Notas iniciais
Boa Leitura!!^^
Eu sempre tive que acordar cedo, mas aquela manhã foi demais! Quatro da manhã? Fala sério! Uma garota de quase dezesseis anos que está aprendendo alfa e beta não deveria ter de acordar tão cedo! Resolvi tomar um banho para ver se ficava um pouco mais acordada, mas estava muito frio! Você pode pensar que o Brasil é um país tropical e aqui é sempre quente, mas, além de lá não ser sempre quente, as quatro da matina, o Brasil vira a Inglaterra. Juro. Que frio é esse?
Bom, desci as escadas após meu banho e mamãe, papai e os sem noção dos meus irmãos já estavam me esperando. Fomos de táxi até o aeroporto... Fiquei tão feliz ao chegarmos ao aeroporto! Nunca me senti assim por estar num aeroporto, afinal... Acho que devo explicar que eu estava voltando para a Holanda e aquilo não era muito animador. Olha, eu estava num caos. Voltando para aquele país porque minha melhor amiga, que era brasileira, morreu e, para eu não ficar muito depressiva, mamãe resolveu voltar para a lá.
“Misty!” ela gritou. Um carro veio... Ela me empurrou e... Bom, você já deve saber. Ela se matou por minha causa. E eu choro toda vez que me lembro disso. Acho que eu merecia morrer e, não ela! Sabe, ela tinha a vida perfeita! Era a garota mais linda do colégio e sempre recebia convites para sair com vários garotos. Nana, como apenas eu a chamava, era a garota mais perfeita que existia no Mundo. E a mais pura também! Ela era muito simpática, fofa, legal com todos, cheia de amigos, mas eu fui escolhida como a melhor... Sabe, não é sempre que se acha alguém assim e perdê-la desta forma foi uma das piores coisas que já enfrentei na minha vida!
Vou te dizer uma coisa: Eu não estava nada bem e encenar para os meus pais e irmãos é uma droga! Sem privacidade no nosso carro na Holanda ou no avião.
Ao retornar à minha antiga casa, notei como muita coisa havia mudado nos últimos sete anos... Sete anos passados ao lado da minha melhor amiga brasileira que morreu há uma semana... E, o pior é que ninguém pode saber o que realmente aconteceu porque se souberem vão me colocar num hospício. Sabe, ninguém acreditaria que um vampiro (ou seja lá o quê aquilo era) tentou me matar e Nana se matou para me salvar... Eu não consigo me controlar. Acho que ninguém conseguiria. Além de tudo, o motorista (o cara que realmente tirou a vida de Nana) mentiu para a polícia dizendo que Nana e eu estávamos brincando no meio da estrada e ele buzinara e nós não saímos da frente, então, ele não conseguira parar o carro e... Bom, eu não aguentei ouvir aquilo calada...
“Seu filho da puta!” guinchei com as lágrimas escorrendo sem cessar “Diz a verdade! Você estava dirigindo em alta velocidade e não viu a Nana! Diz! Por favor! Não minta! Você é adulto e deveria ser sincero... O que está acontecendo com você? Está com medo de ser preso por não prestar atenção no que acontece à sua volta enquanto dirige?” eu não conseguia ficar calada.
“Acalme-se menina.” Disse um policial “Você está sob muita pressão por causa do acidente. Vamos. Você consegue ficar calma! Vamos levar-lhe para um lugar mais calmo!”.
Eu parecia uma louca mesmo, então, não os culpo por terem me levado a uma clínica para pessoas com um pouco de retardamento mental... Mas eu acho que merecia mais compreensão... Mas eu era muito burrinha mesmo. A única pessoa que me compreendia no Mundo estava muito morta, portanto, eu estava perdida.
Bom, aqui estávamos... Holanda! Qual é? Se antes de me mudar para o Brasil eu não tinha amigos aqui... Por que teria agora?
Minha mãe sempre tentava me acalmar quando eu cedia e chorava. Mas nunca adiantava nada. Eu ainda estava sob um choque. Ela pode ter pensado que porque nossa casa na Holanda era maior ainda que a do Brasil e tinha uma floresta ao redor, eu poderia ter mais paz, porém mal sabia ela que aquilo me lembrava ainda mais Nana e sempre que eu descia para a floresta, chorava abandonada, pensando em como minha vida era boa com Nana e eu ainda conseguia reclamar.
Estamos nas férias de verão, ou seja, vou ficar dois meses sem ver gente. Apenas vou ver meus irmãos babacas e meus pais que... Coitados! Tentam me reanimar, mas os médicos já disseram que tentar não vai adiantar porcaria nenhuma...
