Minha Lua.
2 II Promete não contar?
Notas iniciais
Ela teve medo de abrir os olhos e ele fugir como da ultima vez, então continuou de olhos fechados até senti alguém se sentando na cama.
– Abra os olhos. – ele disse e assim ela fez.
Lá estava ele. Seus cabelos castanhos e curtos, sua pele pálida, seus olhos profundos. Ela inevitavelmente sorriu, reprimindo a vontade imensa de abraçá-lo. Ele também sorriu, mas era um sorriso contido, temeroso.
– Pensei que nunca mais o veria. – ela disse triste.
– Seria melhor assim. – ele disse sério.
– Não, não seria...
– O que vê em mim? – ele soltou como se fosse algo que ele queria perguntar a muito tempo.
Rachel o encarou e voltou a sorrir, ela tinha tantas coisas a dizer.
– Muitas coisas – ela falou feliz.
Feliz pelo simples fato dele estar ali na sua frente mais uma vez. Ele negou com a cabeça.
– Eu não tenho nada a oferecê-la... – Foi a vez dela de negar com a cabeça.
Ela levantou uma mão e o encarou, perguntando se podia continuar. Ele não fez nada, então ela prosseguiu. Levou sua mão que tremia levemente até tocar-lhe a mão. Ela era fria, mas fez com que uma corrente elétrica passasse pelo corpo da garota.
– Eu senti a sua falta. – ela disse encarando as suas mãos, mas logo o olhando no rosto. Ele ainda encarava a mão dela sobre a sua.
– Pois não devia. – ele disse sério, fazendo-a tirar a mão com pressa. Ele a encarou e percebeu a sua feição triste – Me desculpe. Não queria magoá-la – ele disse rapidamente.
– Porque tenta evitar isso?
– Você sabe por quê...
– Não, não sei. – ela falou séria – Nada é impossível!
– Isso é. – ele disse triste.
– Isso é só uma forma de ver as coisas. – ela disse tentando ser otimista.
– Eu quero isso tanto quanto você Rachel, entenda!
– Eu entendo. – ela falou encarando o chão.
– A culpa foi minha por ter metido você nisso! – ele falou irritado, o que a fez encará-lo.
– Não, claro que não! – ela disse, como se aquilo fosse absurdo.
FLASHBACK
Rachel havia acabado de se mudar para aquela nova casa. Ela era maior que a sua antiga, tinha pertencido ao avô de um de seus pais, Leroy. Com a morte do avô de Leroy, ele herdara a casa e com isso a família, constituída por Rachel, Hiram (outro pai de Rachel) e Leroy, se mudara para a mesma.
Rachel ficara com o ultimo quarto do corredor, ele era bonito e dava de frente para o bosque. Rachel simplesmente adorara. Mas na primeira semana na casa, ela tropeçou em um dos ladrilhos, para assim perceber que ele estava solto. Embaixo do tal ladrilho havia uma caixinha de madeira, onde Rachel encontrou a foto de um belo garoto que a impressionara e mais um velho diário.
Esse diário pertence à Finn Hudson.
Era o que dizia na capa, ela tentara abrir, mas estava trancado. Então ela colocou tudo de volta a caixa e a recolocou embaixo do ladrilho solto.
(...)
– Pai? – Rachel chamou Leroy, enquanto a família jantava.
– Sim Rachel. – disse o homem dirigindo a atenção à garota.
– Quem é Finn? – ela perguntou.
– Finn era o irmão mais novo de meu pai – ele disse – Por quê?
– Não, por nada – disse a menina se concentrando no prato.
A menina nem se deu ao trabalho de reparar em que tempo estava o verbo usado pelo pai-padrasto. Assim que terminou o jantar, ela subiu para o seu quarto e se deitou na cama.
– Outra pessoa que não vai me ver. – alguém disse, a fazendo pular da cama assustada.
– O que? Quem está aí? – ela disse olhando para todos os lados.
– Você pode me escutar? – a voz parecia contente.
– Claro! Não sou surda – disse a menina revirando os olhos – Mas quem é você e o que está fazendo aqui? – ela disse arqueando uma das sobrancelhas.
– Sou Finn. – o garoto da foto apareceu em sua frente de repente, a fazendo andar pra trás de susto – Me desculpe. – ele falou rapidamente.
– Não, tudo bem. – disse a garota nervosa – Mas co... Como você fez isso?
– Fiz o que?
– Ah – disse Rachel assustada.
A menina balançou a cabeça pensando que deveria ter sido a sua imaginação.
– Peraí! Você se chama como mesmo?
– Finn – ele disse sorrindo.
– Então você é o tio do meu pai? – ela disse assustada.
– Tio? Eu? – ele riu – Acho que não...
– Não? Tem certeza? – a menina falou confusa – Não é você naquela foto que está em uma caixa embaixo do ladrilho?
– É – disse o garoto parecendo confuso também – Mas como você sabe?
– Eu achei. – ela disse sem graça – Como é o seu sobrenome?
– Hudson. – ele disse ainda confuso e parecendo se irritar – Mas pra que tantas perguntas?
– Você é sim o tio do meu pai!
– Claro que não, garota. Ta doida? O meu irmão tem apenas dezoito anos e que eu saiba, ele não tem filho algum, ainda mais de idade suficiente para seu pai – retrucou o garoto.
– Então como? – disse Rachel confusa – Ta. Mas se você não é tio do meu pai o que você está fazendo aqui?
