Minha melhor amiga
18 XVII
Notas iniciais
Ótima leitura ^^
“Não! Eu não quero!” Nana começou a murmurar, desesperada.
Sem saber direito o que se passava em sua mente, segurei seu rosto, para poder encará-la. Então, sussurrei, tentando aparentar calma:
“Nana! Fique calma! Estou aqui!” segurei seus ombros com firmeza “O perigo já passou!”
Ela parou de falar, de repente, e olhou no fundo das minhas pupilas molhadas. Vi seu rosto pálido, seu tremor no lábio, de tão assustada que estava. Seus olhos claros e grandes, muito brilhantes, porém amedrontados.
Ela demorou um pouco para ter alguma reação. Então, cochichou, parecendo não conseguir falar mais alto:
“Miss... C-como e-eu...” soluçou “vim p-parar aq-qui?”
“Relaxa...” pedi.
“Como?” ela quis saber “N-nem sei s-se isso é re-real...”
Beijei seus lábios arroxeados de tanto tremer. Ela pareceu incrédula com a minha atitude.
“É c-claro que é real...” ela afirmou.
“Como tem tanta certeza, agora?” indaguei.
“Reconhecer-ria seu toque em q-qualquer lugar...” ela tentou forçar um sorriso, o que não deu muito certo...
Senti meu queixo tremer com o que estava preso em minha garganta, mas eu queria demonstrar firmeza. Não dei-me completamente por vencida pelo choro.
“Você precisa sair daí, meu amor... Acha que consegue se levantar?” perguntei.
Ela pigarreou um “Não sei” e começou a tentar levantar-se, mas precisou da minha ajuda para concluir esse feito. Enrolei o roupão nela e levei-a ao meu quarto. Tirei o roupão e coloquei uma roupa muito confortável e quente nela, pois o frio estava aumentando muito – apesar de eu não saber se vampiros sentiam frio ou não...
Ela começava a demonstrar um esforço para movimentar-se melhor, mas não estava funcionando tão bem. Olhei-a. Ela estava parecendo uma pequena garotinha que caiu num lago gelado e pegou um grande resfriado. Mas continuava linda como sempre. E algumas coisas haviam mudado desde a última vez que a vira: Suas olheiras sumiram e sua palidez já estava no tom normal.
Uma das coisas que eu mais queria naquele momento era descobrir o que havia acontecido. Porém eu achava que ela não estava em boas condições para me explicar. Deixei-a ali, descansando... Eu não sabia se ela estava dormindo, mas ela mantinha seus olhos fechados e eu podia observar seu peito subindo e descendo com seu esforço para respirar. Esperei algumas horas – não calculei quantas – até ela falar alguma coisa. E, quando ela emitiu um som, eu já estava deitada ao lado dela, abraçada a seu corpo.
“Miss... Você poderia explicar como eu vim parar aqui?” foi o que ela pediu.
“Ahn... Você não se lembra da última coisa que fez?”
“Só lembro de ter chegado à frente da floresta e mais nada...” ela respondeu, vagamente.
“Na verdade, você andou até o jardim dos fundos e...” eu contei-lhe toda a história.
Ela apertou-me com um calor incrível – lembrando: para alguém morto.
“Você é demais, meu amor...” ela disse.
“Eu nunca te deixaria ali... Você nem sabe como fiquei, loira.” Usei um apelido que há muito não usava “E-eu acho que, se você não tivesse voltado hoje, eu poderia ‘ter morrido para o mundo’...”
Entendendo que eu quisera dizer que ia entrar na pior depressão existente, ela beijou minha testa. Ficamos m silêncio por alguns minutos, então, eu pedi:
“Posso te pedir um favor?”
“Sim, eu acho...” ela respondeu.
“Bom, você pode me contar... Por que... Por que você foi... Embora?” eu me embaracei um pouco.
“Ahn...” Ela ficou um pouquinho confusa “Eu sabia que teria de explicar, mas não é nada fácil...”
“Se quiser, pode ser depois...” sugeri.
“Não, eu explico agora mesmo.” Ela retorquiu e eu sorri “Hm... B-bem, eu tive que ir, porque...”ela hesitou.
“Tem certeza que quer contar agora? Você está muito nervosa...”
“Eu quero, mas não sei como...”
“Bom, então, vamos por passos... Primeiro: Por que você... Você sorriu, quando... Saltou da janela?” fiquei com medo de perguntar.
“E-eu não sorri...” ela respondeu; senti meu coração aliviado “Aquilo foi um aviso, eu estava mostrando meus dentes... Quis dizer que eu não podia ficar, senão... Eu ia acabar... Mordendo você. É que, por mais que eu tentasse, eu não conseguiria, eu sabia disso. Eu já estava há muito tempo sem... Sem sangue...” ela desabafou “E... E eu acabei de descobrir que... Eu preciso dele para sobreviver...”
Sem ter coragem de encará-la, apenas olhei nossas mãos juntas em cima do acolchoado. Ela só se foi pelo meu bem... Mesmo que, ao mesmo tempo, me fizesse sofrer. Ela só não queria me matar. Eu senti remorso – e não sabia por que – e uma certa alegria, também.
“Você me perdoa, Miss?” ouvi sua doce e distante voz.
“Perdoar pelo quê?” eu, confusa.
“E-eu... Eu matei mais uma pessoa...” ela parecia o ser mais triste do Universo. Estava arrasada.
“É claro que eu te perdoo. Você tentou, mas... Infelizmente, não deu certo. Eu não me importo se for assim, contanto que você esteja comigo...”
“Mas, Miss... Eu não posso ficar assassinando pessoas por aí... Eu não vou conseguir me olhar num espelho sabendo que causei mortes...” ela choramingou.
“Eu também não queria mesmo que fosse assim... Mas, se o destino quis, assim será.” Tentei aparentar despreocupação; tentei não mostrar o quão arrasada eu estava.
“Eu não posso... Não posso ficar...”
“Do que você está falando?” eu, incrédula.
“Nada... Depois eu falo...” ela falou, subitamente.
“Por que dep...?” eu fui interrompida por batidas na porta.
“Porque você precisa comer” ela sussurrou.
“Filha, já vou servir o café-da-manhã. Desce e come.” Ouvi a voz de minha mãe.
Já era de manhã? E, outra coisa: Nana virara vidente agora?
Depois do jantar, voltei ao meu quarto. Assim que tranquei a porta, ela foi logo dizendo:
“Não pense que sou vidente.” Riu “Senti o cheiro do pão, do café... E ouvi sua mãe dizendo ao seu pai que ia chamar os filhos para comer.”
Certo, era pior? Ela tinha olfato e audição muito mais apurados que os de um humano normal. Será que a visão também? Eu não sabia. Mas também não era o que mais me interessava no momento.
De repente, Nana bocejou, falando:
“Que sono! Acho que vou dormir...”
Era impressão ou ela estava fugindo das minhas perguntas? Tudo bem, ela respondia quando quisesse. Mas – eu percebi – ela estava muito melhor que deveria. Qualquer um que conversasse com ela nunca perceberia que ela tinha gravíssimos ferimentos ou estava tão abalada... Realmente, o sangue humano fazia muito bem a ela; não a culpava por ter de tomá-lo...
Notas finais
OBS.: POR FAVOR, COMENTEM AS OPINIÕES DE VOCÊS!! Muito obrigada ^^
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