Minha redenção
42 Para todo o sempre, meu.
Notas iniciais
Não tivemos limites quando nossos corações,
Descompassados, começaram a bater.
Não resistimos quando o cheiro da pele alheia
começou a inebriar o olfato.
Tentamos fugir, mas oh... tão difícil foi,
que o impossível se tornou o nosso certo.
Caímos, tão vertiginosamente nas garras um do outro.
Tão afoitos, tão...
Fomos da decadência da culpa e medo ao sublime amor e complacência.
Hoje somos fortes, juntos somos um.
Pois nada, nada nesse mundo pode nos separar.
~Chibi Lord
O homem assistia à apresentação com um enorme sorriso em seu rosto, o orgulho em seu peito só não era maior que a felicidade. Sebastian, aos trinta e oito anos, era enfim um homem feliz.
Um belo jovem, elegante em seu fraque escuro, executava lindamente a Rapsódia Húngara no. 2 de Liszt. Ao final da apresentação as pessoas levantaram de suas cadeiras e aplaudiram o jovem pianista.
Era a primeira grande apresentação solo de Ciel que, aos dezessete anos, era uma das grandes promessas do melhor instituto de música da Inglaterra. O Royal Academy of Music. Ciel era um jovem instrumentista promissor, tinha talento, era aplicado e amava o que fazia. E Sebastian era um tio, coruja e extremamente apaixonado.
Quando a aglomeração de pessoas se dissipou e todos os desconhecidos e entendidos em música acabaram suas congratulações ao jovem, Ciel veio ao encontro de Sebastian, um sorriso convencido no rosto e os fios já bastante compridos presos em um rabo de cavalo.
– Como eu me saí? — o garoto perguntou, aproximando-se de Sebastian e encostando a cabeça no ombro do homem enquanto caminhavam.
Ninguém estranhava a aproximação dos dois, Sebastian era como um pai muito presente. Nem mesmo as mães das crianças das aulas iniciais de violino costumavam ser tão presentes quanto o tio do garoto de olhos bicolores.
–Você quer um elogio? — Sebastian zombou, acariciando aos fios do seu eterno menino.
– Seu? Não, eu sei que você achou incrível. — Ciel riu da própria fala e ainda mais da cara falsamente enfezada do maior.
Depois de ambos receberem mais algumas congratulações, Ciel por seu imenso talento e Sebastian pelo belo sobrinho, o jovem resolveu que desejava comemorar como ambos gostavam.
Somente os dois.
Após vestir uma roupa mais casual, tio e sobrinho saíram para uma noite especial. Jantaram em um restaurante e depois de muita insistência por parte de Ciel foram a um Pub. O garoto queria terminar a noite ao melhor estilo inglês, em um charmoso pub de estilo vitoriano.
Sebastian havia pedido um Pint de cerveja Ale e bem rápido o imenso copo de 568ml chegou. Ciel sorriu ao ver o tio virar o copo, sorvendo boa parte da bebida no primeiro gole.
– E isso porque você nem queria vir. – o jovem zombou.
– A cerveja daqui é muito boa, o que posso fazer? – o tio deu um imenso sorriso.
Ciel sorveu a sua dose, bem menor que a de um adulto. Ele tinha direito a uma e apenas uma, por ser maior de dezesseis e estar acompanhado de seu responsável.
– Vai com calma, você ainda é muito jovem para isso. – Sebastian deu uma falsa bronca.
– Jovem para isto, mas não para outras coisas não é mesmo? – o garoto riu.
O desejo de ambos era irem logo para casa mas aguardariam um pouco mais, o suficiente para a idosa governanta já estar dormindo.
Sebastian olhou ao seu redor enquanto Ciel terminava sua bebida. Verificando se alguém os observava. Notou vários olhares, pessoas que depois disfarçavam e voltavam a suas próprias conversas em suas mesas. Ele sabia que toda aquela gente direcionava olhares de cobiça para seu menino.
Sebastian sempre fora e ainda era um homem belíssimo. Mas Ciel... Ciel era mais que belo, era uma obra de arte.
Tinha agora o corpo desenvolvido, de uma forma avassaladoramente tentadora. Suas pernas eram fortes e torneadas, seu porte era altivo, os braços firmes, suavemente definidos, o abdome lisinho, sua pele continuava com aquele tom de porcelana. Seus cabelos compridos, daquele tom único que ninguém mais tinha, lhe passavam dos ombros. Eram lisos e brilhantes sem que o garoto precisasse ter grandes cuidados com eles. Na verdade era até uma afronta que fossem tão macios e arrumados sem que ele fizesse qualquer esforço para isso além de lavá-los. Seus olhos eram grandes e bicolores, um extremamente azul como o oceano e o outro naquele tom belo das ametistas. Seus cílios expressivos eram longos e escuros destacando ainda mais a beleza de seu olhar.
