Minha Menina - A Verdade, Ou Parte Dela.
1 Prólogo
“Minha menina. Minha, só minha.
Como eu queria que nós fossemos feitas uma para outra.
Como eu queria que você me amasse e pudesse me esperar...”
Vivo há quatro anos pensando dessa maneira.
Ainda não me conformei de que estou sozinha, completamente sozinha. Não acredito que você mentiu para mim, a pessoa que você disse amar.
Sempre me ensinaram que não devíamos mentir e principalmente para as pessoas que amamos. Será que não ensinaram assim pra você?
Foi há quatro anos que eu te conheci. Você estava tão linda. Mas sabe o que mais me encantou? Os seus olhos. Eu sentia que aquele olhar estava ora longe, ora perto. Não sabia se você estava olhando para mim ou se estava olhando apenas para a multidão, mas de uma coisa eu sabia: queria aquele olhar só para mim.
Você era a deusa da beleza para alguns e a personificação da mentira para outros. Sim, você mesma havia me dito sobre isso. Mas resolvi ignorar o que diziam e ouvi apenas as minhas ideias. Se me arrependo disso? Talvez.
Depois de dar várias voltas naquele bairro, eu cansei. Minha mente estava confusa e eu queria respostas para todas as perguntas, mas por mais que pensasse não conseguia encontrar a solução. Meus passos eram lentos, mas a minha cabeça trabalhava rapidamente e meus olhos estavam fixos olhando para o chão. Foi quando eu esbarrei em você, a menina linda.
Segundos, minutos, horas, dias se passaram desde a primeira vez que te vi. Sim, eu estava com saudades.
Naquele dia a chuva me agredia, pois eu havia esquecido o guarda-chuva. Corri até o ponto de ônibus e entrei no veiculo, afobada, e sentei no primeiro banco vago que encontrei. Geralmente eu não dou tanta atenção a pessoa que senta ao meu lado, mas estranhamente naquele dia eu olhei para o lado. Lá estava você. Gentilmente você tirou um lenço de mão da sua mochila e ofereceu.
– Seque pelo menos o seu rosto. – ela sorriu.
Apesar da vermelhidão do meu rosto denunciar a vergonha, eu passei o delicado lenço pela minha pele facial. O contato da pele com seu lenço me fez suspirar e pestanejei mentalmente por parecer uma tonta fazendo isso. Imaginava se suas mãos também eram tão macias quanto seu lenço.
Não ficamos nem dois minutos juntas e você teve que descer. Tentei devolver o lenço, mas você disse que eu poderia ficar com ele. Confesso que fiquei um pouco feliz por ter algo que pertencia a você.
Sim, eu estava me apaixonando.
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