Minha redenção

20 Pelo demônio, peca o anjo...


Notas iniciais
Pela primeira vez Miyukiki e eu discordamos de um capítulo e juntamente com esta primeira vez eu defendi o Sebastian. Eu não acho que ele tenha feito por mal. Tirem as suas próprias conclusões. Boa leitura. Chibi Lord~

Ciel

– Ciel, meu bem... Por Deus, eu sinto tanto. Ainda está machucado?

A Mãe de Alois, Hannah, me abraçou apertado. Alois e sua família me faziam a primeira visita depois do ataque que eu sofrera.

– Como puderam fazer isso com você...? — a voz dela era sentida.

Tia Hannah sempre fora muito boa para mim e uma boa amiga da minha mãe, eu gostava muito dela.

– Agora eu estou bem, tia Hannah... — respondi e a abracei. Era como voltar a abraçar a minha própria mãe, pensei um tanto melancólico.

– Boa noite. Fiquem à vontade. Eu sou Sebastian, o tio de Ciel. – meu tio se aproximou e estendeu a mão sorrindo.

– Boa noite. Meu nome é Hannah e este é meu caçula, Luka.

– Cieeeeeel! — o pequeno Luka, irmãozinho de Alois saltou para os meus braços — senti tanto a sua falta!!

– Oi, Luka... ugh... Você está pesado. Cresceu bastante desde a última vez que eu te vi.

Ele me abriu um sorriso maravilhado e voltou -se para meu amigo.

– Viu? Eu disse que eu cresci! Só o Ciel vê! — e mostrou a língua para o irmão.

– Ele é seu puxa — saco, então não conta. — Alois disse mostrando a língua de volta para o indignado Luka e eu ri.

– Ciel, como voce está? — ele disse preocupado.

– Eu... Estou bem. Meu tio o pegou e não permitiu que ele fizesse o que queria... — desviei o olhar envergonhado.

Já fazia quase duas semanas desde o ocorrido mas o assunto ainda me perturbava demais... mesmo assim Alois era meu melhor amigo e conversar com ele era mais fácil do que com outras pessoas.

Durante a minha recuperação eu não fui à escola. A Weston fez o possível para abafar o caso e tentar manter reputação da instituição, o que era bem difícil visto que um professor fora preso acusado de tentativa de estupro e assassinato. A meu respeito a história oficial era que eu havia sofrido um pequeno acidente, estava com a perna engessada e tinha um atestado que me dispensava das aulas. Meu nome não fora citado no caso mas eu sabia que haveriam boatos. Eu recebi todos os deveres em casa e não levariam em consideração as minhas faltas. Recebi também um pedido formal de desculpas da instituição. Eles tentavam fazer de tudo para me compensar, até porque uma palavra minha poderia aumentar o escândalo que eles tentavam a todo custo abafar. O professor Faustus receberia alta em breve e iria aguardar o andamento do processo sob custódia das autoridades. O Sr. Willian disse que a polícia acreditava que houvessem outras vítimas dos abusos e que com a história elas acabariam por aparecer.

Fiquei perdido em pensamentos e Alois percebeu meu desconforto e disse tentando aliviar um pouco o clima:

– Eu entendo se não quiser falar sobre isso mas eu queria pelo menos saber sobre a surra... Aaah! Porque ninguém filmou???!!

– Alois!! — tia Hannah o recriminou e eu acabei rindo mesmo sem querer.

Alois, eu e Luka subimos para o meu quarto. O pequeno queria conhecer Sky. Meu cachorro estava dormindo preguiçosamente no tapete que ficava ao lado de minha cama. Pode-se dizer que foi amor à primeira vista. Luka e Sky, em poucos minutos já eram melhores amigos. E enquanto o garotinho brincava com o meu cão, Alois e eu olhávamos um para o outro de forma interrogativa. Eu, na verdade, só retribuía o seu olhar já que não fazia idéia do porque dele estar me olhando daquele modo.

– Eu queria ter vindo antes... Mas mamãe disse que vocês precisavam de um tempo. – foi ele quem acabou com o silêncio, tirando um fio da blusa de lã que usava. Ele sempre fazia isso quando estava nervoso.

–Tudo bem, você está aqui agora.

– Mas, Ciel... você está tão estranho.

– Como assim, estranho? — perguntei elevando uma sobrancelha.

– Ah, sei lá. Parece que você está escondendo alguma coisa de mim.

–Talvez... — sorri de modo zombeteiro e ele arregalou os olhos. — Mas não é como se você tivesse algo interessante para me contar, em troca.

– Ah! — Alois me deu um tapa fraco fazendo depois uma expressão pensativa.

– Bom... na aula de esgrima dessa semana o instrutor trouxe uma aluna prodígio de outra escola... – ele retirou a franja de frente do rosto. – Ele ficou enchendo a bola da garota e blábláblá, já estava me aborrecendo. Então, eu me ofereci para lutar com ela.

