Minha Nada Mole Vida
26 Capítulo 23
Notas iniciais
Bella POV
Depois de muito pensar resolvi que deveria resolver de vez a minha situação, colocar as cartas na mesa e arriscar, chega de blefar, mentir, omitir e enganar. Não estou errada, não posso ser julgada como a vilã ou como a mocinha, tudo na vida tem um “porém”, nada acontece por acaso e todos sabem disso e ao refletir sobre tudo o que vinha me acontecendo ultimamente, eu percebi que minhas intenções como deixar o Edward, assumir o bebê, sair da minha casa, sempre foram boas, as melhores na realidade, mas como dizia minha vó Sophia, um dia... o destino sempre termina vencendo...
... E a prova disso é que agora estou aqui, parada enfrente a esse grande e intimidador edifício pronta para tomar a atitude que eu sei que vai mudar a minha vida para sempre, para melhor ou pior...
Da portaria o segurança me encarava achando estranha a minha atitude, afinal quem é a louca, vestida de calça jeans e sandália que estava parada ao prédio sede de uma empresa de acessória às sete horas da noite?
— Eu posso lhe ajudar senhorita? – fui abordada por um outro segurança.
— Na realidade, eu gostaria de saber se o Senhor Cullen se encontra. – falei apontando para o edifício.
— Pode seguir reto que em frente às catracas uma moça irá fazer sua identificação e a senhora poderá subir. – falou ele em tom profissional, mas quase olhei pra ele e disse:
“E a coragem meu filho?”
Eu sei que essa é a coisa certa a ser feita, mas e o medo? Não sei como reagir, como me explicar e se Edward me odiar por isso?
São tantas dúvidas...
Mas eu já estava aqui, então teria que enfrentar isso, afinal, sou uma mulher e não um rato, fora que já passou da hora de Edward saber o que está acontecendo. Por isso, sem pensar muito, para não desistir entrei no prédio, fiz meu cadastrado e fui encaminhada para o elevador.
Confesso que a minha esperança é que ele não esteja aqui, devido o avanço da hora, mas se ele não estivesse, não me deixariam entrar, certo?
O percurso do elevador parecia interminável, ok eu confesso que tenho medo dessa caixa dos infernos, ainda mais estando sozinha e com ele subindo como se fosse me levar para o céu... tá eu sei que fui drástica, mas essa é a verdade...
EU TENHO MEDO DE ELEVADOR!!!!
Quando chegou ao 22° andar o monstro parou dando uma ligeira balançadinha que quase me faz gritar, depois apitou e finalmente abriu as portas.
Praticamente corri rumo à recepção que estava na frente do mesmo, assustando a mulher que estava se arrumando para sair. Na realidade, não sei se ela se assustou pela minha atitude, pela minha cara, pela minha presença ou pela soma de tudo.
Depois de me sentar sem ser convidada e respirar um pouco, ainda sob o olhar atento da secretária finalmente falei:
— Boa noite – sorri tentando ser simpática apesar do meu nervosismo – eu... eu gostaria de saber de quem é essa sala! – falei apontando pra sala que estava do outro lado da recepção e ainda tinha a luz acessa.
— É do Senhor Cullen – falou ela ainda com receio.
— Sério? – falei sarcástica disfarçando meu temor – Mas é de qual dos senhores Cullen? Senão me engano são três, né?
— Sim, é do Senhor Edward... – afirmou ela vaga e com raiva pela minha presença, já não gostei dela.
— Ele está ai? – perguntei com medo.
— A luz não está acessa? – perguntou ela ironicamente, ok... odiei ela ainda mais.
— Não poderia ser a arrumadeira? – contra-ataquei morrendo de vontade de rir dessa situação ridícula.
— Ele está na sala dele. – afirmou ela como se estivesse usando toda a sua paciência.
— Será que eu poderia falar com ele? – perguntei temerosa agora.
— Agora?
— Não, não, amanhã querida, só vim mesmo pra saber se ele tava aqui! – ela me encarou como se não tivesse entendido – é lógico que é agora minha filha! – falei me levantando.
— A senhora tem hora marcada?
— Não.
— Então não, ele não pode falar com você.
— Faz assim querida – falei chegando perto dela, quando dizem: não irrite uma mulher grávida, realmente não irritem – pega essa droga de telefone, interfona pra ele e fala que Isabella Swan está aqui, aí eu quero ver se ele não vai me atender – quando eu disse meu nome a mulher ficou paralisada – nossa, acho que você me conhece né? – perguntei irônica.