Era impossível não notar aquele jovem em meio à multidão.
A beleza do mais jovem dos Phantomhives superava a de qualquer outro que o antecedera. Talvez por ele possuir algo de Rachel também. Ciel era perfeito! E para a agonia de Sebastian ele não era o único que notava isso.
No decorrer dos anos Sebastian perdera a conta de quantos amigos e amigas ele teve que botar pra correr. Claro, de uma forma discreta... ás vezes nem tanto. O homem mais velho bebeu para se distrair dos olhares cheios de luxúria que eram direcionados a Ciel
– Ora, olá, Ciel! Sr. Phantomhive.
Ambos voltaram sua atenção a quem os cumprimentava calorosamente. O sorriso de Sebastian quis morrer e ele teve de se esforçar para mantê-lo. Diante deles estava um belo jovem de cerca de vinte e cinco anos. Sebastian o reconheceu de imediato.
O rapaz era alto e tinha cabelos longos, descoloridos até quase serem brancos. Tinha olhos verdes penetrantes e possuía uma enorme cicatriz atravessando seu rosto, ao que parece devido a um acidente que sofrera há algum tempo. Essa marca, apesar de enorme, não diminuía o ar atraente do jovem, talvez o tornasse mais exótico. Ele ria com facilidade e gostava muito de piadas e brincadeiras. Em resumo um jovem encantador.
Menos para o ciumento tio.
– Undy! Não imaginei que o encontraria aqui. Pensei que estava fora da cidade. Perdeu a minha apresentação. — Ciel sorriu apertando a mão do recém chegado. O jovem depois a estendeu a Sebastian que a apertou com um sorriso um tanto amarelo.
“Undy” Sebastian sentiu seu nariz torcer ao apelido carinhoso. Ele não sabia o verdadeiro nome do rapaz de cabelos brancos e nem se importava em descobrir. Lhe bastava saber que Ciel o conhecera logo que entrou no Royal Academy of Music e que este ilustre desconhecido amava flertar com seu sobrinho.
Talvez amasse um pouco demais.
– Veio encontrar alguém? – Ciel perguntou sorrindo.
– Por quê? Você ficaria com ciúmes? – Undy respondeu piscando aquele olho verde.
– Pfff... Até parece! – O garoto de olhos bicolores respondeu fazendo cara de nojo e ambos riram enquanto Sebastian terminava o seu copo de cerveja, já não tão saborosa a esta hora.
– Bem, boa noite para vocês e parabéns, Ciel. – O jovem respondeu dando tapinhas no ombro do mais jovem do grupo.
O alívio de Sebastian ao ver o inconveniente partir era visível.
– Não vou com a cara dele. – Sebastian resmungou – parece estar sempre nos rondando pra tirar você de mim.
– O quê? — Ciel voltou os olhos para seu tio – ele é só um amigo. Pare de achar que todo mundo que se aproxima de mim tem segundas intenções!
– Mas todos tem. – o tio resmungou. – Eu vou buscar meu casaco no carro. Acho que minha carteira ficou lá. Eu já volto.
– Deixa que eu pago.
– Não, estamos comemorando hoje. Tudo é por minha conta.
Sebastian foi rapidamente, o carro não estava longe. Ele se sentia um pouco culpado afinal ele sabia que seu ciúme era exagerado e realmente ele confiava em Ciel. Mas ele não confiava nos outros ainda mais depois de ter quase perdido seu amado sobrinho naquele fatídico dia cerca de três anos atrás. Sacudiu a cabeça para afastar aqueles pensamentos e suspirou. Melhor voltar logo, pagar e irem para casa.
Sebastian voltou e ao entrar no bar seu coração quase parou. Undy estava lá, um braço em torno dos ombros de seu sobrinho. Ele sussurrava algo no ouvido do jovem de olhos bicolores e ele viu Ciel sorrir e sussurrar algo de volta. Da distância em que estava Sebastian não podia ouvir o conteúdo da conversa.
– Ciel, não quer vir aqui um outro dia? Sem o seu tio? Só nós dois... seria muito legal conversarmos. Eu sempre achei que temos muita coisa em comum.
– Olha, Undy... nós somos amigos e eu vou ser bem sincero com você. Eu tenho namorado. Então, me desculpe... mas não vai rolar...
