Minha redenção

41 Meu presente... o amor.


Notas iniciais
Olá, minhas gracinhas >.< como vcs estão? Eu espero que bem, nós estamos visivelmente abaladas emocionalmente, este é o penúltimo capítulo de Minha Redenção. Semana que vem temos o último capítulo e na próxima semana o epílogo. Vocês podem imaginar o nosso estado? Estamos completamente destruídas, mas também orgulhosas por terminar um projeto tão extenso quanto foi Minha Redenção. Esperamos que gostem do capítulo de hoje, ele está recheado de fofura. E para as leitoras que receberam a nossa mensagem perguntando qual das capas vocês preferiam saibam que foi unânime a escolha >.< Amamos vocês! Bjinhos até Chibi Lord~

Meu coração anteriormente foi quebrado.

Dilacerado, torturado.

Meu eu anteriormente acreditou

que não existia a felicidade.

Mas... Eu estava tão enganado.

Você chegou e causou, me mudou, me reconstruiu.

Me reconstruiu!

Você me salvou. Meu coração agora é seu.

E ele está tão bem cuidado.

Meu eu agora mais do acreditar em felicidade,

acredita em você.

Acredita em nós.

Sebastian

Eu bebia chá sentando em um banco alto, apoiado na bancada da cozinha. Era começo da tarde e eu, como um bobo apaixonado, observava Ciel, agora com seus quinze anos, ajudando a velha governanta a fazer a ceia natalina.

A casa inteira estava decorada com o tema do dia, era vinte e quatro de dezembro, nosso terceiro natal, juntos. Meu menino, animado, ria quando recebia uma bronca da senhora idosa, por não realizar algo corretamente.

Receberíamos uma quantidade excessiva de pessoas para a ceia.

Bem, excessiva porque eu desejava que fossemos só eu e Ciel, é claro.

Os natais anteriores foram diferentes, eu nem mesmo sabia que meu sobrinho gostava destas comemorações.

Nosso primeiro natal foi passado como um dia normal, só diferenciado pelo fato de eu ter presenteado o meu menino. Naquela época ainda ambos sofríamos em demasia com a morte de meu irmão e cunhada. Não que não sofrêssemos mais, mas naquela época era tudo o que sentíamos.

Me lembro de ter presenteado Ciel com utensílios para o filhote. Era tudo que eu sabia para poder lhe dar. Eu não o conhecia.

No nosso segundo natal Ciel e eu estávamos tão envolvidos pelos nossos sentimentos recém-descobertos que o natal era só uma data que poderíamos passar a sós. Ficamos aquele dia inteiro jogando o vídeo game que eu dera de presente de aniversário a ele, de pijamas, comendo as refeições que Coburgo deixara preparado para nós. Beijos e carícias suaves, amorosos, enquanto eu ensinava lentamente a ele sobre o amor a dois. Um dia só para nós.

Foi maravilhoso e eu desejava que este ano fosse igual. Mas meus dias com ele eram do modo que ele queria que fossem. E se ele queria uma ceia clássica de natal nós a teríamos.

Ciel convidou a família do amigo. O loiro viria com a mãe, o irmãozinho e, graças a deus, com a namorada. Meu sobrinho adorava a menina e por mais que eu até quisesse sentir ciúmes desta era impossível.

Ciel e Lizzy pareciam irmãos e era a vez de Alois se sentir enciumado. Não de sua namorada mas de Ciel. Sua explicação: ninguém poderia ser como um irmão para meu sobrinho a não ser ele, nem mesmo ela.

Meu menino também convidou Diedrich, o que não me agradou muito. Mas o homem era importante para meu pequeno e eu simplesmente não podia dizer não a ele.

E eu precisava convidar alguém, segundo Ciel.

Eu não tinha amigos próximos, não havia ninguém importante para mim além do meu pequeno.

Mas, convidei meu advogado e sua filha. Convidei Meirin também, mas esta passaria a data com a família do noivo e recusou educadamente.

