Notas iniciais
Epero que gostem da leitura e não deixem de comentar, fic na reta final. Adoraria que vocês visitassem minha nova fic, ela se chama save me, é sobre percy jackson.

Pude sentir meu coração palpitar, batendo, inquieto e sufocante, praticamente gritando em meu peito, meus cabelos pendiam soltos pelas minhas costas, suados, devido a todo o esforço, minhas mãos estavam tremulas, quase como se desacreditassem no que havia acontecido a pouco, meus ouvidos zumbiam, latejavam e para mim, respirar havia se tornado uma tarefa difícil com toda angustia e preocupação. Levei minhas mãos ao peito e tentei em vão controlar-me, evitando que mais lágrimas brotassem de meus olhos, eu sabia, sabia que Adam fora buscar nosso bebê, que prudentemente eu deveria esperá-lo regressar, mas eu não conseguia, não conseguiria esperar enquanto tantas coisas aconteciam a meu redor, e eu inutilmente não conseguia impedi-las, olhei para o lado, onde o corpo de Gastón jazia morto e as lembranças atingiram-me imediatamente, fora meu pai, meu pai o matara, ele entregou meu filho nas mãos daquela mulher, como ele pode entregar seu próprio neto à morte?

A voz dela ainda ecoava em minha mente, quase como se comemorasse o assassinato de meu filho, isso com certeza a agradava. Cerrei meus olhos inquieta, evitando que as lágrimas quentes caíssem, eu precisava ser forte, eu precisava ajudá-los, não abandonaria minha família assim. Com certa dificuldade tentei levantar-me, todo meu corpo protestou, a dor era intensa, cortante, gritei enquanto colocava-me de pé, mas eu não desistiria, continuei caminhando com dificuldade, tropeçando em meus próprios pés, meu corpo protestava quase como se quisesse garantir o quão estúpida era essa minha ideia, mas eu ignorava, ignorava tudo, eu precisava seguir em frente, peguei a espada no canto do quarto. Sabia que Adam possuía algo bem mais amedrontador do que uma espada apenas por ser um lobo, mas eu precisaria protegê-lo e com toda certeza não faria isso com minhas próprias mãos.

Segui pelos corredores, apoiando-me nas paredes, buscando alguma forca, podia sentir os olhares das pinturas, seguindo-me, desaprovando cada passo, minha respiração era desregulada, meus olhos permaneciam cerrados, a fim de conter o choro, a espada de Adam seguia a meu lado, eu a segurava próximo a meu peito, quase como se aquilo me desse alguma segurança, meus pés seguiam descalços, doloridos, tropeçando. Assim que Madame Marta me viu no topo da escada correu para meu lado, sustentando meu corpo.

–Aonde pensas que vais? – ela me perguntou.

–Salvar a minha família. – eu contive as lágrimas e os gemidos de dor, que brotavam silenciosamente por entre meus lábios.

–sabes que suas atitudes são...

–Inconsequentes? – eu completei. – sim eu sei, mas tento não pensar em minhas chances, preciso de um cavalo.

Ela me fitou por alguns segundos curiosa, e demorou um pouco para atender meu pedido, mas em poucos minutos um enorme corcel branco aguardava-me na porta, ela me auxiliou a subir no cavalo e entregou-me uma capa, para que eu escondesse meu corpo, coberto apenas pela camisola. Assim que a passei pelos meus ombros pude sentir o cheiro de Adam, doce, reconfortante e isso pareceu proporcionar-me mais energia. Puxei as rédeas e indiquei para o cavalo começar a andar, mesmo enquanto me afastava pude ouvir Burnier falando, com sua voz rigorosa e desaprovadora de sempre “Se o amo descobrir... Ele irá nos matar, será o nosso fim”.