— Desculpa Senhorita Swan, eu não sabia, eu...
— Ligue para o Edward, A-G-O-R-A, por favor? – falei reunindo todas as minhas forças para me manter calma.
Em questão de minutos ela desligou o telefone e se levantou caminhando em direção a porta da sala que parecia ser de Edward e a abriu. De longe pude vê-lo encostado em sua escrivaninha, vestindo terno e camisa preta, com os braços cruzados me encarando, tentando controlar as suas emoções, mas falhando descaradamente como eu.
Ficamos um bom tempo assim, um olhando para o outro sem se mover nem falar nada, com medo de quebrar essa bolha que se formou sobre nós que servia antigamente para nos isolar do mundo. Eu estava tão perdida nele que nem reparei quando a secretina dele foi embora e me assustei com o toque alto do meu celular:
— Oi? – atendi sem ver que era.
— Onde você tá filha?
— To ocupada agora mãe, depois agente se fala tá?
— Não! Isabella você está grávida, não pode ficar na rua até uma hora dessas e...
— Beijo mãe. – sem paciência desliguei a chamada e reuni todas as minhas forças para ir até Ele. – Oi! – falei tímida, mas ele não me respondeu, ficou apenas me olhando e isso aumentou meu nervosismo, tanto que comecei a tagarelar – Eu não queria te atrapalhar e eu não sei se eu sou bem-vinda aqui depois de tudo, não sei como tá sua vida, não sei de nada, mas é que eu precisava falar com você, na realidade eu acho que já passou da hora de eu fazer isso – disparei em falar e meus olhos começaram a lagrimejar – mas eu não tinha coragem, na verdade ainda não tenho, mas do jeito que as coisas estão não dá pra ficar, está tudo insuportável, tá... –não pude terminar de falar, pois Edward me interrompeu com seus lábios.
Céus que saudade!
Sem dar vazão aos meus pensamentos me entreguei aquele beijo como meu coração desejava, agarrei seus cabelos prendendo seu rosto ao meu e entreabri meus lábios num convite mudo para ele aprofundar ainda mais o nosso beijo, coisa que ele fez sem o mínimo receio.
Suas mãos começaram a passear pelo meu corpo e sem me conter soltei um gemido fraco que serviu como combustível para ele, que começou a me empurrar em direção a parede mais próxima e me prensou nela, me fazendo novamente gemer ao sentir sua ereção.
Quando o ar se fez necessário ele largou a minha boca e seguiu em direção ao meu pescoço, céus como eu estava molhada, a minha excitação era tanta que parecia que havia uma cachoeira em meu corpo. Não pude acreditar que consegui viver tanto tempo sem isso, sem ele... calma, isso me lembrou o motivo de estarmos aqui.
Com receio e cuidado tentei afastá-lo de mim, mas percebendo minha reação Edward tentou voltar a beijar a minha boca, porém desviei meu rosto e ele alcançou minha bochecha. Parece que isso o fez mal, pois ele encostou sua testa na minha com um ar derrotado e essa atitude dele me deu a chance de começar a falar:
— Precisamos conversar – disse ainda sem fôlego.
— Eu sei – murmurou ele.
— Edward... – falei tentando fazer com que ele se afastasse de mim, coisa que ele fez lentamente.
— Vem, senta aqui – me oferecendo um lugar a frente de sua mesa – quer uma água, suco, café, refrigerante talvez?
— Não Edward, obrigada – pois eu precisava guardar lugar no meu estômago para os meus planos dessa noite – saindo daqui pretendo me afogar num hambúrguer gigante, com muita batata frita, ketchup, Milk shake de chocolate e depois um Sunday tamanho família para finalizar. – relatei sem me controlar.
— Bem que eu reparei que você tinha engordado – sussurrou ele para que eu não ouvisse, acho.
Mas eu ouvi e não estava acreditando que ele disse isso!!
— O que você disse? – falei me fazendo de besta.
— Nada...- respondeu ele rápido demais – só estava me perguntando se isso era um convite. – disse ele sorrindo.
— Quem sabe! – fiz charme – Você estaria disposto a arcar com todas as despesas? – perguntei como se tivesse negociando.
— Mas não é você quem me convidou? – perguntou se fazendo de confuso.
— Não! Quem se convidou foi você! Eu só falei meus planos... – respondi séria, mas não aguentei e comecei a rir acompanhada por ele.
