Minha redenção
43 Epílogo
Notas iniciais
Nunca existirá para nós o fim
Nunca irá ser colocado um ponto final em nossa história
O que vivemos, o que sentimos, o quanto amamos
Será lembrado
Estará guardado em todos
A cada coração apaixonado que palpita,
A cada suspiro que levita
A cada mão tremula que trepida
A cada amor que nasce
Nossa história será recontada.
Troca de olhares apaixonados
Beijos sôfregos compartilhados
Como um rumor, de boca em boca
Nossa história de amor eternizada
Como uma fábula, um conto de fadas
Um milagre
Estas e outras supostas mentiras da humanidade
Mas para sempre e sempre
Com a mesma entonação da minha salvação
Minha Redenção
Chibi Lord
Ciel desceu do carro e entrou no prédio que abrigava os escritórios da empresa de seu tio, ou melhor, da empresa deles. Estava feliz, pois as aulas no Royal Academy of Music haviam terminado e ele estaria livre pelo resto do dia.
Ao atingir a maioridade o garoto entrou em pleno uso de sua herança, que abrangia propriedades na cidade e no campo, ações e da posição de sócio da Phantonhive´s Building.
Aos 19 anos Ciel era um jovem de posses.
E, para total orgulho de seu tio, era também um jovem dedicado e interessado. Desde os 14 anos Ciel demonstrara querer conhecer os negócios da família para não ser apenas um herdeiro e sim um sucessor na empresa.
Sebastian percebeu que Vincent, apesar de ter evitado contato com ele após seus desentendimentos e se afastado, deixando a condução dos negócios da empresa ao irmão, havia criado Ciel para ser o perfeito sucessor.
Vincent incutira em seu filho desde tenra idade, responsabilidade, calma, maturidade e a idéia de que ele deveria assumir a empresa quando chegasse à idade apropriada.
“Vincent parecia saber que eu não teria filhos para me suceder” Sebastian pensou, sorrindo tristemente ao lembrar de como seu irmão era ativo na empresa antes da briga que os separou. “Eu serei eternamente grato pois meu irmão me deixou mais que um herdeiro...”
O jovem de longos cabelos cor de ardósia entrou no prédio e subiu até o andar onde ficavam seu próprio escritório e o do tio. Meirin, a secretária de ambos o saudou alegremente ao vê-lo entrar.
– Boa tarde, Sr. Phantonhive!
– Boa tarde, Meirin. Já disse que pode me tratar apenas por Ciel. Nada de formalidades. – o rapaz respondeu sorrindo – Você me conhece desde que eu tinha 12.
– Está bem, Sr. Ciel. – A mulher respondeu com um sorriso. Era verdade, ela lembrou-se de que ajudara seu chefe a preparar o quarto para receber o jovem sobrinho órfão. Lembrou-se também do menino tímido que possuía um sorriso encantador e que se tornara este rapaz belo e confiante.
– Eu vou falar com meu tio. Até logo.
Ciel seguiu em direção ao escritório do tio. Sentia-se ansioso pois na próxima semana viajariam juntos em férias. Duas semanas livres de compromissos, apenas os dois.
Entrementes, no escritório, Sebastian estava sentado em sua confortável cadeira. Ao seu lado John Brow. O funcionário estava na empresa há pouco mais de três meses. Possuía algum talento, era verdade, mas seu principal talento, segundo seu jovem sobrinho, era o de se insinuar para os patrões.
John havia tentado se aproximar do mais jovem dos Phantomhives sem nenhum sucesso, coisa que irritara profundamente Sebastian. Mas ao notar que não obteria nada deste procurou dirigir suas atenções ao Phantonhive mais velho. Quanto a isto Sebastian não se importava justamente porque o homem não obteria nada também.
Porém isso incluíra o funcionário na lista negra de Ciel.
– Sr. Phantomhive, o novo projeto vai ser encaminhado amanhã.
– Muito bem, John, creio que conseguiremos a aprovação antes de minha viagem de férias. Isso seria excelente. – Sebastian se espreguiçou.