Ciel perguntou, cheio de ironia, se eu não desejava convidar meu amigo ruivo. Eu tive que pensar um pouco para me lembrar de quem ele falava e arregalei os olhos ao me perceber que ele falava de Grell.

– Acho que eu não convidaria um garoto de programa para a nossa noite de natal.

E Ciel sorriu, sapeca, por que sabia bem que eu não convidaria o ruivo. Ele adorava me deixar encabulado.

Então perto das sete da noite os convidados começaram a chegar. Eu vestia o meu melhor terno preto e Ciel estava adorável!

Eu queria cancelar a festa, arrastá-lo para meu quarto e beijá-lo a noite inteira. Ele usava uma calça escura, justa, e meus olhos viajaram pela elegância de suas pernas. Uma camisa de mangas longas com um colarinho à moda antiga, um colete preto com um bonito acabamento e luvas curtas e pretas nas mãos pequenas. Também usava sapatos pretos que o deixavam com um ar de um pequeno nobre.

– O que é isso? — eu perguntei enquanto ele dava uma voltinha mostrando sua vestimenta.

Não que eu não houvesse gostado, eu na verdade havia adorado. Vê-lo com aquela roupa me trouxe um sentimento indefinido. Ele me lembrava um jovem aristocrata da era vitoriana graças à gola e ao colete. Mas as luvas e a calça lhe davam um ar moderno. Como um personagem saído de um jogo de fantasia de última geração.

–Somos descendentes de nobres, certo? – Ele me perguntou sorrindo amplamente.

Eu confirmei com a cabeça, segurando sua mão para que ele desse uma outra voltinha.

–Então. — ele disse quando eu dei uma resposta positiva a sua pergunta. -Achei que seria sensato eu me vestir como um nobre. E porque eu sabia que você iria gostar.

Ele sorriu, feliz pela idéia. Me encantava que ele quisesse se vestir para mim.

–Você está lindo. — sussurrei em seu ouvido. Os pelinhos da nuca dele se arrepiando, estávamos no corredor, desceríamos para receber os primeiros convidados. Mas eu preferia ficar e devorar aquela boca macia.

– Eu quero beijar você. — confidenciei baixinho, meus lábios roçando a pele suave e acetinada do rosto dele. Ele me deu um gemidinho baixo e se afastou, me olhando com aquela carinha de quem sabia exatamente o poder que tinha sobre mim.

– Só depois. — ele disse maroto, passando os dedinhos sobre a boca rosada e seguiu descendo as escadas.

Eu balancei a cabeça e o segui, entre frustrado e fascinado. O meu menino se tornava mais sensual a cada ano.

Em nossa sala de estar estava uma menina pequena de cabelos curtos, negros e lindos olhos verdes, a filha de meu advogado. Lembrei-me de que eu sentira ciúmes quando ela se lançara sobre Ciel meses atrás, no dia em que a conhecemos.

Mas hoje eu não sentia mais. Meu sobrinho se tornara um jovem deliciosamente encantador e ela ainda era apenas uma garotinha. A pequena brincava com Sky e, ao seu lado, Luka tentava roubar a atenção do cão. Alois mostrava para a namorada algumas fotos de Ciel que estavam em cima da lareira, vangloriando-se de ter sido ele mesmo quem me conseguira as fotos. Enquanto Ciel balançava a cabeça rindo.

Eu tinha que admitir o garoto era bom em dar presentes, ele me presenteara, dias antes, com uma coleção de fotos de Ciel. Alois disse que todas eram de sua coleção pessoal, e que ele mesmo havia fotografado.

Ele me sorriu presunçoso dizendo que as queria num lugar bem visível e não escondidas debaixo do meu travesseiro. Moleque petulante! Mas me alegrava imensamente que ele não mais me olhasse como um animal que quer devorar o seu melhor amigo. Para Ciel ele dera outra coleção de fotos mas esta somente dos dois.

