Minha melhor amiga
16 XV
Notas iniciais
Ótima leitura!!
P.S.: Só eu não gostei desse capítulo?
Ouvi batidas surdas na porta do meu quarto, e foi quando me liguei de novo ao mundo real. Com o susto que levara, mexi com a água da banheira e quase escorreguei. Nana também ouvira as batidas, mas não parecia assustada. Eu levantei-me – com preguiça – e coloquei meu roupão que estava ali no banheiro. Então, saí do cômodo e fui até a porta de madeira imponente do meu quarto.
-Quem é? – perguntei, do outro lado da porta, sem abri-la.
-Seu irmão. A mãe quer saber por que você ainda não foi comer. Desce logo, porque eu não sou coruja de recado, ok?
-Ok, Luck. Valeu. – reconheci a voz dele, cansada.
Coloquei uma roupa qualquer e fui até a cozinha. Eu já sabia que minha mãe estava percebendo que eu não estava bem. Ela também não parecia bem... Ela, provavelmente, achava que era pela morte de Nana e só por isso. Coitada, se soubesse a verdade...
Bom, quando pisei na cozinha, mamãe olhou-me, piedosa. Então, fez sinal para que eu me sentasse e sentou-se também. Estávamos sozinhas. Eu via em seus olhos que ela mal se aguentava com o que tinha para falar. Logo, começou:
-Bom, querida... – ela suspirou – E-eu sempre quis ser bem durona ou não demonstrar minha fraqueza, mas você sabe que isso é muito difícil pra mim. O que eu vou falar pode soar patético ou algo do tipo, mas é muito importante, do meu ponto de vista. Por favor, meu amor... Por favor... Pare de se martirizar! Você não teve culpa, foi um acidente... Essas coisas são terríveis, mas acontecem.
Eu não dizia nada, apenas escutava. Meu coração doía, como se alguém estivesse apertando-o. Ela continuava a falar:
-Eu te amo tanto e... Eu confesso... Uma ou duas vezes – comecei a ver as primeiras lágrimas escorrendo pela face dela – parei na porta do seu quarto e pensei em bater, mas não pude... Não consegui... Ouvi seu choro e não tive coragem de interromper seu momento de desabafo próprio. Sinto muito, querida, mas você, aliás: Nós temos que superar isso. Também não está sendo nada fácil para mim, não mesmo, mas precisamos, não é? Nana não ia gostar de nos ver assim. Ela era feliz conosco e gostaria que continuássemos a ser felizes sem ela, você não acha?
Concordei com desespero, percebendo que eu já chorava muito aflita, soluçando.
-Venha cá. – mamãe pediu, estendendo-se para um abraço maternal.
Eu a abracei cheia de amor, sentindo muitas coisas boas. Como eu queria que aquilo fosse pra sempre! Mas, naquele mesmo dia, eu descobriria que tudo que é bom, dura pouco...
Quando retornara ao meu quarto, depois de ter aliviado com mamãe, fui direto falar com Nana. Tranquei a porta e fui ao banheiro. Lá estava ela: sentada na tampa da privada, seus cabelos ainda molhados, mas ela já estava vestida com uma velha e quentinha roupa minha. Ajoelhei-me a sua frente e estiquei meu pescoço, fazendo nossos lábios se tocarem. Olhei seu rosto, sorrindo... No entanto, meu sorriso logo se desfez. Nana tinha profundas olheiras, lábios arroxeados e sua pele tinha uma palidez anormal mesmo pra um vampiro. Seus olhos estavam entreabertos e, seus dentes estavam maiores que nunca.
Ela empurrou-me, fazendo com que eu batesse as costas na parede. Levantou-se e saiu do banheiro.
-Nana... – murmurei, sentindo doer, mais que minhas costas, meu coração.
Corri afora do banheiro, a tempo de ver Nana em pé, no parapeito da minha janela. Meu coração palpitou. Ela não podia pular! Não teria coragem de fazer isso! E... Por que faria? Muitas perguntas e pressentimentos rondavam minha cabeça.
Fui até onde Nana estava, mas não subi no parapeito. Apenas perguntei:
-Por quê?
