Minha redenção
21 A inocência doutrina o monstro.
Notas iniciais
“Sabe a quem você pertence, cão?
Você sabe!
Não se descuide de mim, não me abandone,
não desvie de mim os seus olhos.
Nem por um único minuto.
Me ame, me venere.
Me tome como seu, me faça seu.
Deixe em mim as marcas de suas garra.
Pois este é o desejo de uma impura criança.”
Chibi Lord
–Achei que estivesse dormindo... – meu tio perguntou acariciando meu cabelo e eu instintivamente fugi de seu toque. — A senhora Coburgo já foi se deitar. Vamos também? – ele sugeriu e eu cruzei os braços frente ao peito, deixando claro que dali eu não sairia.
Eu estava emburrado e com um bico enorme nos lábios.
– O que foi? – ele me perguntou coçando a cabeça. -Achei que ficaria feliz com a visita de seu amigo.
– Eu fiquei. — respondi baixinho. — Mas...
Abaixei a cabeça, minha visão ficando coberta pela cortina de cabelos que se formara em frente ao meu rosto.
– Ciel... — meu tio suspirou. — Eu entendo que fique meio triste... — tentou me abraçar e eu novamente me esquivei. — Mas eu não tenho culpa.
– Como assim não tem culpa?! A culpa é toda sua! -respondi brusco e minha revelação o pegou desprevenido, ele arregalou os olhos.
– Quê?! — ele perguntou desentendido e eu fiquei com ainda mais raiva. Me levantei, parei à sua frente e apontei o dedo indicador em sua direção. Eu estava furioso.
–A culpa é sua! Não deve me amar mais! A culpa é sua que ficou a noite toda paparicando a tia Hannah! — funguei. — A culpa é sua-
Seus braços me puxaram e me envolveram em um abraço que era forte demais para eu fugir. Fiquei preso ali.
– De onde foi que tirou essa idéia de eu que não te amo mais? De onde tirou a idéia de que precisa ter ciúmes de mim?
Eu não respondi, afundei meu rosto em seu pescoço a apertei a barra de sua blusa entre os meus dedos. Me aconcheguei contra ele.
– Eu só estava sendo atencioso com a nossa visita. — ele se defendeu.
– Não quero que sejas atencioso assim com mais ninguém além de mim... –sussurrei erguendo meus braços e abraçando o pescoço dele. Porque eu estava sendo egoísta assim? Amar é se tornar assim?
–E eu nunca mais serei, se isto lhe incomoda. – ele se levantou comigo em seu colo e minhas pernas se enlaçaram em sua cintura.
–Agora vamos nos deitar que já é tarde.
Ele subiu as escadas acariciando meus cabelos e eu, com os olhos fechados, não vi que era levado até meu próprio quarto. Só percebi quando fui deitado ali, reconhecendo o desconforto de minha própria cama. Ele beijou minha testa, como faria um pai e me cobriu.
– Boa noite, meu menino. — quando ele ameaçou se levantar eu o segurei pelos ombros.
– Diz me amar, mas não me beijou nunca mais... -minha voz não passava de um baixo murmúrio e eu sentia meu rosto queimar de vergonha, mas mesmo assim o ciúme me deu coragem para falar.
– Ciel... Não sei se devemos ter esse tipo de carinho entre nós.
Sua expressão era sofrida como se lutasse internamente contra algo, contra mim. Aquilo me angustiou mas eu não poderia deixar que meu amado tio me escapasse pelos dedos. Eu só tinha a ele nessa vida, mais ninguém. Eu o amava e ele precisava me amar de todas as formas. Eu precisava que ele me amasse.
–Então... é verdade... você não me ama mais...! — ditei pesaroso.
–Eu o amo sim! O amo mais que tudo nessa vida. — ele se abaixou tocando meus lábios com os seus. A princípio foi um toque leve porém, ainda assim, minhas mãos foram para seus cabelos e meu coração acelerou. Entreabri meus lábios deixando que ele realizasse uma doce massagem em minha boca. Após breves momentos senti a língua dele adentrar, macia e quente. Acariciei-a com a minha própria e ao final, ele se afastou não sem antes sugar de modo fraco meu lábio inferior.
–Te amo tanto que chega a doer. – ele disse rente ao meu ouvido e eu me arrepiei por inteiro.
– Eu não acredito... – eu o provoquei.
– Como? — ele disse, seus olhos me analisando, questionadores.
– Prove que me ama. Prove que me quer e somente a mim.
E nesse momento eu vi seus olhos faiscarem perigosamente.
– Não me provoque, Ciel. Tenho me mantido sob controle há muito custo. Não diga essas coisas. — suas mãos me apertaram os ombros fortemente e eu gemi com a dor.
Mas não era essa a impressão que eu queria passar, não era desse modo que eu queria que ele me visse.
Eu queria que ele soubesse que eu precisava dele! Que eu sentia algo por ele. Lambi os lábios, e vi seus olhos seguindo minhas ações, vidrados.
– Eu... quero que me toque. Como... como me tocou naquela noite... Quero que me beije sempre, como os casais apaixonados se beijam.
– Ciel... — ele resmungou baixinho virando o rosto para fugir do meu olhar.
– Por favor, tio Sebastian? Eu quero tanto... — e usei a voz mais manhosa que eu sabia fazer.
Ele arfou e nesse instante eu soube que teria aquilo que queria.
Ele avançou tão violentamente contra mim que acabou por fazer com que nossas bocas se chocassem e eu fosse jogado contra a cama. Sua língua invadiu minha boca de forma brusca e eu arregalei os olhos. Aquilo era novo e estranho para mim.