– Por quanto tempo o Sr. ficará ausente?
– Apenas por duas semanas. – Sebastian respondeu refletindo o quanto esse período de tempo era curto quando se tratava de estar a sós com seu amado sobrinho.
– O Sr. vai fazer falta aqui. — o jovem sussurrou com um sorriso malicioso, se inclinando suavemente para o seu chefe.
Sebastian disfarçou e pensou que realmente o jovem começava a se tornar desagradável. E agradeceu mentalmente que Ciel ainda não havia chegado.
Nisto a porta se abre, o garoto de olhos bicolores entra e seu sorriso morre imediatamente ao ver o modo como John estava inclinado sobre seu tio. Sebastian paralizou-se de horror, o coração acelerando até martelar o seu peito.
– Boa tarde, tio Sebastian. Boa tarde, John. – o tom dele era frio.
– Ah! Boa tarde, Sr. Ciel! – John respondeu rápido se endireitando.
– É Sr. Phantomhive, John. Muito obrigado. – Ciel respondeu se aproximando e passando a mão nos cabelos longos para se acalmar. – A respeito de que vocês estavam conversando?
– Sobre o encaminhamento do novo projeto... – Sebastian murmurou incerto analisando a expressão de seu amado. Seu sobrinho sabia manter uma expressão calma mesmo estando à beira de um ataque de fúria e um Ciel furioso não era algo que alguém poderia desejar.
– Compreendo. Bom trabalho, John. Aliás, eu preciso dos levantamentos sobre o primeiro semestre amanhã cedo. – Ciel respondeu sorrindo e o tio notou o que havia por trás daquele sorriso encantador.
– O q-quê? Mas... eles eram para sexta feira... eu teria mais três dias...
– Infelizmente vamos precisar disto amanhã cedo. Mas eu o dispenso de outros compromissos por hoje. Sendo assim terá tempo de deixar tudo ok se começar agora mesmo. Eu sei que posso confiar em você.
– S-sim, obrigado pela confiança, Sr C... Sr. Phantomhive. Eu os verei pela manhã.
E saiu preocupado em cumprir o prazo e feliz pelo elogio, sem notar que seu jovem chefe na verdade estava lhe dando uma punição. A porta se fechou deixando tio e sobrinho a sós.
Sebastian olhou para Ciel e aguardou alguma bronca ou reclamação mas achou infinitamente pior o que se seguiu.
– Vou para o meu escritório. Boa tarde, tio Sebastian. – e o jovem deu-lhe as costas e seguiu a passos firmes para a porta.
O homem se levantou num pulo e alcançou o mais jovem quando a mão deste tocava a maçaneta. Sebastian chocou as palmas das mãos na porta impedindo que seu sobrinho a abrisse, aprisionando-o no círculo dos seus braços.
– Ciel, espere!
O jovem se voltou para ele com olhos furiosos.
– Esperar o quê? Para encontrar aquele... desgraçado sentado no seu colo da próxima vez?
– Não seja ridículo! – Sebastian ralhou.
– A questão é que ninguém pode se aproximar de mim ou me tocar sem que você fique louco de ciúmes, mas você aceita passivamente que outros venham dar em cima de você! E eu devo fingir que sou cego? Não, obrigado!
E ele se voltou mais uma vez para a porta. Sebastian percebeu que as coisas estavam ruins e que algo precisava ser feito. Num gesto rápido ele virou seu menino de volta para si e possessivamente o calou com uma boca faminta antes que o jovem tivesse tempo de dizer qualquer coisa.
Uma mão segurava firmemente a nuca de Ciel enquanto o outro braço envolveu o mais jovem pela cintura. O jovem apoiou as mão no peito do tio numa tentativa de se desvencilhar mas a resistência o abandonou quando a língua de Sebastian abriu os lábios macios e adentrou acariciando a sua própria.