Ela olhou minha cara e sorriu, mostrando seus caninos cada vez mais afiados. Então, pulou. Foi embora. Desesperada, destranquei a porta do meu quarto, lágrimas escorrendo sem parar dos meus olhos, desci as escadas e saí de casa. Olhei para o telhado, perto da minha janela. Ela não estava lá. Olhei para a floresta, completamente exasperada. Nada. Nem sinal de vida.
Corri em direção ao matagal, adentrando um pouco. Parei e caí de joelhos, dramatizando, completamente esgotada. Fiquei por ali alguns minutos, então, voltei para casa.
Eu não tinha ideia do por que Nana fizera aquilo – às vezes, nem queria saber – e não sabia o que sentir. Estava tudo muito confuso: Raiva misturada com tristeza... Eu só sentia que meu ar ia escapando a cada degrau que eu subia. Segurei a maçaneta do meu quarto e, respirando fundo, virei-a. Porém, algo impediu-me de entrar.
-Miss... O-o que foi? – a voz de Martin.
Fiquei ofegante. Ninguém precisava me ver. Não tive coragem de olhá-lo, só escutei os passos em minha direção.
-Misty, por que você está tão nervosa? – ele perguntou, preocupado.
-M-martin... – eu mal podia pronunciar seu nome.
-Miss, você está me preocupando! Qual é o problema?
-Não é nada... – menti, mas muito mal, por sinal.
Martin tinha a minha altura, praticamente, então colocou suas mãos em meu ombro e falou:
-Ela realmente não ia gostar que você ficasse se culpando, Misty. Ela te ama, mesmo lá de cima... E eu sei que ela não ia gostar nada de te ver assim...
-Mas a culpa é dela! – eu disse, mas não por querer.
Ele arregalou seus olhos e fitou-me por alguns segundo, então, falou:
-Desculpe-me, eu sei que não posso ajudar. Eu só gostaria de poder...
Ele ia saindo, porém eu o contive, agarrando-o e apertando-o com muita força.
-V-você é perfeito, M-martin! – solucei – Eu t-te amo!
-Eu também te amo!
Ele me devolveu o abraço. Logo, eu estava entrando no meu quarto e ele estava descendo as escadas. Nós dois muito confusos, mas por motivos completamente diferentes.
Depois de muitas horas, jogada no carpete sem conseguir mover-me, ouvi um barulho e obriguei-me a me levantar. Havia um gato arranhando a madeira da minha janela. Não fiquei brava por ele estar estragando a pintura nem o espantei, apenas acariciei sua cabeça. Ele assustou-se, mas depois de me cheirar, autorizou que eu o acariciasse.
Minha garganta doía, meus olhos doíam, meu peito doía, minha cabeça doía, mas eu mal sentia tudo aquilo. Eu não sentia nada. Nem fome nem vontade de fazer xixi. Nada.
Só acariciei o gatinho. Eu ainda chorava, porém mais calma. Eu olhava a entrada da floresta sem emoção. Nada mais aconteceu de importante naquele dia. Eu não falei com mais ninguém. Só dei água pro gato e, enganando mamãe peguei pão na cozinha, fingindo que ia comer, mas dei pro gatinho.
Só que, de madrugada, quando caí no sono, eu tive mais um pesadelo esquisito.
Uma garota estava debruçada sobre um animal. Então, um homem apareceu e começou a falar, mas eu não podia escutar o que ele dizia. A garota levantou a cabeça e olhou para o homem, enquanto escorria alguma coisa da boca dela.
Subitamente, o homem chutou a cara da garota, que caiu pra trás. Mas, logo, ela já estava de pé. O homem, parecendo nervoso, avançou na garota, que foi de encontro a ele. Os dois começaram a travar uma espécie de luta; algo que eu não consegui acompanhar com tanta rapidez. No fim, a garota caiu ajoelhada no chão.
Com um leve susto, escutei minha própria voz exclamar:
-Nana!
E me dei conta de que a garota era o amor da minha vida, já o homem era uma das criaturas que eu mais odiava: Garden.
Acordei assustada, rolando pelo tapete. O gato de mais cedo olhava-me, parecendo assustado ou curioso, talvez.
Corri até a janela aberta, muito preocupada com Nana. Onde ela estava? Por que me deixara? Na verdade, tudo que eu queria era que ela estivesse bem. Mas isso não ia acontecer...
Notas finais
Muito obrigada, gente.
Beijos *3*
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