Diedrich era quem realmente me incomodava. Não que ele tenha feito algo estranho durante esta noite, mas… Ele me olhava de uma maneira estranha.

Eu realmente não gostava da forma que ele me olhava enquanto abraçava Ciel. Não que eu ficasse com ciúmes de meu sobrinho, não por isso, mas era porque seu sorriso debaixo daquele bigode parecia me dizer claramente “Olhe, veja como seríamos felizes os três juntos, uma família feliz.”

Eu tinha vontade de correr para longe, tamanho meu pavor. Ciel retribuía o seu abraço e me lançava outros olhares como quem diz “Nem pensar, você é só meu”. E isso me tranquilizava.

A noite transcorreu alegre, os adultos bebiam e conversavam. Eu tinha que lhes fazer companhia, mas minha vontade era de estar junto aos adolescentes, junto ao meu amor.

Mas ver Ciel sorrindo feliz ao conversar alegremente com o amigo e a namorada deste me deixava com um sorriso no rosto. Ele merecia aquela paz depois de tudo o que já passara.

As crianças e jovens se dividiam em dar atenção ao cão. Sky estava mais feliz do que nunca, ele amava ser mimado daquele jeito.

– Então aquele é o seu namorado. — Hannah me perguntou enquanto me ajudava a pegar alguns petiscos na cozinha.

– Quem?! — eu perguntei chocado. Será que havíamos deixado algo transparecer?

– O alemão. — ela falou divertida.

– Diedrich? — eu perguntei arregalando os olhos. -Não, por Deus, não. -respondi nervoso, franzindo o rosto.

–Relaxe homem. — ela riu de minha situação e deu uns tapinhas em minhas costas. -E o advogado?

Meus olhos quase soltaram do rosto.

– Eu sei que não é ele. — ela praticamente gargalhou de sua pegadinha.

–Porque faz isto? — eu perguntei sentido.

A mulher acariciou meu ombro e sorriu doce.

–Por que somos amigos Sebastian, e é assim que amigos são. Eles fazem graça um do outro.

Eu sorri para ela, entendi o que ela estava fazendo.

– Certo. – sorri e pensei por um momento. — Sendo assim. -peguei a bandeja em mão me preparando para voltar a sala. -Espero que tenha alguma intimidade em cuidar de meninas, pois notoriamente meu advogado se interessou em você.

Ela corou e riu envergonhada. Era verdade eu tinha notado certo clima entre os dois. Meu advogado era viúvo há muitos anos e dificilmente perdia aquela expressão séria, mas hoje ele rira e parecera relaxado ao lado da mãe de Alois.

–Sebastian! — ela ralhou comigo, vindo atrás de mim com outra bandeja em suas mãos. -Você acha? – ela perguntou ficando séria e nós rimos um para outro. Eu gostava de Hannah, ela era uma pessoa divertida.

Um pouco antes das nove da noite iniciamos o jantar. Naquela mesa imensa que nunca tivera mais do que dois lugares ocupados.

Ciel e eu éramos os anfitriões então ficamos cada um em uma das extremidades da mesa. As conversas paralelas cessaram assim que Ciel se levantou com uma taça nas mãos. Todos olharam para ele.

–Eu me lembro que meu pai sempre fazia um discurso quando realizávamos um jantar em nossa casa. — ele respirou fundo. -Eu estou nervoso, desculpem. — ele sorriu e todos o continuaram em silêncio com sorrisos ternos em seus rostos.

–Vocês sabem que meu tio é um homem tímido demais para fazer um discurso. -todos na mesa riram baixinho e eu neguei com a cabeça sorrindo também. -Então o discurso deste Phantomhive terá que servir. — ele falou fazendo uma mesura e todos murmuraram sua aprovação.

Depois eu percebi sua expressão alegre ficar tristonha por um momento.

