Notas iniciais
Segundooo!! Desculpem-me pela demora, mas tá aí.
Boa leitura ^^

Na minha segunda semana de volta à Holanda, fui explorar aquele matagal que estava à minha volta e, sim, meus pais ficariam preocupados se eu sumisse por muito tempo. Mas eu não sumiria... Quero dizer, não por muito tempo. Preparei uma mochila com algumas coisas que eu poderia precisar como umas três garrafas de três litros de água, um equipamento de escalagem, lanternas, pilhas para as lanternas, roupas, um saco de dormir, uma mochila lotada de comida que não pesasse muito e algumas outras coisinhas.

Eu acho que não expliquei direito umas coisas sobre a floresta... No meio dela, havia uma pequena montanha e por isso o equipamento de escalagem.

Meus planos eram:

1º: Cruzar a floresta até a montanha;

2º: Escalar, pelo menos, metade da montanha;

3º: Desligar-me ainda mais do resto do mundo por alguns dias.

Acho que toda garota precisa disso de vez em quando, né?

Pelo menos do terceiro item...

Depois que arrumei minhas duas malinhas – a de comida, a de roupas e utilidades e, sem contar o saco de dormir e a barraquinha, quem estavam amarrados à segunda mala. –, fui até minha escrivaninha, peguei um papelzinho e escrevi:

“Fui dar uma volta por aí... Mas logo estou de volta, então, não precisam ficar preocupados. Beijos. Miss.”

E pendurei com um imã na porta da geladeira.

Resolvi verificar o que meus irmãos estavam fazendo para não ficar com cara de “taxo” caso algum deles me pegassem saindo de casa com duas mochilas e uma barraca individual.

Drake havia saído para dar uma olhada na cidade... Confere. Luck estava jogando videogame... Confere. Martin estava lendo um livro chamado “Aranhas peçonhentas & o que fazer caso encontrar uma”... Confere.

Saí sem chamar atenção. Comecei pela trilha de quatro quilômetros que tinha para quem quisesse dar uma volta. A floresta era bem na frente da minha casa e, apesar de não ser nossa propriedade, eu passava muito tempo lá. Eu já tinha andado bem mais que quatro quilômetros para dentro daquela floresta e as únicas coisas que tinha visto eram árvores gigantescas – entre outras plantas – e alguns animais, como macaquinhos-prego e umas espécies de passarinhos.

Eu estava levando uma mochila de costas e outra de rodinhas, onde a barraca estava amarrada. Mas eu não sabia como faria para subir a montanha com tudo isso. Talvez eu só subisse uns dez metros e voltasse para baixo uns cinco minutos depois. Eu não sabia. Depois de cinco quilômetros o primeiro um litro d’água já havia acabado e eu peguei a segunda garrafinha de um litro. Caminhei a tarde inteira e tomei cerca de quatro litros de água durante o caminho. Quando parei, já um pouco longe de casa, estava com as pernas bambas e morrendo de fome. Armei a barraca num lugarzinho onde as árvores não estavam ocupando a terra, mas estavam dando cobertura. Era seco e parecia dar para acender uma fogueira – algo que eu aprendera a fazer lendo um dos manuais de sobrevivência na floresta de Martin. Eu havia levado um dos meus isqueiros favoritos – prateado com um botãozinho que, quando se pressionava, a tampa abria e o fogo acendia ao mesmo tempo.

A fogueira era pequena, mas aquecia pra caramba. Além disso, eu torrei pão, que ficou com um gosto um pouco de queimado, mas deu pra engolir com o queijo que eu havia levado – o queijo era só para o primeiro dia, já que apodreceria nos outros – e com o suco de laranja de caixinha.

Depois de comer, apaguei a fogueira e entrei na barraca, fechando-a com zíper e cadeado por dentro. Peguei uma das lanternas e fiquei iluminando o interior do pequeno lugar onde seriam meus aposentos por alguns dias. Eu podia me acostumar, ainda mais porque o saco de dormir era quentinho e macio. Minhas malas couberam direitinho dentro dali e, depois de algum tempo, eu adormeci.

Na manhã seguinte, eu acordei com o canto dos pássaros que vinha do lado de fora da barraca. Destranquei o cadeado e abri o zíper. Eu precisava arrumar minhas coisas para continuar a caminhada. Fiz isso e fui-me embora dali.

Andei mais nove ou dez quilômetros e pensei que àquela hora meus pais talvez estivessem preocupados comigo. Mas e se mandassem uma equipe de busca? Eu estava ferrada, mas como já estava ali, continuei. Devo ter tomado cerca de quatro litros de água mais uma vez e notei que tinha pouca água para continuar a caminhada de ida e teria que voltar antes de chegar à montanha se não economizasse mais água.

Eu passara o dia todo andando. Só fiz uma pausa para comer alguma coisa e depois continuei. Eu havia tomado a segunda e última caixinha de suco de laranja. Eu me preocupava mais em levar água do que suco.

Ao anoitecer, parei e um lugar como o anterior e fiz as mesmas coisas – mas o pão torrado foi sem queijo.

Terceiro dia e nada de muito interessante. A não ser que eu sabia que devia estar perdendo muitas calorias com aquelas caminhadas. E eu achara um riacho. Lembrei-me que não tomava banho há algum tempo e isso estava me incomodando. Eu hesitei um pouco, mas depois resolvi comigo que a melhor coisa seria tomar um banho naquele riacho, já que eu não podia gastar da minha água para me limpar.

Então, alguns minutos mais tarde, estava eu tomando banho pelada num riacho... Morrendo de medo de alguém aparecer, apesar de aquele lado da floresta ser muito, muito desabitado, pelo que eu sabia. Depois eu peguei duas das toalhas de rosto que estavam na minha mochila para emergências e me sequei. Então, vesti uma roupa limpa que eu havia levado justamente caso eu achasse onde me banhar.

Eu não estava tendo grande diversão, mas aquilo era, de certa forma, bem relaxante. Sem ninguém pra ficar te perturbando, mas eu sentia um pouco de falta de pessoas, confesso... Ou pelo menos de seres vivos que me compreendessem um pouco mais que os passarinhos...

Peguei-me chorando por Nana e limpei as lágrimas rapidamente. Ela não ia gostar de me ver desta forma...

Mas eu queria muito que ela estivesse ali e ninguém podia mudar aquilo, a não ser ela mesma...

E, de repente, ali estava na minha frente uma criatura...

“Olá, Miss... Sentiu saudades de mim? Não precisa sentir mais... Eu estou aqui!” Nana falou.

Notas finais
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