Céus que saudade que eu estava disso.
Aos poucos nosso riso se desfez e nos encaramos sérios, eu não sabia como tocar nesse assunto com ele e parecia que isso era recíproco, mas mesmo assim ele tomou a iniciativa:
— Bells, eu... eu sinto sua falta – disse ele com uma voz sofrida que cortou meu coração.
— Porque Edward? – sussurrei sentindo meus olhos lagrimejar.
— Porque eu te amo! – falou ele sem entender o que eu quis dizer.
— Não, eu quero saber o porquê disso, o que aconteceu aquele dia?
— Bella, eu... eu me deixei levar – falou ele chegando mais perto e se sentando próximo ao meu pé – nosso namoro não tava legal nos últimos meses porque... – não aguentei e o interrompi.
— Mas não foi culpa minha, eu... – ele me interrompeu acariciando meus cabelos.
— Shiii... eu sei, eu sei... O problema foi única e exclusivamente eu! – falou ele com os olhos marejados – Se você soubesse o quão arrependido eu estou de tudo Bella, se você... – ele se interrompeu – esquece, olha nós ainda somos muito jovens, eu não sei tudo sobre a vida, você também não, cometer erros é inevitável, mas eu busco aprender com cada um deles, por isso eu te garanto que no futuro, eu nunca mais farei isso novamente.
— Mas a questão é, por que você fez? – perguntei confusa – Não entendo Edward, você mudou da noite para o dia, você...
— Calma, eu vou te falar – depois de respirar ele voltou a falar – Quando Joseph descobriu que você era a minha namorada a minha vida virou um inferno...
— O que??? – murmurei horrorizada.
— Quando estávamos juntos ele não fazia questão de disfarçar os olhares que lançava sobre você e quando eu saia só com os meninos, ele fazia questão de resaltar todas as suas qualidades, quando eu não estava por perto. Eu fiquei com isso na cabeça, não que eu pensasse que você me traia, nem nada disso, mas você sabe eu sou ciumento por natureza e naquele dia, eu não estava me sentindo bem em relação àquela festa, fomos porque era do Jasper lembra? – assenti – quando te vi conversando com ele eu já estava meio alto por causa da bebida e ver o que ele tava fazendo me deixou puto da vida, mas não com você, nunca com você... – ele abaixou a cabeça para tentar disfarçar as lagrimas que escorriam de seus olhos. Eu me lembrava desse dia, eu sabia que Joseph estava fazendo aquilo de propósito e mesmo assim não o reprimi como deveria.
— Mas... – o incentivei levantando a sua cabeça com o coração na mão para que ele visse que eu também chorava.
— Mas, ele levou a minha cabeça de bêbado ignorante a acreditar que vocês vinham se encontrando.
— O QUE? – não aguentei e gritei me levantando – EDWARD EU NÃO POSSO ACREDITAR QUE...
—HEY!!! – gritou ele mais alto me fazendo calar e me abraçando agora de pé também – Calma, eu disse que é a minha mente bêbada dos infernos...
— Eu quero água! – pedi o interrompendo, afinal não podia me estressar muito por causa do meu bebê.
— Tome – voltou ele com um copo de água, me obrigou a sentar novamente e recomeçou a falar – Eu fui procurar ajuda, eu precisava entender o que aconteceu, porque eu pensava que assim eu poderia te ter de volta – depois de uma pausa ele voltou a falar – eu fiz vários exames e foi constado que era mesmo embriaguez, como se eu já não soubesse – divagou ele – mas a doutora disse que isso justifica o comportamento agressivo e o blackout que eu tive, porque até hoje eu não me lembro de nada. – ele ficou um tempo sem falar nada apenas olhando em meus olhos para tentar mostrar o quão sincero ele estava sendo – Olha, eu descobri da pior maneira possível que quando fazemos uma coisa que trai quem nós somos, é difícil para nós nos reencontrarmos e para eu me reencontrar eu preciso de você comigo. Por favor, Bella acredita em mim? Tente pelo menos? Você sabe que eu te amo, você sabe, porque se não soubesse, não estaria aqui agora...
O silêncio que tomou conta do ambiente estava constrangedor, pois ele estava esperando uma resposta minha, mas eu não sabia o que dizer, porque era nítido o sofrimento dele, assim como era nítido o amor que ele sentia por mim, mas eu ainda estava com medo, não sabia se existia a possibilidade de acontecer isso novamente, não sabia se iria ser seguro pro meu filho, assim como eu também não sabia se estava preparada para voltar pra ele... Porque querendo ou não ele me machucou demais.