Continuei cavalgando, enquanto passava pelas proximidades do castelo pude ver todos os desastres que aquela batalha propiciara, podia ver corpos espalhados por todos os lugares, corpos mutilados, corpos de pessoas que eu conhecia pessoas que eu costumava cumprimentar todos os dias em minhas caminhadas diárias pela vila. O cheiro de sangue e carne era simplesmente insuportável, fazendo com que meu estomago praticamente pulasse. Fechei meus olhos tentando em vão impedir que aquelas imagens permanecessem gravadas em minha mente, tentando evitar guardar aquele cheiro de morte em minhas memórias, aspirando o doce perfume de Adam. Apressei ainda mais o passo e logo percebi que corria por entre as árvores que passavam por mim como meros borrões, a chuva caia fina, molhando minhas roupas, umedecendo meus cabelos, alguns galhos secos propiciavam pequenos cortes em minhas roupas, mas isso não impediria meu ritmo, o corcel continuava caminhando pela floresta, enquanto em vão eu procurava por minha família.

Meu coração batia cada vez mais rápido, agoniado, sabia que o tempo estava passando e logo eu não o teria mais, precisava me apressar, precisava buscar por eles, meus olhos buscavam por tudo, corria por entre as árvores, eu chamava o nome de Adam, mas não obtinha resposta alguma. O cavalo continuava correndo, sem rumo, apenas vasculhando a floresta, até que pude ouvir ao longe alguns ruídos, segui as pressas naquela direção e os encontrei. Estávamos em minha campina, pude reconhecer as rosas que eu costumava plantar, mesmo que muito mal tratadas devido a minha ausência nos últimos anos, as árvores ainda a rodeavam da mesma maneira e por um estante pude me observar, enquanto criança, correndo na relva, com os cabelos ao vento e manchas de terra por todo o lugar.

Desci com dificuldade do cavalo e me postei ao lado de Adam, que ainda permanecia como um amedrontador lobo cinzento, peguei minha espada e a segurei, assim como já vira Adam fazer várias e várias vezes. Minhas mãos tremiam no cabo da mesma, meus ouvidos zumbiam e minha respiração era desregulada, mas eu não poderia deixá-la notar meu aparente nervosismo. Adam arreganhou seus enormes dentes, seus olhos tinham algo diferente, ele de fato era uma fera, mas eu sabia que ele não iria me machucar. A mãe de Gastón, com seu habitual vestido azul e seus cabelos brancos presos em um coque bastante apertado, segurava em suas mãos meu filho, ele se remexia em sua manta inquieto, chorando, isso apenas fazia minha agonia aumentar a tal ponto que se tornara insuportável. Meu pai estava a seu lado, apontando a arma em nossa direção, isso me causou nojo, como ele podia fazer isso, eu era sua filha, eu era tudo para ele há algum tempo, então por que ele preferia seguir aquela mulher.

Eu não sabia o que fazer, as ideias brigavam em minha mente, nenhuma com que eu obteria sucesso, em um ato talvez inconsequente pus cuidadosamente a arma no chão, para que ele não interpretasse minhas atitudes de maneira errada e voltei minhas mãos ao ato.

–Pai... Por favor... – eu falei tentando controlar o choro. – eu imploro, eu não entendo por que a ajuda, afinal eu sou sua filha... Ele é seu neto... Por favor, não o machuque.

–Não diga isso. – ele falou com nojo em sua voz, algo que me surpreendeu. – ele não é meu neto, e nem você minha filha.

–O que? – eu perguntei perplexa enquanto colocava uma de minhas mãos sob o dorso de Adam, a fim de evitar que eles o atacassem de uma só vez.

–Não se faca de desentendida Bela sabe que isso sempre me irritou. – ele falou debochando com a arma em mãos.

–eu não entendo...

–isso mesmo que você ouviu Bela, descobri há alguns anos. – Adam rosnou baixo. – enquanto vasculhava alguns livros em nossa casa... Encontrei um diário, pertencia a sua mãe, ela contou que era apaixonada... Por outro homem, mas a frase que grita em minha mente até hoje bela... ”Como explicar a ele que ela não é sua filha, que ele ama o fruto de uma traição”... Você é o fruto de uma traição. – ele gritou, fazendo meu bebê chorar ainda mais. – Eu fui atrás dela, não conseguia acreditar, estava tão tomado pelo ódio, pela raiva... Que a matei... – ele falou. – Com esta arma na verdade... Mas como explicar isso a todos... Como? – ele perguntou completamente tomado pela loucura. – Eu precisava mentir... Disse que ela havia fugido e criei você... Criei como uma filha cuidei de você, a eduquei, só para que um dia você pudesse sofrer, assim como eu sofri.

