Minha melhor amiga
17 XVI
Notas iniciais
Ótima Leitura :D
Eu não sabia o que tinha sido exatamente o sonho. Eu só esperava que aquilo não estivesse realmente acontecendo.
Cerca de uma semana havia se passado desde que Nana fora embora. Eu não estava nada bem, obviamente. Tivera muitos pesadelos, além daquele, e sentira-me muito só. O gato daquela noite não fora embora. Ele continuava ali comigo, mesmo porque eu continuava a dar-lhe comida.
Não havia acontecido muita coisa importante nessa semana.
Certo dia, acordei com algo que fazia barulho. Era meu celular, que há muito tempo eu não verificava. Havia uma mensagem. Olhei, sem emoção nem paciência. Meus olhos ardiam, mas eu li:
Olá, Misty. Sou eu, o Brad. Bom, você me passou seu número e eu gostaria de saber: Como você está? Está a fim de ir tomar um café para conversarmos? Sei que não éramos muito amigos, quando você morava aqui, mas eu queria muito falar com você. Olha, gosto de rever gente conhecida. Me responda, por favor!
Eu não estava nem um pouco interessada em ir conversar com ele e ignorei a mensagem. Porém, dias depois, ele mandou-me outra mensagem:
Eu não sei se você viu minha outra mensagem, então: Sou eu, o Brad. Por favor, me responde! Bom, eu estava a fim de sair pra conversar com você. O que acha? Seria muito legal. Gosto de rever conhecidos. ME RESPONDE!
Abri um pequeno sorrisinho com essa mensagem. Coitado do garoto! Ele estava querendo muito sair pra conversarmos. O que ele queria, eu não sabia. Mas eu queria tentar me reanimar? Não, eu não queria. Mas precisava. Havia dias em que eu pensava que Nana nunca me abandonaria, por isso logo estaria de volta. Todavia, havia dias em que eu achava que nunca mais veria minha garota.
Portanto, resolvi responder Brad:
Bom, acho que a gente pode marcar de ir num Café, qualquer dia.
Só escrevi isso, mas a resposta não demorou.
Misty, você gosta do Starbucks? Eu adoro o café de lá. Poderíamos ir na sexta, se você quisesse.
Brad.
Eu disse que adorava tomar café do Starbucks e poderia ver se dava pra encontra-lo na sexta. Mas eu sabia que dava. Mamãe nunca ia negar! E eu não tinha nada pra fazer nem queria fazer nada. Porém eu precisava viver.
Em amor à minha mãe, eu fui pedir permissão;
“Mãe, reencontrei um garoto que conhecia, no dia em que fui à cidade.” Comecei.
“Sério, filha? Quem é?” ela quis saber.
“Ele se chama Brad Smith, mas não era muito meu amigo, quando éramos criança.”
“Hm... Mas ele te reconheceu ou você que o reconheceu?” fiz uma cara que expressava “adivinha!” e ela continuou “É claro! Mesmo que você reconhecesse, nunca falaria com ele.”
Minha mãe enrolou um pouco mais no assunto, até que achei o momento perfeito para perguntar-lhe:
“Posso ir no Starbucks com ele? É que ele me convidou.”
Mamãe quase deixou a xícara com café, que segurava, cair no chão. Porém, tentando disfarçar, flou:
“Bom, é claro que você pode ir, querida. Acho que vai ser muito bom, não?”
“Acho que sim...” dei um sorrisinho, sem ter nenhuma certeza do que dizia.
Coloquei uma roupa qualquer que tampasse meu frio, já que estava bem perto de nevar, e resolvi dirigir-me logo ao Café para encontra-lo. Logo, eu estacionei na frente do Starbucks e desci do carro.
Olhei para dentro através das janelas de vidro e pude avistá-lo; sua cabeleira ruiva e sua pele branca. Ele estava um pouco perto da janela. Talvez, propositalmente, para eu encontra-lo logo. Entrei e dirigi-me até ele.
“Olá.” Ele falou.
“Oi” respondi.
“Como vai?”
“Bem, e você?”
“Estou bem, também.”
Ficamos alguns minutos constrangedores em silêncio, até que falei:
“Vou tomar um chocolate, acho, e você?”
Ele olhou-me, raciocinando, e respondeu:
“Café mesmo.”
Chamamos o garçom e fizemos nossos pedidos com tudo a que tínhamos direito. Ficamos sem falar nada – eu, brincando com um sachê de açúcar; ele, olhando para fora da janela – até o garçom voltar com os nossos pedidos. Então, demos os primeiros goles nas nossas bebidas, e ele comentou:
“Nossa, eu adoro as bebidas desse lugar!”