– Mesmo? – o outro jovem pareceu surpreso – oh... é que eu sempre o vejo só com seu tio... eu não sabia. – em seguida ele ajuntou sorrindo tristemente – Eu não posso ter esperanças, então?
Ciel lhe sorriu e sussurrou.
– Me desculpe... mas não. Eu realmente amo o meu namorado. Espero que compreenda.
– Claro. – Undy sorriu de volta – bom... pelo menos eu tentei, não é?
– É você tentou... – Ciel riu – Não faça mais isso!
E os dois riram juntos.
Sebastian, julgando erradamente toda a cena, passou por uma mesa e agarrou o primeiro Pint cheio de cerveja que viu.
– Ei! Isso é meu! – uma mulher na mesa gritou. Mas o homem nem ouvia. Ele seguiu para a mesa de Ciel. Undy já havia se afastado de seu sobrinho então Sebastian fez o que seu menino jamais imaginara.
Ele atirou todo o conteúdo do Pint no rosto de Undy.
– T-tio Sebastian?! – Ciel exclamou estarrecido. Vários olhares se dirigindo a eles.
– Ops! Me desculpe! – Sebastian gritou para o atrevido de olhos verdes – eu acho que estou bêbado. Acho melhor eu ir embora antes que jogue uma garrafa da próxima vez!
Undy tossiu e limpou os olhos com as mãos. Sebastian foi em direção ao balcão e agarrou uma garrafa de Whisky. Mas para alívio de todos ele não a atirou no jovem mas saiu do Pub com ela sem nem ao menos olhar para trás.
– Tio! Tio! Espera! – Ciel deu a Undy os guardanapos de linho da mesa, pediu imensas desculpas pelo comportamento do tio e disse que ele não devia estar bem. Nem sequer esperou o amigo concordar, disparou atrás de Sebastian mas foi detido na porta pelo dono do Pub, o landlord.
– Um momento garoto! Aquele homem que estava com você roubou uma garrafa do meu excelente whisky! Você não sai daqui sem pagar por ele!
– O quê? Mas eu preciso ir atrás dele! Ele não está bem! – o rosto do landlord permanecia impassível e Ciel desistiu de tentar debater .
– Mas que droga! – o garoto grunhiu pegando sua carteira e sacando o cartão de crédito.
Após pagar Ciel saiu nas ruas mas não viu seu amado tio. Correu para onde o carro deles estava estacionado e o veículo ainda estava lá. Com um suspiro o garoto começou a andar pelas ruas apinhadas à procura do homem mais velho.
Ciel estava furioso.
Cerca de meia hora depois de dar o seu pequeno show, onde o grande astro fora o seu ciúme descabido, Sebastian foi encontrado por Ciel. Estava sentado em banco de praça qualquer, choroso, meio bêbado e murmurando incoerências.
– Tio, Sebastian! O que deu em você?! – o jovem ralhou – Eu fiquei muito preocupado!
– Eu disse que todos tem segundas intenções! E você estava sorrindo! Eu vi!
– O quê? — Os olhos de Ciel se abriram ao entender o que seu tio havia entendido de toda a cena.
– Ele é jovem e charmoso enquanto eu estou velho demais para você, não é?
– Não diga bobagens! Vamos pra casa! Agora!
– Então me responda! Ele estava ou não lhe fazendo propostas? – Sebastian perguntou cruzando os braços.
– Ele... bom... argh... sim, ele estava. – Ciel admitiu derrotado.
– Aha! – Sebastian riu triunfante de um jeito tão cômico que Ciel acabou por rir. Mas em seguida ele viu Sebastian por as duas mãos no rosto e balançar a cabeça.
– O que eu mais temo vai acontecer... um dia você vai me deixar... – ele sussurrou dolorosamente.
Ciel se sentiu tocado e sua raiva inicial se desvaneceu ao olhar o sofrimento de seu tio. O garoto também tinha muito ciúmes de Sebastian e então se colocou no lugar do mais velho, imaginando o que sentiria se houvesse flagrado a mesma cena.
Ele se sentou no banco e abraçou Sebastian.
– Olhe pra mim. – ele pediu suavemente e Sebastian o fez.
– Jamais pense que eu vou deixá-lo. – ele disse encostando sua testa na do tio. — Quantas vezes eu terei de provar meu amor para você...?
– Ciel...
– Eu serei seu e você será meu até o fim dos nossos dias... e, se existirem outras vidas além desta, nós nos encontraremos de novo e mais uma vez nos amaremos. Eu acredito nisto com todas as minhas forças...
