Foi só um impulso... — enlaçou a cintura dela, seus rostos ficaram próximos — Além disso, eu nem tava muito a fim de te beijar...
– Ah é...? — provocou ela, apertando os olhos.
– É... — respondeu no mesmo tom, balançando a cabeça.- E só pra você saber... Da próxima vez, é você quem vai ter que me beijar.
Giane riu pelo nariz — Então, cara, é bom você ficar esperando sentado...
– Não tem problema. Pra certas coisas, eu costumo ter bastante paciência. — finalizou e eles iniciaram o joguinho do beija não beija. Ambos alternando os olhares entre a boca e os olhos do outro. Mas, como Fabinho acabara de dizer, ele esperou que ela tomasse a iniciativa. E olhe que para ele, aquilo estava sendo uma tortura sem tamanho.
– Me solta... — pediu Giane com a voz rouca.
– Tem certeza? — perguntou Fabinho também com a voz rouca.
Mesmo não sendo o que realmente queria, Giane preferiu assentir com a cabeça, pois achava que era o certo a fazer. Então, delicadamente ele a soltou. E por alguns segundos, eles ficaram em um profundo silêncio, precisavam se recuperar da explosão de sentimentos que tomava conta de seus corações. Em seguida sem falar nada, ela se virou e começou a caminhar em direção à sua casa. Ele ficou parado tentando entender... Até que ela virou o rosto, e disse em tom de brincadeira.
– Você não vem, cara? Prefere ficar aí parado, feito uma estátua?
Ele sorriu, divertido, e apressando o passo, juntou-se a ela, então os dois caminharam no mesmo compasso.
– Olha, eu vou te falar uma coisa, tô pra conhecer alguém que dance tão mal assim como você... Tá louco! — Fabinho começou a provocar.
– Ah, e você pode ir pra dança dos famosos, né?! Cavalo! — Giane rebateu.
E eles ficaram assim, provocando um ao outro até chegarem na casa dela. Entretanto, o clima de brincadeira foi quebrado quando Giane atendeu ao celular. Fabinho parou para escutar e quando ouviu que se tratava de Caio, não gostou nem um pouco. Ficou com ciúmes. Exageradamente com ciúmes. Ainda mais, quando ele ouviu ela dizendo que se Caio quisesse, ela iria naquele momento à casa dele. Quem ela pensava que ele era? Algum idiota? Será que tudo que eles viveram no Cantaí, para ela, não significou nada? Esperou que ela desligasse o celular para desferir sua raiva. Foi grosso com ela, e mereceu o belo tapa que ela lhe deu no rosto. Não doeu nada, o que mais doeu nele foi o fato de ela ter dito que nunca mais queria falar com ele. Isso sim tinha doído na alma.
E como se não bastasse tudo isso, ainda tinha o fato de que Amora havia presenciado tudo, e estava naquele instante destilando seu veneno com ironias e sarcasmos. Ela chegou até a dizer que ele estava apaixonado por Giane... Era a segunda vez que ele ouvia aquilo. Na primeira vez que ouviu, respondeu na lata que não estava, mas porque agora não conseguia mais negar? Será que estava mesmo apaixonado pela maloqueira? Em meio aos seus pensamentos, Amora continuava falando e falando e falando... Perdeu a paciência, aquela mulher era uma imbecil, ainda mais quando se atreveu a denegrir a imagem de Giane que era muito melhor do que ela, muito mais bonita e muito mais inteligente. Surpreendeu-se pensando assim, afinal a pouco tempo atrás era ele quem denegria.
Foi embora, deixando aquela mulherzinha irritante falando sozinha. Chegando em casa, sua mãe veio lhe perguntar o que havia acontecido com seu filhote, mas ele não queria papo, não naquela noite. Entrou no quarto, batendo com força a porta, e desabou na cama. Não conseguiu dormir. Era impossível, quando se tinha algo mal resolvido. Será que Giane cumpriria a promessa de nunca mais falar com ele? E por que cargas d'água isso o afetava tanto? Levantou de supetão e foi para o único lugar que, realmente necessitava ir naquela noite... A casa de Giane.
Chegando lá, Fabinho ficou ainda um tempinho parado em frente a porta da casa dela, tentando criar coragem para bater. Era um tal de bato, não bato até que finalmente bateu, mas quem abriu foi Seu Silvério.
– Fabinho...?
– Boa noite, Seu Silvério, será que eu posso falar com a Giane?
– Poder pode, só que eu acho que ela já deve tá dormindo... Você não pode deixar essa conversa pra amanhã?
Fabinho se agoniou — Desculpa, Seu Silvério, mas é importante... Será que o senhor podia fazer o favor de acordar ela?
– Tá... Se é assim... Eu vou lá tentar acordar ela, mas aviso que ela não gosta de ser acordada, então acho melhor você ir se preparando pra o "bom" humor dela.
Fabinho sorriu fraco, concordando. E Seu Silvério entrou, encostando a porta.
Alguns minutinhos depois, a porta se abriu novamente e Giane saiu com cara de poucos amigos. Ela estava vestida com uma blusinha regata e um short curtinho.
Cruzou os braços — O que você veio fazer aqui, Fabinho? Gostou do tapa e veio levar outro?
– Não, eu... Giane, eu tô me sentindo péssimo pelo que eu disse. Eu juro que não queria dizer aquilo, falei sem pensar...
– E... — Giane queria escutar mais do que só argumentos.
– E... Eu vim aqui porque... Eu queria te pedir desculpas.
Giane sorriu — Viu? Nem doeu, doeu?
Fabinho sorriu de lado — Não... E aí, você me desculpa?
Giane sorrindo, olhou de lado, depois voltou o olhar pra ele — Desculpo, mas vou logo avisando que minhas desculpas tem prazo de validade, então vê se não abusa com frases cretinas.
– Tá... Vou procurar me lembrar disso. — ele disse, e Giane sorriu — Eu nem sabia se você gostava de flor, mas eu trouxe essa pra você... — disse em tom de brincadeira, e entregou-lhe uma minúscula rosa lilás que tinha arrancado de uma roseira no caminho da casa de Giane.
Giane pegou, e seus dedos se roçaram.
Ela sorriu agradecida. — Palhaço!
Ele sorriu também — Bom... Era só isso. A gente pode se vê amanhã?
– Pode, a não ser que eu esteja ocupada.
– Tá... Eu vou indo agora... Tchau! — despediu-se e girando os calcanhares já ia embora se não fosse o fato de ter escutado ela chamando por seu nome.
– Espera Fabinho... — Ele virou de volta, e ela continuou — Não que seja da sua conta, maaaas só pra você saber... Eu nunca dormi com o Caio, e nem com homem nenhum. — Ele deu um de seus melhores sorrisos, e não entendia o porquê de ter ficado tão feliz com aquilo. — Agora vai, já tá tarde e amanhã a gente tem que trabalhar cedo. Boa noite!
– Boa noite! Até amanhã... — e foi embora, logo depois que viu Giane entrando em casa.
– O que o Fabinho queria de tão importante, filha? — perguntou Seu Silvério quando Giane passou pela sala. Mas, sua pergunta ficou no ar porque Giane passou direto para o quarto e fechou a porta atrás de si.
Lá dentro, Giane caminhou até a janela, e olhando para o céu, percebeu que era noite de lua cheia, pensou em Fabinho e sorriu, passando delicadamente a rosa em seu rosto, tal qual uma boba apaixonada. Só que mal sabia ela que a algumas quadras dali um certo rapaz ex bad boy também mirava a lua, e pensava nela com a mesma intensidade.
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