– Eu queria ver a menina quebrar a cara!

E ele riu de um modo medonho. Alois era, depois de mim, o melhor da nossa turma na esgrima.

–E? -perguntei interessado.

Ele suspirou, puxou o ar fundo, pesaroso.

– E eu perdi feio! A garota é muito boa mesmo.

Eu caí na cama, gargalhando alto, fazendo meu amigo me estapear.

– Qual é a graça? — ele perguntou emburrado. E eu sequei as lágrimas antes de responder ofegante.

–Você perdeu para essa garota?

– Oh, não a subestime! Ela é mesmo muito talentosa, está bem? – ele se defendeu corando.

– Ah, está certo, mas isso não é digno do meu segredo. – ri e fiz mistério, sabendo que a curiosidade de Alois sempre fora imensa.

–Está certo, está certo... — ele disse e eu fique em silêncio, parece que agora é que viria a verdadeira revelação.

– Fora da esgrima... ela é tão, tão fofa... — acabou agarrando o travesseiro e tapando o próprio rosto, fazendo que sua última fala fosse abafada. — Acho que estou apaixonado...

Minha reação foi simples.

Simplesmente não ter reação alguma.

Fiquei ali tentando absorver a informação, enquanto equiparava ambos os segredos. Tentando ver em qual ponto o meu se igualava ao de Alois.

Ele era um garoto inteligente, bonito e de bom coração e estava, provavelmente, apaixonado por uma garota que devia ser gêmea dele quanto às qualidades.

Já eu?

Eu era um garoto órfão, infeliz, que diante do amparo e de uma mão estendida, acabei me apaixonando de forma deturpada, por um homem vinte anos mais velho que eu.

Meu tio, meu protetor... A quem eu corria o risco de perder justamente por ele tanto querer me zelar.

–Agora é sua vez. -Alois disse. Ele esperava que eu revelasse meu próprio segredo. Quando eu comecei a gaguejar qualquer coisa a senhora Coburgo apareceu na minha porta, avisando que o jantar já estava servido. Descemos depois de, sob o olhar atento da mulher, lavar as nossas mãos.

Eu sentia meu rosto queimar de vergonha. O que ele diria se soubesse?

Ora, no que eu estava pensando?! Eu não podia contar aquilo a ninguém, nem mesmo para Alois! Qualquer descuido meu e tio Sebastian poderia parar na cadeia e de modo algum eu queria aquilo.

Eu deveria esconder isso até mesmo de meu melhor amigo e isso fez eu me sentir mal.

Descemos as escadas, Luka dizendo ao irmão o quanto queria um cachorrinho.

Conversávamos mas eu me calei quando me deparei com a seguinte cena.

Na sala, sentados lado a lado como antigos amigos, estavam meu tio e tia Hannah. Eles bebiam algo e riam alegres. Tio Sebastian, em certo momento, jogou a cabeça para trás soltando uma gargalhada alta e grossa e eu me dei conta de que nunca tinha ouvido aquele som.

Tio Sebastian nunca gargalhou alegre daquele modo comigo. Mas a culpa acho que não era dele, era minha por só trazer problemas para a sua vida.

Eu percebi, ali naquele momento, o quanto aquela situação seria perfeita se fosse real: um casal, ambos jovens e bonitos, três crianças felizes, todos vivendo uma realidade normal.

Pensei o quanto seria bem aceita a união deles. Não seria algo a se manter em segredo. E também pensei o quanto o que eu e tio Sebastian sentíamos um pelo outro era impuro, criminoso, sujo.

Mas, apesar de tudo, apesar de todos os contras eu não queria o normal e, por mais que eu julgasse errado o sentimento que eu tinha pelo meu tio, eu ainda sim o sentia e nunca o poderia negar.

E era por isso que agora que eu tinha a vista embaçada pelas lágrimas que eu lutava em segurar.

Porque ele era meu!

Porque eu não queria que sua atenção fosse de mais ninguém. Porque era somente para mim que ele deveria olhar.

– Oh, crianças, vocês estão aí. — tia Hannah disse e eu me amaldiçoei por sentir raiva dela, ela era tão carinhosa comigo, lembrava-me como era ter mãe.

– Estão com fome? Já querem jantar? — ela sorriu.

– Eu quero! — Luka respondeu empolgado.

– Por mim... -Alois disse dando de ombros. E diante do meu silêncio a pergunta foi dirigida diretamente a mim.

– E você Ciel, querido? — o sorriso amoroso. Oh, era tão errado eu me sentir daquela forma. Não, a culpada não era a tia Hannah.

Era o meu tio! Era do homem que não desviava o olhar da mulher morena para mim. A culpa era toda dele. Era ele que, nos últimos dias, evitava me tocar e agora ficava de sorrisinhos para ela.

Não que ele tivesse voltado a fugir de mim, não.