–Não foram fáceis os últimos tempos e eu não queria falar sobre esses assuntos tristes em uma ocasião especial como esta noite. — ele suspirou e piscou como se para afastar lembranças ruins -Mas eu sinto que devo agradecer a todos vocês. Pelo apoio que nos deram, pela amizade e compreensão. Obrigado a todos.

As pessoas na mesa aplaudiram e então Ciel demonstrou que desejava continuar. Todos ficaram em silêncio.

–E eu também queria agradecer a meu tio. — eu prendia respiração quando seus olhos me fitaram intensos. — Queria agradecer por cuidar de mim, me proteger e ser minha família.

–Eu é quem devo agradecer. — eu disse, gaguejando, nervoso. — Obrigado por me deixar estar ao seu lado. — eu me ajeitei na cadeira. -E obrigado a todos por aceitarem nos fazer companhia nesta noite.

Achei que devia me levantar e o fiz. Nervoso apertei a taça de vinho em minhas mãos.

–Pela primeira vez em muito tempo eu sinto que existem pessoas que se preocupam comigo e estou feliz por isso, obrigado a todos. — eu não queria ser tão apaixonado assim, mas eu era. –E em especial a você.Obrigado por estar comigo. — elevei a taça olhando para Ciel na outra ponta da mesa.

Ele mordeu os lábios sorrindo contido e levantou sua taça também.

–Um brinde a amizade. -Hannah falou elevando a própria taça.

–Um brinde a família. -Diedrich disse elevando a sua.

–Um brinde aos melhores amigos que alguém poderia ter. -Alois falou.

–Um brinde ao amor. — eu sussurrei para que somente eu ouvisse, já bebendo meu vinho, enquanto todos brindavam e bebiam sorrindo e felizes.

***

– Gostou da noite? — Ciel me perguntou enquanto organizávamos a cozinha. Sra. Coburgo havia ido trocar a toalha da mesa de jantar e recolher quaquer outra coisa que pudesse estar esquecida a um canto.

–Foi divertido. -eu disse.

–É foi. — ele falou se aproximando de mim.

Eu usava um vergonhoso avental tirando os restos de comida dos pratos. Um visual nada sedutor. Todos já tinham voltado para suas casas.

–Não quer me dar o meu presente? –ele falou, tirando um prato de minhas mãos e se intrometendo entre meus braços.

–Amanhã. –sussurrei de volta e ele fez um biquinho. Não resisti e selei sua boca de forma doce, finalmente podendo apreciar o gosto que quisera pela noite inteira.

Logo as carícias que nossas bocas mutuamente realizavam evoluíam para algo um pouco mais quente. Não havia como evitar. Minhas mãos apertaram as laterais de seu corpo e Ciel deixou um gemido dengoso escapar, suspirei apertando sua cintura. Era uma loucura, não estávamos a sós, mas... mas...

Ele tinha os pezinhos elevados e eu curvado, o beijava apaixonadamente no meio da cozinha. Ouvimos então um uivo e nos separamos a contra gosto, Sky chorava sentado sobre as patas um pouco mais adiante de onde estávamos.

Ciel circulou as mãos em minha cintura desfazendo o nó do avental.

– Sua vez de levar ele para dar uma volta.

Eu revirei os olhos e fui sair para levar o cão para fazer suas necessidades, pois como meu menino disse, era a minha vez.

Manhã seguinte.

Naquela manhã de Natal nos levantamos bem cedo. Levaríamos a sra. Coburgo até a estação de trem. Ela passaria este natal e mais alguns dias na casa de parentes, revendo filhos e netos.

Durante o trajeto ela pedia que nós nos alimentássemos direito em sua ausência. Ciel lhe dizia pra ficar tranquila pois ele mesmo se encarregaria de garantir comeríamos bem.

Eu ouvia enquanto as ruas passavam pelas janelas do meu sedan. Tão grato eu me sentia por Ciel estar bem depois de tantos traumas e decepções. Boa parte deles causados por mim.