... Quando se perde alguém muito importante é normal ficar depressivo, mas que eles têm que me dar forças para continuar e que também não podem se deixar desanimar... Eu escutei tudo isso atrás da porta do consultório. Não que estivesse bisbilhotando, mas eu quero ajuda-los a sentirem-se bem. Eles também gostavam muito de Nana e sabiam como nós ficávamos felizes quando estávamos juntas. Foi difícil para eles aceitarem a morte dela também, mas não ficaram chorando dias inteiros sem saber o que fazer, afinal, eles têm uma vida um pouco mais ocupada que a minha.
Mas a vida não estava sendo nem um pouco justa comigo. Será que nem minha melhor amiga viva eu mereço?
Porém até meus irmãos estavam tentando me ajudar. Um dos dias da minha segunda semana de volta à Holanda, os três vieram falar comigo. Eles bateram à porta do meu quarto e eu deixei-os entrar.
“Misty” Luck disse “Nós viemos aqui só para te dizer uma coisa, tudo bem? Você pode nos escutar no momento?”.
“Claro” respondi.
“Bom” começou Drake, meu irmão mais velho “Nós queremos deixar claro para você que estamos bem aqui para tudo e quando você precisar!”.
“O que você está passando é horrível. Sabemos disso e vamos te ajudar!” quem disse isso foi meu irmão mais novo, o Martin.
“Obrigada.” Falei e sorri. Queria fazê-los sentirem-se confortáveis. “É bom saber que minha família me ama e está disposta a me ajudar”.
“Sempre!” enfatizou Martin.
De certa forma, eu sentia-me culpada por tê-los tirado do Brasil. Eles tinham ótimas vidas lá e eu não sabia como seria aqui na Holanda.
Eles não tinham namoradas, certo. Mas já haviam tido e eles jogavam nos times da escola e eram famosos por suas ótimas performances. Luck havia ganhado três medalhas como melhor arremessador do time de basquete. Drake era o melhor atacante do time de futebol. E Martin era o Presidente da turma, atuava no clube de teatro como o protagonista, sempre. Além disso, jogava futebol como uma fera, também. Ele era muito cobiçado entre as garotas, afinal, ele é lindo! Uma fofura, na verdade. Apesar disso, eu ficava sabendo de várias coisas, como, para começar, que ele não namorava, mas ficava com as meninas. Ele era “o pegador” da sétima série. Sério. Já tinha sido pedido por mais garotas do que meu irmão mais velho. Isso me dá até vontade de rir. Era mais ou menos isso: As garotas eram loucas por Martin por ele ser um gato e por ser muito intelectual. Tem bom papo e corre um boato de que ele tem o melhor beijo da sétima série inteira (o que não é, exatamente, uma coisa difícil. Qual é? Alguns ainda nem beijaram na vida!). Mas eu havia tirado toda a popularidade dos três. E nós nem sabíamos como seria na nova escola para os quatro... Eu já estava acostumada com a solidão e ser excluída, mas eles não! Portanto, eu havia brigado muito com mamãe para que não nos mudássemos, mas ela não mudara de ideia sobre voltarmos para a Holanda, de forma alguma!
“Miss” Drake começou e era a primeira vez que ele me chamava por apelido “mamãe nos falou que você estava se sentindo um pouco culpada por nos tirar do Brasil. Mas, olha, não se preocupa... Estamos bem. Eu acabei de terminar o colegial e posso muito bem me formar por aqui. Existem ótimas faculdades.” Ele sorriu.
“Drake” falei “obrigada por tentar me fazer sentir melhor, mas eu sei que tirei muita coisa de vocês... A popularidade e tudo mais...”.
“Não se preocupa, tá legal?” Luck disse. Ele estava sendo bem legal para um irmão do meio. Estava no primeiro colegial e eu era a segunda mais velha de nós quatro. “Nós nos daremos bem da mesma forma aqui.” Ele sorriu. Ele nunca sorrira antes para mim.
“Bom, acho que eu vou sentir falta de lá... Todos nós sentiremos.” Agora foi Martin “Mas se você não estava feliz por lá. Tudo bem, Miss! Acho que se nos demos bem por lá, também seremos bem aceitos por aqui... Eu espero!” Suas últimas palavras ficaram no ar.
“Obrigada” eu disse, realmente surpresa com a atitude deles. Eles nunca foram um exemplo de irmãos... Mas estavam se superando desta vez. Abraçaram-me ao mesmo tempo. “Muito obrigada, meninos. Ainda bem que vocês são mais compreensivos do que eu pensei que fossem.” Brinquei. Nós quatro rimos como felizes irmãos que éramos... Ou gostaríamos de ser.
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