Segurei forte em seus cabelos, tentando conter um pouco aquele beijo tão impetuoso. Senti as mãos de meu tio descerem de meus ombros e passarem por meus braços, apertando minha pele com força, chegando à barra da minha camisa. Ele se afastou por um breve momento e num único movimento a arrancou do meu corpo. Mal eu tive tempo para respirar e sua língua estava entre meus lábios de novo. Ela, dentro da minha boca, instigava a minha a se mover com a mesma rapidez com a qual ela se movia. Eu sentia nas minhas papilas gustativas o gosto da saliva dele.
Era... era... brusco... era assustador. Ele movia a boca, furiosamente, sobre a minha, roubando-me o ar. O afastei com as mãos em seu peito, eu precisava respirar.
Arfei e o vi me encarar. Os olhos estavam cegos de desejo. Os dentes atacaram meu pescoço, mordiscando com um pouco de força, marcando-me e me fazendo gemer baixinho de dor. Tentei afastá-lo de novo e ele agarrou meus pulsos e os prendeu contra o colchão, me imobilizando enquanto não parava de me mordiscar.
Logo a boca dele estava no meu mamilo... sugando, mordendo!
Ele estava entre as minhas pernas e eu senti ele se forçar contra mim.
E eu me senti perdido.
Aquilo era tudo rápido demais, forte e duro demais. Eu não sabia o que fazer, como agir e nem o que sentir.
Eu estava ficando assustado.
– Para, por favor. — pedi angustiado mas ele não me ouviu.
Sky, que estava deitado em sua cama, levantou-se, começou a rosnar na direção de meu tio e a se aproximar. Isso me apavorou ainda mais. Nunca vi Sky rosnar para meu tio. Percebi que ele queria me defender e eu tive medo que meu cão pulasse sobre ele e o mordesse.
– Pare, pare! – implorei – por favor, para! Tio Sebastian, para!!
E só então tio Sebastian pareceu realmente me ouvir. Ele parou e olhou para mim por um longo momento e depois para Sky, que graças a Deus, parara de rosnar. Ele voltou a me encarar e me analisou por minutos a fio, nós dois com nossas respirações aceleradas, até ele me puxar pelos braços me fazendo ficar em seu colo, minhas pernas abertas sobre as dele.
– Diz que me quer mas tem medo. E agora você viu de que eu sou capaz... — as mãos me alisavam as costas nuas de forma quase pesarosa.
– Mas... mas eu quero você...! — gaguejei me agarrando em seu pescoço e beijando timidamente a pele dali.
– Seu corpo tremendo e seus olhos chorosos me mostram outra coisa. — ele me apertou. — Eu não quero te machucar, Ciel, entenda.
– Eu... eu aguento... — sussurrei inseguro.
Eu o queria, eu o amava, eu queria conhecer com ele e apenas com ele essas emoções. Mas a sua sede por mim me assustava. E eu ainda estava conhecendo tudo pela primeira vez .
– Eu não vou fugir agora... eu prometo.
– Não, você não tem de aguentar... Eu não quero te fazer algo que você tenha de aguentar, de suportar! Eu não quero isso! E é por isso que me afasto, porque não sei me controlar... eu não sei me controlar quando eu toco você...
–Mas, você pode aprender... por mim! — pedi segurando seu rosto entre minhas mãos. Olhei em seus olhos e murmurei — Precisa, tio, se controlar... pois cabe a você me ensinar... me ensinar a te querer como você me quer.
–Você é só um menino. — a mão passou por minha bochecha cheia de carinho. — Como pode falar estas coisas?
– Eu sei o que quero. Eu só preciso que me mostre como devo agir. Devagar... para eu entender estas sensações. Me oriente, me ensine. — meus olhos, que estavam baixos naquele momento, se ergueram para encará-lo e meu tio ofegou.
–Você... quer que eu te ensine a sentir prazer? – ele perguntou um tanto chocado.
– S-sim... me ensine... – meu rosto estava em chamas.
– Eu não posso...! Eu não devo! É tão errado... – ele choramingou e eu segurei seu rosto e beijei de leve seus lábios.
– Então... você prefere que eu venha a aprender com outro? — perguntei de brincadeira, já sabendo a resposta e ri quando meu tio voltou a me apertar forte em seus braços resmungando que nem pensar.
Ficamos abraçados até que nossas respirações ficassem calmas e minhas pernas começassem a doer pela posição.
– Eu vou para o inferno, Ciel. — tio Sebastian disse baixinho, o queixo apoiado em minha cabeça.
–Tudo bem você ir para o inferno, se eu puder ir junto. – eu disse sincero. Ele riu e eu também.
–Você realmente tem certeza dessas coisas que me disse? Tem certeza que não vai me ver como aquele homem nojento que o tocou? — eu suspirei desgostoso pela lembrança.
–Eu sei que você nunca vai me machucar. — esfreguei meu rosto em seu peito, aspirando a doce fragrância. — Sei que vai me ensinar e esperar até que eu esteja pronto. — beijei novamente seu pescoço, dessa vez bem perto do pomo de Adão.
–E eu confio em você, tio... Nunca serás para mim como aquele homem monstruoso, porque... Porque eu gosto quando me toca. — admiti, escondendo meu rosto em seu peito, minhas bochechas queimando de vergonha. — Eu te amo tio, Sebastian.
– Eu também te amo, meu Ciel. – ele disse me estreitando em seus braços e, apesar de todo o ciúme que eu sentira esta noite, estas palavras me encheram o coração e a alma.
Eu me senti feliz.
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