Ele era extremamente forte, muito mais do que eu jamais fui.

Suspirei ao relembrar todo o estresse e as minúcias do processo. Ciel fora inocentado e o caso foi classificado como morte acidental em um ato de autodefesa.

Grunhi ao relembrar tudo pelo que tivemos de passar. Óbvio que meu menino era inocente! Ele fora raptado por um louco obcecado, fugitivo da justiça. Foi ferido e psicologicamente torturado e sua reação nada mais foi que um ato para nos salvar. Provavelmente estaríamos ambos mortos se não fosse por ele. Bem, eu com certeza estaria.

Ele suportou tudo como um adulto, a cabeça orgulhosamente erguida, mas as noites voltaram a ser cheias de seus gritos aterrorizados pelos pesadelos terríveis.

E eu corria para ele e o trazia para mim, sussurrando que aquele que o aterrorizava já não estava mais aqui. E no calor dos meus braços ele voltava a dormir.

O meu pequeno, o meu menino, o meu amor.

Conversamos muito e Ciel passou a ver um psicólogo recomendado por Angelina. Eu também voltei a me consultar com minha psicóloga, afinal era o esperado depois de tudo o que passamos. Ajuda profissional ajudou bastante ao meu sobrinho no que dizia respeito aos pesadelos e o sentimento de culpa e vergonha pelas coisas que aquele monstro fez a ele. Depois de meses de terapia ele voltara a sorrir com frequência e sua personalidade encantadora voltara a se manifestar.

Mas nosso segredo de amor permanecia oculto.

E nossa felicidade desabrochava mais uma vez qual a mais linda rosa.

Já na estação, a sra. Coburgo se despediu de nós. Um abraço caloroso em mim e beijos cheios de afeto em Ciel. Ela teria uma semana de folga, regressaria apenas após o ano novo.

Voltamos para casa trocando sorrisos tímidos, a mão dele na minha coxa. Teríamos nosso tempo a sós e isso por si só já era o mais lindo dos presentes.

Ao chegarmos em casa pequeninos flocos de neve voltava a cair qual suave chuva prateada. Ciel abriu a porta e Sky correu para o quintal, alegre apesar do frio. Meu sobrinho retirou as luvas e colheu os flocos na palma das mãos, sorrindo ao ver como tudo se transformava em pequeninas gotas na palma de sua mão quentinha. Seu rosto suavemente ruborizado pela baixa temperatura.

– Sky, vem aqui! – ele gritou pra chamar o cão e este voltou satisfeito sendo prontamente abraçado por meu sobrinho.

Ali eles ficaram. Ciel sorria ao ver a neve cair, abraçado a Sky. O suéter grosso e vermelho contrastando com a alvura de sua pele e a cor única de seus cabelos.

Tão linda era a cena que saquei meu celular e bati uma foto.

– Pronto. — sorri orgulhoso — mostrarei a Alois que eu também sei eternizar momentos de beleza. Esta eu vou mandar emoldurar.

– Ah, não... vai pegar a mania do Alois? – Ciel franziu o narizinho sorrindo — Já basta ele o dia inteiro fazendo selfies ou batendo fotos minhas.

– Não vou perder pra um moleque – eu ri – as minhas serão melhores que as dele. Eis a primeira para provar!

E estendi o aparelho para ele para mostrar a linda foto que eu tirara.

– É verdade... eu gostei desta. – Ciel assentiu. Peguei a sua mão e ela estava começando a ficar gelada.

–Vamos entrar. – sussurrei junto ao ouvido dele – eu acho que é melhor eu o aquecer ou você poderá pegar um resfriado.

Ele corou adoravelmente ao notar a malícia em minha voz.

– Eu acho que estou mesmo com frio. Vamos entrar.

Mal fechamos a porta atrás de nós e nossas bocas se uniram num beijo quente. Como eu ansiara estes lábios...