As lágrimas caiam descontroladamente pelo meu rosto, rolando por minha bochecha, eu não conseguia me controlar, sentia tanta raiva, tanto ódio, eu não me reconhecia.

–Você é louco. – eu gritei despejando todo aquele conflito que eu sentia.

Adam me amparou assim que caí ao chão, completamente descontrolada, me abraçando a ele, agora, meu filho e meu marido eram tudo que eu tinha.

–Louco Bela... Eu não fui um bom papai? – ele perguntou irônico.

–Você é um monstro, e você? – perguntei para mãe de Gastón. – por que o ajuda, ele matou o seu filho.

–Ele matou nosso filho... Um rapaz fraco, incapaz de tirar você daquela cabeça abobalhada.

–O que? – eu não conseguia me focar em nada.

–Há muito tempo, eu e Maurice éramos namorados, apaixonados, jovens, mas o pai dele o obrigou a se casar, com sua mãe, que na época era namorada de meu falecido marido, ela casou grávida, assim como eu... Você é filha de uma traição, assim como Gastón... Quando seu pai descobriu e assassinou sua mãe, ele pediu minha ajuda, sabia que Gastón era seu filho, para mim não fora tão difícil me livrar de meu marido, mas ele nunca descobriu que teve uma filha.

Todas aquelas informações brigavam em minha mente, eu não conseguia me conter, precisava fazer algo.

–Então preparamos nossa vingança, e que jeito melhor de acabar com ela do que matando seu filho, que modo melhor de acabar com seu coração.

Adam não pode mais se conter, ele partiu em direção a Maurice, o atacando, eu corri em direção à mãe de Gastón, com minha espada em mãos, assim que pude finalmente atingi-la, sem causar nenhum mal a meu filho, pude ouvir o disparo. Olhei aflita para o lado, agora com meu filho em mãos, e aquela cena perturbou minha mente.

Adam estava deitado, no chão, com uma bala em seu peito, ele não era mais um lobo, mas o belo rapaz com quem me casei, Maurice estava morto, completamente dilacerado. Corri em direção a Adam e afaguei seu rosto. Ao longe Madame Marta e os demais vieram em nossa direção, ela pegou meu bebê, evitando que ele se machucasse ainda mais.

–Adam? – eu falei completamente tomada pelo choro. – Por favor, não me deixe.

–Você vai ficar bem... – ele falou com a voz fraca afagando levemente meu rosto.

–Não sem você... – eu disse chorosa.

–tem nosso filho...

–Eu não quero ficar sozinha...

–Não vai...

–eu te amo... – falei me debruçando sobre seu corpo assim que senti sua respiração parar.

As lágrimas corriam pelo meu rosto. Eu não conseguia respirar, me sentia sufocando aos poucos, meu coração se apertava e minha garganta parecia estar fechada, minhas mãos estavam tremulas, meu peito subia descia. Eu o abracei com forca, repousando sua cabeça em meu colo, implorando, rezando para que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo.

–Eu te amo Adam... – eu falei com a voz embargada, quase que em um sussurro.

–e eu fico muito feliz por ouvir isso. – ele falou baixinho, sua voz era quase que um sussurro, mas apenas por ouvi-lo meu coração pareceu se iluminar.

Eu o abracei com forca, me entregando completamente aquele nosso momento, mas no momento em que ele levantou sua cabeça, em que eu finalmente pude contemplar seu rosto, meu coração praticamente falhou uma batida.

–Adam... E suas cicatrizes...

Ele imediatamente tocou seu rosto, enquanto não as sentiu ele sorriu para mim completamente extasiado.

–Você quebrou minha maldição...

–não fui eu Adam... – eu o cortei. – Foi você, você se sacrificou por mim, pelo nosso filho, você pensou em outra pessoa além de você. Você se mostrou humano, você está livre, nós estamos livres.

Ele me girou no ar, em seguida selando nossos lábios, seu beijo era doce, carinhoso, só existia nós dois naquele momento e nada poderia nos atrapalhar agora, nada.

Notas finais
Então??