– Eu sei... — Sebastian anuiu. – Eu também sinto isso...
– Eu disse a ele que eu já amava alguém. E ele entendeu e não estava insistindo. Você não confia em mim, é isso?
– Não. Eu confio em você... É só... que eu perdi o controle. Perdoe-me, por favor.
Ciel sorriu olhando para seu tio. Definitivamente o homem mais lindo que ele já vira.
– Se fizer isso de novo aí sim eu vou embora.
Sebastian o olhou assustado.
– Estou brincando. Ás vezes você é tão tonto, tio Sebastian... – e o jovem beijou de leve o mais velho. – Venha, vamos para casa... Eu dirijo.
***
–Urgh! — o jovem exclamou ao soltar o homem com certa brusquidão em cima da cama. O corpo inebriado do maior quicando no macio colchão -Você é pesado!
Ciel riu em seguida do estado em que seu amante se encontrava. Seu tio estava meio bêbado, a noite de comemoração tinha passado dos limites.
Sebastian, apesar de tentar se mostrar como alguém com o orgulho ferido, se esqueceu de imediato os acontecimentos ocorridos naquela noite. Era como se o fato de Ciel tê-lo carregado até o carro e o colocado no banco do carona, o levado até em casa e o jogado na própria cama tivesse sido como uma borracha em sua memória.
E de fato era isso mesmo.
– Deixa eu tirar isso de você. — o jovem falou se ajoelhando à frente da cama. As pernas de Sebastian suspensas para fora desta. Ciel retirava-lhe os sapatos.
O jovem também já não se lembrava dos sentimentos daquela noite. Se uns momentos antes ele chegou a sentir uma pequena raiva do tio, agora tudo que ele sentia era dó do namorado bêbado. Pois ele sabia o quanto Sebastian era fraco para a bebida e pensou na dor de cabeça que esta traria ao mais velho na manhã seguinte.
–Humm… Meu doce menino, cuidando de mim… — Sebastian falou, rindo baixinho, a fala meio embolada. Ciel sorriu, safado, quando as mãos do homem acariciaram seus cabelos.
Aos dezessete anos ele tinha os hormônios em completa e constante ebulição. A sua posição, ajoelhado entre as pernas abertas de seu tio e a mão deste acariciando seus fios de uma forma carinhosa foram o suficiente para acendê-lo.
Ciel se levantou, tirou a camisa e logo ficou de quatro em cima do outro. Distribuindo beijos pelo pescoço do mais velho, era tão excitante ter Sebastian tão entregue assim.
– Esse seu cheiro… — ele disse após aspirar o cheiro do homem que tanto amava. — É como voltar para casa depois de um dia cansativo. — beijou a pele morna, os dentes raspando sensualmente por ali.
–Ah… — Sebastian gemeu. — Sinto em te desapontar, meu amor, mas acho que não estou em condições. — o homem soou sôfrego. — Estou bêbado. – ele se defendeu antes mesmo de receber alguma acusação.
–Você não quer fazer comigo? — Ciel perguntou, o rosto meigo encarando Sebastian, o homem sorriu, juntando as mãos no rosto de Ciel.
– Não diga uma coisa destas. — Sebastian beijou docemente os lábios suaves.
– Então, deixe-me fazer com você…? Por favor? — Ciel pediu com um sorriso encantador.
Sebastian fechou os olhos, sorrindo bobamente. Ele amava o fato de ter aquele anjo lhe pedindo por algo, mesmo que Ciel soubesse que ele nada precisava pedir.
De Sebastian, Ciel teria tudo.
O próprio Sebastian abriu os botões de sua camisa, expondo seu peito, onde beijos e mordidas começaram a ser distribuídas.
– Mas seja cauteloso! — ralhou com o menor quando este lhe aplicou uma mordidinha no mamilo.
–Por quê? — Ciel sussurrou rente ao seu ouvido. — Por que ser cauteloso quando sei que é quando sou brusco que você mais gosta. — o jovem provocou.
E o homem arfou.
Ciel começou a retirar a roupa de seu tio, com uma pressa que fazia o mais velho rir da ansiedade da juventude.
O relacionamento dos dois era composto por inúmeras faces. Eram tio e sobrinho e eram também amantes.
Quando Sebastian tomava Ciel para si, ele era carinhoso e delicado, tinha calma e paciência. Beijava, em adoração, cada pequeno milímetro daquela pele acetinada. Quando Sebastian tomava o seu menino o fazia transbordar de amor, o enchia de prazer, o fazia gemer em êxtase, próximo ao seu ouvido, o quanto mais dele ele queria.