Minhas mãos o envolveram e num instante eu o levantei nos braços e, sem interromper o desejado contato, subi as escadas rumo ao meu quarto.

Nosso quarto... por toda aquela semana.

Mais uma vez a lareira foi acesa, uma doce lembrança de nossa primeira entrega. Toques e olhares, roupas que lentamente deixam os corpos para repousar no chão. As deixemos assim, elas não importam.

Paro um momento para admirar o meu anjo. Suas faces estão rosadas, os lábios entreabertos e o olhar cheio de amor e desejo. Seus braços em torno do meu pescoço. Nossos peitos se tocando, corações acelerados batendo juntos. Eu tinha o próprio amor em meus braços.

Nossas respirações se cruzando, não mais que um momento. E no seguinte minha boca voltava a devorar a dele, faminta, necessitada.

Ah, o gosto dele, doce, indescritível, viciante. Não preciso de mais nada para viver, apenas dos beijos dele. As pequenas mãos em meus cabelos, me puxando, me forçando ainda mais contra a boquinha deliciosa. O meu sabor o enlouquece tanto quanto o dele?

Afasto a boca por um momento e procuro o pescoço macio. Afundo o nariz e inalo aquele perfume único. Doce como verdes campos de primavera, manhãs claras de sol após noites de tempestade. Eu disse que não precisava de nada além dos beijos?

Sou um maldito egoísta. Eu quero mais, preciso de mais, terei mais.

Meus dentes raspam levemente, docemente, mordiscando e a boca dele, próxima ao meu ouvido, me recompensa com um gemido baixo, um arfar tímido.

Ah, doce sinfonia que me exalta os sentidos.

Eu o deito nos lençóis ainda frios e sorrio ao notar sua pele se arrepiar.

“Está frio?” sussurro com voz rouca “deixe-me aquecê-lo...”

E ele não me responde, apenas sorri e sua boca está agora no meu pescoço. Uma língua macia, aveludada, acariciando... provando, saboreando.

Eu me deito sobre ele e sinto suas coxas fartas ao redor de meus quadris. Deslizo entre elas, apenas para delirar ao toque acetinado de pele contra pele. O seu desejo, duro, se forçando contra mim.

“Ah... calma, meu doce, meu gatinho. Ainda é cedo.”

Minha boca quer provar cada parte dele, eu preciso! Como um homem sedento precisa de abençoada água. Traço com beijos o caminhos até os dois suaves pontos rosados de seu peito. Minha língua acaricia um deles, gemo de prazer ao sentir o mamilo se enrijecer em minha boca. Suas pernas se apertam ao meu redor, e gemidos indecentes preenchem o meu mundo, me transportando ao meu Éden.

A pequena mão desliza para baixo e eu a sinto me envolver. Delicados dedos deslizando para cima e para baixo ao longo de meu comprimento, me fazendo gemer vergonhosamente como um adolescente inexperiente. Meu anjo me sorri deliciado. Cada vez mais meu Ciel aprende a me provocar, a me tirar de mim.

E eu adoro isso.

Nossos corpos já quentes... doces infernos de paixão a nos consumir com suas chamas furiosas. Corpos que ondulam ritmadamente, que se encaixam e se completam como que feitos para isso. Para este fim. Para este amor.

Entreabro suas pernas macias, enquanto o beijo apaixonadamente. Delicadamente meus dedos exploram a íntima região, espalhando a cada carícia o viscoso líquido que facilitará o meu acesso. Devorando avidamente cada gemido que ele me oferece.

De forma lenta, torturante, eu entro.

Saboreando, sentindo... Ah, como descrever a sensação que varre o meu corpo? O meu ser? O calor delicioso a me envolver, macio, me apertando, acariciando... Minha razão quase me abandonando.

A voz dele, doce, rica, ecoando lamentos de prazer, ou seria eu quem está a ofegar perdido nas sensações divinas? Eu olho para ele e o vejo entregue. Cílios tão longos e escuros sobre os lindos olhos semicerrados.

