Minha Lua.
1 I Você quer saber um segredo?
Notas iniciais
– Você deve entender...
– Entender o que Rachel? Que você a cada dia se afasta mais? – ele vociferou – Disso eu já sei! E estou farto! – suas narinas inflavam e voltavam ao normal numa velocidade impressionante, demonstrando o quão irritado ele estava.
– E o que quer de mim? – disse a menina, sem alterar o seu estado calmo.
Ele apenas expulsou o ar com força de seus pulmões. Seus olhos se fecharam, enquanto ele se sentou na cama ao lado da garota.
– Você não gosta mais de mim Rachel – ele disse simplesmente. Ela o encarou.
Jesse era um garoto absolutamente especial. Seu sorriso era contagiante, seus olhos eram belos e transmitiam alegria; mas não eram os dele. Não era um sorriso que representava vida, não eram olhos que a traziam paz.
Ela se arrastou na cama até perto dele, onde lhe tocou a mão. Ele procurou os olhos pequenos e tristes da garota.
– Está tarde.
– Eu sei...
Ele depositou um beijo em sua bochecha e olhando pela ultima vez em seus olhos, partiu. Ela iria sentir saudades dele, era muito bom ter alguém com quem conversar, mas não queria mais ser egoísta. Não o faria sofrer se não sentia mais por ele o que ele sentia por ela.
Deitou-se de costas na cama e fechou os olhos, passou um tempo assim, sem se mover. Um vento frio tocou-lhe o corpo, fazendo ela se arrepiar. Não ousou abrir os olhos, sabia o que aconteceria se ela o fizesse. Esperou paciente por alguns segundos ou talvez minutos, até que ouviu:
– You'll never know how much I really Love you (Você nunca vai saber o quanto eu realmente te amo)– uma melodia suave, quase como um sussurro que flutuava até seus ouvidos – You'll never know how much I really care (Você nunca vai saber o quanto eu realmente me importo)– Não estava perto, mas era próximo o suficiente para acalmar o seu coração inquieto – Listen, do you want to know a secret? (Escute, você quer saber de um segredo?)
Ele não estava mais na janela, o seu corpo não mais tremia de frio. Ela teve medo que ele já tivesse partido, mas ele continuou a cantar:
– Do you promise not to tell, whoa oh, oh? (Você promete não contar?) – seus lábios formaram um sorriso quase inevitável – Closer, let me whisper in your ear... Say the words you long to hear (Mais perto, me deixe sussurrar em seu ouvido... Dizer as palavras que você quer ouvir)– ele parou por alguns segundos e ela quase não pôde ouvir as ultimas palavras da canção – I'm in love with you... (Eu estou apaixonado por você)
(...)
Acordou com o cobertor quente sobre o seu corpo. Olhou instintivamente para a janela, que estava fechada. Ela suspirou. Quando já estava vestida para ir para a escola, ela desceu as escadas e foi até a cozinha, onde pegou uma maçã. Não havia ninguém ali, provavelmente seus pais já haviam partido para o trabalho.
Ela arrumou a mochila nas costas e foi até a escola. Não prestou atenção em nenhuma aula direito. Não que não quisesse, mas ela simplesmente não conseguia. Rabiscou em seu caderno a música que não saía de sua cabeça.
You'll never know how much I really love you.
You'll never know how much I really care.
Listen, do you want to know a secret?
Do you promise not to tell?
Closer, let me whisper in your ear
Say the words you long to hear.
I'm in love with you.
I’ve known the secret for a week or two,
Nobody knows, just we two.
Tradução da Música:
Você nunca vai saber o quanto eu realmente te amo,
Você nunca vai saber o quanto eu realmente me importo.
Escute, você quer saber um segredo?
Você promete não contar?
Mais perto, me deixe sussurrar em seu ouvido.
Dizer as palavras que você quer ouvir.
Eu estou apaixonado por você...
Sei desse segredo há uma semana ou duas,
Ninguém sabe, só nós dois.
– O que é isso Rachel? – como um reflexo, ela fechou o caderno – Desculpa, eu…
– Não. – ela disse sem graça – Não é nada, Kurt. – o garoto achou estranho, mas forçou um sorriso.
– Ah, tudo bem. – ele disse pra logo depois se afastar.
Rachel suspirou e apoiou a cabeça nos braços cruzados sobre a mesa.
– Ela está estranha. – comentou Blaine, encarando Rachel de longe.
– Eu também acho. – falou Kurt se sentando à mesa do namorado, também encarando Rachel – Eu estou preocupado.
– Deve ser coisa passageira. – falou Tina.
– É... – os dois concordaram.
(...)
Rachel voltou pra casa e subiu direto até o seu quarto. Ela passara a manhã toda pensando em tudo, passou horas para finalmente decidir reagir àquilo. Ela pegou a folha na qual copiara a música da noite anterior e então rabiscou embaixo da mesma. Esperou o tempo passar, até que os últimos raios de sol tivessem ido embora totalmente. Então foi até a janela e como sempre a deixou entreaberta, colocando o papel dobrado sobre a mesma.
Deitou-se na cama como na noite anterior, fechando os olhos e esperou. Não se sabe por quanto tempo esperou, só sabe que acordou no outro dia confortável entre as cobertas.
– Droga! – ela se repreendeu por ter caído no sono.
Foi até a janela e ela estava fechada, olhou por todos os cantos o procurando. Lá estava ele. Dobrado cuidadosamente sobre a mesa. Ela andou devagar, receosa. O pegou entre as mãos e o abriu.
“You'll never know how much I really love you.
You'll never know how much I really care.
Listen, do you want to know a secret?
Do you promise not to tell?
Closer, let me whisper in your ear.
Say the words you long to hear.
I'm in love with you.”
Então porque foge? – R.B.
Porque é errado.
Eram poucas palavras, mas suficientes para fazerem o seu coração se apertar no peito. Ela cambaleou até a cama e se sentou, lendo e relendo aquelas três palavras.
(...)
– Kurt, o que você faria se amasse alguém impossível? – era uma pergunta estranha de ser feita, mas Rachel precisava conversar com alguém, mesmo que não pudesse ser totalmente direta.
Kurt estreitou os olhos e arqueou a sobrancelha. Ele pensou em perguntar qual o motivo da pergunta, mas decidiu que a amiga não precisava disso no momento.
– Sinceramente eu não sei. – disse Kurt – Acho que eu reveria o meu conceito de impossível. – ele disse sorrindo e piscando para Rachel, que sorriu.
(...)
E se eu dissesse que sinto o mesmo? Isso mudaria alguma coisa? – R.B
Tornaria mais difícil não voltar aqui
Ela sorriu ao ler a resposta daquela manhã. Foi ao colégio e contou os minutos para a do dia seguinte. Ela se decepcionou, já que no papel só havia a sua frase da noite anterior:
Eu sinto falta das nossas conversas... – R.B
Mais um dia sem cor se passou, até que ela se deitou na cama com o intuito de pelo menos sentir o frio que representava a sua chegada. Seu coração se acelerou quando a sua pele se arrepiou de leve pelo frio.
– Eu também. – aquela voz grave invadiu seus ouvidos a fazendo tremer.
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