Ciel nem sequer percebeu que estava correspondendo avidamente ao beijo. O tio o puxou até a mesa, sem parar de beijá-lo e o sentou sobre ela, ficando entre as pernas fortes do sobrinho.
O jovem o abraçou com elas e seus braços envolveram o pescoço do tio. A verdade é que eles estiveram ambos ansiosos por aquele beijo por todo o dia. Longos minutos depois o ardor foi diminuindo e os lábios se separaram após vários selinhos carinhosos ao final.
– Não fique bravo comigo... – Sebastian sussurrou – você sabe que eu nunca vou querer outro além de você... você é tudo para mim...
– Eu sei... – Ciel respondeu passando a língua sobre os lábios ainda úmidos e levemente inchados pela paixão dos beijos – Mas eu puxei a você no ciúme, então a culpa é toda sua... – ele riu ao final.
– Eu sou culpado... – Sebastian riu – disto e disto aqui...
E ele uniu as bocas novamente enquanto as mãos famintas exploravam as coxas roliças de seu sobrinho.
***
O enorme husky choramingou enquanto seu dono o acariciava e abraçava.
– Sky, desculpe... mas estaremos de volta em duas semanas... a sra. Coburgo vai cuidar de você. E você também tem o Michel! – o jovem de olhos bicolores sussurrou sorrindo.
O cão fungou e olhou para a figura esguia e cinzenta que se esfregava em suas pernas.
Michel era um belo gato de pelo acinzentado e imensos olhos azuis. Fora o presente que Ciel dera a seu tio dois anos atrás no aniversário deste.
Sebastian olhara admirado o belo filhote com um laço azul no pescoço nos braços de seu amado sobrinho-namorado.
– Ciel... o que é isso?
– É seu presente de aniversário, tio Sebastian! – o jovem respondeu com um enorme sorriso.
– Ele é lindo! – Sebastian pegou o gatinho nas mãos, encantado com o fato do pequeno ser como uma versão felina de Ciel com o pelo de um cor tão semelhante e os imensos olhos azuis. – Ele já tem um nome?
– Bem, Sky tem este nome por causa do meu então que tal o chamarmos de Michel por causa do seu?
– Você gosta desse nome, pequenino? – Sebastian perguntou sorrindo e o gatinho deu um imenso bocejo.
Inicialmente Sky se mostrou muito ciumento e desgostoso de perder seu posto como o único pet da família mas aos poucos tudo se ajeitara e hoje cão e gato eram inseparáveis.
– Venha se despedir de mim, Michel! – Ciel disse gesticulando ao gatinho que veio se deitar preguiçosamente nos braços do jovem.
– Ciel, vamos nos atrasar. – Sebastian disse entrando na sala e acariciando a cabeça de Sky – Se você deixar, o Michel não vai sair daí até amanhã.
– Eu sei... – o garoto riu e com um pequeno beijo, depositou Michel no chão.
– Cuidem-se e alimentem-se bem. – a idosa senhora se despediu deles com um enorme sorriso. — Até breve e divirtam-se.
Tio e sobrinho partiram para o aeroporto ansiosos pelas tão aguardadas férias.
Desde que Ciel chegara à maioridade eles tiravam algumas semanas, duas vezes ao ano para viajarem ao exterior e conhecer lugares novos e divertidos. Essas viagens eram únicas e muito aguardadas não apenas por ser uma pausa nas agitadas agendas de trabalho e estudos mas por uma razão muito mais especial.
Nessas viagens, indo para lugares em que ninguém os conhecia, eles podiam se comportar como sempre desejavam.
Namorados.
Passeavam de mãos dadas livremente, trocavam beijos, batiam fotos abraçados, jantavam à luz de velas, acariciando-se os dedos sobre a mesa sem receio. Recebiam olhares e cumprimentos normais, eram apenas mais um par de turistas apaixonados dentre tantos outros que haviam.
Faziam tudo e experimentavam todos os prazeres simples mas sublimes que lhes eram negados no dia a dia.