Um suave brilho de Safira e ametista. O meu tesouro. E eu retribuo com, como ele mesmo costuma dizer, olhares de rubi na semiobscuridade deste nosso paraíso.

A boca tão delicada treme e eu ouço mais uma vez essa voz que povoa minhas fantasias.

"... Tio... Sebastian..."

Meus braços o envolvem enquanto nossos quadris vem e vão. Sinto as unhas dele arranhando minhas costas e isso apenas eleva mais e mais o meu desejo.

Corpos suados e quentes deslizando macios um contra o outro. O ar repleto de sons, de cheiros, nossas bocas ansiosas buscando o sabor um do outro.

O ritmo cadenciado de nossa dança sensual se tornando cada vez mais rápido, cada vez mais desesperado. Posso ouvir nossos gemidos, nossas respirações alteradas embaladas ao doce “slap slap” de pele contra pele.

Ele se segura em mim com força e eu sei que ele está próximo de seu ápice.

"Grite o meu nome" sussurro-lhe no momento em que eu também chegava ao meu limite.

"S-Sebas-tian...!"

Oh, tão maravilhoso. E eu senti sua semente jorrar quente contra o meu ventre. E num último movimento eu também me desfiz preenchendo-o com a minha. Tombei sobre ele, também gemendo também o seu nome.

"Ciel... Ciel... "

Momentos depois estávamos abraçados, as pernas entrelaçadas. Nós nos dávamos pequeninos beijos castos... nos olhos, nariz, fronte e lábios. Cansados demais mas ainda famintos um do outro.

Repousamos por minutos sem fim antes que ele dissesse baixinho.

– Ainda temos de abrir os presentes. — Ciel sussurrou exausto.

– Mas você já me deu o meu presente. — respondi sorrindo, o prazer ainda exercendo seu efeito sobre mim.

– É mesmo? — ele sorriu e me encarou — e qual foi ele?

– O seu amor.

A risada dele ecoou suave e cristalina e um momento depois ele me deu um beijo repleto de amor e carinho. Aconchegou-se em meu peito e logo sua respiração tranquila me mostrava que ele adormecera.

Eu sorri. Beijei-lhe a cabeça, acariciando os fios escuros e macios.

Eu não estava brincando. O amor que ele tão puramente me ofertava, livre de amarras e repleto de aceitação era, e sempre seria, o meu maior presente.

Notas finais
Oi! Miyukiki aqui! Espero que tenham gostado deste pequeno lemon! Ele não estava programado mas de última hora surgiu a ideia de presentear ao leitores com essa cena. ( Foi muito cômico escrever essa parte no trabalho... principalmente porque imagine a minha cara escrevendo essas coisas XD) A capa deste capítulo ( visível aqui no social: https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-kuroshitsuji-minha-redencao-3170105/capitulo41 ) mostra justamente a foto que tio Sebastian tirou de Ciel. É uma fanart que eu fiz e espero de cortação que tenham gostado dela. Foi feito de coração para todos os leitores de Minha Redenção! Devido à montagem o desenho ficou pequeno então se vocês quiserem ver o desenho em maior qualidade e até outras fanarts minhas eis aqui onde as encontrar. http://miyuki-ki.tumblr.com/tagged/My%20art ( link já direto para as fanarts ) Se você tem conta no Pixiv: http://www.pixiv.net/member.php?id=6198669 Pretendo fazer mais artes de Minha Redenção assim que puder então eu ficaria imensamente grata de saber suas opiniões e que vocês dessem uma olhada em minhas galerias futuramente. Minha Redenção se aproxima do final. ( não vou chorar, não vou chorar...) Muito obrigada a todos os leitores! Pelo seu apoio, comentários, favoritos, recomendações. Nem sabemos como agradecer. Beijos, amo vocês. Miyukiki