“Eu também. Mas eu prefiro chocolate a café.” Falei.
“O café me deixa mais bem acordado. Já estou acostumado a tomar pra ficar acordado nesse meu trabalho de férias.” Ele disse.
“Ah, bom, quando as aulas começarem, acho que você vai precisar de ainda mais.” Ri.
“Concordo, cara. Acho que vai ser bem difícil o segundo colegial.”
“Pois é...”
“Você já sabe onde vai estudar...?”
E ficamos ali conversando. O papo surgira do nada, mas durou quase três horas. Não conversamos somente sobre aquilo. Descobri muitas coisas. Por exemplo: Ele ia completar dezesseis anos depois de mim, tinha um cachorrinho chamado Rufos, ia estudar numa escola pública, era solteiro, e estava tendo que trabalhar nas férias porque queria juntar dinheiro para comprar um carro no final do ano.
Chegou uma hora que percebemos, os dois, que devíamos ir embora. Então, não fora totalmente perda de tempo, pois eu conseguira me distrair.
Quando cheguei em casa, mamãe obrigou-me a contar-lhe como fora, e eu contei que, no começo, quase não tivemos assunto, mas depois conversamos bastante. E ela quis saber sobre o que conversamos. Eu podia ter uma vaga ideia do que ela estava pensando, mas minha mãe “viajava” muito quanto a isso.
Fui ao meu quarto e tomei um banho. O chocolate que eu tomara tinha sido a única coisa que eu ingerira em três dias. Ou seja, eu estava fraca e pálida – além disso, o chocolate despertara meu estômago. Depois do banho, fui comer alguma coisa.
Logo, eu estava de volta ao quarto, onde enfiei-me na minha cama e tentei dormir, porque não queria voltar a pensar em Nana, o que eu sabia que iria acontecer, se eu ficasse sem fazer nada. Mas eu não consegui dormir e meus pensamentos encostaram-se na minha melhor amiga. Como e onde será que ela estaria? E o que mais me doía: Por que ela fora embora, ainda mais com aquele sorriso nos lábios?
Vi-me perdida novamente. Era meu oitavo dia sem ela. Era como quando ela morrera, quando eu acabara de me mudar pra Holanda. Eu chorava por ela e não parava de pensar nela. Sentia que minha vida não tinha mais sentido direito. Era como se eu tivesse ido embora junto a ela, quando se foi. E, mesmo que eu soubesse que podia voltar a viver, eu não queria! Trancafiei-me, como sempre, no meu quarto, sem fazer nada, além de chorar até a noite chegar.
Eu acariciei o pelo alaranjado do gato, enquanto via uma das minhas lágrimas tocá-lo. Ele era gordo, mas não era obeso. Seus olhinhos eram esverdeados e ele tinha um focinho um pouco fino. Eu não sabia ao certo sua raça, se não era vira-lata. Mas ele era muito bonito. Normalmente, ficava sentado no parapeito, como Nana – e isso era engraçado observar. Sentada ali, ao lado do gato, eu senti uma brisa passar pelo meu rosto, através da janela aberta. Fechei meus olhos, soluçando como um bebê. O vento frio entrou na minha boca entreaberta. Aquilo aliviava minha cabeça latejante de tanto chorar.
Então, eu abri meus olhos e observei alguém que mancava sair da floresta. Quando vi esse alguém, minha dor de cabeça voltou com mais força. Olhei direito, para ter certeza de que não estava tendo alucinações. Não, eu não estava alucinando nada.
Nana parecia esforçar-se o máximo que podia pra andar rápido, mas estava muito ferida. Ela, além de mancar, sangrava muito e tinha ferimentos por todo seu corpo. De sua cabeleira loira, agora, metade estava vermelha, dando-lhe uma aparência ainda mais macabra.
Como o quarto de um dos meus irmãos era ao lado do meu, olhei pelo lado de fora da minha janela se ele não estava na dele, vendo o mesmo que eu: Nana. Ele não estava lá, por sorte. Mas, além das forças que juntei para verificar se mais alguém via Nana, não consegui mover-me para ajuda-la. Por algum motivo, eu até sentia medo.