Quando Ciel tomava Sebastian, ele era tempestuoso, dominador, brusco e apressado, deliciosamente descontrolado. Fazendo o tio gritar implorando por mais, delirando em uma febre alucinante de luxúria.
Ciel trilhou beijos pelo pescoço do tio, sugando a pele morna e dando leves mordidas. As mãos hábeis com pressa abriram as calças do maior, com uma agilidade impressionante. Ele se afastou para retirar pelos pés de Sebastian a calça e junto dela a peça mais íntima do outro. Ainda ajoelhado no colchão, ele se esticou até o criado-mudo pegando dentro da gaveta o lubrificante ali guardado. Voltou e beijou rápido os lábios do outro e novamente se prostrou a observar o corpo diante de si. Sorriu de lado e acariciou as coxas do mais velho. Sebastian, igualmente, lhe sorria safado.
–Vire-se de bruços. – Ciel ordenou com uma voz autoritária, a qual Sebastian nem pensou em desacatar.
–Isso… muito bem… — o garoto congratulou quando o tio ficou de bruços.
Ele foi de encontro ao corpo do outro, se deitando em suas costas e apertando com uma mão a cintura e com a outra um dos lados da nádega branca.
–Essa sua bunda é uma delícia. Sabia? -perguntou, os lábios mordiscando a pontinha da orelha de Sebastian que gemeu diante do agrado. -Você me deixa louco de tesão. — confessou terminando por introduzir a língua úmida no ouvido do outro.
–Pirralho pervertido. — Sebastian riu em meio a um sorriso de canto e uma fraca provocação.
– Eu vou te mostrar o pirralho pervertido. — Ciel sussurrou entre dentes.
Se levantou apressadamente da cama e de uma forma voraz arrancou as próprias roupas do corpo. Sebastian, de bruços na cama, com os cotovelos apoiados no colchão, virou a cabeça de lado para observar, como único espectador, a obra-prima que estava em seu quarto.
Ciel em um todo era demasiadamente tentador.
O corpo mais desenvolvido e levemente definido pela esgrima e equitação o tornaram um jovem de aspecto saudável e bonito. Ciel era delicioso da cabeça os pés. O homem mais velho mordeu os lábios ao sentir o garoto se encaixar entre suas pernas.
–Eu vou fazer você gritar. — o menino sussurrou em tom ameaçador puxando os cabelos de Sebastian até que este lhe virasse o rosto. O garoto sempre perdia um pouco a paciência com as provocações de seu tio.
–Eu não duvido, meu menino. — e Sebastian adorava provocar, só para ter de Ciel as reações exageradas que ele adorava ver.
Já Ciel riu baixinho balançando a cabeça em negativa a despeito a fala do outro. Sebastian amava lhe tratar como uma criança.
– Eu vou fazer você perder essa sua pose de certinho. E gritar pedindo por mais. – Ciel sussurrou e, ao fim da fala, pressionou o membro já duro entre as nádegas do outro. Sebastian em resposta gemeu, elevando o quadril.
– Sim... — sussurrou o tio. -Me faça ficar sem voz. -pediu.
E seu pedido seria atendido com exímio empenho, disso ele não tinha dúvida.
O garoto se afastou novamente, pegando o frasco de lubrificante e espalhando uma generosa dose pelos dedos da mão direita. Introduziu depois um deles no interior do maior, que ofegou diante do fato de estar desavisado.
Ele movimentou o dedo dentro de Sebastian, lentamente, com a intenção de preparar o outro para o que se sucederia a seguir. Pouco depois introduziu outro dedo fazendo com que o maior gemesse baixinho em desagrado pela intromissão.
Ciel começou a beijar a nuca dele em uma clara tentativa de distrair o tio. O que deu certo pois em instantes Sebastian já gemia. O prazer por ter o garoto estocando seu interior com os dedos, de forma apaixonada e cuidadosa, sobrepujando o desconforto.
O jovem retirou os dígitos e novamente fez uso do lubrificante. Desta vez despejou diretamente sobre a entrada de Sebastian o líquido frio e viscoso. Ele tomava a precaução de deixá-lo bem lubrificado por saber que, quando começasse, ele dificilmente pararia.
– Gelado… — Sebastian sussurrou mordendo os lábios.
– Eu vou deixar bem quente. — ambos sorriram.