— EU TO GRÁVIDA! — falei alto demais e sem pensar.
— O QUE? – gritou ele se levantando em um salto.
— Eu... eu to grávida Edward! – falei começando a chorar – Grávida e sozinha – quando eu falei isso meu choro se intensificou.
— Hey! – Exclamou ele se ajoelhando na minha frente chorando também – Não Bells, não chora – falou ele me abraçando, essa atitude dele fez com que eu chorasse ainda mais.
— Eu to com medo Edward, eu to apavorada, eu não tenho ninguém – parei de falar para tentar controlar meu soluço – minha família quando descobriu me humilhou e me botou pra fora de casa – parei de falar novamente por causa dos soluços – fui pra casa da minha vó, mas minha vida lá tá um inferno, Rosalie fica falando merda pra mim dia sim e outro também, elas estão em guerra naquela casa por minha causa, até comida está em falta lá. Eu... eu não tenho como continuar minha faculdade, eu não tenho onde morar, eu não tenho ninguém.
— Claro que você tem! Você tem a mim, uma pessoa que te ama, que te apoia e que vai estar sempre com você... – falou ele chorando também – não vai ser fácil Bella, mas nós fizemos ele... – falou colocando a mão em minha barriga e perdendo um pouco do raciocínio, mas logo recuperou – nós fizemos ele juntos e nós vamos arcar com as consequências juntos, sempre juntos.
— Edward, não existe “nós” mais...
— Bella, pra mim sempre existiu o “nós” e eu sempre lutei por ele mesmo sem saber sobre a existência desse bebê – disse ele novamente acariciando a minha barriga – agora meu amor, esse “nós” não somos apenas nós dois, esse “nós” agora somos eu, você e o bebê e devemos ficar juntos para podermos finalmente ser felizes. – as palavras dele cada vez mais me faziam feliz, pois eu confesso que tinha o receio dele rejeitar nosso filho, ou talvez, até duvidar da paternidade, mas não, esse é o meu Edward.
— Edward...
— Bella, o tempo não espera por ninguém meu amor, vamos recomeçar, vamos continuar a nossa história, vamos ser feliz – ele estava praticamente implorando e eu não sabia o que fazer.
— Edward... eu não sei... eu... – a vontade de aceitar a proposta dele era gigante, mas o receio ainda estava presente.
— Bella, se nós dois ficarmos juntos, tudo vai ficar bem. – disse ele tentando ser positivo.
— Edward, pára de falar que tudo vai ficar bem, por que você não sabe! Ninguém sabe! – falei me irritando, hormônios malditos.
— Você está certa Bella, eu não sei, mas eu sei que se duas pessoas acreditam em algo, até mesmo o impossível se torna possível – parou de falar para limpar as lagrimas que escorreram dos meus olhos – por isso que eu estou te falando, eu acredito que tudo vai ficar bem se tivermos juntos, porque é assim que tem que ser, eu e você, juntos! – e então ele me abraçou. Diante do meu silêncio ele voltou a falar – Bella, nós estamos sofrendo desse jeito porque queremos, eu sei que eu errei, que estraguei tudo, mas nós podemos seguir em frente, recomeçar, temos o poder da escolha, eu já fiz a minha e você?
É engraçado, porque agora, aqui nos braços de Edward eu finalmente, depois de meses de sofrimento, pude me sentir novamente eu mesma. A partir desse momento percebi que já tinha minha escolha também:
— Edward – falei voltando a chorar em seu peito – todos me deixaram, por favor, não me deixa também. – quando disse isso senti o seu abraço se apertar mais ao redor do meu corpo e senti uma umidade em meus cabelos, sinal claro de que ele voltou a chorar.
— Nunca meu amor, eu vou estar sempre com você, sempre! – disse ele levantando a minha cabeça para olhar em meus olhos – Eu te amo meu amor, eu te amo demais!
— Eu também – sussurrei antes de seus lábios cobrirem os meus com a doce sensação da vitória. Pois finalmente estávamos juntos de novo e dane-se o mundo, dane-se todos, somos nós, Edward e Bella, ops, Edward, Bella e o Bebê que foi lembrado ao ouvirmos o ruído embaraçoso que meu estômago fez para me lembrar que eu precisava comer.