Observei-a chegar até atrás, o jardim – ou matagal – dos fundos da minha casa. Ali havia uma porta, onde chegava-se na lavanderia e numa parte “obscura” da cozinha. Não pude evitar, saí correndo para lá. Abri a porta e vi Nana estirada no chão. Passei meus braços, com muita pressa por baixo de seu corpo, mas, antes de erguê-la, entrei em casa e subi até o corredor dos quartos. Martin estava lendo em voz alta no seu quarto, novamente. Luck estava escutando música, dessa vez. E Drake não estava com nenhuma vadia no telefone, não saía barulho algum vindo de seu quarto. Espiei pela fechadura e vi a porta de seu banheiro fechada, pude notar uma luz sair da brecha entre o chão. Ele estava lá. Fui até o quarto de minha mãe e bati à porta, com muita pressa e medo. Ninguém abriu. Abri a porta com cuidado e verifiquei: Não havia ninguém. Mas eu não tinha tempo pra procurar. Bati na porta de Martin e escutei-o parar de falar, abruptamente. Eu não me aguentava. Pude sentir que, incontrolavelmente, as lágrimas começaram a cair.
Meu irmão abriu a porta e olhou-me, preocupadamente. Então, sem demora, eu perguntei:
“Onde estão nossos pais?”
“Eles foram ao shopping, mas n...”
“Obrigada!” cortei-o e já ia sair correndo, mas ele segurou-me.
“Qual é o problema? Posso te ajudar?” quis saber.
“Sinto muito, Martin, mas não pode! Agora, volte a fazer o que estava fazendo e não se preocupe comigo!” pedi, freneticamente.
“Miss, você não está legal! O que aconteceu?”
“Nada! Pára de me segurar e volta a ler sei lá o quê sobre qualquer porcaria idiota, Martin!” eu quase gritei, ofegante.
Ele soltou meu braço, olhou nos meus olhos, parecendo ofendido. Então, bateu a porta na minha cara. Eu senti meu coração apertado, mas não podia fazer nada sobre aquilo naquele momento. Corri escadas abaixo e fui até os fundos. Passei meus braços por baixo de Nana e levantei-a. Lembrei-me de como ela tinha facilidade anormal para me levantar e me carregar. Comigo era diferente. Ela estava quase completamente desacordada, e eu tive que realizar um esforço muito grande para leva-la até o corredor do meu quarto, rezando pra que ninguém resolvesse dar uma passada na cozinha. Joguei Nana na banheira, ofegando muito. Corri e tranquei a porta do meu quarto. Abri as torneiras da banheira e vi sangue se misturando com água. Eu deixei o ralo aberto para que aquilo tudo fosse embora logo. Fui tentando tirar as roupas de Nana, o que não foi tão difícil, já que estavam completamente rasgadas.
Os ferimentos cobriam sua barriga, suas costas, suas pernas e havia um no pescoço. Uma mordida. Que, diabos, acontecera? Eu estava desesperada para que ela acordasse e me desse um sinal de que estava um pouco melhor que aparentava.
Meu coração parecia querer subir pela minha garganta. Eu tremia, enquanto jogava um pouco de água morna no rosto dela, para ver se conseguia acordá-la. Perdendo um pouco minhas esperanças de que ela ia abrir logo seus olhos, abracei-a, encostando minha cabeça a dela, apoiei meu braço na banheira e deitei minha cabeça em cima.
Não sei quanto tempo mais tarde, Nana deu um sinal de vida. Chamou meu nome, então, abriu seus olhos, incrédula de que estava me vendo...
Notas finais
Bom, sabe, eu gasto preciosas horas do meu dia escrevendo capítulos pra vocês, mas não é só por vocês, é porque eu amo escrever. Só que eu amo ser reconhecida, também. O que eu quero dizer é: Por que vocês não me dão suas opiniões? Caramba, gente! Eu tenho 25 leitores (eu sei que são poucos), mas nem CINCO comentam por capítulo! Por quê? Eu gostaria muito de saber. Galera, fala sério! Você não gasta nem três minutos escrevendo um "Ficou bom!" ou um "Não achei que ficou tão bom!".
Sabe, eu só quero saber a opinião de vocês! Eu não sei se vocês escrevem, mas se escreverem, devem saber: Escritores amam opiniões de seus leitores. Ninguém cresce sem críticas(construtivas, é claro)! Olha, leitores que nunca comentaram, que custa comentar?
Não estou fazendo desfeita com quem comenta (essas pessoas nem deviam estar lendo isso!); muito obrigada a vocês!
Bom, é isso, pessoal!! Um beijo... Vou tentar não demorar a postar o próximo capítulo!
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