Ciel não era do tipo muito paciente nestes momentos. Ainda mais quando tinha a chance de fazer Sebastian seu. E costumava perder ainda mais a pouca calma que tinha quando estava tão excitado como se encontrava no exato momento. Pegou mais uma vez o lubrificante e o espalhou nas mãos. Em seguida levou a mão ao seu membro ansioso, recobrindo-o com o líquido e se masturbando com uma delas, enquanto a outra voltava a se encontrar entre as nádegas de seu tio.
–Vá com calma. -Sebastian pediu. Mesmo meio aéreo pela ingestão de álcool o maior sabia que precisava controlar sua criança
–Eu sei, eu sei! — Ciel retorquiu, em desaprovação. Oras! Ele sabia bem o que estava fazendo.
Em instantes ele já se intrometia entre as pernas do maior. O membro duro seguro numa uma das mãos, a outra levantando o quadril do mais velho.
– Levante mais. — ele não pedia, ele ordenava.
E Sebastian obedecia, elevando ainda mais o quadril. Ansioso para sentir dentro de si o membro de seu menino.
–Abra mais as pernas. – Ciel começou a deslizar o falo entre as nádegas do maior. Não demorando em encontrar a entrada para o paraíso. – Isso, assim mesmo. -incentivou quando Sebastian mais uma vez lhe obedeceu afastando as pernas e se abrindo mais para recebê-lo.
Mordeu os lábios se segurando para manter a calma, era tão gostoso e quente.
Deixou que os lábios desenhassem as linhas dos ombros do tio, a boca beijando e lambendo cada pedacinho de pele, enquanto lentamente ele deslizava para dentro. O maior tinha um gosto tão bom!
Sebastian respirava com certa dificuldade, sentindo os delicados lábios do outro tentarem distraí-lo da dor. Com uma das mãos procurou a guarda da cama e principiou a se elevar, deixando claro ao seu sobrinho qual era a sua intenção.
Ciel ofegou, amava a aquela posição. Na verdade amava a qualquer posição.
–Você está bem? — Ciel perguntou, ajeitando os fios de cabelo de Sebastian e procurando o pescoço deste para deixar ali um pequeno beijo. – Avise quando eu puder me mover.
Sebastian elevou o tronco agora finalmente ficando de quatro na cama. Ele se retorceu de uma maneira desengonçada, o braço rodeando por detrás de sua cabeça o pescoço de Ciel e sua boca procurando a de seu amor. Onde sussurrou palavras carregadas de desejo, palavras a quais sabia ser um estopim para o incêndio que era seu menino na cama.
– Me fode com força, pirralho! — o maior provocou.
Ciel sorriu lascivo e a mão procurou o mamilo do outro. Apertou o biquinho entre os dedos ouvindo Sebastian soltar uma baixa lamúria dengosa. A boca mordeu-lhe o pescoço, desta vez com um pouco mais de pressão, o quadril começando a se mover com força, mas de forma ainda lenta, profundamente estocando em busca de certo algo.
Sebastian arfou.
A expressão no rosto de Ciel era concentrada, manteve aquele ritmo por uns instantes, segurando a cintura do tio para que ele ficasse naquela posição. Entrando e saindo, de forma vagarosa e profunda, arrancando suspiros e dizeres que morriam na boca do outro antes mesmo de ganhar um som.
Até encontrar o algo que procurava e que fez o mais velho vibrar abaixo de si.
– Aaah! – Sebastian gemeu.
Ciel trincou os dentes e apoiou as mãos nas costas de Sebastian o empurrando para baixo fazendo suas costas ficarem um arco.
–Assim… — deu um tapa estalado na nádega do outro que causou mais barulho do que dor, fazendo Sebastian gemer de forma despudorada. — Era assim que eu te queria a noite inteira.
–Ahh…. — Sebastian gemeu quando teve a próstata acertada novamente.
– Geme para mim, titio…. — o tom era brincalhão e cheio de desejo. Ciel sabia bem o quanto aquelas palavras mexiam com o outro.
– Ciel…. — Sebastian gemeu extasiado, revirando os olhos quando teve a próstata acertada durante pelo sobrinho, em movimentos repetitivos e certeiros.
– Porra! — o jovem praguejou baixinho ao olhar para baixo e admirar o membro entrando e saindo pela pequena abertura. As mãos abrindo mais as nádegas do mais velho para observar melhor a cena que se desenrolava diante de seus olhos.
Moveu o quadril de forma lasciva, sempre procurando encontrar o mesmo ponto dentro do outro, sempre estocando enquanto rebolava. O maior revirava os olhos, os sentia lacrimejar, era delicioso ser preenchido daquela forma.
