Minha doce fera
22 Capítulo 22.
Notas iniciais
O dia estava calmo, tranquilo, o céu tingido por um azul anil perfeito, com algumas poucas nuvens, que pareciam se desenhar aos poucos, tentando em vão estragar um dia como aquele, o clima era agradável, quente, dispensando os grossos casacos de pele, o vento corria quase imperceptível, mas fazia algumas folhas chacoalharem, produzindo um ruído bastante agradável, o cheiro das flores chegava até mesmo a ser alucinante, o rio corria os animais não emitiam sons, tudo aquilo bastante comum durante a primavera francesa. Eu caminhava por entre a relva de minha antiga campina, meu pequeno refúgio, alguns galhos enroscavam-se teimosos na barra de meu vestido, algo que não capturava minha atenção, a meu lado, Adam conservava um dos braços em minha cintura, o outro carregava cuidadosamente nosso pequeno tesouro, nosso bebê.
Sentamos-nos sob a copa de uma enorme árvore, Adam reencostou seu corpo musculoso sob o tronco da árvore, eu deitei minha cabeça em seu peitoral e ambos ficamos analisando nosso herdeiro, ele ressonava tranquilo, agora em meus braços, sua pele assim como a minha era bastante clara, como um dia nevado, seus cabelos eram levemente castanhos, como os do pai, ele conservava uma de suas pequenas mãozinhas próximo ao rosto e algumas vezes a passava sob seu pequeno nariz, o que nos fazia rir. Já haviam se passado alguns dias desde o terrível acontecido, eu tentava em vão esquecer aquela terrível noite, embora não fosse capaz de ignorar os terríveis pesadelos que me acometiam durante a noite.
–Ele tinha razão. – falei fitando o local onde outrora meu suposto pai dera seus últimos suspiros, Adam me abraçou ainda mais forte, encostando sua boca sob meus cabelos. – Eu não era mesmo sua filha.
–Bels... – ele falou, mas eu o interrompi.
–Eu encontrei Adam, achei o diário do qual ele falou, ele tinha razão. – falei baixinho, tentando ocultar as lágrimas, que podiam ser notadas através de meu tom de voz tristonho. – Minha mãe estava noiva, do pai de Gastón, seu nome era Nicolas, um general do exercito francês, ele fora enviado para a guerra e dado como morto, então meu avô, temendo pelo futuro da filha que já apresentava os sintomas da gravidez, a prometeu a Maurice, juntamente com um grande dote, algo além até mesmo de suas posses. – eu deixei uma lágrima cair. – Maurice na época era noivo de Claire, a mãe de Gastón, ela também estava grávida, mas seu casamento fora impedido por ordem de meu avô, meus pais viveram infelizes, até mesmo após meu nascimento, então Nicolas retornou e casou-se que Claire, e acreditou durante todo esse tempo que tinha um filho, mas meu pai descobriu, assim como a traição de minha mãe, ele a matou, ele a decapitou, conta que fora um castigo justo para uma mulher como ela, Nicolas morreu em batalha, e então os dois planejaram sua vingança, ela matou o próprio filho. – falei agora chorando, encostando minha cabeça no peito de Adam, sentindo meu corpo se apertado com carinho.
–Ei Bels... Acabou tudo acabou, estamos livres, todos nós. – ele falou afagando a cabeça de nosso filho. – Não vou deixar que nenhum mal lhe acometa, nem a você nem a ele...
–Eu sei que deveríamos escolher um nome, mas... Com tudo que ocorreu...
–E que tal... Nicolas? – ele perguntou, eu levantei meu olhar. – Eu também fiz meus estudos Bels, ele fora um grande soldado, e tenho absoluta certeza de que seu neto será um grande rei. – eu sorri quase que imediatamente, tudo estava perfeito, eu e Adam governávamos nosso reino, ele estava livre de sua maldição, acompanhávamos os passos de nossos filhos, cercados por todos os entes queridos, tudo estava perfeito.
–Então... – falei contendo o choro, beijando Adam em seguida, sentindo o gosto terno de seus lábios, o fazendo sorrir, levantei meu filho, o apoiando sob minhas pernas. – seja bem vindo Nicolas.
Fale com o autor