A situação era ainda pior agora. Ele me mantinha perto, debaixo de suas cobertas, aquecido pelo seu abraço, mas não me tocava ou me beijava.

Não daquele modo... E eu... Eu queria.

– Aqui. — tio Sebastian falou a Hannah, puxando a cadeira para que ela se sentasse. — Permita-me.

– Oh, muito obrigada. É tão difícil esse cavalheirismo nos homens hoje em dia. – ela disse rindo enquanto arrumava o guardanapo no colo.

– Nós, Phantomhives, descendemos de Condes. O cavalheirismo está em nossa linhagem. — meu tio respondeu cheio de si e eu acabei por revirar os olhos. Alois que estava sentado de frente para mim soltou uma baixa risadinha.

– Mamãe, nós também des- descen- descen... — o pequeno Luka começou.

– Descendemos? -Alois o ajudou.

– Isso! -o menor confirmou. — De Condes? -terminou a sua pergunta.

– O pai de vocês tinha sim, uma ascendência nobre, mas agora eu não me lembro bem qual era o título. — a mãe de Alois fez uma expressão de quem pensava sobre o assunto.

– Seu marido não sabe lhe dizer? — meu tio perguntou.

– Saberia... — ela respondeu triste.

– Oh... Sinto muito, eu não sabia. — tio Sebastian se desculpou.

–Tudo bem, ele faleceu pouco depois de Luka nascer. Já superamos. Bem... de certa forma, é claro. — o rosto da mulher estava sombreado pelo pesar.

– Não fique assim. — tio Sebastian, que se sentara de frente para a Senhora Hannah e ao meu lado, tocou a mão dela que estava posta em cima da mesa. Meus olhos dobraram de tamanho.

– Nestas situações é normal que nunca venhamos a estar cem por cento bem. — os dedos longos de meu tio acariciaram os da mulher e eu, por sorte, tive sucesso em reprimir uma reação vergonhosa.

–Eu mesmo sinto que nunca estarei bem o suficiente para dizer que a morte de meus pais não me aflige mais, por exemplo. E isto já faz mais de uma década.

Ela sorriu para ele e tio Sebastian retribuiu-lhe o sorriso.

– Sinto que temos tanto em comum, senhor Sebastian.

Eu engoli em seco, fechando as mãos em punhos.

–Por favor, me chame só de Sebastian. – ele pediu e aquilo foi a gota d’água para mim.

O que ele estava pensando?!

Minha mão se moveu, encontrando a perna de tio Sebastian, que sentava ao meu lado. A deixei em sua coxa, apertando-a sem fazer muita força.

Ele precisava se lembrar que eu estava ali.

Meus dedos dedilharam o jeans dele como se fossem pezinhos, dando pequenos passos e eu deixei que a palma de minha mão repousasse calmamente sobre a intimidade de meu tio. E mesmo que meu rosto tenha se tornado vermelho e eu sentisse um calor subir por meu pescoço, ainda assim valeu a pena.

Vi pelo canto dos olhos meu tio Sebastian me olhar petrificado. Ele gaguejou qualquer coisa e soltou, o mais rápido que conseguiu, a mão da mulher à sua frente.

Disfarçadamente ele levou sua mão a encontrar a minha debaixo da mesa. Apertou meus dedos trêmulos, mas não os tirou dali.

Depois do jantar ainda fomos para a sala de estar, onde a senhora Coburgo serviu um chá para todos. Já era quase meia noite quando Alois, sua mãe e seu irmãozinho foram embora.

Luka já dormia no sofá, então tio Sebastian o levou no colo até o carro.

Eu estava com tanta raiva que fingi que dormia também apenas para não ter que me despedir. Mas quando meu tio regressou eu tinha os olhos bem abertos e uma expressão severa que o fez engolir em seco ao sentar ao meu lado.

Notas finais
Bem, quem mais acha que o Sebastian merece um puxão de orelha por ter ficado todo meloso com a mão do melhor amigo do Ciel levanta a mão. Nossa, quanta gente!! Kkkkkkkkkkk XD Mais uma vez queremos agradecer os comentários e o carinho de todos os nossos leitores. Os últimos dias tem sido uma loucura, muita correria, trabalho, provas. Mal temos conseguido conversar como antes, mas sempre que podemos fazemos o quê? Tratamos de Minha Redenção. Parece que nosso bloqueio já está passando, tanto que conseguimos avançar no tão aguardado lemon ( que virá, calma, mas antes vamos torturá-las com muitas cenas quentes em caps futuros ). Aos poucos estamos respondendo reviews atrasados, nos desculpem. Não pensem que não damos importância a eles. Damos e muita! São os reviews que nos motivam e nos fazem querer continuar apesar de toda a dificuldade. Portanto a todos os que comentaram, que elogiaram, criticaram, surtaram e nos fizeram rir com suas observações queremos dar o nosso amor e o nosso obrigado. Amamos vocês. Miyuki ki