– Mais forte! — pediu exigente, não conseguindo segurar as lamúrias sôfregas que sua boca insistia em soltar. Ciel o atendeu, se movendo com mais pressa, com mais força, mordendo os lábios diante daquele prazer tão exuberante.
– Ahh… Ciel… — o homem abaixo dele chamava seu nome em meio a gemidos desconexos e tudo o que Ciel desejava era estender aquele momento pela eternidade. Mas não conseguiria, sentia já as fisgadas em seu baixo-ventre, anunciando que o momento do clímax se aproximava.
Uma das mãos segurou firmemente a cintura de Sebastian e a outra se intrometeu por baixo, procurando o membro do maior. Sebastian estava duro, gotejante e Ciel sorriu.
–Nem o toquei aqui e está assim. – ele zombou apertando a intimidade do mais velho que praticamente gritou mordendo com força o lábio inferior, empurrando o quadril com mais força contra o membro do outro.
– Ciel… por favor… me deixe gozar… — Sebastian implorou. Ele prendia o lençol em seus dedos, revirava os olhos. Era incrível, Ciel tocava seu ponto especial repetidas vezes sempre de um modo forte e contínuo.
O jovem começou a mover a mão em uma masturbação lenta, quase torturante. só para ter o prazer de ouvir o tio implorar um pouquinho mais.
–Por favor… por favor… — Sebastian remexia o quadril, impaciente, tentando ao máximo incitar o jovem a mover a mão com mais agilidade. O que de fato não demorou a acontecer.
Ciel estocava, preciso, rebolando cadenciado a cada vez que arremetia fundo no mais velho. Sua mão manipulava o membro duro, sentindo-o pulsar em sua mão, escorregadio e quente. A boca aberta em gritos mudos.
– Ah, merda! — Sebastian praguejou baixinho vendo pontos coloridos explodirem diante de seus olhos quando sentiu o orgasmo vir, forte, rápido, e intenso. Gozaria na mão de Ciel. Espasmos correndo pelo seu corpo, os dedos dos pés se contorcendo.
Ciel manteve a mão estimulando a intimidade do outro. Os quase gritos de Sebastian o deixava louco. O maior gemia e se contorcia para que a mão amada libertasse seu membro, permitindo a ejaculação e com ela o alívio de sua deliciosa tortura. O mais jovem levou a mão que estava na cintura até os fios de Sebastian, os prendendo entre os dedos e puxando-os levemente. Estocou com brutalidade até gozar, chamando o nome do tio, e por fim libertar este que pode sentir seu prazer jorrar, trazendo a maravilhosa sensação varrê-lo por completo.
Ciel sentiu o corpo abaixo de si amolecer e caiu por cima deste. Seu membro fugindo do abrigo macio e quente enquanto sua semente escorria lentamente para fora de Sebastian. As respirações sôfregas, os batimentos acelerados e as peles suadas.
Sebastian virou- se, deitando com as costas no colchão, puxou Ciel para seus braços e acariciou os longos fios cor de ardósia. Enquanto ainda sentiam o prazer do orgasmo em seus corpos.
–Você foi tão bruto comigo. — Sebastian reclamou falsamente, o menino que ainda respirava com dificuldade, agora descansava nos braços do mais velho. A cabeça apoiada em seu peito e os dedos brincando de ser pequeninas pernas dando passos no abdômen do outro.
–Você não gostou? — Ciel perguntou elevando o rosto e olhando para Sebastian com uma expressão verdadeiramente preocupada na face. -Descul…
Mas Sebastian o interrompeu colocando um dos dedos em cima de seus lábios.
– Não tem porque se desculpar. — o tio alargou o sorriso, tentando passar confiança à sua amada criança. — É claro que eu gostei, eu sempre gosto e você sabe disso.
–Então o que é? — Ciel perguntou.
As vezes era tão difícil entender Sebastian. Com ele sempre tinha um porém, sempre tinha um lado diferente da mesma história. Ele sabia que o tio havia inciado aquele diálogo por um motivo e que este nada tinha haver com a recente atividade física deles.
Sebastian era um homem cheio de temores e Ciel estava sempre tentando mostrar a ele o quanto tais sentimentos eram desnecessários. No entanto às vezes era até mesmo difícil descobrir os reais motivos por detrás da carinha de drama do tio.
– Hoje… — o mais velho começou. — Primeiro houve a sua apresentação e depois aquele cara no bar e…
Ciel o interrompeu bufando e revirando os olhos.
