Passaram-se alguns dias e você não saía da minha mente. Minhas noites mal dormidas resultavam em maravilhosos sonhos com você. Meus dias que passavam sem te ver se tornavam frustrantes. Todo dia, naquele mesmo horário, eu dava a volta no bairro, para quem sabe talvez encontrar você... Mas infelizmente não nos encontrávamos.


Não tão diferente dos outros dias, hoje eu acordei cansada. Cansada por ter vivido momentos tão reais e bonitos nos sonhos; reais até demais. Mas tentei não perder meu tempo pensando em besteiras, pois já estava começando a me conformar de que não iria vê-la ovamente.


Peguei o mesmo ônibus daquele dia. Não posso negar que uma pequena esperança de te ver me tomava. Mas como sempre, foram só expectativas. Suspiro pesadamente e ponho os fones de ouvido. Só com música mesmo para aguentar aquele longo percurso até o colégio.


Cheguei naquela maldita instituição e apressei os passos para chegar até a sala de aula, mas acabei tropeçando em alguém. Céus, quem é a pessoa que fica sentada no corredor das salas de aula? Já um pouco irritada, fui ver quem era a pessoa que estava sentada e para a minha alegria, era você. Mas...Você estava chorando!? Me aproximei e sentei ao seu lado, instintivamente minha mão pousou em seu ombro.



– Não chore, por favor. – minha voz saiu um pouco tremida.


– Quem é você? – perguntou ainda com o rosto apoiado nos joelhos.


– Eu... Bem, nós nos vimos uma vez no ônibus e você me emprestou seu lenço, lembra? – falei enquanto apertava seus ombros de leve.


– Ah! – pareceu se lembrar – É você... Desculpa, eu não queria ficar aqui no meio do corredor, mas é que eu não aguentei... – sua voz saiu desanimada.



Ver seu rosto tão lindo com aquelas expressões tristes estava me deixando com um peso horrível na alma. Sem pensar duas vezes, puxei seu braço e a levantei, para depois guia-la até aquele lugar.



– Pra onde você está me levando...? – perguntou com a voz baixa.


– Calma, você já vai ver.



Aquele lugar era o meu “esconderijo” no colégio há mais ou menos quatro anos. Ficava numa sala atrás da biblioteca e era lá onde guardavam os livros que ninguém usava ou que estavam inutilizáveis.



– Chegamos. Não sei se você conhece esse lugar, mas é quase um deposito da biblioteca.


– Nossa, eu não conhecia esse lugar. – você pareceu surpresa – É tão bonito, apesar de estar escuro. Adoro o cheiro dos livros. – suspirou enquanto fechava os olhos.



Eu só pude admirar aquela visão. A menina pela qual estava me apaixonando estava agora comigo e eu poderia saber seu nome. Você abriu os olhos e sorriu para mim e eu retribui o sorriso, mas apesar do sorriso, seus olhos enchiam-se de lágrimas novamente. Então peguei o seu lenço que estava no meu bolso e o passei delicadamente sobre seu rosto, limpando as lágrimas. Você apenas me olhou e tentou sorrir, apesar de não conseguir. Sem aguentar mais, te puxei para um abraço e a apertei fortemente, para que você pudesse sentir que eu queria te fazer parar. Depois de um tempo, felizmente você parou.



– Por favor, não chore. Você fica muito mais bonita quando está sorrindo. – passei a mão em seus cabelos, sentindo o seu perfume.


– Obrigada. – você olhou em meus olhos profundamente e eu senti que poderia congelar com aquele olhar.


– Não, imagina... Desculpa perguntar mas, por que estava chorando? – confesso que foi difícil fazer essa pergunta.


– Ah, meu namorado terminou comigo. Mas agora já está tudo bem, eu acho.



Não sei se ficava feliz ou triste com essa informação. Feliz por saber que você está solteira agora ou triste por saber que você fica com meninos. Tentei não pensar nisso por enquanto, pois o que importava no momento era que você se sentisse bem.



– Espero que você fique melhor, mas uma coisa eu posso garantir: você vai encontrar outra pessoa logo.



Droga, aquilo havia soado como uma indireta.



– Sim, eu espero que sim. – sorriu.