– Eu nunca imaginei que eu um dia seria tão feliz... – Sebastian sussurrou aninhando Ciel em seus braços, na grande cama da suíte do hotel em que estavam hospedados na bela Florença. A luz da lua entrava pela janela e ambos observavam a noite estrelada.
– É como um sonho... eu não quero que termine... – Ciel sussurrou, abraçando seu tio, ambos ainda cansados por terem feito amor há pouco.
Sebastian acariciou os cabelos macios de seu amado.
– Nunca terminará. – ele depositou um beijo nos fios suavemente perfumados, ah... aquela fragrância deliciosa. – Estaremos sempre juntos, hoje, amanhã e além... nesta e em outras vidas. Por toda a eternidade. Não é essa a nossa promessa?
– Sim. – Ciel sorriu depositando beijos carinhosos no pescoço de Sebastian – A nossa promessa. E eu sempre cumpro minhas promessas...
– Nós a cumpriremos juntos. É o nosso destino... sempre foi... e nada poderia me fazer mais feliz. Eu te amo tanto, Ciel...
– Eu o amo, tio Sebastian... mais que a minha própria vida...
E lábios encontraram lábios, repleto de amor, paixão, felicidade. A recompensa depois de tantos infortúnios e tristezas.
Sebastian não mais se julgava um monstro ou alguém indigno de amor. Todas as respostas a suas dúvidas e medos, toda a justiça e compensação por seus dias de dor e solidão estava agora em seus braços.
Sob a forma de um anjo sublime. E este o amava e a ele se entregava com uma imensidão de sentimentos igualmente intensa. Era a remissão de todos os seus pecados.
Duas vidas de tal forma entrelaçadas que era como se sempre tivessem sido uma só. E reflexões tomaram a mente de Sebastian...
“Houve tempos em que, ao olhar para o meu reflexo diante de um espelho, eu podia vislumbrar a imagem de um homem destruído. Pela culpa, pelo medo, pela inveja e pelo desprezo. Sim, eu via refletida a imagem de um monstro.”
“Eu era um. Eu me cerificava, todo dia de manhã ao me arrumar para um novo dia de trabalho, que eu era um. Repetia em minha cabeça, ao me olhar no reflexo do espelho de meu banheiro, que eu era um. ‘Você é um monstro. E você não merece ser amado, não merece a felicidade. Você merece o que tem. O nada, você merece ser nada.’”
“Hoje, ao me olhar diante de um espelho, tudo que vejo é aquilo no qual você me transformou, Ciel. Hoje o que vejo refletido é o resultado de um homem salvo.”
“Hoje... ao me olhar, eu vejo você... Vejo meu amor por você. Vejo o quanto toda a sua doçura me mudou... mudou minha vida e o que nela eu tinha de pior.”
“Você é o melhor de mim. Hoje, refletido naquele espelho, eu vejo seus olhos que me olham com tanto amor e admiração. Eu vejo a necessidade que você tem de mim. Hoje, eu vejo um homem apaixonado eternamente.”
“Hoje eu vejo o que sou. Não o que eu acreditei um dia ser. Hoje eu vejo o que você me mostrou, o que você me fez enxergar que eu era. Hoje eu sou seu. Nada mais, melhor do que eu era. Somente seu. Seu eternamente.”
“Hoje eu sou seu protetor, mas também sou seu protegido, sou seu amante, seu namorado, seu amor. Hoje eu não sinto inveja, nem medo, nem culpa. Hoje o que sinto é felicidade, cumplicidade, amizade e redenção.”
“Um anjo salvou um monstro. E esse se tornou um homem completo. Feliz, sublime. Hoje eu sou o produto de todas as mudanças que você fez e representou em minha vida.”
“Hoje eu sou Sebastian Michaelis Phantomhive, um homem feliz e apaixonado. Não um monstro. Apenas seu. Seu tio Sebastian.”
“Ciel...” — Sebastian pensou antes de sua mente se perder na doçura das sensações deliciosas do amor e do corpo amado — “Você é meu amor, minha vida...”
“Minha Redenção”
FIM
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