– Você quer mesmo voltar a este assunto? Achei que tínhamos nos acertado. — retorquiu o garoto, sorrindo para tio e fazendo uma clara analogia de que o acerto de ambos havia acontecido por meio do sexo.
– A questão não é essa, Ciel. — Sebastian suspirou arrumando a cabeleira em desordem do menor. — Não é isso que me incomoda.
Ciel beijou seus lábios e voltou a deitar a cabeça em seu peito.
– O que é que te incomoda então? — perguntou.
– É o fato de que você está crescendo.
Ciel riu, mas quando notou que o tio estava sério se calou.
–A apresentação me mostrou quanto talento você possui e que todos sabem disso. E que por isso vão te afastar de mim.
Ele apertou os braços em torno do menino e continuou
– O rapaz no bar me mostrou que algum dia chegará alguém que roubará você de mim.
– Ninguém vai me roubar de você, porque você não entende isso? Eu só seu. — o jovem disse desgostoso. Por Sebastian ter aquele tipo de pensamento. Ele tinha certeza de seus sentimentos ele nunca deixaria Sebastian.
– Um dia, quando você for se apresentar para uma grande platéia eu não estarei mais lá… — Sebastian sentiu sua garganta fechar. -E alguém conquistará seu coração. Eu espero já estar morto quando isso acontecer, mas se eu não estiver…
–Não diga essas coisas! — Ciel falou pesaroso. Não gostava de pensar naquilo, não gostava de tocar naquele assunto.
–Eu morrerei, Ciel, sabe disso, sou muito mais velho que você e morrerei antes, se Deus quiser. — o homem suspirou. — Envelhecer ao lado de quem se ama é o desejo de todo casal apaixonado, mas veja bem…
Ciel o olhou, aguardando que o mais velho continuasse.
– Quando você tiver trinta anos eu já terei cinquenta. Quando você chegar aos quarenta eu já serei um idoso e…
Ciel o interrompeu mais uma vez.
–E quando eu chegar aos cinquenta serei um senhor de idade cuidando de um velhinho senil. — beijou a boca do mais velho em um carinho apaixonado. — Nem todo o mundo ou o tempo contra nós será capaz de nos afastar. Serei eternamente seu e não pode se livrar disso! Não irei a lugar algum, então pare de pensar em assuntos tão desagradáveis e só curta o seu tempo ao meu lado.
–Você promete? — Sebastian pediu, a voz baixinha e a boca colada na de Ciel. -Promete não deixar que nada nesse mundo nos separe?
–A única coisa que pode, mesmo que momentaneamente, nos separar é a morte. – Ciel voltou a deitar-se no peito do maior. – Mas apenas temporariamente, porque você sabe... antes mesmo que eu nascesse você já me amava e eu amava você... e você vai continuar me amando mesmo depois de morrer e eu também. E se houver outra vida continuaremos a ser um do outro. — Ciel acariciou a bochecha do tio.
E então Sebastian percebeu que o seu amado tinha razão.
Tudo em sua vida o conduzira até ali. Todos os caminhos que trilhou, todos que amou, todos o levaram a Ciel porque era a esse que ele pertencia.
Agora ele sabia que não começara a amar Ciel por ele ser parecido com o irmão.
Ele é que amou Vincent porque este o remetera àquele que ainda estava para nascer.
Mas ele sabia que o amaria, sabia disso pois tinha certeza de que já o amara em outras vidas.
E o amaria em tantas outras.
Amou Vincent porque o irmão o levaria até o seu verdadeiro amor.
Precisou sofrer por ele para assim conhecer a felicidade. Precisou ter vontade de estar nos braços de seu irmão para saber que era nos braços de Ciel que estava o lugar ao qual ele realmente pertencia.
Eles estavam eternamente ligados e sabiam disso.
E Sebastian pegou-se desejando que nas vidas que se seguissem as circunstâncias fossem diferentes. Que fossem menos dramáticas.
Mas sabia que isso de fato não importava. Se sua próxima vida fosse um mar de desilusões e desesperanças... só por saber que Ciel estaria lá, para ser sua salvação, para ser seu céu azul, valeria a pena.
Sabia que mesmo que ele fosse um monstro, um demônio, um ser asqueroso e um pecador, ainda assim, Ciel estaria lá.
Ele estaria lá para lhe mostrar o amor, a força deste amor!
Estaria lá para o ajudar a enxergar a beleza do mundo e a alegria em estar vivo.
Estaria lá para amá-lo. Estaria lá…
Para ser sua Redenção.
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