– Eu que te pergunto – ele disse revirando os olhos – Esse quarto é meu!
– Hã? Está louco? Claro que não!
– Claro que sim!
– Esta casa é do meu pai, você não pode morar aqui...
– Essa casa é do meu pai – disse o garoto – Christopher Hudson.
– Christopher Hudson é o nome do avô do meu pai que morreu. – disse a garota – Peraí! Você está tentando me enganar?
– Mas é claro que não! Porque eu faria isso?
– Então venha! – ela disse pegando na mão dele, mas logo soltando.
– O que foi? – ela perguntou ao ver a reação dela ao tocá-lo.
– Você é muito... Gelado – ela disse – Mas que seja, vamos!
Ela o puxou pela mão até a parte debaixo da casa.
– Vamos perguntar ao meu pai Leroy de quem é essa casa. – disse a garota, irritada com a atitude do menino.
– Com quem está falando Rachel? – perguntou Hiram, vindo na direção dos dois.
– Com esse garoto que ta dizendo que é filho do dono da casa. – disse Rachel revirando os olhos – Diga pra ele que essa casa é nossa!
– Dizer a quem? – perguntou Hiram, fazendo cara de assustado – Que garoto?
– Esse aqui! – falou Rachel apontando para onde Finn estava.
– Não tem ninguém aí, filha. – falou Hiram – Acho melhor você parar de ver tanta televisão. – o homem falou, passando por onde Finn estava sem tocar nele.
– Oh meu Deus! – falou Rachel arregalando os olhos – Como ela fez isso?
– Eu não sei. – Finn falou com os olhos também arregalados.
(...)
– Pai? – Rachel disse batendo na porta do escritório, onde Leroy ficava quase todas as noites.
– Entre Rachel. – disse o homem que lia alguns papéis.
Rachel entrou e esperou Finn entrar também. Os dois esperaram Leroy perguntar algo sobre o que aquele menino estava fazendo ali, mas era como se ele não o percebesse.
– O que deseja?
– O senhor lembra-se do tal Finn que eu lhe perguntei antes? – falou a menina e o homem confirmou com a cabeça – Então, onde ele está?
– Ele faleceu há muitos anos atrás. – disse Leroy – Mas pra que todo esse interesse?
– Ah. Por nada – falou Rachel tentando disfarçar o choque – É porque eu achei uma foto dele, só isso – disse a menina – Agora eu já vou. Boa noite!
Ela falou, saindo do escritório quase correndo. Quando já estava na escada, foi que ela se lembrou de Finn.
“Droga. Porque você está se preocupando? Ele é um... Afinal, o que ele é?”
Ela terminou de subir as escadas e foi até o seu quarto, onde abriu a janela e deixou o vento frio da noite tocar-lhe o rosto. Assim quem sabe ela pudesse raciocinar direito e parar de fantasiar coisas, porque aquilo só poderia ser uma fantasia.
– Então quer dizer que eu estou morto? – ela escutou aquela voz atrás de si e se virou para ver Finn sentado na cama e encarando o chão.
Ela não respondeu, só coçou os olhos e os apertou com força antes de abri-los novamente.
– Oh meu Deus! – ela exclamou ao perceber que ele ainda estava ali.
– Isso me torna o que? – ele a ignorou – Um fantasma?
– Eu não posso estar vendo isso, não, não e não. É muita televisão, é isso. Muita televisão – ela falou enquanto andava pelo quarto com as mãos na cabeça – É. Vou tomar um banho gelado e isso tudo vai passar. – ela parou decidida – Vai!
Então ela entrou no banheiro e tomou um longo banho. Enrolou a toalha sobre o corpo e saiu, mas a primeira coisa que viu foi Finn, sentado na mesma posição.
– AH! – ela gritou assustada – Você ainda está aqui? – ela falou assustada.
– Pra onde mais eu poderia ir? – ele disse sarcástico.
– Não sei. Pro céu, pro inferno? – ela falou arqueando uma sobrancelha – Você não está vendo a luz?
– Que luz o que Rachel!
– Ta bom, ta bom! – disse a menina – Eu vou me vestir e a gente conversa, ta certo?
– Ta. – ele disse a encarando e percebendo que ela estava só de toalha.
– Hey, tira o olho. – ela disse irritada e ele apenas desviou o olhar.
Ela pegou o pijama e foi até o banheiro se vestir. Saiu de lá pouco tempo depois.
– Porque será que só você pode me ver? – ele perguntou assim que ela se sentou ao seu lado.
– Eu não sei. – ela disse suspirando – Isso é tão surreal!
– Demais. – ele disse.
Eles não falaram mais nada. Ficaram encarando o chão.
– Está na hora de eu ir dormir – Rachel falou de repente.
– É. – ele disse – Eu acho que vou dar uma volta – ele se levantou da cama.
– Hum. Se cuide – ela falou, mas logo percebeu que falara besteira. Ele sorriu pra ela.
– Boa noite, Rachel! – ela sorriu pra ele e antes que pudesse perceber, ele não estava mais lá.
FIM DO FLASHBACK
– No que você está pensando? – perguntou Finn na outra noite, quando Rachel estava deitada na cama, e ele sentado na beirada.
– Em como nos conhecemos... – ela falou sorrindo – Foi um dia estranho.
– Foi um dia assustador, isso sim. – ele disse sorrindo também.
– Daí pra frente os meus dias foram melhores. – ela disse encarando o teto. Ele olhou pra ela.
– Os meus também...
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