— Estou te oferecendo um trabalho se quiser. Pode estudar na faculdade e fazer estagio na empresa com Lie, ela vai começar por um patamar mais a baixo. Será bom ter vocês dois trabalhando juntos.

— Esta me oferecendo emprego por que sou pobre? — Isaac resmungou e papai riu.

— Não. Estou te dando uma oferta, pode recusar se quiser.

— Eu não me decidi para qual faculdade me inscrever.

— Já estou com seus papeis prontos é só preencher. — Falei sorrindo e ele me encarou confuso.

— Isso esta muito confuso. — Levantou. — Eu vou para casa, te ligo mais tarde.

— Ta bem. Se cuida. Amo você. — Sorriu antes de sair.

— Nós assustamos ele. — Mamãe comentou.

— Qualquer pessoa ficaria assustada com essa loucura. — Resmunguei lançando um olhar aos dois. — Vocês combinaram isso?

— Sim. Realmente não esperava que você fosse surtar e sair de casa.

— E passar os dias na casa do namorado. — Papai comentou. — Achamos que você fosse para a casa da Mel.

— Eu não consigo acreditar nisso. Normalmente pais querem testar os genros, não as filhas. — Eles riram juntos. — Então eu posso namorar com ele, fazer faculdade e tudo mais?

— Eu já disse que pode. — Sorri abertamente.

— Isso que eu chamo de premio. — Levantei. — Vou para o meu quarto quero tirar esse vestido, preciso deixar algumas roupas melhores na casa da Mel. Realmente odeio chinelo.

Segui para o meu quarto, mas minha mãe me acompanhou.

— Agora me conte como foi a experiência. — Falou sentando na cama e eu juntei as sobrancelhas.

— Que experiência?

— Não adianta dizer que dormiu no quarto de hospedes que eu não vou acreditar.

— Ah. Isso. Primeiro não tem quarto de hospedes. — Sentei na cama. — Foi maravilhoso. Isaac foi gentil e carinhoso. Foi perfeito como sempre desejei que minha primeira vez fosse. — Sorri animada. — Usamos camisinha caso você fique preocupada.

— Sim por que não quero netos. E vou marcar uma consulta com minha ginecologista para conversarmos sobre você começar a tomar pílula. — Sorriu. — Minha menina acabou de se tornar completamente mulher. — Bateu palmas e eu sorri de sua animação.

Minha mãe já tinha 40 anos, mas continuava bonita e parecia bem mais jovem. Parecia que sua beleza juvenil não tinha abandonado seu rosto e ate seu corpo. Sem falar é claro que ela era como Mel. Queria saber todos os detalhes da minha vida, meu primeiro beijo, meu primeiro encontro. E agora minha primeira vez. Quando fiquei menstruada a primeira vez ela comprou uma cesta de absorventes, remédios, chocolate e filmes para mim. Quando comecei a querer me cuidar ela me deu uma cesta com chapinha, baby liss, uma maleta com maquiagens, tudo que eu poderia querer para fazer minhas unhas.

Claro que eu ia ao salão as vezes, mas sempre gostei de me cuidar em casa. Minha mãe tinha os cabelos castanhos claros puxado para o loiro e meu pai tinha os cabelos castanho acobreados, mas Nate e eu temos os cabelos loiros.

Antes de dormir liguei para Isaac pedindo desculpas pelas loucuras dos meus pais, apesar de ficar incomodado ele aceitou por mim. E disse que ia pensar sobre a faculdade e estagio na empresa do meu pai.

Depois liguei para a Mel para contar tudo.

— Não acredito que seu pai fez isso.

— Pode acreditar.

— Que maluco! Eu imagino a cara do Isaac quando ouviu isso.

— Acredite minha cara estava pior. — Suspirei. — Pelo menos deu tudo certo.

— Sim, amanhã conversamos melhor.

— Sim. — Ela desligou.

Na segunda acordei sentindo falta do Isaac. Tinha passado duas noites com ele e sentia sua falta. Levantei e fui para o banheiro. Tomei banho e procurei rapidamente por uma roupa optando por uma calça jeans, regata preta, jaqueta de couro azul e calcei na corrida meu coturno cinza.

— Que pressa. — Papai comentou quando me sentei a mesa. — Esta atrasada? — Consultou o relógio.

— Não. Mas quero conversar com Mel. Vou dar uma carona para ela. Temos que conversar sobre o final de semana. — Ele revirou os olhos e mamãe sorriu.

Mel estava esperando na frente da casa quando o motorista estacionou, ela foi rápida em entrar no carro antes que ele descesse para abrir a porta.

— Então me conta tudo. Pode ser nos mínimos detalhes.

— Não vou contar os mínimos detalhes.