Nos afastamos rindo e Edward olhou para minha barriga a tocando:
— O que foi isso? – perguntou ainda rindo.
— Seu filho querendo comer! – falei sorrindo também, pois eu finalmente me sentia completa.
— Meu filho! – falou ele sonhador – Cara, eu vou ser pai, Bella você tem ideia disso? Eu vou ser pai! – falou ele feliz me abraçando e me rodando pela sala.
— EDWARD! – gritei em seu ouvido e ele parou assustado – Se você não quer ver o que eu comi ao longo da tarde, não faça isso nunca mais! – disse sem fôlego.
— Ai desculpa meu amor, você tá bem? — Não tive forças para responder, apenas assenti e ataquei seus lábios novamente, mas o beijo não foi longo, pois meu estômago voltou a reclamar. – Vamos de encontro a um hambúrguer gigante, com muita batata frita, ketchup, Milk shake de chocolate e um Sunday tamanho família?
— Só se for agora! – falei sorrindo e pegando a minha bolsa.
Edward fez o mesmo que eu pegando a sua pasta e segurando a minha mão me puxou novamente em sua direção dar um selinho em minha boca e sussurrar:
— Eu te amo!
— Eu te amo! – repeti, fazendo seu sorriso se alargar.
— Bom então vamos? Meu filhote precisa comer! – falou ele colocando a mão em minha barriga novamente, acho que isso vai virar mania dele.
— Vamos de escada? – falei quando paramos em frente ao elevador.
— Porque? – perguntou ele confuso.
— Eu prefiro! – falei tentando puxá-lo para o caminho das escadas.
— Só se for para que meu filho nasça de... quantos meses você tá? – perguntou ele curioso.
— Eu... – agora ferrou – eu... eu não sei.
— Como assim você não sabe? – perguntou ele me encarando – O que o médico disse?
— Eu não fui ao médico ainda – respondi muito baixo para ele não ouvir, mas parece que não deu certo.
— Como assim você não foi ao médico Isabella? – perguntou ele sério demais.
— Edward... – nessa hora o elevador abriu as portas e eu travei. Edward pacientemente me puxou em direção ao elevador e me abraçou, pois ele sabia do meu medo. Quando chegamos ao térreo, eu voltei a falar – minha vida estava um inferno, eu não sabia o que fazer, eu sei que fui irresponsável, mas...
— Hey – falou ele me abraçando – tudo bem, nós vamos juntos pode ser? – perguntou ele sorrindo e eu assenti feliz, após mais um selinho seguimos para o estacionamento, ainda abraçados.
O curto caminho até a lanchonete foi feito em silêncio, mas esse silêncio existia porque um queria curtir o outro. Edward dirigia com uma mão em minha coxa e eu fazia a mesma coisa, tal contato me fez lembrar uma coisa:
Que saudade que eu estava do corpo do Edward!!!!!
Meus pensamentos libertinos foram interrompidos assim que avistei a lanchonete, minha boca salivou e meu estomago roncou fazendo Edward rir:
— Isso vai ser super divertido! – disse ele acariciando minha barriga.
A lanchonete estava lotada afinal, era sexta à noite. Todos olharam quando entramos, afinal tinha um Deus Grego de terno e gravata em uma lanchonete ao lado de uma favelada, como eu me parecia, mas nem liguei, o que eu queria mesmo era o meu hambúrguer. Sem muita dificuldade nos sentamos e após fazermos os pedidos voltamos a conversar:
— Bella, o que aconteceu em sua casa? – perguntou Edward sério.
— Eu não quero falar sobre isso – falei rápido demais, mas quando olhei em seu rosto percebi a magoa que ele sentiu e me redimi – Minha avó desconfiava da gravidez, mas eu nunca disse, porque eu achava justo você ser o primeiro a saber, mas um dia ela me encurralou e me mandou mostrar a barriga, depois disso, ela começou a me chamar de vagabunda, você de moleque, perguntou se você era o pai, aí eu me irritei e lhe dei um tapa, que foi devidamente revidado e ela me botou para fora de casa, mandando eu ir morar com a minha avó e com as três vagabundas que ela tinha em casa, ela disse que eu não sabia tomar conta nem de mim, quanto mais de um bebê e disse que ele nunca seria feliz. – finalizei chorando.