— Eu contaria da minha primeira vez se você quisesse escutar.

— Eu não queria escutar como era o tamanho do pênis do meu irmão. — Retruquei e ela riu. — Já te contei tudo que você precisa saber. Minha mãe vai marcar consulta com o ginecologista essa semana.

— Ainda não acredito que você vai fazer 18 anos e não toma pílula. Eu tomo desde meus 14 anos.

— Eu não tenho vida sexual ativa desde os meus 14 anos. Ainda não esqueço a cara do seu pai quando descobriu de você e Nate. — Ela gargalhou.

— Achei que ele fosse denunciar o Nate para a policia. Mas ele realmente ficou furioso depois.

— Eu sei, quando meu irmão terminou tudo e deu no pé.

Na escola encontrei com Isaac indo para a aula de inglês.

— Oi. — Beijei seus lábios. — Tudo bem?

— Muito confuso, mas estou bem.

— Acredite ate mesmo eu estou confusa. Mas não liga meus pais são loucos.

— Isso eu vi. — Balançou a cabeça.

— O importante é que... Por mais louco que tenha sido. Eu passei no teste deles. E eles gostam de você. — Sorri animada.

— Teria sido bem melhor terem dito isso desde o começo.

— Já entendi, você não gostou. — Parei no meio do corredor e ele se virou para mim.

— E você gostou?

— Não gostei. Mas esta tudo bem. Vamos só esquecer isso e viver a nossa vida.

— Por que eu ainda acho que aquela oferta de emprego é só para eu poder dar um futuro para você? Teus pais perderam a noção das coisas. Não se brinca com a vida das pessoas como se fosse marionetes dele. EU NÃO sou uma marionete deles! — Virou as costas e me deixou sozinha no corredor.

Observei ele virar o corredor antes de virar e caminhar para a enfermaria. Não precisei fingir um ataque de ansiedade. Estava descontrolada chorando que só pedi para passar a aula de inglês na biblioteca. A enfermeira me liberou e segui direto para a biblioteca.

Peguei alguns livros e sentei em uma mesa mais afastada. Precisava ler. Me distrair. Quando era criança e não tinha tanta pressão sobre meu futuro, queria viajar o mundo e tirar varias fotos. Era tola pensando que poderia fazer isso já que era rica. Só que eu fui crescendo e descobri que ter a minha vida não era um sonho. As vezes era um pesadelo.

Quando contei ao meu pai o que eu queria fazer ele disse: "Você tem uma empresa para comandar, seu irmão e você serão o futuro. Não há tempo para viagens tolas pelo mundo.".

Não fiquei ofendida, talvez magoada. Era uma criança cheia de sonhos. Mas todos tinham razão meu pai manipulava a nossa vida por isso Nate foi embora.

No final do dia Isaac seguiu embora sem ao menos me olhar. E seguiu assim nas semanas seguintes. Eu realmente não sabia o que fazer, por onde seguir. Tinha tudo planejado e de repente minha vida não fazia mais sentido.

E para piorar voltei a ter sonhos estranhos. Cabelos ruivos. Olhos vermelhos. Uivos. Gritos. Toda vez eu acordava assustada e suada. O coração a mil.

Com os preparativos da minha festa de aniversario acabei por faltar algumas aulas.

— Viu ele? — Perguntei para Mel pelo celular.

— Ele estava no treino do time quando passei. Ele me olhou, quando o encarei de volta ele desviou o olhar. Não liga para ele, é só um covarde.

— No fundo ele tem razão, Mel. O que os meus pais fizeram foi uma loucura.

— Mas você já os perdoou. — Cocei a sobrancelha enquanto olhando os menus a minha frente.

Eu tinha que escolher quais comidas colocar na festa e bebidas.

— Mel...

— Ok. Não vou te julgar. Só... Você já fez tudo pelo Isaac por que gosta dele, não o deixe escapar.

— Eu sei. E obrigada pelo conselho. Te amo.

— Tambem te amo amiga. Tenho que desligar. Nos vemos amanhã?

— Se eu não for para aula você vem aqui?

— Sim. — Ela desligou.

Deixei o celular em cima da mesa e suspirei.

— Preocupada se vai vestir um vestido de renda ou de babados? — Sorri com o deboche.

Me virei e encarei Nate. Continuava o mesmo de dois anos atrás. Os mesmos cabelos loiros bagunçados. Os mesmo olhos verdes me encarando como se esperassem algo.

— Nate! — Gritei pulando da cadeira.

Corri ate ele me jogando seus braços.

— Achou que eu perderia a festa de 18 anos da minha irmãzinha? — Sorri apertando ele nos meus braços.

Agora sim eu me sentia tranquila. Nate estava de volta.