— Mas ela é uma velha maldita mal amada! – esbravejou Edward e se aproximou de mim com a sua cadeira. – Psiu, gatinha! – que saudade que eu tava dele me chamar assim, quando o olhei ele sorriu e concluiu – nós vamos ser feliz, nosso filho também, sabe por quê? – neguei com a cabeça – porque ao contrario da sua avó nós temos o amor! Confia em mim? – assenti com a cabeça e ele veio em minha direção para me beijar, mas nesse momento a garçonete trouxe nossa comida, finalmente.
Comemos lentamente, conversando sobre besteiras, até eu me distrair apreciando meu maravilhoso hambúrguer, um flash me cegou, quando olhei para frente Edward estava com seu celular apontado para mim tirando foto.
— Mas o que é isso Edward? – perguntei confusa.
— Ora, a primeira foto que vai pro álbum do nosso garotão! – falou ele rindo.
— Garotão?
— Lógico, é um garotão! – falou ele feliz.
— E se for menina? – perguntei de pirraça.
— Se for menina tudo bem, fazer o que né? Mas é um menino, eu que fiz, eu sei e outra eu não to preparado para passar de consumidor para fornecedor como meu irmão! — falou ele sério.
— Aiii Edward, que pensamento mais ridículo é esse? – falei séria.
— É a realidade benzinho – falou ele brincando, mas aos poucos foi ficando sério – Não quero estragar seu jantar, mas me diz o que a Rosalie te fez?
— Edward – falei limpando a boca – ela é meu inferno particular, me chamava de vadia, burra, prostituta, que eu engravidei do primeiro homem que eu dormi, que eu atrapalhava a vida de todos, essas coisas, mas esquece... — falei tentando desviar o assunto.
— Você está morando com elas? – percebi que não tive sucesso.
— Estou, mas estou procurando um lugar para mim – falei sorrindo.
— Você já encontrou! – falou ele sorrindo agora.
— Como assim?
— Vem morar comigo!
— Você enlouqueceu? – falei alto demais – Edward, sua mãe vai me matar! Nos matar, alias!
— Relaxa – falou ele tranquilo segurando minha mão – seremos só nós dois.
— Como assim?
— Saí da casa dos meus pais, estou morando naquele apartamento que seria nosso, vem morar comigo, vamos ser independentes, mandar todo mundo pra puta que o pariu e vamos viver a nossa vida. – sorri com o jeito dele falar.
— Você acha que vai dar certo? – perguntei receosa.
— Por que não daria? – rebateu ele.
Não quero pensar no que passamos, mas foi inevitável e eu acho que ele percebeu isso, pois seu rosto desmoronou um pouco do que estava.
— Bells... – o interrompi.
— Você está certo, todos nós temos erros e arrependimentos, mas eles são essenciais para nos tornarmos quem somos hoje, porém, cansei deles, quero ser feliz e eu preciso de você pra isso, nós precisamos de você – falei acariciando minha barriga.
— Como eu preciso de vocês – falou ele sorrindo e acariciando meu rosto.
O resto do nosso jantar foi tranquilo, falamos sobre nós, sobre o bebê, sobre a nossa nova casa e pensamos em como a sua mãe iria agir diante dessa gravidez, mas a calma do Edward era o que eu precisava para ficar calma também, parece que nossa antiga sintonia havia sido recuperada e agora estava mais forte do que nunca.
Durante o caminho para casa da minha mãe eu estava tensa, não sabia quais seriam as reações delas diante Edward, mesmo elas não sabendo o que houve de fato entre nós naquele dia, mas o meu medo maior era sobre o que Edward faria quando visse Rosalie.
Quando ele estacionou o carro olhei em sua direção nervosa.
— Vai dar tudo certo! – afirmou ele sorrindo, beijando minha mão e saiu do carro para abrir a porta para mim.
Ao abrir a porta, me deparei com a família inteira na sala e minha mãe me olhando de forma intimidante:
— ONZE HORAS DA NOITE ISABELLA! ISSO SÃO HORAS DE VOCÊ ESTAR NA RUA?? – gritou ela do sofá se levantando e vindo até mim, mas o que é isso? Nem quando eu era uma adolescente ela falava assim comigo.
— Não sei por que você está assim tia – desdenhou Rosalie antes que eu pudesse responder – o pior que podia acontecer já aconteceu, vai ver ela foi pra esquina em busca de dinheiro pra sustentar o bastardinho – finalizou ela rindo.
— Escuta aqui Rosalie... – comecei a falar, mas fui interrompida pela voz cortante de Edward:
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